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Sexta, 14 Março 2025 07:26

CLIPPING AHPACEG 14/03/25

ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

Planos de Saúde vão ser usados para desafogar SUS

https://medicinasa.com.br/planos-desafogar-sus/

Nova regulação da ANS: equilíbrio necessário ou risco para o setor?

https://medicinasa.com.br/regulacao-ans/

Justiça condena médicos, clínica e Hapvida a indenizar paciente após exame ginecológico sem consentimento em Alagoas

https://www.tribunauniao.com.br/noticias/119017/justica-condena-medicos-clinica-e-hapvida-a-indenizar-paciente-apos-exame-ginecologico-sem-consentimento-em-alagoas

Anestesista morto em acidente na BR-060 atuava na rede pública do DF

https://www.metropoles.com/distrito-federal/anestesista-morto-em-acidente-na-br-060-atuava-na-rede-publica-do-df

Auxílios-doença por ansiedade têm maior patamar em dez anos no INSS

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/03/auxilios-doenca-por-ansiedade-tem-maior-patamar-em-dez-anos-no-inss.shtml

Deputados da base governista cobram explicações do secretário estadual de Saúde

https://ohoje.com/2025/03/13/deputados-da-base-governista-cobram-explicacoes-do-secretario-estadual-de-saude/

Inadimplência do IMAS causa nova crise na saúde de Goiânia; prestadores avaliam greve

https://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/inadimplencia-do-imas-causa-nova-crise-na-saude-de-goiania-688003/

Falta de transparência, despesas elevadas, conflitos de interesse: CFM publica intervenção no Cremerj e afasta 8 da diretoria

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2025/03/14/falta-de-transparencia-despesas-elevadas-conflitos-de-interesse-cfm-publica-intervencao-no-cremerj-e-afasta-diretoria.ghtml

Idosa de 68 anos morre um dia depois de conseguir vaga em leito de UTI, em Nerópolis

https://g1.globo.com/go/goias/videos-ja-1-edicao/video/idosa-de-68-anos-morre-um-dia-depois-de-conseguir-vaga-em-leito-de-uti-em-neropolis-13420225.ghtml

MEDICINA S/A

Planos de Saúde vão ser usados para desafogar SUS

E não é por menos. Essa proposta trata da possibilidade de comercialização de planos de saúde exclusivamente ambulatoriais, abrangendo apenas consultas e exames. A ideia é oferecer contratos com mensalidades mais acessíveis, possibilitando uma futura contratação de cobertura hospitalar, caso o beneficiário deseje ampliar sua assistência.

No entanto, essa modalidade de atendimento, por ser mais restrita, não contempla coberturas que demandem maior atenção dos profissionais de saúde, como tratamentos prolongados, internação, pronto-socorro, recuperação pós-anestésica e UTI.

Atualmente, de acordo com o art. 12 da Lei de Planos de Saúde, é facultado às operadoras oferecer planos nos segmentos ambulatorial, hospitalar (com ou sem obstetrícia) e odontológico. O plano exclusivamente ambulatorial já existente garante cobertura ilimitada para consultas em clínicas básicas e especializadas reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina, exames laboratoriais, consultas em consultórios e atendimentos como raio-X, além de tratamentos antineoplásicos domiciliares de uso oral.

No entanto, esse segmento não inclui internação hospitalar, salvo nas primeiras 12 horas, conforme determina o art. 2.º da Resolução Consu 13/98, que prevê esse período para casos de urgência e emergência. Assim, nos planos atualmente comercializados, um paciente pode ser internado por curto período e, caso necessite de continuidade de atendimento, deve arcar com os custos ou recorrer ao SUS.

A nova proposta busca ampliar o acesso à saúde suplementar, mas pode resultar em atendimentos precários e gerar confusão entre os beneficiários, que podem não compreender claramente as limitações da cobertura. Isso é preocupante, considerando a relevância da saúde e a sensibilidade do setor.

Hoje, as operadoras de planos de saúde buscam ampliar a cobertura populacional, que atualmente atinge cerca de 25% da população, somando mais de 52 milhões de beneficiários. Contudo, já enfrentam dificuldades para atender às solicitações dentro dos prazos estabelecidos pela Resolução Normativa 566 da ANS. A questão que se coloca é: como garantir um atendimento adequado diante da necessidade de realocação de recursos para uma nova demanda puramente ambulatorial?

*Walter Landio dos Santos é Advogado na Maricato Advogados Associados e especialista em Direito Médico e da Saúde, com foco na defesa dos beneficiários de planos de saúde.

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Nova regulação da ANS: equilíbrio necessário ou risco para o setor?

A 50ª Audiência Pública da ANS reacendeu um debate crítico sobre a reformulação da política de preços no setor de saúde suplementar. A proposta da agência reguladora busca maior transparência nos reajustes, controle sobre coparticipação e franquias, obrigatoriedade da venda online e mudanças na revisão técnica dos planos individuais. No entanto, representantes do mercado alertam para o risco de insegurança jurídica, redução da concorrência e inviabilização de pequenas e médias operadoras.

A ANS pretende impedir a combinação de índices de reajuste e adotar uma metodologia única baseada na sinistralidade mínima de 75%, além de promover o agrupamento compulsório de contratos coletivos. Para o setor, essas medidas podem gerar impactos negativos, já que a sinistralidade varia conforme o porte e perfil dos clientes atendidos. Além disso, limitar a rescisão contratual ao aniversário dos contratos, salvo inadimplência ou ilegitimidade, é visto como uma restrição à liberdade negocial.

Outro ponto de controvérsia é a imposição de um teto de 30% para coparticipação e limites de exposição financeira. Segundo especialistas, essa medida pode eliminar a atratividade dos planos com coparticipação e resultar no aumento das mensalidades. Além de desestimular novas ofertas no mercado, a limitação pode favorecer a concentração entre as grandes operadoras. Da mesma forma, a obrigatoriedade da venda online foi duramente criticada, pois, além de excluir parte da população sem acesso digital, pode levar ao fechamento de operadoras menores, comprometendo a concorrência e o acesso à saúde suplementar.

A revisão técnica dos planos individuais também gerou debate. A ANS propõe novas regras para permitir reajustes excepcionais nesses planos quando houver desequilíbrio econômico-financeiro, mas o setor argumenta que essa revisão deve se limitar à carteira específica e não à operadora como um todo. O temor é que, sem regras claras e contrapartidas viáveis, muitas operadoras abandonem esse segmento, tornando os planos individuais ainda mais escassos e caros.

Diante das críticas, o Ministério Público Federal (MPF) se manifestou solicitando mais prazo para as discussões, destacando a importância de aprofundar os debates sobre impactos econômicos e jurídicos das novas normas. O MPF também questionou a efetividade da audiência pública e da consulta promovida pela ANS, alertando que não há como garantir a legitimidade desses debates se não forem acompanhados de estudos técnicos sólidos e de um espaço de diálogo efetivo com o setor. Sem essa segurança, há o risco de que as novas regras acabem sendo questionadas na Justiça, ampliando ainda mais a incerteza regulatória.

O que se desenha é um impasse: de um lado, a ANS tenta corrigir falhas do setor e ampliar a proteção ao consumidor; de outro, as operadoras denunciam uma intervenção que pode reduzir a oferta de planos e encarecer serviços. A ausência de estudos técnicos aprofundados foi um dos pontos mais criticados, e o risco de judicialização das novas regras só aumenta a insegurança do setor.

Diante desse cenário, a grande pergunta que fica é: a ANS reconsiderará as críticas e ajustará suas propostas à realidade do mercado ou insistirá em medidas que podem comprometer a sustentabilidade do setor de saúde suplementar? O futuro do segmento e o acesso à saúde privada no Brasil podem estar em jogo.

*Aline Gonçalves Lourenço é sócia Regulatório do Bhering Cabral Advogados.

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TRIBUNA UNIÃO

Justiça condena médicos, clínica e Hapvida a indenizar paciente após exame ginecológico sem consentimento em Alagoas

A Justiça de Alagoas determinou que a operadora de saúde Hapvida, uma clínica conveniada e dois médicos paguem uma indenização de R$ 80 mil por danos morais a uma paciente que perdeu a virgindade após ser submetida a um exame ginecológico sem consentimento adequado.

A decisão judicial apontou negligência e imprudência no atendimento, considerando que o procedimento foi invasivo e desnecessário. A paciente informou aos profissionais que era virgem antes do exame, mas mesmo assim foi submetida ao procedimento sem explicação clara sobre os riscos envolvidos.

A ginecologista responsável foi considerada a principal culpada por prescrever o exame de forma inadequada, desrespeitando a condição da paciente. O médico que realizou o procedimento também foi responsabilizado por não verificar corretamente as informações fornecidas. Além disso, a Justiça atribuiu responsabilidade objetiva à Hapvida e à clínica conveniada por não garantirem um atendimento adequado e respeitoso dentro da rede credenciada.

Na defesa apresentada, os profissionais e as instituições tentaram transferir a responsabilidade. A ginecologista alegou que seguiu critérios técnicos, a Hapvida afirmou que a culpa era da clínica e dos médicos, enquanto a clínica responsabilizou a médica que solicitou o exame. Já o médico que realizou o procedimento argumentou que a responsabilidade era da ginecologista e da clínica.

Apesar das alegações, a Justiça manteve a condenação e atribuiu responsabilidade solidária a todos os réus. A decisão ainda cabe recurso.

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METRÓPOLES

Anestesista morto em acidente na BR-060 atuava na rede pública do DF

Alberto Dalmacio Villalba de Faria, 34 anos, morreu carbonizado após o perder o controle do carro e colidir em uma árvore na BR-060

O médico que morreu carbonizado após bater o carro que dirigia em uma árvore na BR-060 atuava como anestesista na Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). Alberto Dalmacio Villalba de Faria , 34 anos, perdeu o controle do carro e colidiu em uma árvore na BR-060, no Km 83, trecho que liga Anápolis (GO) a Brasília. O acidente aconteceu na noite de terça-feira (11/3).

O Portal da Transparência do GDF mostra que Alberto trabalhava, desde 2018, na rede pública de saúde da capital federal. Além disso, ele atuava como legista na Polícia Científica de Goiás.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal ( PRF ), a "vítima conduzia um Volvo XC40 quando, sob chuva intensa, perdeu o controle da direção, saiu da pista e colidiu contra uma árvore. Após o impacto, o veículo foi consumido por fogo".

O Corpo de Bombeiros informou que, quando chegou ao local, encontraram o carro elétrico Volvo XC40 em chamas e o corpo do médico já carbonizado no banco do passageiro.

Comoção

Por meio de nota, a Polícia Científica expressou pesar pela morte de Alberto Dalmacio. "[.] dedicou-se com excelência e compromisso à sua função, sendo reconhecido e admirado por colegas e amigos", diz o texto.

O Conselho Regional de Medicina de Goiás (CREME-GO) também lamentou a morte de Alberto. "O Cremego se solidariza com a família, os amigos e os médicos goianos neste momento de dor".

As causas do acidente serão apuradas pela Polícia Rodoviária Federal e pela Polícia Científica.

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FOLHA DE S.PAULO

Auxílios-doença por ansiedade têm maior patamar em dez anos no INSS

Número total dos afastamentos pelos dez transtornos mais recorrentes aumentou 68% desde o ano passado e dobrou desde 2014

Os auxílios-doença por ansiedade dispararam e atingiram o maior número de concessões em dez anos, ocupando o primeiro lugar no ranking do Ministério da Previdência Social pelo quarto ano seguido. Os afastamentos por depressão aparecem na sequência.Em relação ao ano passado, os casos ligados a ansiedade aumentaram em 76%, ante 69% dos atribuídos à depressão. O volume total de auxílios concedidos pelo INSS teve uma alta de quase 40%.

O ministério elaborou um ranking dos dez transtornos mentais e comportamentais que mais geraram a concessão de benefícios por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), de 2014 a 2024, em todo o Brasil.

O número total de auxílios deste ranking é de quase meio milhão, o que representa um aumento de cerca de 67% em relação ao ano passado. Também é o maior número de licenças médicas concedidas dos últimos dez anos.

O QUE EXPLICA ESSE CENÁRIO?

Para a advogada trabalhista Priscila Arraes, o aumento da concessão de benefícios é causado pelo adoecimento mental. "As pessoas passaram a pandemia no modo sobrevivência, esperando que voltaríamos à normalidade, mas não voltamos. Hoje temos o home office, por exemplo, e o luto por parentes perdidos."

A especialista também cita a precarização do trabalho, que afirma ser progressiva desde 2017. "Há um risco iminente de perder o emprego. Amanhã o empregador pode mandar o funcionário embora e contratar um autônomo para reduzir custos. É a diminuição de funcionários, mas não do trabalho. Uma equipe pequena faz as mesmas coisas que a equipe grande fazia."

O home office foi outro fator apontado pela especialista como motivador do adoecimento. "Muitas vezes o trabalho ultrapassa o limite do descanso, envia-se mensagens a qualquer hora. O ambiente empresarial também invade a casa, que antes era espaço da família. E há uma falta de proteção social, do ver e ser visto pelos colegas."

Neste ano, também houve um aumento de auxílios-doença no geral, incluindo transtornos físicos. Priscila diz que é possível atribuir isso ao fato de que, na época da pandemia, as pessoas fizeram menos cirurgias eletivas e exames de rotina, prejudicando a saúde geral.

QUAIS MEDIDAS FORAM TOMADAS?

A advogada previdenciária Adriane Bramante também acredita que o número de afastamentos por saúde mental pode ser explicado por uma maior exigência do mercado de trabalho. "O cumprimento de metas excessivas causa cada vez mais transtornos, e isso se agravou, principalmente, após a pandemia", afirma.

As tecnologias também têm contribuído. "As pessoas querem tudo para ontem. Se você recebe um WhatsApp, precisa responder na hora. É um imediatismo muito grande."

"Por isso também foi publicada a NR-1, que trata de aspectos psicossociais e traz protocolos para evitar esses transtornos", diz. Adriana se refere à Norma Regulamentadora Número 1, feita pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) em agosto do ano passado.

O documento, que estabelece as condições de segurança e saúde no ambiente de trabalho, foi atualizado para determinar a responsabilidade dos empregadores em promover um ambiente favorável ao bem-estar psicológico. As empresas devem implementar um planejamento para controle dos riscos ocupacionais relacionados à saúde mental, que fica à disposição para a fiscalização do MTE.

No final do ano passado, em entrevista à Folha, Alessandro Stefanutto, presidente do INSS, falou sobre a continuidade do Atestmed, sistema que permite pedir auxílio sem precisar passar por perícia médica.

QUAIS SÃO AS CONSEQUÊNCIAS DOS AFASTAMENTOS?

Segundo Adriane Bramante, os custos para as empresas são calculados por meio de alíquotas aplicadas sobre o valor da folha de pagamento. Existem alíquotas de 1%, 2% ou 3%, conforme o risco de acidente do trabalho e de acordo com a atividade da empresa.

"Essas alíquotas podem aumentar em até 100% se a empresa tem muitas ocorrências acidentes de trabalho, e reduzir em até 50% se não tiver", diz Adriane. "É um incentivo para que os empregadores invistam em segurança do trabalho e evitem os acidentes, que refletem tanto na Previdência quanto na questão trabalhista."

COMO PEDIR O AUXÍLIO-DOENÇA?

O pedido deve ser feito pelo Meu INSS ou pela Central Telefônica 135:

Entre no Meu INSS;

Clique em "Pedir Benefício por Incapacidade";

Selecione o tipo de perícia e siga as orientações que aparecem na tela;

Informe os dados necessários para concluir seu pedido.

É necessário comprovar a incapacidade para o trabalho por meio de atestado médico e documentos complementares.

O atestado e os documentos complementares sobre a doença serão submetidos à perícia médica, que fará a análise documental e irá estabelecer tempo de duração do benefício. Caso necessário, com outro atestado, o segurado pode solicitar a prorrogação do benefício, desde que a soma deles não ultrapasse 180 dias, segundo informou o INSS.

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O HOJE

Deputados da base governista cobram explicações do secretário estadual de Saúde

Parlamentares demonstraram indignação com a postura de Rasível dos Reis

Durante a sessão ordinária na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), nesta quinta-feira (13), deputados da base governista cobraram explicações ao Secretário Estadual de Saúde, Rasível dos Reis, pela falta de remédios para pacientes com fibrose pulmonar idiopática – doença respiratória crônica – cadastrados na Central Estadual de Medicação de Alto Custo (Cemac) Juarez Barbosa. 

Com a palavra, o líder do governador Ronaldo Caiado (União Brasil) na Alego, Talles Barreto (União Brasil), expôs a situação e convidou o secretário para comparecer à Assembleia, para esclarecer a falta de medicamento. “Na comissão de Saúde, se nós tivermos a oportunidade, a gente faz um esclarecimento para a sociedade, porque tem 300 pessoas que estão sem medicamento… Ele [Rasível] tem que dar satisfação para a população. Ele esteve aqui e afirmou que ‘deve satisfação’ ao governador. Não, ele deve satisfação a quem representa o povo de Goiás aqui [na Alego]”.

O deputado Clécio Alves (Republicanos) também não poupou críticas a Rasível. “Esse sujeito que se apresenta como secretário de saúde, que eu não sei nem de onde ele veio e não me interessa saber, ele presta um desserviço ao Estado de Goiás. Ele é atrevido, sem educação”. 

O parlamentar ainda elogiou Barreto, que expôs a situação mesmo sendo o líder do governo na Casa. Se referindo ao secretário como “bicho de pé”, Clécio ainda disse que caso o Rasível não aceite o convite, que ele seja convocado. 

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JORNAL OPÇÃO

Inadimplência do IMAS causa nova crise na saúde de Goiânia; prestadores avaliam greve

As dívidas ultrapassam R$ 100 milhões, afetando 44 prestadores, incluindo clínicas oncológicas, hospitais, laboratórios e bancos de sangue

O Sindicato dos Laboratórios de Análises e Bancos de Sangue do Estado de Goiás (SINDILABS-GO) fez alerta sobre a inadimplência do Instituto Municipal de Assistência à Saúde dos Servidores de Goiânia (IMAS), que atende servidores municipais e seu dependentes.

De acordo com o sindicato, prestadores de serviço da saúde não recebem pagamentos devidos pelo IMAS desde fevereiro 2024. Além disso, outros fornecedores sofrem com atrasos desde agosto do mesmo ano.

Por conta dos atrasos, as dívidas ultrapassam R$ 100 milhões, afetando 44 prestadores, incluindo clínicas oncológicas, hospitais, laboratórios e bancos de sangue.

Em janeiro deste ano, o presidente do IMAS se comprometeu em apresentar, em prazo de 10 dias, um cronograma de pagamento das dívidas acumuladas, priorizando a quitação de débitos de 2024 e anos anteriores. O cronograma visa assegurar a continuidade dos serviços essenciais. Na ocasião, foi prometido que os pagamentos referentes às competências de julho de 2024 em diante seriam regularizados até março de 2025.

Contudo, o sindicato afirma que em fevereiro deste ano houve a promessa de quitação das competências de outubro e novembro de 2024 até o dia 28/02/2025, além da elaboração de um cronograma para os débitos anteriores. Entretanto, nenhum pagamento foi feito e nenhum cronograma foi apresentado até a segunda semana de março.

Por conta dos atrasos, prestadores de serviço avaliam iniciar uma greve. Alguns destes já recorreram à Justiça em busca de soluções, já que a falta de pagamento ameaça a sustentabilidade dos serviços de saúde em Goiânia.

A reportagem entrou em contato com a assessoria do IMAS e ainda aguarda retorno. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

Em nota, o IMAS afirmou que “trabalha para encontrar soluções para os problemas financeiros herdados de gestões anteriores”.

Crise no IMAS

Ao longo do de 2024 o Jornal Opção mostrou que o instituto sobre com várias paralisações de prestadores de serviços. Em maio usuários do Imas com câncer ficaram sem atendimento no Ingoh e Hemolabor.

Nos meses de março e abril, o Hospital Infantil de Campinas (HIC) suspendeu os atendimentos, que retornaram após a troca do presidente Marcelo Teixeira pela médica Gardene Moreira, e os pagamentos de duas de oito parcelas atrasadas. Agora, a crise se agravou com o atendimento de pacientes para prevenir e tratar casos de câncer. A dívida com a unidade de saúde chegou a R$ 137 mil segundo a diretoria.

Leia a nota íntegra

A atual gestão do Instituto Municipal de Assistência à Saúde dos Servidores (Imas) esclarece que trabalha para encontrar soluções para os problemas financeiros históricos herdados de gestões anteriores. Foi iniciado no último dia 7 de março o pagamento dos prestadores de serviços, que será feito de forma contínua e progressiva.

O Instituto seguirá um cronograma de pagamento baseado na referência dos serviços prestados, de forma escalonada, com previsão de quitação das pendências mais recentes o mais breve possível.

A gestão do Imas mantém diálogo transparente com os representantes dos prestadores de serviço, respondendo todas as demandas apresentadas, dentro da capacidade de planejamento financeiro do Instituto.

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PORTAL G1

Falta de transparência, despesas elevadas, conflitos de interesse: CFM publica intervenção no Cremerj e afasta 8 da diretoria

A intervenção do Conselho Federal de Medicina (CFM) publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (14) tem como base uma investigação do órgão que constatou 'uma situação de ineficiência e desorganização administrativa massiva e generalizada'.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou em uma resolução no Diário Oficial da União desta sexta-feira (14) a intervenção no Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj). Oitos membros da diretoria do órgão foram afastados de suas funções, entre eles, o presidente Walter Palis Ventura.

A medida tem como base uma investigação do CFM realizada em janeiro que constatou problemas como a falta de transparência nos gastos, despesas elevadas e conflitos de interesse, entre outras irregularidades.

Durante dez dias, a equipe do CFM analisou diversos documentos, incluindo receitas, despesas, balanços e relatórios contábeis, com foco na gestão iniciada em outubro de 2023.

Segundo o CFM, os problemas identificados na vistoria constatam "diversos atos que expõem o Cremerj a penalidades e riscos legais e financeiros significativos". Entre os apontamentos estão:

despesas elevadas e desnecessárias com instalações provisórias, o que resultou em altos custos com aluguéis e condomínios;

desrespeito às normas legais de compra e pagamentos de fornecedores;

falta de transparência e controle em informações sobre concessões e pagamentos;

aumento de despesa com pessoal sem observar as exigências legais;

ineficiência na gestão financeira, comprovada por resultados financeiros deficitários nos últimos exercícios, levando à necessidade de empréstimos em 2023 e antecipação de receitas em 2024;

e conflitos de interesse e uso indevido de recursos públicos.

De acordo com o documento que determinou a intervenção, estão afastados de suas funções na diretoria do Cremerj:

Walter Palis Ventura (presidente);

Luiz Fernando Nunes (primeiro vice-presidente);

Marcelo Erthal Moreira de Azeredo (segundo vice-presidente);

Yuri Salles Lutz (secretário geral);

Ricardo Farias Júnior (primeiro secretario);

Sylvio Sergio Neves Provenzano (segundo secretario);

Joel Carlos Barros Silveira Filho (tesoureiro);

e Katia Telles Nogueira (primeira tesoureira).

O g1 tenta contato com os diretores afastados.

Diretoria provisória

Com o afastamento de 8 integrantes da diretoria atual, um novo grupo provisório será montado para comandar o Cremerj durante a intervenção.

A determinação publicada nesta sexta apontou que o novo presidente do órgão será o conselheiro federal titular Alexandre de Menezes Rodrigues, do CRM-MG.

A diretoria provisória também contará com o conselheiro federal suplente Alceu José Peixoto Pimentel, do CRM-AL, que atuará como secretário-geral. O tesoureiro provisório do Cremerj será o conselheiro federal titular Ademar Carlos Augusto, do CRM-AM.

Os atuais ocupantes dos cargos de corregedor, vice-corregedor e diretor de sede e representações não perderam suas funções administrativas e de conselheiros no Cremerj. Contudo, eles não terão direito a voz e voto nas reuniões da diretoria provisória.

A diretoria provisória deverá apresentar relatórios trimestrais de sua gestão ao CFM, que avaliará a necessidade de manter a intervenção ou não.

A medida visa facilitar a adoção de providências para o restabelecimento da eficiência administrativa, da regularidade institucional e do equilíbrio das contas públicas da autarquia, além de permitir a abertura de processos internos para apuração de responsabilidades.

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TV ANHANGUERA

Idosa de 68 anos morre um dia depois de conseguir vaga em leito de UTI, em Nerópolis

https://g1.globo.com/go/goias/videos-ja-1-edicao/video/idosa-de-68-anos-morre-um-dia-depois-de-conseguir-vaga-em-leito-de-uti-em-neropolis-13420225.ghtml

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Assessoria de Comunicação

Quinta, 13 Março 2025 06:56

CLIPPING AHPACEG 13/03/25

ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

Pilares para alcançar resultados e lucros sustentáveis em operadoras de saúde

Empresas pedem a Trump acesso ao mercado de saúde, teles e etanol do Brasil

Polícia prende proprietários de clínica estética de luxo em Goiânia

UFG impulsiona pesquisa em terapia celular para saúde dos olhos em Goiânia

Médico morre após carro bater contra árvore e pegar fogo

Maternidades de Goiânia enfrentam atraso no pagamento de salários e benefícios

MEDICINA S/A

Pilares para alcançar resultados e lucros sustentáveis em operadoras de saúde

Como a Unimed Criciúma cresceu mais de 70% em cinco anos, aliando a atenção aos beneficiários à eficiência operacional

Nos últimos cinco anos, a Unimed Criciúma tem se destacado pelo crescimento em número de beneficiários, estrutura e resultados operacionais. A cooperativa é líder em Santa Catarina e figura entre as melhores do Brasil no setor, segundo a Agência Nacional de Saúde (ANS), graças a um modelo de gestão eficiente que alia a qualidade nos serviços prestados à excelência operacional.

Um dos aspectos mais relevantes que explicam esse crescimento é a capacidade da empresa de expandir suas operações em um curto período de tempo, mantendo resultados operacionais e líquidos bem acima da média das operadoras de saúde.

Leandro Avany Nunes, presidente do Grupo Unimed Criciúma, explica que a cooperativa ampliou o seu compromisso com a remuneração justa dos cooperados sem comprometer a perpetuidade do negócio. Assim, o valor da consulta médica é o maior praticado entre as cooperativas médicas do Brasil.

Em 2019, a Unimed Criciúma tinha cerca de 500 colaboradores, um hospital de 60 leitos, um faturamento de R$ 277 milhões e uma margem de resultado líquido inferior a 3%. Já em 2024, a cooperativa cresceu exponencialmente, com mais de 1.600 colaboradores, três hospitais, duas redes de laboratórios, faturamento de R$ 800 milhões e margem líquida superior a 13%.

Ela também evoluiu significativamente nos resultados operacionais. Em 2019, ocupava a 50ª posição no ranking das cooperativas médico-hospitalares; em 2023, alcançou o 7º lugar no Brasil. Também foi destaque em Santa Catarina, ficando em 2º lugar em margem de lucro líquida e liderando em resultado operacional nos últimos três anos.

Como a Unimed Criciúma alcançou esses resultados?

A chave para todo esse sucesso reside na implementação e no fortalecimento de um modelo de gestão baseado em cinco pilares estratégicos:

controle de despesas

gestão de sinistralidade

beneficiários

expansão de negócios

inovação

De acordo com Peter F. Drucker, “lucros são o que o oxigênio, a comida, a água e o sangue representam para o corpo. É uma condição para a existência, mas não é o objetivo em si”. Dessa forma, esses pilares representam os elementos que orientam as ações da cooperativa na busca por resultados consistentes e sustentáveis, sempre priorizando a agregação de valor para os beneficiários e cooperados.

1 ° pilar: controle de despesas

O controle de despesas é fundamental para uma gestão eficiente na operadora de saúde, com foco em fazer mais com menos. Estima-se que 20% dos funcionários em cada setor sejam desnecessários, sendo fundamental realizar demissões, conforme a visão de Steve Jobs: “Se você nunca demite alguém, nunca terá uma empresa exemplar”. Isso reforça a importância de manter apenas os profissionais alinhados aos objetivos da empresa, garantindo um time mais eficiente e focado. Há uma citação de Luca Pacioli que complementa tal visão: “Elimine todos os administradores ou juntos dispensaremos a administração”. Isso sugere que a redução de excessos administrativos pode ser essencial para um modelo de gestão mais ágil e eficaz.

Outros aspectos importantes para uma gestão eficiente incluem as negociações constantes de valores de materiais, medicamentos, contratos e OPME (órteses, próteses e materiais especiais). Um exemplo prático disso é o processo de validação de todas as despesas antes do pagamento, realizado diretamente por um diretor. Por exemplo: na compra de um item simples, como manteiga, é possível substituir o produto por uma marca de melhor qualidade e menor preço, gerando economia imediata. No livro Dobre Seus Lucros, Bob Fifer afirma que todas as despesas podem ser reduzidas, sugerindo uma abordagem direta: “assine você mesmo todos os cheques”.

Outra estratégia simples e eficaz para reduzir custos é enviar uma carta a todos os fornecedores solicitando um desconto de 20% nos contratos. Surpreendentemente, mais de 90% aceitarão sem questionar, resultando em uma economia significativa ao longo do ano. Esses são apenas alguns exemplos práticos de um trabalho mais amplo que vem sendo realizado no controle de despesas, tema que será detalhado em outro artigo.

2° pilar: gestão de sinistralidade

A gestão de sinistralidade é um dos maiores desafios para as operadoras de saúde, exigindo inovação e estratégias eficazes, já que muitos procedimentos e consultas, de 20 a 40%, podem ser desnecessários. Para mitigar esse problema, é fundamental a adoção de uma controladoria bem estruturada, com medidas como alertas para médicos sobre exames solicitados, comparações de desempenho online, visitas de médicos controladores e pagamento por desempenho.

Além disso, também podem ser adotadas práticas como a avaliação rigorosa de exames, análise de resultados de laboratórios próprios, reuniões frequentes para discutir desempenho e acompanhamento de pacientes em uso de imunobiológicos.

Na Unimed Criciúma, a perícia e a auditoria de todos os pacientes são vistas como fundamentais para evitar o que é conhecido como “plano de doença”, em vez de um verdadeiro plano de saúde. A inovação em novos produtos e a utilização rigorosa de coparticipação também são ações-chave para o sucesso dessa gestão.

Hospital Unimed Criciúma

3° pilar: beneficiários

O crescimento do número de beneficiários é vital para a sustentabilidade das operadoras de saúde, sendo essencial aumentar o número de vidas atendidas sem comprometer a qualidade. Para isso, as vendas devem ser qualificadas, com uma equipe comercial alinhada à direção.

A Unimed Criciúma, por exemplo, realiza seis pregões de vendas anuais e lança quatro novos produtos a cada ano. O crescimento também depende de ações contínuas, como o gerenciamento de beneficiários excluídos, o tratamento de inadimplentes, a aquisição de novos beneficiários e o desenvolvimento de novos produtos para o mercado.

Com processos bem definidos e metas claras, a cooperativa aumentou em 34% o número de beneficiários, passando de cerca de 64 mil em 2019 para mais de 84 mil em 2024. Esse crescimento foi acompanhado de melhorias nos serviços, refletidas em um índice de aprovação dos clientes superior a 80% nos últimos cinco anos. Além disso, a Unimed investe 0,7% de seu faturamento em marketing, acreditando que é essencial para o fortalecimento da marca e seu crescimento no mercado.

4º pilar: expansão de negócios

A diversificação de negócios é essencial para o crescimento e a sustentabilidade de uma operadora de saúde, pois a dependência exclusiva de planos de saúde pode torná-la vulnerável. Ter serviços hospitalares próprios, por exemplo, tornou-se uma condição fundamental para alcançar bons resultados.

Nos últimos cinco anos, a Unimed Criciúma investiu significativamente em várias áreas, como a ampliação do Hospital Unimed Criciúma (HUC), que dobrou sua capacidade, e a aquisição de duas grandes empresas: o Hospital São João Batista e o Laboratório Búrigo. A cooperativa também investiu na construção de um hospital em Araranguá e na criação de novos negócios, como a clínica Evoloo, a farmácia Unifarma (com faturamento anual de R$ 12 milhões), uma distribuidora de materiais e medicamentos, e lançou um plano de benefícios totalmente digital, o Unidigital. A busca por novas fontes de receita fortalece a operadora, agregando lucro e melhorando a remuneração dos cooperados.

Da esquerda para a direita: Hospital São João Batista, Hospital Araranguá e Unifarma

5º pilar: estímulo à inovação

Há quatro anos, a Unimed Criciúma criou o Centro de Inovação, com um grupo dedicado a desenvolver soluções criativas para os desafios da operadora. Desde então, o centro implementou 120 projetos inovadores, incluindo o lançamento do aplicativo próprio com a modalidade “Consulta Já”, que permite o agendamento de consultas de forma prática, similar ao modelo Uber.

A operadora também se mantém ativa no relacionamento com o seu ecossistema de inovação. Nos últimos anos, a empresa estabeleceu parcerias com centros renomados como Zlabs, Unimed LAB e DAO Global HealthTechs.

Pilares desenvolvidos pelo presidente do Grupo Unimed Criciúma

O sucesso da cooperativa nos últimos cinco anos é atribuído em grande parte à liderança de Leandro Avany Nunes, presidente do Grupo Unimed Criciúma desde 2019. Médico de destaque, ele possui uma sólida carreira e, antes de assumir a presidência, atuou como diretor administrativo do Hospital Unimed Criciúma de 2007 a 2015 e como administrador do Hospital São João Batista entre 2016 e 2017.

Com especialização em Administração Hospitalar, Gestão de Saúde, Finanças e Inovação, Nunes se destaca por sua visão estratégica e expertise em gestão hospitalar. Com os notórios resultados, o presidente foi convidado para palestrar em grandes eventos no último ano, inclusive a nível nacional, onde expandiu as técnicas dos cinco pilares que contribuem para o sucesso da instituição.

Na visão do presidente da Unimed Criciúma, “a ANS, o Poder Judiciário, a sinistralidade e a disrupção técnica são desculpas que nós, gestores, usamos quando não conseguimos obter resultados”. Ao seguir os cinco pilares, “é possível alcançar bons resultados em uma operadora de plano de saúde em qualquer lugar do Brasil”, conclui Nunes.

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PORTAL UOL

Empresas pedem a Trump acesso ao mercado de saúde, teles e etanol do Brasil

O setor privado americano apresentou uma lista de pedidos ao governo de Donald Trump , indicando barreiras que enfrentam para conseguir acesso ao mercado brasileiro. O documento, obtido pelo UOL, foi submetido ao Escritório de Comércio da Casa Branca (USTR, sigla em inglês) no dia 11 de março, como parte da avaliação da nova administração americana sobre quais tarifas poderá impor sobre seus principais parceiros comerciais e na formulação de uma nova política comercial.

No dia 2 de abril, Trump quer inaugurar o que ele chama de "reciprocidade", com taxas sobre países que, supostamente, tratem os produtos americanos de forma injusta. Num processo de consultas com o setor privado americano, o Brasil foi destacado.

Nos próximos dias, os governos de Brasil e EUA vão voltar a se reunir e a esperança do Palácio do Planalto é de que exista um espaço para uma negociação que evite uma guerra comercial.

A Câmara de Comércio dos EUA, no documento, deixou explícito que essa guerra comercial não deve ser o caminho adotado por Trump e que retaliações poderiam minar a economia americana. A entidade, que se apresenta como a maior câmara de comércio do mundo e com 3 milhões de associados, também sugere caminhos para uma negociação para a eliminação de tarifas, e não a imposição de novas barreiras.

Para a entidade, os EUA precisam "de mais acordo de abertura de mercados". A Câmara destaca que há mais de uma década a economia americana não fecha um acordo de livre comércio. Já a UE teria mais de 70 acordos assinados.

O setor privado ainda rejeita a tese de que tarifas devam ser instrumentos de política industrial e alerta que não será por meio de novas taxas que o déficit comercial será resolvido.

Mas, ainda assim, apresenta uma lista de setores que estariam sofrendo dificuldades para ter acesso ao mercado brasileiro.

De acordo com o setor privado americano, em fevereiro de 2023, a Câmara de Comércio Exterior do Brasil (Camex) restabeleceu uma tarifa de 16% sobre as importações de etanol dos EUA, aumentando-a posteriormente para 18% em 2024.

"Anteriormente, as importações de etanol se beneficiavam de tarifas de 0% sob um programa de cotas tarifárias", disseram.

"Os EUA impõem uma tarifa de 2,5% sobre o etanol brasileiro, destacando um desequilíbrio que se tornou um irritante comercial significativo na relação bilateral. Além disso, os produtores brasileiros se beneficiam do acesso aos programas dos EUA, como o Renewable Fuels Standard e o Low Carbon Fuel Standard da Califórnia, enquanto o etanol dos EUA não tem acesso ao programa RenovaBio do Brasil", afirmou.

Recomendação do setor privado americano:

"O Brasil deve reduzir as tarifas de etanol para garantir a reciprocidade e permitir um acesso justo ao mercado para os produtores dos EUA. O desequilíbrio nas tarifas, aliado aos desafios de acesso ao RenovaBio, não apenas coloca os produtores americanos em desvantagem competitiva, mas também afeta a estabilidade dos preços e dificulta a cooperação energética entre as duas maiores nações produtoras de etanol".

De acordo com a carta, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) "enfrenta escassez de mão de obra e atrasos regulatórios que interrompem as cadeias de suprimentos e limitam o acesso a produtos essenciais de saúde".

"A desatualizada RDC 81/2008 rege a importação de produtos de saúde para o Brasil e gera atrasos e custos adicionais para as empresas americanas, que também enfrentam longos processos de aprovação, pois o Brasil não reconhece as aprovações do FDA dos EUA", disse.

"Embora a ANVISA alinhe as regulamentações com o Mercosul, as empresas norte-americanas não se beneficiam de aprovações mais rápidas, o que leva a tempos de espera mais longos e a maiores encargos de conformidade em comparação com concorrentes de outros mercados", diz.

Recomendação:

"Os gargalos regulatórios e a escassez de pessoal na ANVISA representam desafios significativos para as empresas americanas que operam no setor de saúde do Brasil. O Brasil deve aumentar a capacidade da força de trabalho na ANVISA, acelerar as reformas da RDC 81/2008 e estabelecer acordos de reconhecimento mútuo com a FDA dos EUA para superar os obstáculos regulatórios e melhorar o acesso ao mercado para as empresas americanas".

O setor privado americano explicou ao governo Trump que o Brasil "tem um dos sistemas tributários mais complexos do mundo".

"Em dezembro de 2023, o governo brasileiro aprovou uma reforma tributária há muito esperada que visa modernizar o sistema tributário por meio da consolidação de impostos nos níveis federal, estadual e municipal", disse. "Atualmente, em alguns setores, como o de TIC, o Brasil oferece incentivos fiscais para produtos digitais desenvolvidos localmente, enquanto os produtos de telecomunicações importados podem atingir taxas de tributação cumulativas de até 40% em alguns estados", afirmou. "Embora se espere que a reforma reduza a carga tributária - tornando as exportações dos EUA mais competitivas e simplificando a conformidade para as empresas - a implementação completa não ocorrerá até 2033", alertou.

Recomendações:

"É imperativo que o período de transição seja gerenciado de forma eficaz para reduzir os encargos administrativos das empresas à medida que a reforma tributária for implementada. A Câmara pede que o Brasil garanta um tratamento justo para as empresas norte-americanas em todos os setores".

De acordo com a carta, os padrões de propriedade intelectual do Brasil "não se alinham com as melhores práticas globais, deixando de oferecer o mesmo tratamento que as empresas brasileiras recebem de acordo com a legislação dos EUA e excluindo injustamente o setor farmacêutico".

"O tempo médio de exame de patentes pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) do Brasil para o setor biofarmacêutico é de aproximadamente 9 anos, significativamente mais longo do que a média global de 3 anos", disse. "A legislação brasileira também carece de Proteção de Dados Regulatórios (RDP) para produtos farmacêuticos, embora ofereça proteções para produtos químicos veterinários e agrícolas", afirmou.

"Os esforços legislativos para expandir o licenciamento compulsório além dos padrões do TRIPS (Acordo dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio) criam incertezas para os inovadores dos EUA, impedindo o investimento em novos produtos", disse.

Recomendação:

"As alterações na lei de propriedade intelectual do Brasil são cruciais para reduzir os atrasos nos exames e permitir ajustes proporcionais aos termos da patente em casos de atrasos excessivos não causados pelos requerentes", disse. "O Brasil também deve implementar mecanismos legais para pesquisas farmacêuticos e alinhar os padrões de propriedade intelectual com as melhores práticas internacionais, garantindo que as regras de licenciamento compulsório sejam compatíveis com as obrigações da OMC", completou.

A carta ainda destaca como, em 2024, os EUA responderam por aproximadamente 70% de todas as importações de polietileno para o mercado brasileiro, tornando-se o maior fornecedor para o Brasil depois do produtor nacional.

Em outubro de 2024, o Brasil aumentou as tarifas sobre as importações de produtos químicos de 11,5% para 20%. O Brasil também está no meio de uma investigação antidumping dos produtos dos EUA e da Canadá, que, se for bem-sucedida, imporá tarifas adicionais de 21,4%, elevando o total para 41,4%.

Recomendações:

"As políticas tarifárias protecionistas implementadas pelo Brasil não apenas prejudicariam os exportadores de produtos químicos dos EUA, mas também levariam a preços mais altos para os consumidores domésticos", disse. "O Brasil deve avaliar cuidadosamente as necessidades do setor doméstico para determinar se as medidas antidumping são necessárias e dialogar com os EUA para encontrar uma solução mutuamente benéfica que evite a imposição de tarifas", disse.

Um último ponto destacado pelo poderoso instituto se refere ao fato de o Brasil impor "inúmeras exigências regulatórias onerosas às empresas que operam no setor de telecomunicações". "A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) não aceita dados de teste gerados fora do Brasil, exceto em casos limitados em que o equipamento é fisicamente muito grande ou caro para ser transportado. Isso exige que quase todos os testes de equipamentos de TI/telecomunicação - incluindo telefones celulares e cabos ópticos - sejam realizados no Brasil, o que gera aumento de custos e atrasos", disse.

Recomendações:

"Essas barreiras regulatórias criam obstáculos desnecessários à entrada no mercado, atrasam o tempo de colocação no mercado dos produtos dos EUA e aumentam os custos para as empresas que exportam para o Brasil. As exigências do Brasil devem estar alinhadas com seus compromissos na OMC, incluindo o Acordo de Barreiras Técnicas ao Comércio (TBT) da OMC, Artigo 2, Seção 2.2, que exige que as regulamentações técnicas não criem obstáculos desnecessários ao comércio internacional".

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CORREIO WEB

Polícia prende proprietários de clínica estética de luxo em Goiânia

Estabelecimento fazia procedimentos com o uso de substâncias proibidas, como óleo de silicone e polimetilmetacrilato (PMMA)

A Polícia Civil de Goiás (PCGO) prendeu, nesta quarta-feira (12/3), Karine Giselle Gouveia Silva e Paulo César Dias Gonçalves. Os dois são proprietários de uma clínica estética de luxo localizada em Goiânia . Segundo a polícia, procedimentos estéticos de alto risco eram realizados de forma irregular na clínica Karine Gouveia Estética .

O casal já tinha sido preso em dezembro do ano passado, mas foi solto após uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ).

Desde o ano passado, clientes da clínica apresentaram denúncias de deformações e outros problemas estéticos e de saúde após os procedimentos.

A investigação iniciada em fevereiro de 2024 mostrou que o estabelecimento realizava procedimentos estéticos e cirúrgicos, como rinoplastias, lipoaspirações, aplicações de botox e preenchimentos faciais, sem a devida autorização e com o uso de substâncias proibidas, como óleo de silicone e polimetilmetacrilato, conhecido como PMMA .

Segundo as autoridades policiais, essas substâncias, quando injetadas no corpo, podem causar deformidades permanentes, necroses , infecções graves e outras complicações de saúde.

A decisão foi tomada em razão das graves acusações de formação de organização criminosa, falsificação de produtos terapêuticos, lesões corporais gravíssimas, exercício ilegal da medicina, estelionato e outros crimes relacionados à prática de procedimentos estéticos e cirúrgicos sem a devida qualificação técnica e autorização legal , informou a Polícia Civil de Goiás nesta quarta-feira (12/3).

Os policiais destacaram que os investigados agiam de forma organizada e hierárquica, com a utilização de estratégias de marketing agressivas e a participação de profissionais sem a qualificação necessária para realizar os procedimentos oferecidos .

Além disso, foi constatado que a clínica comercializava medicamentos manipulados de forma irregular, incluindo substâncias proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que pode configurar tráfico de medicamentos.

No final do ano passado, o advogado de Karine e Paulo, Romero Ferraz Filho, afirmou ao g1 que a prisão temporária era ilegal .

O Correio fez contato com a defesa do casal para comentar sobre a nova prisão, mas até a publicação desta matéria o jornal não obteve retorno. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.

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A REDAÇÃO

UFG impulsiona pesquisa em terapia celular para saúde dos olhos em Goiânia

https://www.aredacao.com.br/noticias/228403/ufg-impulsiona-pesquisa-em-terapia-celular-para-saude-dos-olhos-em-goiania

Projeto receberá R$ 11 milhões em investimento

A Universidade Federal de Goiás (UFG) vai impulsionar as pesquisas envolvendo terapia celular com foco na saúde dos olhos. O Projeto Cell4Vision foi selecionado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e receberá quase R$ 11 milhões para investir nas pesquisas, que serão realizadas pelo Laboratório de Toxicologia In Vitro (Tox In), localizado no Parque Tecnológico Samambaia (PTS), em Goiânia, em parceria com o Laboratório de Nanotecnologia Farmacêutica (Farmatec) e o Centro de Referência em Oftalmologia (Cerof).
 
A iniciativa pretende desenvolver tratamento regenerativo de doenças oftalmológicas de impacto em saúde pública, como enfermidades da córnea e da retina, a partir de uma plataforma biológica baseada em terapias avançadas. Os pesquisadores pretendem desenvolver alternativas ainda mais efetivas para explorar os efeitos de substâncias sobre células e tecidos saudáveis – uma das frentes de atuação do laboratório. O principal ganho será a possibilidade de estudar doenças oculares genéticas a partir da configuração biológica do organismo de cada paciente.
 
A professora da Faculdade de Farmácia (FF) da UFG e coordenadora do Tox In, Marize Valadares, ressalta a trajetória da pesquisa: "Estudaremos novas terapias celulares para o tratamento de ocorrências envolvendo danos químicos ou gerais induzidos na córnea e na retina, e isso nos posiciona na condição de incorporar novas técnicas que depois estarão à disposição da comunidade".
 
Novos equipamentos
Serão investidos cerca de R$ 6 milhões na aquisição de novas tecnologias e equipamentos para ampliar a infraestrutura do laboratório. O projeto prevê, por exemplo, a compra de uma bioimpressora de alta capacidade que permita obter tecidos biológicos artificiais – especialmente córneas – e criar medicamentos.
 
Outra importante adição ao Tox In deverá ser um dispositivo de reprogramação celular, tecnologia capaz de fazer células maduras regredirem ao estágio de células embrionárias chamadas pluripotentes induzidas (iPSCs, na sigla em inglês). Tratam-se de maquinários disponíveis em poucas instituições de ciência e tecnologia (ICTs) brasileiras.
 
O recurso ainda custeará bolsas científicas, além de financiar a expansão do banco de células do laboratório com as células chamadas xeno-free (livres de componentes animais e produzidas a partir de meios quimicamente definidos). Esse material permitirá avançar ainda mais nos estudos clínicos e obter resultados melhores na investigação dos problemas de saúde dos olhos.
 
Marize Valadares lembra que o aporte financeiro tem uma finalidade específica, mas que o laboratório e o Centro de Pesquisas Laboratórios Integrados de Inovação em Ciências Farmacêuticas (Life), do qual o Tox In faz parte, terão seu trabalho beneficiado de maneira geral.
 
Toda essa jornada deverá durar três anos, período no qual a Fundação de Apoio à Pesquisa (Funape) – também sediada no PTS – ficará responsável pela gestão financeira e administrativa dos recursos. A diretora do Cerof, Katiane Martins, afirma que "é assim que se consolida uma universidade pública, por meio do investimento no ensino, em ações de extensão de qualidade e de pesquisas inovadoras".

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PORTAL G1

Médico morre após carro bater contra árvore e pegar fogo

Alberto Dalmacio Villalba de Faria, de 34 anos, trabalhava como médico legista na Polícia Científica de Goiás. Segundo os bombeiros, o corpo da vítima foi encontrado carbonizado dentro do veículo.

Carro pega fogo após motorista colidir contra árvore, na BR-060

O médico Alberto Dalmacio Villalba de Faria, de 34 anos, faleceu em um acidente na BR-060, no km 83, no trecho que liga Anápolis a Brasília. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a vítima perdeu o controle da direção, saiu da pista e colidiu contra uma árvore às margens da rodovia. Após o impacto, o veículo pegou fogo.

O acidente ocorreu na noite de terça-feira (11). De acordo com o Corpo de Bombeiros, quando chegaram ao local, o carro elétrico, Volvo XC40, estava em chamas, já em estado avançado. O corpo do médico foi encontrado carbonizado no banco do passageiro.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Anápolis e equipes da Triunfo Concebra também prestaram apoio na ocorrência. Os bombeiros aguardaram o Instituto Médico Legal (IML) chegar ao local para retirar as ferragens da vítima.

Em nota, a Polícia Científica de Goiás lamentou a morte de Alberto, que trabalhava como médico legista na Regional de Anápolis (10ª CRPTC), e pontuou que ele deixou um legado de dedicação à segurança pública. A corporação escreveu ainda que o servidor era "reconhecido e admirado por colegas e amigos" (veja a nota completa ao final do texto).

As causas do acidente serão apuradas pela Polícia Rodoviária Federal e pela Polícia Científica.

Nota de pesar da Polícia Científica de Goiás

É com profundo pesar que a Superintendência de Polícia Científica (SPTC) comunica o falecimento de Alberto Dalmacio Villalba de Faria, aos 34 anos. Médico Legista lotado na Regional de Anápolis (10ª CRPTC/Anápolis), dedicou-se com excelência e compromisso à sua função, sendo reconhecido e admirado por colegas e amigos. Filho da delegada aposentada da PCGO, Dra. Ana Maria Villalba Faria, e do Coronel da Reserva da PMGO, Alberto Lacerda de Faria, deixa um legado de dedicação à segurança pública.

Informações sobre o local, data e horário do velório e sepultamento ainda serão definidas e comunicadas oportunamente.

Neste momento de dor, a Polícia Científica de Goiás se solidariza com familiares, amigos e colegas de trabalho, prestando homenagens a um servidor tão estimado por todos.

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CBN GOIÂNIA

Maternidades de Goiânia enfrentam atraso no pagamento de salários e benefícios

A Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas, responsável pela gestão das maternidades de Goiânia, não recebeu os valores para pagamento dos salários de fevereiro e do complemento do piso de enfermagem referente ao mês de janeiro de 2025. O problema nas maternidades acontece desde a metade do ano passado quando atendimentos eletivos foram suspensos. O diretor do Sindsaúde e conselheiro local da maternidade Nascer Cidadão, Alonso Julião, afirma que o vale alimentação também não foi pago aos funcionários das maternidades Nascer Cidadão, Célia Câmara e Dona Íris. 

Segundo Alonso Julião, se a situação não for resolvida as maternidades devem voltar a atender somente emergência por falta de pagamento aos fornecedores. Ele afirma que até mesmo itens básicos de higiene pessoal, como papel higiênico, estão em falta. 

A assessoria da fundach afirmou que devido à situação financeira da Prefeitura de Goiânia deixada pela gestão anterior, o recurso para pagamento da folha de colaboradores vinculados à Fundahc está sendo proveniente do MAC (incrementos do teto de Média e Alta Complexidade fornecido pelo Governo Federal).

O mesmo acontece com o complemento mensal do piso da enfermagem. O valor é repassado pela União à Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) e então, para a Fundahc.

Segundo a nota, até o momento, a Fundahc não recebeu os valores para pagamento dos salários de fevereiro e do complemento do piso referente ao mês de janeiro de 2025.

A assessoria da secretaria municipal de saúde, informou que o repasse aos prestadores e conveniados é realizado quando a prefeitura recebe os recursos do Ministério da Saúde e a previsão da SMS é de que o pagamento seja realizado até a produção sexta-feira.  A pasta atua junto à Fundahc para renegociação das dívidas deixadas pela gestão anterior e restabelecimento dos serviços nas maternidades.

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Assessoria de Comunicação

1 saúde

Atualização da norma obriga empresas a adotarem medidas para prevenir transtornos mentais e promover ambientes mais saudáveis e produtivos.

A partir de maio de 2025, a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), do Ministério do Trabalho e Emprego, passará a exigir que empresas avaliem e gerenciem os riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A medida tem como objetivo promover a saúde mental dos colaboradores e criar condições mais seguras e produtivas, prevenindo transtornos como burnout e estresse crônico. 

Impacto dos transtornos mentais no trabalho 

Dados do Ministério da Previdência Social indicam que, em 2024, 141.414 trabalhadores foram afastados devido a transtornos ansiosos, enquanto 113.604 tiveram licenças por episódios depressivos. Essas condições ocuparam o quarto e o quinto lugar, respectivamente, entre as principais causas de afastamento por incapacidade temporária. Os números superam os registrados em 2023, quando 80.276 trabalhadores foram afastados por transtornos de ansiedade e 67.399 por depressão. 

Riscos psicossociais no setor da saúde 

No setor da saúde, os profissionais estão expostos a altos níveis de estresse, ansiedade, depressão e burnout. Fatores como jornadas exaustivas, demandas emocionais intensas e contato constante com o sofrimento humano aumentam a vulnerabilidade desses trabalhadores. Diante desse cenário, gestores precisam implementar medidas que garantam a identificação e a gestão eficaz dos riscos psicossociais. 

Importância da prevenção e do suporte aos profissionais 

O diretor-presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo (Fehosp), Edson Rogatti, ressalta a importância da prevenção. “Os profissionais de saúde enfrentam desafios diários que impactam diretamente sua saúde mental. Implementar práticas de prevenção ao estresse e burnout é essencial para garantir que possam continuar oferecendo o melhor atendimento aos pacientes”, afirma. 

O setor filantrópico de saúde, responsável por mais da metade dos atendimentos de média e alta complexidade no Sistema Único de Saúde (SUS), também precisa adotar estratégias para apoiar seus profissionais. Rogatti destaca a importância da capacitação de líderes para identificar sinais de problemas psicológicos e atuar de forma proativa. “Conversas periódicas entre gestores e colaboradores são fundamentais para que os profissionais possam expressar preocupações e relatar sinais de esgotamento emocional”, acrescenta. 

Criação de ambientes de trabalho saudáveis 

Além do suporte individual, a promoção de um ambiente de trabalho colaborativo e respeitoso também é fundamental. Segundo Rogatti, a implementação de políticas contra o assédio moral e a violência no trabalho é uma medida essencial para garantir um clima organizacional saudável. 

Retenção de talentos e bem-estar organizacional 

Investir na saúde mental dos profissionais da saúde também impacta a retenção de talentos. “Profissionais que se sentem apoiados têm maior propensão a permanecer em suas funções e a se engajar de forma produtiva com suas equipes e pacientes”, pontua Rogatti. Ele reforça que a criação de uma cultura organizacional voltada ao bem-estar dos colaboradores deve incluir práticas contínuas de apoio psicológico, treinamentos e monitoramento das condições de trabalho. 

Com a entrada em vigor da atualização da NR-1, a gestão dos riscos psicossociais se torna uma responsabilidade formal das empresas. A implementação de medidas preventivas e de apoio pode beneficiar tanto os trabalhadores quanto a produtividade e a segurança das organizações. 

 

(Fonte: Saúde Business / Foto: Freepik)

Quarta, 12 Março 2025 07:08

CLIPPING AHPACEG 12/03/25

ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

Idosa enfrenta dificuldades para conseguir vaga em UTI de Goiânia

Bruno Magalhães D'Abadia assume presidência do Ipasgo Saúde

Goiânia registra 4,7 mil casos de doenças respiratórias em 2025

Saúde aumenta em 28% o número de atendimentos ortopédicos em Goiânia

Einstein amplia a participação de pacientes com Conselhos Consultivos

NR-1 e a saúde mental no setor hospitalar: quais serão as adaptações necessárias?

Hotelaria hospitalar: como arquitetura e gestão impactam a experiência do paciente

Mercado de dispositivos médicos cresceu 11,5% em 2024

Padilha reúne-se com 10 entidades médicas em primeiros dias na Saúde

MP aciona TCU contra Padilha por conflito de interesses na Saúde

TV ANHANGUERA

Idosa enfrenta dificuldades para conseguir vaga em UTI de Goiânia

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A REDAÇÃO

Bruno Magalhães D'Abadia assume presidência do Ipasgo Saúde

Bruno Magalhães D'Abadia assumiu nesta terça-feira (11/3) a presidência do Ipasgo Saúde. À frente do maior plano de saúde de Goiás e da maior autogestão do Brasil, ele vai conduzir a modernização e adequação da instituição às normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em curso desde abril de 2023. A previsão é que esse processo seja concluído até o final deste ano.

Contador, engenheiro mecatrônico, mestre em economia, com experiência no setor público e na regulação de mercados, D'Abadia também terá como foco a otimização de recursos e a redução de custos operacionais. O objetivo é garantir viabilidade econômica ao plano sem comprometer a assistência prestada aos quase 600 mil beneficiários do Ipasgo Saúde. A instituição injeta mais de R$ 2 bilhões por ano no setor da saúde, tem a maior rede credenciada de Goiás – composta por quase cinco mil prestadores – e desempenha um papel estratégico na economia goiana. 

“Mais do que um serviço de assistência à saúde, o Ipasgo Saúde é uma rede de proteção que garante atendimento médico-hospitalar a milhares de famílias, movimenta um setor essencial e impacta de forma direta a vida dos goianos. A missão que temos pela frente é clara: assistência de qualidade, valorização da rede credenciada e assegurar que a instituição opere dentro dos mais altos padrões do setor”, afirma Bruno.

Trajetória
Servidor da Câmara dos Deputados, o novo presidente do Ipasgo Saúde começou a trajetória profissional na Petrobras, integrou a carreira de auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) e, entre outras experiências, foi professor da Universidade de Brasília, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (Consad) e diretor na Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

De 2019 a 2023, integrou o Governo de Goiás. D'Abadia foi secretário de Estado da Administração (Sead), além de conselheiro na Saneago, na Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego) e na Goiás Parcerias. De volta a Goiás, Bruno deve fortalecer a autogestão, garantir conformidade regulatória, aprimorar as operações, ampliar a qualidade dos serviços e consolidar o Ipasgo Saúde como referência nacional em saúde suplementar. “O desafio é grande, mas a nossa determinação em garantir serviços de saúde de qualidade para os goianos é ainda maior”, completa.

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Goiânia registra 4,7 mil casos de doenças respiratórias em 2025

A Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS), divulgou nesta segunda-feira (10/3) que a capital registrou 4.745 casos de doenças respiratórias neste ano. Segundo a pasta, as síndromes mais comuns são influenza, bronquiolite, pneumonia e covid-19.

“O aumento de infecções das vias aéreas superiores com a volta às aulas e o período pós-carnaval, além do avanço da dengue, pressiona a rede de saúde”, afirma o titular da SMS, Luiz Pellizzer.

Por isso, a secretaria alerta para a importância da vacinação contra covid-19 e influenza, que previne o desenvolvimento de formas graves das doenças, além do cadastramento das crianças que tem direito a receber medicação gratuita contra bronquiolite pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“A cobertura vacinal dessas doenças tem uma curva decrescente e sabemos que a evolução das doenças respiratórias no público pediátrico é muito mais rápida, com maiores chances de agravamento do quadro clínico”, pontua o médico e assessor técnico da SMS, Frank Cardoso.

Segundo a SMS, Goiânia tem 15 óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) confirmados em 2025, a maioria de idosos (7) e crianças menores de um ano de idade (3). A principal causa de doenças respiratórias em crianças menores de dois anos é a infecção por vírus sincicial respiratório (VSR), enquanto em crianças de 2 a 14 anos prevalecem as infecções por rinovírus. Já entre os idosos, os maiores índices de contaminação são por covid-19.

Cuidados

De acordo com médicos da SMS, medidas simples podem evitar a disseminação de agentes patógenos que causam síndromes respiratórias como vírus, bactérias e fungos. “É essencial higienizar corretamente as mãos várias vezes ao dia, cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar e evitar o contato com pessoas sintomáticas”, explica Frank Cardoso.

A SMS recomenda ainda evitar aglomerações, usar álcool em gel, evitar o compartilhamento de objetos pessoais e utilizar máscaras de proteção facial ao visitar crianças menores de 2 anos. Segundo o Ministério da Saúde, oito dos 11 estados que compõem as regiões norte e centro-oeste, incluindo Goiás, estão em nível de risco/alerta por SRAG. 

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Saúde aumenta em 28% o número de atendimentos ortopédicos em Goiânia

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, reinaugurou nesta terça-feira (11/3) o Centro de Referência em Ortopedia e Fisioterapia (CROF), que passou por reforma para modernização das instalações e aprimoramento dos serviços. Com a mudança, a unidade passa a atender exclusivamente pacientes encaminhados via regulação para consultas e tratamentos ambulatoriais em ortopedia e fisioterapia. Os casos de urgência e emergência foram descentralizados para as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) dos setores Itaipu, Jardim América, Novo Mundo e Noroeste.  

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia optou por manter no CROF apenas os atendimentos ambulatoriais, direcionando pacientes para fisioterapia, traumatologia e ortopedia geral e especializada. Os encaminhamentos são feitos pelas unidades da rede de atenção básica, por meio do Complexo Regulador Municipal. Dessa forma, quem necessitar de atendimento ortopédico de urgência deve procurar uma das UPAs especializadas. O CROF está localizado na Rua 17, número 18, no Setor Aeroviário.

Desde a última quinta-feira (06/03), o centro retomou os acompanhamentos especializados de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h. Segundo o secretário municipal de Saúde, Luiz Pellizzer, a descentralização dos atendimentos melhorou a capacidade de resposta da rede pública. “Com quatro pontos de assistência espalhados pela cidade, conseguimos aumentar em 28% o número de atendimentos ortopédicos nos últimos dias”, afirmou.  

Redistribuição dos serviço
Durante a cerimônia de reinauguração, o prefeito Sandro Mabel destacou que a redistribuição dos serviços busca facilitar o acesso da população aos atendimentos de urgência ortopédica. “Nosso objetivo é garantir que o atendimento esteja mais próximo da casa das pessoas. Não adianta concentrar tudo em um só lugar, obrigando os pacientes a percorrerem longas distâncias”, pontuou.  

O secretário de Saúde também ressaltou a importância da reforma para tornar o espaço mais funcional e ampliar a qualidade do atendimento. “A modernização incluiu a reestruturação do centro cirúrgico, que será inaugurado na próxima fase. Já concluímos 92% das obras e, em breve, poderemos realizar pequenas cirurgias no próprio CROF, garantindo um serviço mais completo e eficiente para a população”, explicou.  

Reforma

A reforma do CROF está em fase final, com 92% das obras concluídas. Ainda restam intervenções pontuais na rede elétrica e a finalização do centro cirúrgico. No entanto, como o contrato com a empresa responsável pela obra foi suspenso por recomendação do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), a SMS optou por retomar os atendimentos nas áreas já reformadas. 

A reabertura da unidade também trouxe economia aos cofres públicos. Durante a reforma, os atendimentos ambulatoriais foram transferidos para um imóvel alugado pela Secretaria de Saúde, cujo contrato estava próximo do vencimento. Com o retorno para a sede própria, a pasta deixará de gastar cerca de R$ 20 mil mensais com aluguel. 

Com capacidade para 600 atendimentos semanais, o CROF oferece consultas, exames, terapias e pequenos procedimentos nas áreas de ortopedia e fisioterapia. A equipe multidisciplinar conta com fisioterapeutas, ortopedistas, um médico dermatologista especializado em reabilitação hansênica, enfermeiros e técnicos de enfermagem.  

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SAÚDE BUSINESS

Einstein amplia a participação de pacientes com Conselhos Consultivos

Iniciativa amplia a atuação de pacientes e familiares em temas estratégicos, fortalecendo a cocriação em educação, treinamento, infraestrutura e comunicação.

Desde 2010, o Hospital Israelita Albert Einstein implementa os Conselhos Consultivos de Pacientes e Familiares, uma prática alinhada à certificação Planetree, que busca promover a humanização no atendimento. 

Inicialmente, os conselhos eram compostos por pacientes que compartilhavam suas experiências, apresentando desafios e sugestões de melhoria. Com o tempo, a iniciativa, pioneira no Brasil, foi evoluindo para um modelo mais colaborativo, estimulando o diálogo entre pacientes, familiares e profissionais de saúde. Segundo Ana Merzel, coordenadora dos Conselhos Consultivos, a iniciativa se tornou mais eficaz com a cocriação e a construção conjunta de soluções. 

Reformulação e ampliação dos Conselhos Consultivos 

Em 2022, seguindo orientações da Planetree, o Einstein remodelou os conselhos, ampliando seu escopo para a identificação de problemas, criação de soluções e testes de novas abordagens. Com essa mudança, os conselhos passaram a se concentrar em áreas específicas como educação do paciente, treinamento da equipe, infraestrutura e canais de comunicação, em vez de focar em grupos específicos de pacientes. 

Atualmente, o hospital conta com seis conselhos ativos, compostos por 132 pacientes e familiares voluntários. As áreas atendidas por esses conselhos incluem: educação e engajamento do paciente e da família; treinamento de equipe; diversidade, inclusão e acessibilidade; comunicação com pacientes; segurança do paciente Júlia Lima; e infraestrutura, hotelaria e facilities. 

Diversidade e equidade no processo de seleção 

A seleção dos participantes leva em consideração critérios que garantem a representação de grupos minorizados e exige que os voluntários tenham experiências recentes dentro da organização. 

“A experiência com os Conselhos Consultivos tem sido positiva e, por meio do Escritório de Excelência, incentivamos outras instituições de saúde a adotar iniciativas semelhantes. Além de promover melhorias no atendimento, essa prática contribui para fortalecer a relação entre o hospital e os pacientes, destacando a importância da humanização nos cuidados em saúde”, afirma a Dra. Flávia Camargo, diretora de Experiência em Saúde do Einstein. 

Impactos e fesultados de 2024 

Os conselhos também têm contribuído com o treinamento da equipe. Pacientes ajudaram na criação de casos reais para workshops de enfermagem, participaram de pilotos de treinamento e gravaram vídeos sobre a importância dessa capacitação. Em 2024, os resultados mostraram um retorno de 70% nas avaliações dos participantes dos conselhos, além de um aumento no Net Promoter Score (NPS) para 92%, representando um crescimento de 7 pontos percentuais em relação ao ano anterior. 

A atuação dos conselhos gerou resultados em diversas áreas do hospital, incluindo capacitação da equipe, com pacientes contribuindo na construção de casos e validação de treinamentos; educação e engajamento do paciente, com o desenvolvimento de materiais educativos, como vídeos explicativos, com a participação dos pacientes; e nos canais de comunicação, com os pacientes influenciando o design e conteúdo do site, buscando tornar as plataformas mais acessíveis e intuitivas. 

Expansão e planejamento para o futuro 

Em 2025, o Einstein planeja expandir a atuação dos conselhos em suas unidades fora de São Paulo e criar novas frentes temáticas. A iniciativa também buscará aprimorar a coleta de feedback, utilizando métodos assíncronos, ampliando o engajamento e fortalecendo a parceria com os pacientes, visando oferecer um atendimento ainda mais personalizado. 

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NR-1 e a saúde mental no setor hospitalar: quais serão as adaptações necessárias?

Atualização da norma obriga empresas a adotarem medidas para prevenir transtornos mentais e promover ambientes mais saudáveis e produtivos.

A partir de maio de 2025, a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), do Ministério do Trabalho e Emprego, passará a exigir que empresas avaliem e gerenciem os riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A medida tem como objetivo promover a saúde mental dos colaboradores e criar condições mais seguras e produtivas, prevenindo transtornos como burnout e estresse crônico. 

Impacto dos transtornos mentais no trabalho 

Dados do Ministério da Previdência Social indicam que, em 2024, 141.414 trabalhadores foram afastados devido a transtornos ansiosos, enquanto 113.604 tiveram licenças por episódios depressivos. Essas condições ocuparam o quarto e o quinto lugar, respectivamente, entre as principais causas de afastamento por incapacidade temporária. Os números superam os registrados em 2023, quando 80.276 trabalhadores foram afastados por transtornos de ansiedade e 67.399 por depressão. 

Riscos psicossociais no setor da saúde 

No setor da saúde, os profissionais estão expostos a altos níveis de estresse, ansiedade, depressão e burnout. Fatores como jornadas exaustivas, demandas emocionais intensas e contato constante com o sofrimento humano aumentam a vulnerabilidade desses trabalhadores. Diante desse cenário, gestores precisam implementar medidas que garantam a identificação e a gestão eficaz dos riscos psicossociais. 

Importância da prevenção e do suporte aos profissionais 

O diretor-presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo (Fehosp), Edson Rogatti, ressalta a importância da prevenção. “Os profissionais de saúde enfrentam desafios diários que impactam diretamente sua saúde mental. Implementar práticas de prevenção ao estresse e burnout é essencial para garantir que possam continuar oferecendo o melhor atendimento aos pacientes”, afirma. 

O setor filantrópico de saúde, responsável por mais da metade dos atendimentos de média e alta complexidade no Sistema Único de Saúde (SUS), também precisa adotar estratégias para apoiar seus profissionais. Rogatti destaca a importância da capacitação de líderes para identificar sinais de problemas psicológicos e atuar de forma proativa. “Conversas periódicas entre gestores e colaboradores são fundamentais para que os profissionais possam expressar preocupações e relatar sinais de esgotamento emocional”, acrescenta. 

Criação de ambientes de trabalho saudáveis 

Além do suporte individual, a promoção de um ambiente de trabalho colaborativo e respeitoso também é fundamental. Segundo Rogatti, a implementação de políticas contra o assédio moral e a violência no trabalho é uma medida essencial para garantir um clima organizacional saudável. 

Retenção de talentos e bem-estar organizacional 

Investir na saúde mental dos profissionais da saúde também impacta a retenção de talentos. “Profissionais que se sentem apoiados têm maior propensão a permanecer em suas funções e a se engajar de forma produtiva com suas equipes e pacientes”, pontua Rogatti. Ele reforça que a criação de uma cultura organizacional voltada ao bem-estar dos colaboradores deve incluir práticas contínuas de apoio psicológico, treinamentos e monitoramento das condições de trabalho. 

Com a entrada em vigor da atualização da NR-1, a gestão dos riscos psicossociais se torna uma responsabilidade formal das empresas. A implementação de medidas preventivas e de apoio pode beneficiar tanto os trabalhadores quanto a produtividade e a segurança das organizações. 

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Hotelaria hospitalar: como arquitetura e gestão impactam a experiência do paciente

Especialistas discutem na Hospitalar Hub como o planejamento de espaços e a eficiência operacional podem reduzir custos e melhorar a qualidade dos serviços na saúde.

A relação entre arquitetura, gestão de processos e experiência do usuário foi o foco do debate online sobre o Congresso de Hotelaria e Facilities, promovido pela Hospitalar Hub. O congresso, marcado para os dias 20 e 21 de maio, durante a Hospitalar, discutirá o impacto da hotelaria e facilities na redução de custos, na qualidade dos serviços prestados e na experiência do cliente. Além disso, abordará iniciativas inovadoras para otimizar a gestão desses serviços no setor da saúde. 

No evento online realizado em 26 de fevereiro, especialistas compartilharam insights sobre como o planejamento adequado de espaços e a eficiência operacional podem transformar a experiência hospitalar. A discussão foi conduzida por Marcelo Boeger, curador do congresso, e contou com a participação de Bia Gadia, diretora da Bia Gadia Design, Carlos Castanheira, superintendente de Operações do Real Hospital Português, e Mariana Caetano, gerente de Customer Experience do Hospital Sírio-Libanês. 

Boeger ressaltou a importância da troca de conhecimento e da disseminação de boas práticas na gestão de infraestrutura hospitalar. “Estamos falando de um espaço essencial para a inovação em serviços de saúde, reunindo stakeholders comprometidos com soluções mais eficientes e humanizadas”, afirmou. 

Arquitetura e experiência do paciente 

Bia Gadia trouxe um case inovador: o Blanc Hospital, em São Paulo. O projeto se destacou por integrar espaços e processos de maneira fluida, eliminando recepções tradicionais e priorizando a experiência do paciente. “Hoje, não dá mais para projetar um hospital isoladamente. A arquitetura precisa ser cocriada com os usuários”, ressaltou. 

No Blanc, o agendamento e toda a documentação são feitos digitalmente, garantindo um fluxo sem barreiras desde a chegada até o atendimento. “A recepção, para nós, é falta de processo bem desenhado. Se tudo estiver planejado, não há necessidade de filas ou burocracia na entrada”, explicou a arquiteta. 

Outro diferencial é o conceito de humanização aplicado ao design do hospital. “Criamos espaços que reduzem a ansiedade do paciente e do acompanhante, como o foyer com poltronas privativas e painéis informativos inspirados em aeroportos”, exemplificou Bia. A solução foi desenvolvida após ouvir queixas recorrentes sobre a falta de informação e conforto. 

Eficiência operacional e tecnologia 

No Real Hospital Português, o desafio é manter a eficiência em um ambiente com 675 leitos e operações complexas. “Quando cheguei, levava mais de uma hora para um higienista entrar em um quarto após a saída de um paciente. Hoje, reduzimos esse tempo para 21 minutos”, contou Carlos Castanheira. 

A transformação digital tem sido um dos pilares dessa evolução. “Temos um centro de comando que monitora processos em tempo real, garantindo que as cirurgias comecem sem atrasos e que a alta hospitalar ocorra no tempo certo”, explicou. Essa abordagem permitiu otimizar leitos sem necessidade de expansão física, apenas melhorando a gestão. “Cada minuto economizado representa um leito a mais em operação”, destacou. 

Para tornar a logística hospitalar mais ágil, o hospital investiu em tecnologia de rastreamento. “Todos os maqueiros, higienistas e equipes de apoio usam dispositivos conectados via Wi-Fi, permitindo monitoramento em tempo real e evitando atrasos nos atendimentos”, detalhou Castanheira. 

O papel das pessoas 

Já para Mariana Caetano, gerente de Customer Experience do Hospital Sírio-Libanês, a hotelaria hospitalar vai além de infraestrutura e processos. “Não adianta um espaço bem projetado e processos eficientes se as pessoas que executam as tarefas estão desmotivadas”, alertou. O desafio, segundo ela, é capacitar e engajar equipes para garantir que o atendimento ao paciente seja humanizado e acolhedor. 

A falta de profissionais qualificados também é um entrave. “Os colaboradores estão sobrecarregados, o que impacta diretamente na qualidade do atendimento. Precisamos investir na retenção de talentos e na formação de equipes multidisciplinares”, pontuou. 

Ela também ressaltou a necessidade de integrar tecnologia ao atendimento para melhorar a comunicação e otimizar os fluxos de trabalho. “Precisamos alinhar a voz do negócio com a voz do cliente. Projetos de sucesso não são apenas aqueles bem planejados, mas os que realmente consideram as necessidades dos pacientes e dos profissionais envolvidos”, completou. 

A importância da co-criação também foi citada como peça-chave, e p conceito já foi adotado por grandes instituições. “No Sírio-Libanês, buscamos envolver diferentes áreas na construção de soluções. Hospitais não são apenas locais de tratamento, mas espaços que precisam oferecer conforto, segurança e experiências positivas para todos os envolvidos”, afirmou. 

Olhar integrado é a chave para o sucesso 

O evento deixou claro que a inovação na hotelaria hospitalar passa por um equilíbrio entre espaços bem planejados, processos otimizados e uma equipe bem treinada. “Arquitetura não é apenas sobre espaços, mas sobre experiências”, concluiu Bia Gadia, reforçando a necessidade de um olhar integrado para a hospitalidade na saúde. 

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MEDICINA S/A

Mercado de dispositivos médicos cresceu 11,5% em 2024

Impulsionado pelo segmento de 'Reagentes e analisadores para diagnóstico in vitro', o mercado de dispositivos médicos cresceu 11,5% em 2024, na comparação com o ano anterior. Os dados estão no Boletim Econômico da Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde (ABIIS). 'Reagentes e analisadores' aumentaram 28,4%, 'Materiais e equipamentos para a saúde' tiveram alta de 5,6% e 'Próteses e implantes - OPME' subiram 5,2%.

O bom momento também se reflete no mercado de trabalho, com alta de 3,7%. Entre janeiro e dezembro, houve a abertura de 5.358 vagas nas atividades industriais e comerciais do setor de DMs, totalizando 149.955 trabalhadores nesse mercado, número que não inclui os empregados em serviços de complementação diagnóstica e terapêutica. O destaque foi para o 'Comércio atacadista de instrumentos e materiais para uso médico, cirúrgico, ortopédico e odontológico', com a abertura de 1.539 vagas.

Alta também nas importações de dispositivos médicos, de 19,4% e US$ 8.012 milhões, e nas exportações, com crescimento de 8,7% e soma de US$ 852 milhões, em 2024. "Apesar de 2024 ter sinalizado com um cenário de recuperação, iniciamos 2025 atentos às tensões comerciais e geopolíticas internacionais, pois o comércio de produtos médicos entre Brasil e Estados Unidos pode vir a ser dificultado com a alta de tarifas de importações norte-americanas. Por outro lado, no cenário nacional, o avanço do 5G deverá promover uma revolução na saúde, com o aumento de conexões simultâneas, baixo tempo de resposta e maior capacidade de tráfego. A Inteligência Artificial já é uma realidade em diversos hospitais da rede privada e chegou também no setor público, como é o caso do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo, como mostra o Boletim. Essas tecnologias impulsionam o setor e melhoram a assistência à população", analisa o presidente Executivo da ABIIS, José Márcio Cerqueira Gomes.

Internações, cirurgias e exames

O Boletim Econômico ABIIS revela ainda que, em 2024, o número de internações no SUS cresceu 4,8%. Foram 13,8 milhões. Destaque para 'Métodos de diagnósticos em especialidades', com alta de 15,5%. As internações para tratamentos clínicos cresceram 3,9%. No mesmo período, caíram 9,9% as internações para parto, fato que se refletiu no fechamento de leitos obstétricos nas redes SUS (-320) e não SUS (-287).

A cirurgias em 2024 tiveram alta de 7,6%, em relação ao mesmo período de 2023. Foram realizados 6,2 milhões de procedimentos. As maiores altas foram em 'Cirurgia do aparelho da visão', e de 'pele, tecido subcutâneo e mucosa', com 23,1% e 17,1%, respectivamente.

Já os exames na rede pública aumentaram 6%, totalizando 1,3 bilhão, entre janeiro e dezembro de 2024. 'Diagnóstico por tomografia' registrou alta de 16,4% e 'Diagnóstico por ressonância magnética' subiu 12,4%.

O Boletim Econômico ABIIS é desenvolvido pela Websetorial Consultoria Econômica.

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CNN BRASIL

Padilha reúne-se com 10 entidades médicas em primeiros dias na Saúde

O novo ministro da Saúde, Alexandre Padilha , reuniu-se com representantes de dez entidades da área desde que tomou posse, na tarde de segunda-feira (10).

Segundo Padilha, isso reforça o compromisso com o diálogo e a construção de soluções conjuntas para a saúde pública.

Os encontros foram com Conselho Federal de Medicina (CFM), Federação Médica Brasileira (FMB), Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Associação Médica Brasileira (AMB), Associação Brasileira de Educação Médica (Abem), Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

O ministro afirma que a redução do tempo de espera para atendimentos especializados no Sistema Único de Saúde (SUS) , anunciada como sua principal meta, passa necessariamente pelo envolvimento dos profissionais médicos.

"Muito já foi feito, mas podemos avançar ainda mais. Precisamos mobilizar toda a estrutura e a força de trabalho do país para ampliar o acesso da população à saúde e garantir atendimento de qualidade para todos os brasileiros", disse.

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PORTAL UOL

MP aciona TCU contra Padilha por conflito de interesses na Saúde

O Ministério Público Federal de Contas acionou o TCU (Tribunal de Contas da União) para investigar possível conflito de interesses do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, por ter assumido a "presidência de honra" de uma associação chinesa que tem interesses comerciais com a pasta.

O MP indica "conflito de interesse e atentatório à moralidade administrativa". Segundo o documento, ao qual o UOL teve acesso, a Brasil Hub China, onde o ministro já teria aceitado o cargo não remunerado, tem "interesses econômicos muito expressivos relacionados à área de atuação e a atividades custeadas com recursos do Ministério da Saúde".

Entre as empresas que compõem a associação estão a fornecedora de equipamentos médicos Mindray e a de logística farmacêutica Tegma. O caso foi revelado pelo portal Metrópoles ontem, no qual o documento, assinado hoje, é baseado.

Padilha teve o consentimento da Comissão de Ética da Presidência. No documento de liberação, ao qual o UOL teve acesso, a comissão diz que a associação "ainda não foi formalmente constituída" e que "não resta conflito de interesses". Procurada, a Saúde ainda não respondeu à reportagem.

Padilha assumiu oficialmente o ministério na última segunda. Segundo o Metrópoles, o fundador da China Hub Brasil, o empresário Youyang Jiang, já foi recebido ao menos três vezes por Padilha enquanto ele era ministro das Relações Institucionais. Também esteve presente em sua primeira posse, em 2023.

O MP argumenta que, mesmo em cargo não remunerado, a atitude do ministro "contribui para abalar a confiança da sociedade no governo". "O que está sob escrutínio público não é algum eventual rendimento financeiro extraordinário, mas o estabelecimento de relações caracterizadas por proximidade e intimidade excessivas e desnecessárias aos exercícios da função de ministro de Estado."

Documento do MPTCU

"Vale lembrar que o princípio da moralidade administrativa tem valor normativo e não meramente estético", diz o documento , assinado pelo subprocurador-geral Lucas Furtado. "Ante a pública e notória precariedade dos serviços que lhe são oferecidos, incluído os de saúde, a sociedade repele com veemência cada dia maior condutas imorais e suspeitas por parte das autoridades."

Comissão de Ética fez ressalvas para liberar ministro. Padilha poderia seguir nos dois cargos desde que não participasse de decisões que configurassem conflito de interesse nem que revelasse informações privilegiadas de Estado, por exemplo.

Documento do MPTCU

A associação, composta por gigantes chinesas de diferentes áreas, deverá ser lançada em São Paulo na próxima sexta. Até então, a presença de Padilha, como presidente de honra, era esperada, mas também não havia tido confirmação por parte de sua assessoria.

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Assessoria de Comunicação

Terça, 11 Março 2025 07:08

CLIPPING AHPACEG 11/03/25

ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

CFM determina intervenção federal em Conselho Regional de Medicina Rio

Leitos de UTI estão sendo preparados na Santa Casa depois de contrato com prefeitura

5 anos da pandemia de covid-19: quatro legados positivos do 'maior experimento psicológico da história'

Direito médico: Falha no Termo de Consentimento gera condenação

Healthtechs são o combustível de uma revolução na saúde brasileira

Cinco anos da pandemia que ressignificou o papel dos hospitais e de suas equipes

 

PORTAL G1

CFM determina intervenção federal em Conselho Regional de Medicina Rio

Por decisão do Conselho Federal de Medicina (CFM), uma intervenção será feita na gestão financeira do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) .

A decisão, que ainda não foi tornada pública, prevê afastamento temporário de diretores durante as apurações. Desde o início do ano, o Cremerj já vinha sendo alvo de uma auditoria do CFM.

A intervenção, na sequência dessa auditoria, tem como objetivo solucionar supostas irregularidades administrativas, como gestão temerária, falta de licitação em contratos e indícios de improbidade. Há ainda uma reclamação sobre contratações de funcionários sem concurso pelo Cremerj.

Nos bastidores do Cremerj, a percepção é de que está em curso uma disputa de forças entre as duas autarquias. A autarquia do Rio sustenta, desde que passou a ser auditada, que suas contas estão em dia, com cerca de R$ 20 milhões em caixa e distante da incapacidade financeira analisada pelo CFM.

Auditoria e intervenção estão sendo creditadas, no Rio, a uma motivação política. Isso porque, no CFM, está o conselheiro federal Raphael Câmara (ex-membro do governo Bolsonaro), que tentou presidir o Cremerj e não conseguiu. A desconfiança é de que Câmara teria articulado o pente-fino. Ele, no entanto, não é o responsável pelas decisões de corregedoria.

Também desde o início do ano, o Cremerj vem abrindo representações tanto no CFM quanto no MPF para denunciar o que entende ser um abuso quanto à auditoria e à intervenção (anteriormente, somente uma indicação de que ela aconteceria).

À procuradoria, foram enviados registros de mensagens de WhatsApp em que Câmara aparece adiantando, em janeiro, que a auditoria recém-iniciada, naquele mês, levaria à intervenção federal no Cremerj. O órgão do Rio afirmou ao MPF que Câmara tem provocado a atuação do CFM "por meio de denúncias sem qualquer indício de autoria ou materialidade, resultando em sucessivas auditorias".

Procurado, o CFM afirma que não há decisão tornada pública sobre o tema. O Cremerj, por sua vez, defende o "histórico de gestão transparente e regular", além de alegar que o CFM atua com falta de transparência sobre a auditoria, além da movitação política. A instituição também afirma que mantém compromisso com a transparência, disponibilizando suas contratações no Portal da Transparência. E informa que tem agido de maneira autônoma, "contra a crescente partidarização dos Conselhos de Medicina", o que teria levado à dita represália e aos supostos "ataques infundados".

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TV ANHANGUERA

Leitos de UTI estão sendo preparados na Santa Casa depois de contrato com prefeitura

https://g1.globo.com/go/goias/videos-ja-2-edicao/video/leitos-de-uti-estao-sendo-preparados-na-santa-casa-depois-de-contrato-com-prefeitura-13407920.ghtml

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PORTAL G1

5 anos da pandemia de covid-19: quatro legados positivos do 'maior experimento psicológico da história'


Em 11 de março de 2020, a OMS declarou a covid-19 uma pandemia. Cinco anos se passaram, e analistas acreditam que essa crise deixou algumas lições importantes.

"O maior experimento psicológico da história."

Estávamos em 2020, e foi assim que a então professora de psicologia da saúde da Universidade Vrije de Bruxelas, Elke Van Hoof, descreveu o confinamento resultante da pandemia de covid-19.

Em entrevista à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, a especialista em estresse e trauma se referia a uma medida sem precedentes que, naquele momento, se espalhava pelo mundo, mantendo 2,6 bilhões de pessoas sob alguma forma de isolamento em nível global.

Cinco anos se passaram desde aquela quarta-feira, 11 de março, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a covid-19 uma pandemia.

Desde então, segundo dados da OMS, o vírus Sars-CoV-2, causador da doença, provocou mais de 777 milhões de infecções e matou mais de 7 milhões de pessoas, embora os especialistas da organização estimem que as mortes associadas à pandemia cheguem a 15 milhões.

Os inúmeros e profundos impactos negativos desta pandemia ainda estão sendo sentidos no mundo todo.

No entanto, alguns analistas destacam que esse momento tão sombrio também resultou em lições positivas. A BBC destaca quatro delas.

1. O valor da ciência e os avanços revolucionários das vacinasDemorou apenas nove meses para os cientistas encontrarem uma vacina eficaz para combater o Sars-Cov-2. E eles fizeram isso por meio de um método que revolucionou o desenvolvimento de imunizantes em todo o mundo.

Embora o uso de RNA mensageiro sintético já viesse sendo estudado como um mecanismo eficaz para o desenvolvimento de vacinas há anos, foi a pandemia de covid-19 que realmente acelerou seu desenvolvimento.

Tanto a Pfizer, em parceria com a BioNtech, quanto a Moderna utilizaram esse mecanismo para criar suas vacinas em tempo recorde, permitindo que milhões de pessoas recebessem doses ao redor do mundo.

Em 8 de dezembro de 2020, Margaret Keenan, uma mulher de 90 anos do Reino Unido, se tornou a primeira pessoa a receber uma dose aprovada da vacina fabricada pela Pfizer/BioNTech.

Os cientistas Katalin Karikó e Drew Weissman, criadores desta fórmula, receberam o Prêmio Nobel de Medicina em 2023.

A corrida para encontrar uma vacina que imunizasse a população e evitasse mais mortes é um dos maiores legados positivos da pandemia, de acordo com a porta-voz da OMS, Margaret Harris.

"Testemunhamos avanços tecnológicos em uma velocidade incrível", diz a especialista em saúde pública à BBC News Mundo."A tecnologia do RNA mensageiro já era conhecida, mas agora estamos vendo como está sendo usada para desenvolver outros avanços, incluindo vacinas contra o câncer."

Ela vai além: "Entendemos que a ciência é fundamental."

Devi Sridhar, professora da Universidade de Edimburgo, na Escócia, e autora do livro Preventable: How a Pandemic Changed the World & How to Stop the Next One ("Evitável: Como uma pandemia mudou o mundo e como impedir a próxima", em tradução livre), destaca que as lições da pandemia tiveram um impacto na melhor detecção e identificação de novos surtos.

"Nossa capacidade científica melhorou, nossas plataformas estão cada vez mais avançadas. Se a pergunta que tínhamos no início da pandemia era se haveria vacina, a pergunta agora é: com que rapidez poderemos produzir uma", afirma.A colaboração conjunta dos países para o desenvolvimento destas vacinas e o direcionamento de recursos para este processo permitiu, segundo Sridhar, uma das coisas mais positivas resultantes da covid-19.

Além disso, há ensinamentos que nos permitem estar mais bem preparados para a próxima pandemia, diz ela. Por exemplo, os países que "parecem ter se saído melhor foram aqueles com populações mais saudáveis antes da pandemia".

Em março de 2020, o microbiologista Ignacio López-Goñi, da Universidade de Navarra, na Espanha, foi um dos primeiros cientistas a ousar apontar que poderia haver aspectos positivos relacionados à pandemia emergente.

"A pandemia de gripe de 1918 causou mais de 25 milhões de mortes em menos de 25 semanas. Será que algo semelhante poderia voltar a acontecer hoje em dia? Como podemos ver, muito provavelmente não", disse ele na época.

Cinco anos depois, o acadêmico continua vendo o copo meio cheio, especialmente do ponto de vista científico.

"Fizemos muitos avanços. O vírus causador da covid-19 é o mais publicado de todos os tempos, o mais estudado de todos os patógenos infecciosos, mais do que o causador da malária, da Aids ou qualquer outro", afirma.

2. Um 'novo despertar' na educaçãoO impacto catastrófico que o fechamento de escolas teve devido à pandemia em todo o mundo e, em particular, na América Latina, está bem documentado.

De acordo com Mercedes Mateo, chefe da Divisão de Educação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), uma das marcas mais profundas deixadas pela pandemia é o aumento das taxas de evasão escolar e o atraso na aprendizagem, principalmente no ensino fundamental e médio.

No entanto, ela ressalta que esta experiência também proporcionou oportunidades excepcionais para o mundo educacional.

"Houve realmente um impacto muito positivo que levou o debate sobre educação para o século 21, que serviu para repensar os sistemas educacionais", disse ela à BBC.Um avanço evidente é que durante e após a pandemia, ficou para trás o paradigma do ensino presencial e da sala de aula exclusivamente como um espaço físico e estático.

"Durante a pandemia, ficou claro que o setor da educação era um dos setores menos digitalizados", afirma Mateo.Ela diz, inclusive, que havia uma certa demonização e resistência à digitalização de processos e práticas, mas que a covid-19 abriu o caminho para uma educação mais híbrida e flexível.

"O fato de as salas de aula terem sido fechadas fez com que a educação passasse a ter maior prioridade na agenda política após a pandemia. Consolidou-se a ideia de manter o serviço educacional diante de qualquer circunstância", observa Mateo.

Por outro lado, Sridhar não tem certeza de que, diante de uma nova pandemia, os governos tomem uma decisão diferente em relação ao fechamento de escolas.

"Há o conhecimento teórico dos danos causados pelo fechamento das escolas, mas há também o prático: como fazer com que os pais enviem os filhos para a escola sabendo que eles podem ficar doentes", afirma.Mateo destaca, por sua vez, que há agora uma maior consciência sobre o papel da escola nas nossas sociedades.

Na sua opinião, ficou demonstrado que a escola é muito mais do que um lugar onde as crianças e os jovens vão para aprender: é um espaço de apoio emocional, social e psicológico e, em muitos casos, também oferece serviços essenciais, como alimentação.

3. Recuperação e mudança de paradigma no trabalhoA aniquilação de empregos foi uma das graves consequências da covid-19, e a região da América Latina e do Caribe foi uma das mais atingidas.

A pandemia também aumentou as disparidades na participação de jovens e mulheres no mercado de trabalho - um dos maiores desafios restantes.

Mas, no geral, os especialistas observam que, embora ainda haja muito avanço a ser feito, os impactos da pandemia no mercado de trabalho tiveram uma recuperação relativamente rápida, considerando os níveis de crescimento econômico nos últimos cinco anos.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirma que as taxas de emprego e desemprego na região conseguiram voltar aos níveis pré-pandemia em 2023, ou seja, apenas oito trimestres após o início do período de recuperação, quando os lockdowns e as restrições de circulação permitiram aos trabalhadores retornar aos seus empregos ou, no caso daqueles que o haviam perdido, se reintegrar ao mercado de trabalho.

E, embora inicialmente a recuperação tenha respondido fortemente à retomada de empregos informais, essa proporção vem diminuindo nos últimos anos.

Para Gerson Martínez, especialista em economia do trabalho do Escritório Regional da OIT para a América Latina e o Caribe, há várias lições positivas da pandemia no âmbito do trabalho.

Uma delas é que as políticas de proteção ao emprego e à renda que foram implementadas permitiram amortecer o golpe, e influenciaram positivamente a recuperação acelerada observada principalmente em 2021 na região, seguindo a tendência observada na média global.

"Essa é uma boa notícia porque nos diz que essas medidas, e esta é uma importante lição aprendida para a nossa região, permitiram que a recuperação fosse quase total", disse ele à BBC News Mundo.Além disso, para a OIT, o mercado tem conseguido manter uma certa estabilidade na região. "Esperamos que essa resiliência se mantenha, pois acreditamos que isso se deve justamente ao fato de que se reconheceu a necessidade de instituições trabalhistas fortes, e essa também é uma lição deixada pela pandemia."

Mesmo assim, em 2025, a OIT alertou em seu último relatório que essa recuperação vem perdendo força, se olharmos para o cenário global, diante de ameaças como "tensões geopolíticas, o aumento dos custos das mudanças climáticas e problemas de dívida não resolvidos".

Mas talvez a mudança mais evidente introduzida pela pandemia tenha sido o trabalho remoto e o trabalho híbrido em setores que antes só tinham contratos presenciais.

Embora as evidências até agora tenham indicado que o impacto positivo do trabalho remoto na produtividade depende fundamentalmente da natureza desse trabalho (e de outros fatores relacionados às condições dos funcionários), e empresas no mundo todo estejam atualmente tentando voltar ao trabalho presencial, a experiência da pandemia trouxe mudanças.

Muitos países avançaram em legislações sobre o trabalho remoto para, por exemplo, incluir maior flexibilidade em alguns setores.

Uma mudança significativa no mercado de trabalho também resultou dos aplicativos de entrega, como Uber Eats e Rappi, entre outros, que abriram novos postos de trabalho, mas continuam sendo um desafio em termos de precarização e proteção trabalhista.

A revolução tecnológica da pandemia também representa, de acordo com Martínez, uma "oportunidade de ouro" para continuar a usá-la a favor da produtividade do mercado. Por exemplo, com a inteligência artificial, que, segundo ele, em vez de ameaçar os empregos, pode otimizar os processos e a eficiência de diferentes setores.

4. A importância de cuidar da saúde mentalA pandemia foi um golpe para a saúde mental da humanidade. Não apenas entre aqueles que perderam entes queridos ou para as equipes médicas que viram centenas de pessoas morrerem diariamente por causa do vírus.

O confinamento, a incerteza, a solidão, o medo e a angústia que se espalharam pelo mundo tornaram a pandemia um cenário traumático por si só.

Agências como a OMS e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) elaboraram relatórios detalhados sobre o aumento de transtornos de depressão e de ansiedade e da prevalência de comportamentos e pensamentos suicidas com a pandemia.

Para a psicóloga e escritora Laura Rojas-Marcos, especialista em ansiedade, estresse e depressão, "a pandemia teve um impacto não apenas no nosso dia a dia, mas também na nossa memória emocional e na maneira como nos relacionamos. Foi um momento decisivo, não apenas de sofrimento, mas também de aprendizado".

"Hoje há mais consciência sobre a importância de cuidar da saúde mental, que não é algo separado do corpo, mas algo que caminha completamente junto", diz ela."Algumas pessoas, eu diria que muitas, aproveitaram a oportunidade para fazer uma reflexão sobre a vida, e aprenderam a valorizar outras pessoas, seu ambiente e até mesmo sua própria existência."

Um estudo encomendado pelo Serviço Mundial da BBC à GlobeScan constatou, em 2022, que 36% das pessoas entrevistadas em 30 países ao redor do mundo disseram que se sentiam melhor do que antes da pandemia.

"Muitos afirmaram que passar mais tempo com a família e ter uma conexão melhor com a comunidade e a natureza teve um efeito positivo, e que eles tinham mais clareza sobre suas prioridades gerais na vida", informou a BBC em outubro daquele ano.

Outro aspecto positivo em termos de saúde mental, como destacaram organizações como a Opas, "foi que estimulou a adoção de abordagens inovadoras, como o atendimento remoto à saúde mental".

Isso provocou uma mudança radical na forma como os psicólogos oferecem terapias de vários tipos atualmente.

Essa flexibilidade, de fato, permitiu que Rojas-Marco ajudasse pessoas que, de outra forma, não teriam acesso à terapia.

Ele se conectou, por exemplo, com soldados ucranianos que precisavam de apoio em meio à guerra com a Rússia, e com pacientes em áreas remotas, onde a oferta de espaços como estes é mínima.

De acordo com a experiência de Rojas-Marcos e o intercâmbio que ela mantém com colegas de todo o mundo, são percebidos níveis mais altos de tolerância à frustração e capacidade de adaptabilidade.

A pandemia também nos ensinou sobre resiliência e compaixão humana, duas questões que, de acordo com a especialista, estão no cerne da nossa natureza.

Os gestos de solidariedade foram um afago em meio a uma tragédia rotulada como "o maior experimento psicológico da história".

Para Margaret Harris, porta-voz da OMS, nós "vimos o melhor da humanidade" na pandemia.

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MEDICINA S/A

Direito médico: Falha no Termo de Consentimento gera condenação

Por Renan Corrêa de Mello

O sucesso de uma cirurgia ou procedimento médico, ou odontólogo, com resultados visíveis e satisfatórios, pode não ser suficiente para evitar reclamações de pacientes na Justiça. Isso caso o Termo de Consentimento Informado (TCI) seja considerado impreciso, inexistente ou entregue para assinatura em momento inadequado, como de vulnerabilidade, conforme decisões judiciais recentes.

Muitos pacientes recorrem ao Poder Judiciário, quando entendem que seus atendimentos não foram adequados. E baseiam o pedido de indenizações com base na falta do TCI ou na imprecisão do texto presente nele, entre outras condições acerca deste termo, ou seja, há médicos e dentistas com problemas, na Justiça, que poderiam ser evitados, caso buscassem escolhas léxicas mais precisas e claras na redação do referido documento. Chamado também de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, o TCI não pode ser tratado como mera formalidade, tampouco como arquivo padrão, sem personalização e cuidado técnico-jurídico, para qualquer tipo de procedimento ou cirurgia.

O Supremo Tribunal Federal (STF), bem como os tribunais estaduais, reforça que o consentimento do paciente deve ser explícito e baseado em informações completas, não podendo ser presumido. A ausência de informações detalhadas no Termo de Consentimento pode, inclusive, gerar a responsabilização civil do profissional, conforme enfatizado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) no Processo n.º 1118716-67.2017.8.26.0100, mesmo que o procedimento técnico tenha sido corretamente realizado.

O cumprimento do dever de informar é um dos pilares que sustenta a relação de confiança entre o profissional de saúde e o paciente. O profissional deve explicar, com clareza, os riscos, benefícios, possíveis complicações e alternativas ao procedimento proposto. O TCI serve, portanto, como prova de que o profissional cumpriu com seu dever, protegendo-o de eventuais alegações de negligência informacional. Esse ponto é particularmente relevante em casos em que complicações inerentes ao procedimento ocorrem. O termo demonstra que o paciente foi informado sobre essas possibilidades e, ainda assim, optou pelo tratamento.

Um dos aspectos mais discutidos na prática médica e odontológica é o momento da entrega do Termo de Consentimento. Ele deve ser apresentado no momento em que o paciente manifesta sua decisão informada, antes de estar em uma condição de vulnerabilidade ou estresse, como imediatamente antes do procedimento. Entregar o termo no momento do tratamento pode comprometer sua validade jurídica, uma vez que o paciente pode alegar não ter tido tempo hábil para refletir. Ademais, o paciente tem o direito de revogar seu consentimento a qualquer momento, sem isso gerar obrigações adicionais além do pactuado no contrato de prestação de serviços.

Além disso, o consentimento informado só é válido se o paciente possui plena capacidade de entendimento e discernimento. Isso é especialmente relevante em casos que envolvem menores de idade ou indivíduos com limitações cognitivas. Nestes casos, a necessidade de um responsável legal e a adequação das informações apresentadas se tornam imprescindíveis para garantir a validade do consentimento.

Portanto, um erro que clínicas, hospitais e profissionais devem evitar ao máximo é utilizar um documento genérico, eventualmente antigo ou reaproveitado de outras situações, para qualquer tipo de atendimento de saúde.

A personalização do documento é crucial para garantir que os riscos específicos sejam detalhados. Esse é um caminho seguro para proteção do médico, odontólogo e qualquer outro profissional de saúde, por exemplo, que atenda desde o procedimento estético ou eletivo mais simples às cirurgias de alta complexidade.

*Renan Corrêa de Mello é administrador, advogado na área de Direito Médico e sócio do escritório FRM - Sociedade de Advogados.

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Healthtechs são o combustível de uma revolução na saúde brasileira

Por Karlyse Claudino Belli

O Brasil está vivenciando uma revolução no setor de saúde com o crescimento expressivo das startups que abordam serviços da área, conhecidas como healthtechs. Essas empresas emergentes estão remodelando o mercado ao combinar tecnologia avançada com soluções inovadoras para atender às demandas crescentes de hospitais, clínicas, profissionais de saúde e pacientes.

De acordo com a Liga Ventures, em colaboração com a PwC Brasil, foram mapeadas 536 startups de saúde ativas no país até abril de 2024, distribuídas em 35 categorias diferentes, como gestão de processos, planos e financiamento, bem-estar físico e mental, buscadores e agendamentos, exames e diagnósticos, entre outros. Esse movimento tem atraído não apenas investidores, mas também fomentado parcerias estratégicas entre healthtechs e grandes players da área da saúde, como operadoras de planos e instituições de grande porte.

Esse crescimento é impulsionado por uma combinação de fatores. Um deles é a necessidade de modernização dos sistemas de saúde, que enfrentam desafios como a sobrecarga de serviços públicos, a falta de integração de dados e a demanda por maior eficiência operacional. Além disso, a pandemia de covid-19 acelerou a adoção de tecnologias digitais, como a teleconsulta e o monitoramento remoto de pacientes. De acordo com dados do levantamento Condições de Trabalho dos Profissionais de Saúde no Contexto da Covid-19, realizado pela Fiocruz, o período alterou de modo significativo a vida de 95% dos profissionais da área.

Outro fator relevante é o aumento do interesse de investidores em venture capital no setor de saúde. Em 2022, por exemplo, as healthtechs brasileiras receberam mais de R$ 3 bilhões em investimentos, consolidando-se como uma das áreas mais promissoras para quem busca inovação com impacto social.

Apesar disso, elas não estão isentas de problemas. A regulamentação é um dos principais entraves, pois exige das empresas um profundo entendimento das normas de compliance, proteção de dados e certificações técnicas. Além disso, a resistência à mudança por parte de profissionais da saúde e instituições mais tradicionais pode dificultar a implementação de soluções inovadoras.

Outro obstáculo é a concorrência. O alto número de opções no mercado significa que apenas as empresas com propostas de valor sólidas e modelos de negócios sustentáveis conseguem se destacar e sobreviver a longo prazo. A alta taxa de mortalidade entre startups gera insegurança em hospitais e outros parceiros comerciais, que hesitam em adotar tecnologias de empresas emergentes.

Para superar esses entraves e se manter no mercado, as healthtechs precisam adotar algumas características fundamentais. Entre elas:

Modelo de negócios sólido e escalável: startups com propostas claras de geração de valor e que conseguem adaptar soluções para diferentes contextos têm mais chances de sobreviver.

Parcerias estratégicas: estabelecer colaborações ajuda a criar uma base de clientes estável e aumenta a confiança no mercado.

Sustentabilidade financeira: a busca por capital inicial deve ser acompanhada por estratégias para atingir rapidamente um fluxo de caixa positivo, reduzindo a dependência de rodadas sucessivas de investimento.

Foco em resultados mensuráveis: startups que conseguem demonstrar, com dados concretos, como as soluções melhoram indicadores de saúde ou reduzem custos operacionais conquistam maior credibilidade.

Atenção à regulamentação: estar em conformidade com as normas do setor, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), é essencial para conquistar e manter clientes institucionais.

Investimento em tecnologia e inovação contínua: adotar uma abordagem de melhoria constante garante que os serviços permaneçam relevantes e eficientes.

De qualquer forma, o futuro das healthtechs no Brasil parece promissor. Com o avanço da inteligência artificial, do aprendizado de máquina e de outras tecnologias, espera-se que essas empresas continuem a oferecer serviços cada vez mais personalizados e acessíveis. Além disso, de acordo com o levantamento da Statista, o mercado de IA na saúde terá um crescimento de mais de 1.600% entre 2021 e 2030, ao nível global, fomentando a inovação e, consequentemente, levando à valorização das empresas de tecnologia.

Para que esse cenário se concretize, é essencial que o ecossistema corporativo no Brasil continue a amadurecer, com políticas públicas que incentivem o empreendedorismo, maior integração entre universidades e startups e o fortalecimento de hubs de inovação voltados para a saúde. Esses negócios estão movendo a revolução ao desafiar modelos tradicionais e trazer soluções para o que, alguns anos atrás, não era possível de ser resolvido. A tecnologia e a criatividade desses novos players têm o poder de transformar não apenas a forma como as doenças são tratadas, mas como o bem-estar coletivo é imposto na sociedade.

*Karlyse Claudino Belli é Head of Data no grupo Doctor Assistant.ai.

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REVISTA CAPITAL ECONÔMICO

Cinco anos da pandemia que ressignificou o papel dos hospitais e de suas equipes

O mês de março de 2020 marcou um período que uniu pessoas em todo o mundo. Muitas dessas histórias tiveram como cenário hospitais nos quatro cantos do planeta. Foram casos de altas hospitalares muito comemoradas, despedidas a distância e, acima de tudo, uma luta intensa. No dia 11, a Organização Mundial de Saúde declarou a pandemia de covid-19 e, no dia 20, o Brasil decretou estado de calamidade pública devido à doença. A partir de então, apenas os serviços essenciais puderam funcionar.

Enquanto muitos viviam momentos de incertezas e se adaptavam à nova realidade, profissionais da saúde aprendiam diferentes formas de cuidado, e um número cada vez maior de pessoas lutava pela vida nos hospitais. Segundo o Ministério da Saúde, mesmo com todas as medidas de isolamento, mais de 700 mil mortes foram registradas no país - número inferior apenas ao dos Estados Unidos, que superou a marca de 1 milhão de mortos, de acordo com dados do Our World in Data , da Universidade de Oxford.

Em Curitiba (PR), o advogado Guilherme Kovalski, então com 35 anos, foi diagnosticado com covid-19 em julho de 2020. Diabético e hipertenso, viu a doença evoluir rapidamente devido a uma trombose pulmonar, uma das complicações mais comuns e graves do vírus. Ele foi internado às pressas no Hospital São Marcelino Champagnat, referência para casos de covid-19, e iniciou uma verdadeira batalha pela vida.

A alta hospitalar veio sete meses depois - cinco deles foram passados dentro de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). "A covid-19 deixou algumas marcas, principalmente no aspecto físico e motor. Precisei de um intenso processo de reabilitação para recuperar a mobilidade e a capacidade respiratória. Ainda hoje sigo com acompanhamento médico e algumas limitações, mas me considero um sobrevivente e sou grato pela recuperação que alcancei", conta Guilherme. "Foi um período assustador, sem saber o que vinha pela frente, mas também de muito aprendizado, resiliência e fé. Cada dia foi uma batalha, e olhar para trás agora me faz valorizar ainda mais a vida e o convívio com as pessoas que amo", enfatiza o advogado.

O intensivista e gerente médico do Hospital São Marcelino Champagnat, Jarbas da Silva Motta Junior, coordenava as UTIs da instituição quando a pandemia foi decretada. Ele foi o primeiro médico da capital paranaense a atender um caso grave da doença.

Entre os milhares de atendimentos, estava o advogado Guilherme Kovalski. "A covid-19 exigiu uma nova forma de cuidado. Muitos pacientes precisaram de traqueostomia, e alguns foram submetidos à ECMO, que funciona como um coração ou pulmão artificial. A média de internação de pacientes críticos, que era de 14 dias, passou a ser quatro vezes maior e, em casos como o de Guilherme, ainda mais longa", explica Jarbas. "Guilherme era jovem e, apesar do diabetes e da hipertensão, acreditávamos que teria uma recuperação sem grandes complicações. Mas, já na primeira semana, ele apresentou tromboses, infecções e outras condições que exigiram cirurgia. Em muitos momentos, tememos por sua vida, mas ele se mostrou um lutador", relembra o intensivista.

Na época, o hospital foi reorganizado, com uma ala dedicada aos pacientes com problemas respiratórios e outra para os demais. Profissionais da saúde pertencentes ao grupo de risco foram afastados, respiradores adquiridos, protocolos de higiene revisados e antecâmaras de pressão negativa instaladas nos acessos às áreas de atendimento à covid-19.

Além disso, a comunicação com os familiares passou a ser feita por videochamada. Ferramentas de telemedicina foram implementadas para atender pessoas com sintomas respiratórios leves evitando a necessidade de deslocamento. Também foi desenvolvido um protocolo para cirurgias seguras, para evitar qualquer risco de contaminação pelo vírus, voltado a pacientes que necessitavam de outros tipos de atendimento.

As equipes médicas participaram de treinamentos constantes para se manterem atualizadas sobre os protocolos recomendados pelas autoridades de saúde. "Foi um período extremamente desafiador. Precisávamos entender a nova doença, acompanhar suas manifestações e aperfeiçoar técnicas de cuidado - e, mesmo assim, perdemos muitos pacientes. Acredito que ninguém que esteve dentro de um hospital - e, principalmente, de uma UTI - passou pela pandemia e saiu da mesma forma", frisa Jarbas.

Enquanto muitos hospitais se tornaram referência no atendimento de casos de covid-19, outras instituições precisaram absorver a demanda de outros problemas como os traumas. Esse foi o caso do Hospital Universitário Cajuru, que divide a mesma quadra com o Hospital São Marcelino Champagnat. Ambas as instituições fazem parte do complexo de saúde do Grupo Marista. Grande parte das emergências e urgências de Curitiba e da região metropolitana foi direcionada ao Hospital Universitário Cajuru, incluindo casos de acidentes de trânsito, violência e diversos tipos de trauma. Para atender a essa demanda, cirurgias eletivas, acompanhamentos e pesquisas em várias áreas precisaram ser suspensos.

"A pandemia nos transformou como profissionais. Tanto nós, que já tínhamos anos de experiência, mas nunca havíamos vivenciado algo semelhante, quanto os residentes, que foram formados em um cenário completamente atípico. Cinco anos depois, tudo parece distante, mas as lições que tiramos continuam vivas", comenta o médico intensivista e diretor-geral dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, Juliano Gasparetto.

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Assessoria de Comunicação

Segunda, 10 Março 2025 06:58

CLIPPING AHPACEG 08 A 10/03/25

ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

Padilha na Saúde: ministro vai tentar transformar programa em marca do terceiro mandato de Lula

Confirmado primeiro caso de nova cepa de mpox no Brasil

Mulheres médicas recebem 23% a menos que homens, aponta pesquisa

A reconexão com a vida no ambiente hospitalar

Saúde confirma primeiro caso de nova cepa de mpox no Brasil

O GLOBO

Padilha na Saúde: ministro vai tentar transformar programa em marca do terceiro mandato de Lula


Novo ministro da pasta toma posse nesta segunda-feira

Alexandre Padilha assume pela segunda vez o comando do Ministério da Saúde, em posse marcada para esta segunda-feira, com a missão de suprir uma das principais carências deste terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: a falta de uma marca para o governo. À frente da pasta, Padilha terá que dar visibilidade ao Programa Mais Acesso a Especialistas (PMAE), o que sua antecessora, Nísia Trindade, não conseguiu fazer.

Lula quer, e chegou a pedir diversas vezes a Nísia, que o ministério consiga reduzir o tempo de espera por consultas com especialistas e exames no Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente nas áreas de oncologia, cardiologia, oftalmologia, otorrinolaringologia e ortopedia.

O programa foi lançado em abril de 2014, mas, na visão do Planalto, não conseguiu até agora atingir o patamar desejado de atendimento. O próprio nome é considerado um problema. Auxiliares tentam rebatizar o PMAE com um nome mais popular.

Na visão de Lula, Padilha pode se valer da experiência da implantação do Mais Médicos em sua primeira passagem pelo Ministério da Saúde no governo Dilma Rousseff. O programa tinha o objetivo de suprir a carência de médicos nas cidades do interior e nas periferias das grandes cidades.

O Mais Médicos enfrentou críticas, principalmente por causa da contratação de profissionais cubanos. Médicos brasileiros e entidades representativas da classe consideraram a iniciativa uma ameaça à qualidade da medicina no país. O governo, por outro lado, argumentava que os estrangeiros passavam por treinamentos específicos e eram qualificados.

O programa se tornou uma vitrine do PT e foi reembalado pela atual gestão de Lula, em um novo formato, desta vez sem estrangeiros. O entendimento no governo hoje é que o Mais Médicos virou um caso de sucesso e hoje tem a sua marca consolidada.

Na conversa em que demitiu Nísia, Lula apontou, entre outras justificativas, a necessidade de melhorar a comunicação do governo. Por isso, a expectativa é que Padilha tente dar mais destaque para as iniciativas da pasta, tanto em entrevistas como nas redes sociais. Há um entendimento de que a ex-ministra se comunicou mal durante a epidemia de dengue do ano passado.

Em uma entrevista dias depois de anunciar a troca na Saúde, Lula afirmou:

- A Nísia era uma companheira da mais alta qualidade, minha amiga pessoal, mas eu estou precisando de um pouco mais de agressividade na política que o governo tem que aplicar, mais agilidade, mais rapidez, e por isso estou fazendo algumas trocas.

Padilha terá ainda o desafio de estabelecer uma relação melhor com o Congresso do que a antecessora. Os problemas com os parlamentares também foram apontados por Lula na conversa em que definiu a troca na pasta. Nísia enfrentava críticas por causa da liberação de emendas. A ex-ministra foi pressionada em diferentes momentos pelo Centrão para liberação de verbas. Congressistas relatavam dificuldades para conseguir recursos para as bases. O tema também deverá ser espinhoso para Padilha, tendo em vista que o ministro das Relações Institucionais não tem uma boa relação com integrantes do Centrão, como o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) que o considera um "desafeto".

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A REDAÇÃO

Confirmado primeiro caso de nova cepa de mpox no Brasil

Entenda como é a transmissão da doença

O Ministério da Saúde confirmou na sexta-feira, 7, o primeiro caso de mpox no Brasil causado por uma nova cepa do vírus, a 1b. A paciente é uma mulher de 29 anos da região metropolitana de São Paulo, cujo quadro clínico evolui bem. Ela teve contato com um familiar do Congo, país africano onde a doença é endêmica.

De acordo com o ministério, não foram identificados casos secundários até o momento. A vigilância sanitária municipal de São Paulo está rastreando possíveis contatos da paciente. Até agora, apenas a cepa 2 do vírus tinha sido identificada no Brasil. O caso da nova cepa foi confirmado por laboratório, segundo o ministério.

A análise sequenciou o genoma completo do vírus, que é muito próximo aos casos da cepa 1b detectadas em outros países. No Brasil, foram 2.052 casos da doença em 2024. Neste ano, são 115 casos até fevereiro. Não foi registrada nenhuma morte por mpox no País nos últimos dois anos.

O ministério afirma que os pacientes geralmente apresentam sintomas leves e moderados. O Ministério da Saúde afirmou que acompanha o caso em conjunto com as Secretarias Estadual e Municipal de Saúde de São Paulo. A pasta disse ainda que comunicou o caso à Organização Mundial da Saúde (OMS).

A OMS decretou Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) para a mpox em agosto de 2024. O Congo é um país da África Central, onde a mpox é considerada endêmica (frequente) desde a década de 1970. Segundo o Ministério da Saúde, o país teve um surto nacional da doença em dezembro de 2022. Nesse período, o surgimento da cepa 1b motivou um "aumento significativo" de casos no país, segundo nota técnica do ministério. Ainda de acordo com o ministério, casos da cepa 1b foram registrados em Uganda, Ruanda, Quênia, Zâmbia, Reino Unido, Alemanha, China, Tailândia, Estados Unidos da América, Bélgica, Angola, Zimbábue, Canadá, França, Índia, Paquistão, Suécia, Emirados Árabes Unidos, Omã, Catar e África do Sul.

O que é mpox e quais os sintomas
A mpox é causada pelo vírus MPXV. A transmissão ocorre por contato com pacientes infectados ou por materiais contaminados pelo vírus. Abraços, beijos e relação sexual com pessoas contaminadas oferecem risco, assim como o contato com lesões na pele, feridas, bolhas ou secreção.

Geralmente, a mpox apresenta quadros leves e moderados que duram de 2 a 4 semanas. Os pacientes costumam ter lesões na pele, como bolhas e feridas, além de febre, dor de cabeça, calafrio e fraqueza. Os sintomas podem aparecer até 21 dias após a infecção. O Ministério da Saúde recomenda que pessoas com sintomas procurem uma unidade de saúde. Elas devem informar se tiveram contato com alguém doente e, se possível, evitar atividades sociais e coletivas e contato próximo com outras pessoas.

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SAÚDE BUSINESS

Mulheres médicas recebem 23% a menos que homens, aponta pesquisa

Estudo da Afya revela disparidade salarial e desafios de gênero na profissão, destacando os impactos das jornadas de trabalho e responsabilidades familiares sobre a carreira das médicas.

A pesquisa Pesquisa Salarial do Médico, conduzida pelo Research Center da Afya, destaca que as médicas ganham, em média, 23% a menos do que seus colegas homens. A pesquisa revela que a renda mensal das mulheres na medicina é de R$ 17.535,32, enquanto a dos homens alcança R$ 22.669,86. 

A diferença de aproximadamente R$ 5.135 é atribuída a dois fatores principais: a remuneração por hora, que para os homens é de R$ 417, enquanto para as mulheres é de R$ 370, representando uma diferença de R$ 48 (11,4%). Além disso, as médicas dedicam 47,4 horas semanais à profissão, contra 54,3 horas dos homens, uma disparidade de 6,9 horas por semana (12,6%). 

A desigualdade salarial é observada em todas as categorias analisadas, incluindo faixa etária, região e nível de formação. Para os profissionais com idades entre 45 e 55 anos, a diferença de renda é menor, cerca de 8,1%, indicando um certo equilíbrio salarial nesta faixa etária. 

Em relação às regiões, o Sul apresenta a menor diferença salarial, com 15,4%, enquanto nas demais regiões a disparidade varia entre 22% e 24%. No Norte, a diferença é de 22,6%, no Nordeste 22,2%, no Centro-Oeste 24,2%, e no Sudeste 24,9%. 

A desigualdade também se reflete no nível de formação. Médicos especializados ganham, em média, 22,4% a mais do que médicas com as mesmas qualificações, sugerindo que as mulheres continuam enfrentando obstáculos para avançar em termos financeiros e profissionais, mesmo com formação equivalente. 

Maternidade e jornada de trabalho 

O estudo também observa que as médicas mães dedicam em média 46,7 horas semanais à profissão, enquanto os médicos pais trabalham 55,2 horas. Para as médicas divorciadas ou separadas com filhos, a carga horária semanal sobe para 50,7 horas, indicando que as responsabilidades familiares podem impactar a jornada de trabalho. 

“Conciliar vida pessoal e profissional ainda é um desafio para as mulheres, que enfrentam múltiplas jornadas. A desigualdade salarial, especialmente nas horas trabalhadas, é um reflexo de uma divisão desigual das responsabilidades dentro e fora de casa. Para avançarmos, é essencial que essa divisão seja mais equilibrada, o que contribuirá para a redução dessas disparidades”, afirma Eduardo Moura, médico e diretor de pesquisa do Research Center da Afya. 

A pesquisa entrevistou 2.637 profissionais de todas as identidades de gênero, entre novembro de 2024 e janeiro de 2025, com margem de erro de 1,9 ponto percentual e nível de confiança de 95%. 

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MEDICINA S/A

A reconexão com a vida no ambiente hospitalar

Por Murillo Pedrosa

Organizações como os Doutores da Alegria já entenderam, há décadas, o poder transformador da arte no ambiente hospitalar. Através da palhaçaria, eles levam sorrisos, alívio e um respiro de leveza para pacientes e familiares. Mas o que isso representa na prática? Ações como essa entregam mais do que entretenimento. É a possibilidade de, por alguns minutos, esquecer a dor, a incerteza e o medo. É a chance de se reconectar com a alegria, mesmo em meio a situações delicadas, como estar internado ou acompanhando um ente querido.

A arte, em suas diversas formas, tem o poder de curar. Seja através da música, do teatro, da pintura ou da dança, ela oferece um escape criativo e emocional. Para pacientes, pode ser uma forma de expressar sentimentos que palavras não conseguem capturar. Para familiares, pode ser um momento de descontração e alívio em meio à tensão. E, para ambos, é uma lembrança de que a vida não se resume à doença. E esse pensamento é fundamental, pois ser diagnosticado com algo grave, por exemplo, é um momento que pode obrigar pacientes e acompanhantes a longos períodos de internação. Períodos em que a dimensão humana, muitas vezes, corre o risco de ficar esquecida ao longo dos corredores nos hospitais, o cuidado com o dia a dia, com a mente, com a alma e com a continuidade da vida, enquanto essas pessoas internadas aguardam pelo próximo procedimento, a próxima consulta, mais uma dose de medicação…

Nesses intervalos, o tédio, a ansiedade e o medo nascem. Para os familiares, a situação não é diferente. Muitas vezes, eles se veem divididos entre a preocupação com o ente querido e a necessidade de manter suas próprias rotinas. É aqui que entra uma pergunta crucial: como podemos preencher esses dias com significado, com atividades que tragam não apenas distração, mas também crescimento, conexão, mais humanização e propósito?

O ambiente hospitalar pode ser um vetor para isso, um espaço de aprendizado e desenvolvimento pessoal. Imagine um paciente que durante seu tratamento tem a oportunidade de participar de algum tipo de atividade educativa. Elas não apenas preencheriam o tempo, mas também ofereceriam um senso de propósito e continuidade da vida mesmo em meio a uma rotina difícil. Um exemplo prático? O xadrez pode ser um deles, uma vez que sendo uma atividade que estimula o raciocínio lógico e a concentração, além de ser uma excelente forma de interação social, poderia ter um espaço físico ou digital para sua prática em um hospital. E alguma aula de história, transportando para outros tempos e lugares, oferecendo uma fuga mental do ambiente hospitalar? Por que não um curso técnico em internações mais longas? Uma oportunidade, inclusive, para empresas que tenham programas de investimentos sociais e políticas voltadas para desenvolvimento humano e ações de qualidade de vida, e que possam contribuir para pensarmos na saúde de forma mais holística. Afinal, a medicina cura o corpo, mas são pequenas ações, como uma risada, um bate-papo, uma conversa, a troca de conhecimento, a interação com as pessoas que curam a alma.

*Murillo Pedrosa é Managing Director da FCB Health Brasil.

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AGÊNCIA BRASIL

Saúde confirma primeiro caso de nova cepa de mpox no Brasil

Mulher de 29 anos teve contato com familiar que visitou país africano

O Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso de infecção pela cepa 1b da mpox no Brasil. Segundo a pasta, a paciente, uma mulher de 29 anos que mora na região metropolitana de São Paulo, teve contato com um familiar que esteve na República Democrática do Congo, país que enfrenta surto da doença.

Em nota, o ministério informou que o caso no Brasil foi confirmado laboratorialmente, por meio da realização de sequenciamento para caracterizar o agente infeccioso. O exame permitiu a obtenção do genoma completo que, segundo a pasta, é muito próximo aos de casos detectados em outros países.

“Até o presente momento, não foram identificados casos secundários. A equipe de vigilância municipal mantém o rastreamento de possíveis contatos”, destacou o comunicado.

Ainda de acordo com o ministério, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já foi informado sobre o caso e a pasta, junto às secretarias estadual e municipal de Saúde, solicitou o reforço da rede de vigilância epidemiológica e o acompanhamento da busca ativa de pessoas que tiveram contato com a paciente.

Centro de emergência

Em resposta à declaração de emergência em saúde pública de importância internacional por mpox, decretada pela OMS em agosto de 2024, o ministério instituiu o Centro de Operações de Emergências (COE) para a doença que, segundo a pasta, permanece ativo no intuito de centralizar e coordenar as ações.

Casos

Em 2024, o Brasil registrou 2.052 casos de mpox. Até o início de fevereiro, 115 casos de cepas da doença haviam sido notificados, mas nenhum deles, até então, era da cepa 1b. Nenhum óbito por mpox foi identificado no Brasil ao longo dos últimos dois anos e a maioria dos pacientes, segundo o ministério, apresenta sintomas leves ou moderados.

A doença

Causada pelo vírus Monkeypox, a doença pode se espalhar entre pessoas e, ocasionalmente, do ambiente para pessoas, por meio de objetos e superfícies que foram tocados por um paciente infectado. Em regiões onde o vírus está presente entre animais selvagens, a doença também pode ser transmitida para humanos que tenham contato com os animais infectados.

A mpox pode causar uma série de sinais e sintomas. Embora algumas pessoas apresentem sintomas menos graves, outras podem desenvolver quadros mais sérios e necessitar de atendimento em unidades de saúde.

O sintoma mais comum é a erupção na pele, semelhante a bolhas ou feridas, que pode durar de duas a quatro semanas. O quadro pode começar com ou ser seguido de febre, dor de cabeça, dores musculares, dores nas costas, apatia e gânglios inchados. A erupção cutânea pode afetar o rosto, as palmas das mãos, as solas dos pés, a virilha, as regiões genitais e/ou anal.

As lesões também podem ser encontradas na boca, na garganta, no ânus, no reto, na vagina ou nos olhos. O número de feridas pode variar de uma a milhares. Algumas pessoas desenvolvem ainda inflamação no reto, que pode causar dor intensa, além de inflamação dos órgãos genitais, provocando dificuldade para urinar.

Entenda

A mpox é considerada doença endêmica na África Central e na África Ocidental desde a década de 1970. Em dezembro de 2022, a República Democrática do Congo declarou surto nacional de mpox, em razão da circulação da cepa 1 do vírus.

Desde julho de 2024, casos da cepa 1b vêm sendo registrados em países como Uganda, Ruanda, Quênia, Zâmbia, Reino Unido, Alemanha, China, Tailândia, Estados Unidos, Bélgica, Angola, Zimbábue, Canadá, França, Índia, Paquistão, Suécia, Emirados Árabes Unidos, Omã, Catar e África do Sul.

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Assessoria de Comunicação

Sexta, 07 Março 2025 07:00

CLIPPING AHPACEG 07/03/25

ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES    

Conselho Médico do RS lança cartilha sobre atendimento médico via WhatsApp

Dentistas vão ter permissão para fazer cirurgias plásticas faciais

Médico suspeito de crime sexual contra adolescente deve usar tornozeleira eletrônica, decide Justiça

Médica que diz ter sido detida após policiais exigirem atendimento com prioridade é absolvida de acusação de desacato

Fazenda desiste de criar teto de isenção de IR para doença grave

Justiça ordena retorno do aborto legal após suspensão que afetou 15 mulheres vítimas de estupro

STJ reafirma presunção de culpa de cirurgiões em cirurgias estéticas

CORREIO DO POVO

Conselho Médico do RS lança cartilha sobre atendimento médico via WhatsApp

Material destinado aos médicos abrange pontos como consulta médica remota e renovação de receitas

A telemedicina é uma realidade indiscutível e permite que médicos e pacientes se comuniquem com agilidade. Com isso em mente, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) lançou uma cartilha para médicos com orientações sobre as formas mais indicadas de prestar atendimento via aplicativos de mensagens.

"As ferramentas de comunicação digital vieram para ficar, e na Medicina não é diferente. Mas precisamos estabelecer o que são boas práticas no uso dessas ferramentas, como garantir uma troca segura de informações, a necessidade de consentimento informado e outros pontos fundamentais para a prática médica. Por isso, nos empenhamos na criação dessa cartilha", explica o presidente do Cremers, Eduardo Neubarth Trindade.

O material abrange desde a definição do que é uma consulta médica remota até a renovação de receitas. O foco principal, no entanto, é na segurança dos dados do paciente e na preservação do sigilo profissional. A cartilha está disponível no site cremers.org.br/ebook_telemedicina .

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CORREIO 24 HORAS

Dentistas vão ter permissão para fazer cirurgias plásticas faciais

Decisão, que expande determinação de 2019, causa polêmica com médicos

Seis anos após receberem autorização para realizar harmonização orofacial em consultórios, utilizando toxina botulínica (botox) e ácido hialurônico, os dentistas agora estão prestes a ganhar permissão para realizar cirurgias plásticas no rosto. A decisão, em fase final de formulação pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO), inclui procedimentos como rinoplastia, lifting facial, alectomia, otoplastia, blefaroplastia e queiloplastia. As informações foram divulgadas pelo site Viva Bem, do Uol.

A rinoplastia, que modifica a estrutura do nariz, é um dos procedimentos mais aguardados. Segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, é a quarta cirurgia mais procurada no Brasil. Outras técnicas populares, como o lifting facial (para suavizar sinais de envelhecimento) e a otoplastia (correção de "orelha de abano"), também estão na lista de possíveis liberações.

Claudio Miyake, presidente do CFO, explicou para o Uol que a habilitação será gradual e exigirá adaptações na estrutura dos consultórios odontológicos. "A nova habilitação é uma evolução", disse Miyake, referindo-se à autorização de 2019 para harmonização orofacial. Ele destacou que a decisão só foi possível após anos de estudos e experimentações, garantindo a segurança dos procedimentos.

A liberação é uma demanda dos próprios profissionais, que desde 2019 têm atuado fortemente no segmento estético. Dados do CFO mostram que o número de dentistas especializados em harmonização orofacial saltou de 908 em 2021 para mais de 4.000 em 2023. Miyake classificou o interesse pela área como um "fenômeno" entre os cirurgiões-dentistas. Atualmente, 426 mil profissionais estão registrados no CFO. 

No entanto, o Conselho Federal de Medicina (CFM) vê com preocupação a expansão das atribuições dos dentistas. A entidade já contesta na Justiça a resolução do CFO que reconhece a harmonização orofacial como especialidade odontológica. Em nota, o CFM afirmou que "os avanços das demais profissões da área da saúde sobre os atos privativos do médico colocam em risco a saúde e a vida da população".

Para atuar na área, os dentistas precisarão comprovar especialização por meio de cursos com carga horária mínima, ainda a ser definida. O CFO também criará registros de especialidades, seguindo modelo semelhante ao do Conselho Federal de Medicina. Cursos de pós-graduação, como o oferecido pela Faculdade do Centro Oeste Paulista (Facop), com 1.481 horas/aula e duração de dois anos, já estão disponíveis.

A expectativa é que as primeiras habilitações sejam liberadas em breve, embora Miyake não tenha divulgado datas específicas. Enquanto isso, entidades como a Associação Brasileira de Harmonização Orofacial (Abrahof) e a Sociedade Brasileira de Toxina Botulínica e Implantes Faciais na Odontologia (SBTI) auxiliam na formatação das regras.

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PORTAL G1

Médico suspeito de crime sexual contra adolescente deve usar tornozeleira eletrônica, decide Justiça

Profissional alegou que paciente de 17 anos tinha ‘útero invertido’ para justificar abuso, diz Ministério Público. Defesa afirma que ele é inocente e que possui mais de 30 anos de carreira.

Justiça determina que médico suspeito de crime sexual contra adolescente deve usar tornozeleira eletrônica

O médico Alfredo Carlos Dias Mattos Junior, que foi denunciado por uma adolescente de 17 anos por abuso sexual, deve usar tornozeleira eletrônica, conforme decisão da Justiça. O homem, condenado anteriormente pelo assassinato da ex-mulher, cometeu o abuso dentro do próprio consultório, no Hospital Ruy Azeredo, em Goiânia, segundo a denúncia do Ministério Público de Goiás (MPGO), obtida com exclusividade pela TV Anhanguera.

A defesa de Carlos Alfredo foi procurada para que pudesse se pronunciar sobre a decisão relativa ao uso de tornozeleira, nesta quinta-feira (6), mas não retornou até a última atualização desta reportagem. Sobre a denúncia, o advogado Roberto Serra da Silva Maia afirmou que ele é inocente e que possui mais de 30 anos de carreira, "sem qualquer histórico de conduta inadequada". Ele escreveu ainda que o caso "exige serenidade e rigor técnico para evitar pré-julgamentos indevidos" (leia nota completa ao fim do texto).

No texto da decisão, o juiz considerou que os crimes relatados foram praticados "no exercício da medicina, no local de trabalho do acusado". Além disso, a medida visa impedir que o médico possa fugir.

Anteriormente, o MP havia pedido pela prisão do médico, mas foi negado sob a justificativa de que os argumentos usados pelos promotores foram genéricos e se basearam nos relatos feitos pela suposta vítima e pela mãe dela. Na segunda-feira (3), o órgão entrou com recurso para que o investigado utilize tornozeleira eletrônica, tendo sido atendido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO).

A Polícia Penal informou, na manhã desta quinta-feira (6), que ainda não foi notificada da decisão. Órgão pontuou que, assim que for notificado, o equipamento será instalado, seguindo a determinação judicial.

A Justiça já havia determinado em fevereiro que o médico, que continuava atuando no mesmo hospital onde o crime foi praticado, fique impedido de exercer a medicina. Em nota à TV Anhanguera, na quarta-feira (5), a direção do Hospital Ruy Azeredo comunicou que não foi notificada da nova decisão. No entanto, ressaltou que Carlos não pertence ao quadro clínico da unidade desde o dia 17 de fevereiro.

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que, até quarta-feira (5), também não havia sido noticiado sobre a decisão judicial. Na manhã desta quinta-feira (6), o TJGO destacou que o caso está em segredo de Justiça e, por isso, não há acesso a qualquer informação sobre ele.

Denúncia

A denúncia realizada pelo Ministério Público, diz que o médico atendeu a adolescente em março de 2023. Ele solicitou uma endoscopia e uma ultrassom endovaginal à jovem, após ela ir até o consultório em busca de um tratamento para uma dor no estômago.

No mês seguinte, a adolescente e a mãe levaram para Alfredo os resultados do exame, ele afirmou que ela tinha “anteversão do útero”, conhecida popularmente como “útero invertido”, e que essa era a causa das dores.

O documento relatou que o médico pediu que a adolescente retirasse a blusa, abaixasse a calça e se deitasse na maca para corrigir a posição do útero ali mesmo no consultório. O texto pontuou que Alfredo iniciou a prática de atos libidinosos acariciando as mamas da adolescente, declarando que estava ensinando a fazer o autoexame.

“Em seguida, o denunciado colocou uma luva e introduziu os dedos na vagina da ofendida, manipulando o órgão genital por cerca de um minuto e meio, sob o pretexto de que estaria ‘colocando o útero no lugar’”, afirmou o texto.

Após a vítima sentir dores durante os abusos, a mãe interviu e pediu que o médico parasse, conforme a denúncia. Nesse momento, Alfredo alegou que já havia colocado o útero no lugar, pontuou o MP.

A adolescente e a mãe procuraram um ginecologista, depois do ocorrido, que informou que o procedimento não tinha respaldo técnico. Para a TV Anhanguera, o ginecologista e diretor da Maternidade Nascer Cidadão, Rogério Cândido, reafirmou que o procedimento não existe na ginecologia.

"O argumento para fazer uma mudança na posição do útero na região da vagina é descabido. Não existe esse procedimento no meio médico”, declarou Rogério.

Além disso, na denúncia, os promotores destacaram ainda que outras pacientes já registraram ocorrência contra Alfredo Carlos por práticas semelhantes, “o que demonstra a habitualidade e a gravidade de sua conduta”.

Em fevereiro, a Justiça determinou que o médico não está autorizado a sair de Goiânia por mais de oito dias sem autorização judicial. O denunciado também deve permanecer em casa entre as 22h e 6h. A proibição do exercício da medicina fica a cargo Cremego, diz a decisão judicial.

Nota da defesa de Alfredo Carlos Dias Mattos Júnior

Diante da denúncia que envolve o médico Alfredo Carlos Dias Mattos Júnior, sua defesa vem a público reafirmar seu compromisso com a verdade e a devida apuração dos fatos no âmbito do devido processo legal.

É fundamental ressaltar que o Dr. Alfredo possui uma trajetória profissional irrepreensível, com mais de três décadas de dedicação à medicina, tendo atendido milhares de pacientes sem qualquer histórico de conduta inadequada. O caso em questão, que se encontra em fase processual inicial, exige serenidade e rigor técnico para evitar pré-julgamentos indevidos.

A defesa reforça que todas as providencias necessárias serão tomadas para esclarecer os fatos e demonstrar a inexistência de qualquer irregularidade. Neste momento, confiamos na Justiça, que certamente conduzirá o processo em respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa.

Reiteramos nossa plena confiança na inocência do Dr. Alfredo e no esclarecimento integral dos fatos, convictos de que a verdade prevalecerá.

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Médica que diz ter sido detida após policiais exigirem atendimento com prioridade é absolvida de acusação de desacato

Médica afirmou ter sido intimidada por policial dentro do hospital e levada à delegacia durante plantão. Acusação alegou que ela ofendeu um dos agentes ao chamá-lo de "doido".

Médica recebe voz de prisão durante plantão em hospital de Trindade

A médica que denunciou ter sido detida após policiais exigirem atendimento prioritário foi absolvida pela Justiça da acusação de desacato feita pelos agentes. Ela foi levada à delegacia enquanto realizava atendimentos no Hospital Estadual de Trindade (Hetrin), na Região Metropolitana de Goiânia. A profissional afirmou ter sofrido abuso psicológico.

O caso ocorreu em 18 de novembro de 2024, e a sentença foi proferida na última quinta-feira (27). A decisão do juiz Thiago Mehari Ferreira Martins destacou a ausência de elementos que caracterizassem o crime. A Polícia Civil não se posicionou sobre a decisão. O g1 não conseguiu contato com os policiais.

A Justiça entendeu que o uso da palavra "doido" por uma médica para se referir a um policial civil não configura crime de desacato. Na decisão, foi destacado que o termo, isoladamente, não possui conotação de menosprezo, humilhação ou desprestígio à autoridade.

"Além disso, a expressão foi proferida no contexto de uma discussão acalorada, gerada pela insatisfação da médica com a presença dos policiais em seu consultório sem prévia autorização", afirmou o documento da Justiça.

A advogada da médica, Luísa Siqueira, ressaltou que, em nenhum momento, a médica desacatou os agentes, “limitando-se a agir em conformidade com os preceitos éticos e legais de sua profissão”. Ao g1, a médica disse que aguardava a sentença sobre a acusação de desacato para entrar com uma ação contra o estado.

De acordo com o processo, os policiais estavam no hospital acompanhando um detento para a realização de um laudo médico quando discutiram com a médica. A acusação alegou que ela ofendeu um dos agentes ao chamá-lo de "doido". No entanto, no interrogatório, a profissional negou a intenção de insultá-lo. Ela ressaltou que usou a expressão "gritar feito um doido" para se referir ao tom de voz do policial.

A presidente do Conselho Regional de Medicina de Goiás, Sheila Soares Ferro, afirmou em depoimento que desconhecia a realização de exames de corpo de delito no Hetrin, uma vez que essa não é a função do hospital, mas sim do Instituto Médico Legal (IML). Segundo ela, ao tomar conhecimento da prática, questionou o diretor técnico da unidade, que confirmou a realização dos exames devido à falta de médicos especializados.

A presidente do conselho afirmou que há pareceres contrários a essa prática, pois o exame deve ser realizado por profissionais treinados. Ela também disse que, conforme o diretor técnico, o Hetrin não realiza mais esses procedimentos. Sobre a entrada de terceiros em consultórios médicos, esclareceu que a autorização deve ser dada pelo médico presente na sala.

Ao g1, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) destacou que a realização de exames de corpo delito é atribuição exclusiva do Instituto Médico Legal (IML), conforme o Código Penal. Em nota, a instituição afirmou ainda que os exames devem ser realizados por serviços oficiais, "garantindo que médicos assistenciais não sejam compelidos a atuar como peritos".

Relembre o caso

A médica denunciou ter sido detida após questionar policiais civis que, acompanhados de um detento, exigiram prioridade na realização de um exame de corpo de delito durante o plantão dela no Hospital Estadual de Trindade (Hetrin). Em entrevista ao g1, a profissional, que preferiu não se identificar, explicou que solicitou que os policiais aguardassem do lado de fora depois que eles interromperam uma consulta em andamento e, por isso, foi intimidada.

"Fui levada escoltada por três policiais, como uma bandida, enquanto estava trabalhando. Fui levada na frente dos pacientes e dos meus colegas de trabalho. Não consegui dormir de ontem para hoje e sigo bem ansiosa, com medo de ir trabalhar e ter que passar por tudo novamente”, desabafou.

À época, a Polícia Civil de Goiás informou que os fatos noticiados eram apurados pela Corregedoria da instituição, e que todas as providências necessárias seriam adotadas para a elucidação do caso.

Segundo o relato da profissional, os policiais entraram no consultório sem serem chamados, enquanto ela atendia outro paciente. Ela informou que eles deveriam esperar para serem chamados e não podiam interromper a consulta. Nesse momento, um dos policiais teria se alterado e gritado com ela.

"Solicitei que ele aguardasse do lado de fora para que eu pudesse fazer o corpo de delito do paciente. No entanto, colocando a mão no coldre e me intimidando, gritou que não iria sair”, explicou a médica. “A presença dele não era necessária no atendimento, pois, embora ele estivesse escoltando o preso, havia outra policial no consultório que poderia fazer a escolta”, completou.

A médica contou que terminou o exame de corpo de delito por volta das 20h40. Às 21h, os policiais retornaram enquanto ela atendia outro paciente. A profissional disse que foi surpreendida quando eles entraram no consultório, começaram a filmá-la e, em seguida, deram voz de prisão em flagrante por desacato, afirmando que ela deveria acompanhá-los "por bem ou por mal".

“Levantei e fui sem questionar nada. Naquele momento, o hospital estava lotado, com cerca de 40 pacientes esperando atendimento, inúmeros retornos e a sala vermelha cheia. Perguntei a eles se iriam deixar o hospital sem médico e eles disseram que sim”, disse a médica.

O Hospital Estadual de Trindade (Hetrin) lamentou o ocorrido e disse que segue "empenhada em oferecer o melhor atendimento à população, prestando apoio a todos os profissionais que com ela se relacionam, incluindo servidores da saúde e autoridades policiais".

Na delegacia

Ao chegar à delegacia, a médica contou que teve seu celular apreendido e foi informada de que estava "presa". Quando foi chamada pelo delegado para prestar depoimento, relatou os acontecimentos e ele a informou de que seria liberada após o depoimento.

No entanto, a médica afirmou que uma das policiais envolvidas começou a tentar coagi-la psicologicamente, acusando-a de tirar fotos dela de forma escondida — o que a médica nega. O intuito, segundo a profissional, era que ela reagisse.

Desesperada, a médica afirmou que entrou em contato com sua advogada e falou sobre a possibilidade de denunciar abuso de autoridade. Ao ouvir isso, a policial teria voltado a intimidá-la, dizendo que ela poderia abrir um processo, mas, sem provas, teria de arcar com as consequências de um falso testemunho.

"Ao escutar isso, [a policial] foi até mim e disse: "Você pode até entrar com processo contra, mas pensa bem porque você não tem como provar, né? A pena para falso testemunho é alta, viu? Daí, que deixaríamos você presa mesmo. Cito palavras dela", disse a médica.

A médica disse que chegou à delegacia por volta das 21h10 e o depoimento só foi registrado por volta das 23h. Enquanto aguardava, contou ter sofrido abuso psicológico. “Fui liberada às 23h50 e mandaram que eu pedisse um Uber para ir embora, o que foi bem difícil de conseguir devido ao horário e à chuva. Retornei ao hospital, mas não consegui finalizar o plantão por estar emocionalmente abalada e ansiosa”, afirmou.

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AGÊNCIA BRASIL

Fazenda desiste de criar teto de isenção de IR para doença grave

Por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Ministério da Fazenda desistiu de criar um teto para a isenção de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) para pessoas com doenças graves. Em nota, a assessoria da pasta admitiu que a proposta chegou a ser estudada, mas foi retirada das discussões.

“A Fazenda não enviou e não vai enviar proposta sobre teto de isenção para moléstia grave. A medida chegou a ser estudada, mas acabou sendo retirada das discussões a pedido do presidente Lula. Devido a esse e outros ajustes o projeto de lei ainda não foi encaminhado para a Câmara”, informou o comunicado.

A instituição de um teto para doenças graves seria uma das medidas que ajudariam a compensar a elevação da isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

Em novembro, ao anunciar o pacote de corte de gastos junto com a proposta de aumentar a faixa de isenção, o Ministério da Fazenda havia anunciado que pretendia restringir a isenção de IRPF nos casos de doença grave apenas a quem ganha até R$ 20 mil por mês. Conforme anunciado na época, a dedução de 100% dos gastos com saúde na declaração do Imposto de Renda não mudaria.

A proposta, no entanto, enfrentou resistência da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco). A entidade ameaçou entrar no Supremo Tribunal Federal (STF), caso a medida virasse lei.

Segundo a Unafisco, a retirada da isenção de Imposto de Renda a pessoas com doenças graves é inconstitucional. Para a entidade, o benefício deve abranger todas as pessoas com enfermidades graves, independentemente da renda mensal. 

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JORNAL OPÇÃO

Justiça ordena retorno do aborto legal após suspensão que afetou 15 mulheres vítimas de estupro

A Justiça de São Paulo determinou que a Prefeitura da capital volte a oferecer o serviço de aborto legal no Hospital Municipal e Maternidade da Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte da cidade. A decisão, proferida nesta quarta-feira, 5, pela juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti, da 9ª Vara de Fazenda Pública, atende a uma ação movida por parlamentares do PSOL e reconhece que a interrupção do serviço representou um retrocesso social e uma violação à moralidade administrativa. Cabe recurso.

A suspensão do procedimento no hospital ocorreu em dezembro de 2023, sob a justificativa da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) de que a unidade precisava priorizar cirurgias eletivas voltadas à saúde da mulher. No entanto, a decisão judicial destacou que o serviço de aborto legal, que há mais de três décadas era oferecido na unidade, não foi efetivamente transferido para outras instituições da rede municipal.

“O Hospital Municipal Vila Nova Cachoeirinha, que há mais de 3 décadas prestava o serviço com qualidade e sem limites para a idade gestacional, era uma referência na área e atendida mulheres em hipervulnerabilidade social, motivo pelo qual a interrupção do serviço configura ofensa ao princípio da proibição do retrocesso social, que impede a reversibilidade dos direitos fundamentais de caráter social, como é o caso da dignidade e da saúde das mulheres vítimas de abuso sexual”, afirmou a juíza na decisão.

A ação foi protocolada pela deputada federal Luciene Cavalcante (PSOL), pelo deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) e pelo vereador Celso Giannazi (PSOL). O Ministério Público e a Defensoria Pública também se manifestaram contra a decisão da prefeitura de interromper o serviço. Segundo ofícios elaborados pela Defensoria Pública de São Paulo e pela ONG Projeto Vivas, ao menos 15 mulheres vítimas de estupro foram recusadas por hospitais indicados pela administração municipal e precisaram recorrer ao órgão ou à ONG em busca de atendimento.

A magistrada ressaltou que a prefeitura não apresentou nenhuma documentação que justificasse a suspensão do serviço e que a ampliação de cirurgias ginecológicas e fetais poderia ser realizada sem inviabilizar o atendimento de aborto legal. “Nada impediria a implantação de outros atendimentos ginecológicos no Hospital Vila Nova Cachoeirinha sem que fosse suspensa a prestação do serviço de aborto legal, que não foi implementado em outros hospitais municipais da forma como vinha sendo prestado”, pontuou.

O aborto legal no Brasil é permitido em três situações: quando a gravidez resulta de estupro, quando há risco de vida para a gestante e nos casos de anencefalia do feto. A legislação garante que esses procedimentos sejam oferecidos de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão judicial destacou que a interrupção do serviço comprometeu o direito das mulheres a um atendimento seguro e adequado, especialmente em um cenário de aumento do número de casos de violência sexual no estado de São Paulo.

O Hospital Vila Nova Cachoeirinha era a única unidade da rede municipal que realizava abortos legais em gestações acima de 22 semanas, o que tornou a suspensão do serviço ainda mais grave. A Defensoria Pública constatou que os hospitais indicados pela prefeitura não realizavam o procedimento nesses casos, o que deixou muitas vítimas sem alternativa viável para interromper a gestação dentro dos parâmetros da lei.

Além da retomada imediata do serviço, a decisão judicial condenou a prefeitura e a Secretaria Municipal de Saúde ao pagamento de R$ 10 mil em honorários advocatícios.

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MEDICINA S/A

STJ reafirma presunção de culpa de cirurgiões em cirurgias estéticas

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) consolidou um entendimento que já vinha sendo adotado em diversas decisões judiciais: em cirurgias plásticas estéticas não reparadoras, presume-se a culpa do médico quando o resultado não atender ao critério de harmonia esperado. Ou seja, ainda que o cirurgião tenha utilizado técnicas corretas e seguido protocolos médicos, ele poderá ser responsabilizado caso o resultado não seja considerado satisfatório, mas não por parâmetros individuais do paciente, e sim com base em critérios objetivo e coletivo, comparando a aparência do local antes e depois do procedimento.

Na avaliação da advogada Samantha Takahashi, especialista em Direito Médico, a decisão não representa uma novidade na jurisprudência, mas reforça a importância da transparência na comunicação médico-paciente e do registro preciso de todas as etapas do procedimento.

“Diferentemente do que se pode imaginar à primeira vista, a decisão traz uma interpretação mais razoável ao dever de resultado imposto ao profissional, um parâmetro mais claro e objetivo sobre a avaliação do resultado cirúrgico, independentemente da satisfação subjetiva ou ‘agrado pessoal’ do paciente”, analisa Takahashi.

Segundo ela, o caminho mais seguro para os médicos desempenharem a profissão continuará sendo a adoção de boas práticas jurídicas e médicas para minimizar riscos e garantir a segurança tanto do paciente quanto da própria carreira.

Porém, a decisão vai ainda de encontro ao entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM), destaca Takahashi.

“O CFM, valendo-se de sua autoridade sobre a matéria, estabeleceu, por meio da Resolução CFM 1621/2001, que a obrigação do cirurgião plástico na cirurgia estética, assim como nas demais áreas da Medicina, se restringe ao emprego das melhores técnicas disponíveis, buscando o melhor desfecho possível, sem garantir um resultado específico”, expõe a advogada.

E, ao divergir desse entendimento e impor ao cirurgião plástico a obrigação de resultado, o Judiciário impõe um ônus adicional ao profissional, acrescenta a especialista. “A necessidade de comprovar que a escolha e a execução da técnica foram adequadas e que o resultado obtido após a cirurgia trouxe uma melhoria objetiva na aparência da área operada, em comparação ao estado anterior ao procedimento”.

Documentação médica e perícia

Com a presunção de culpa, o médico passa a ter a responsabilidade de demonstrar que o resultado desarmonioso ocorreu por fatores imprevisíveis, como caso fortuito e força maior, ou culpa exclusiva do paciente. Ou seja, a presunção de culpa pode ser afastada com uma defesa bem estruturada, baseada em documentação detalhada, perícia médica e um consentimento claro.

“A melhor estratégia de prevenção reside na documentação minuciosa. A redução dos riscos nasce do prontuário com registros completos das condições clínicas do paciente, incluindo peso, altura, IMC, comorbidades e uso de medicamentos, além da descrição detalhada do objetivo cirúrgico e da queixa principal do paciente, o registro da técnica utilizada e a justificativa da escolha, da evolução pós-operatória, incluindo eventuais intercorrências e condutas adotadas, assim como a realização de fotografias pré e pós-operatórias, como meio de prova da efetividade da cirurgia”, avisa a especialista.

Além disso, registros detalhados sobre a evolução do paciente, fotografias pré e pós-operatórias e perícia técnica são essenciais nesses casos. “A perícia médica é um dos mais relevantes meios de prova para afastar a responsabilidade do profissional. O laudo pericial pode comprovar, de forma técnica e robusta, que o evento lesivo era inevitável e estava além do controle do médico.”

Outro ponto importante é manter um termo de consentimento bem elaborado, o que pode ser determinante para evitar problemas futuros. “O consentimento informado é o documento que comprova que o paciente foi devidamente esclarecido de que o resultado do procedimento cirúrgico pode não atender integralmente às suas expectativas pessoais e que isso não caracterizará inadimplemento por parte do médico”, afirma Samantha Takahashi.

A decisão é definitiva?

Apesar do reforço desse entendimento pelo STJ, isso não significa que todos os processos futuros serão julgados da mesma forma.

“Esse posicionamento estabelece um direcionamento jurisprudencial, mas não configura uma decisão definitiva e vinculante para todos os casos que envolvem a obrigação de resultado do cirurgião plástico. Cada processo continuará sendo analisado individualmente, considerando as circunstâncias específicas da demanda, as provas apresentadas e a interpretação dos tribunais.”

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Assessoria de Comunicação

Quinta, 06 Março 2025 06:45

CLIPPING AHPACEG 06/03/25

ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

Mais uma mulher denuncia abuso sexual cometido por cirurgião

Inteligência artificial amplia eficiência nos hospitais, mas exige planejamento

5G na saúde: desafios regulatórios, financeiros e de infraestrutura

Sírio-Libanês é eleito um dos melhores hospitais do mundo pela sexta vez

Artigo - Como a tecnologia pode ajudar a virar o jogo na saúde suplementar

TV ANHANGUERA

Mais uma mulher denuncia abuso sexual cometido por cirurgião

https://g1.globo.com/go/goias/videos-ja-2-edicao/video/mais-uma-mulher-denuncia-abuso-sexual-cometido-por-cirurgiao-13395286.ghtml

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SAÚDE BUSINESS

Inteligência artificial amplia eficiência nos hospitais, mas exige planejamento

Tema foi debatido na Jornada Digital Anahp, onde especialistas destacaram benefícios da tecnologia e os desafios para sua implementação segura e eficiente.

Inteligência Artificial (IA) vem se consolidando como uma ferramenta estratégica na área da saúde, contribuindo para maior eficiência, segurança e personalização no atendimento. Esse foi o foco do debate que encerrou a primeira Jornada Digital Anahp de 2025, realizada na última quinta-feira (27), com destaque para o impacto da IA na eficiência operacional das instituições de saúde. 

O evento, que reuniu 590 participantes online, ressaltou que, apesar dos benefícios, a implementação da IA exige planejamento, integração cuidadosa e supervisão contínua. “A IA, por si só, não resolve problemas. O grande desafio é integrá-la ao ambiente hospitalar sem criar barreiras para os profissionais”, afirmou Marco Bego, diretor-executivo do Instituto de Radiologia do HCFMUSP. Ele destacou que um dos principais desafios no InRad foi adaptar a IA aos sistemas legados dos hospitais, garantindo que sua implementação não comprometesse fluxos já estabelecidos. 

IA como apoio ao atendimento humanizado 

Um dos receios mais comuns sobre a IA na saúde é o risco de tornar o atendimento mais impessoal ou substituir o papel dos médicos. No entanto, os especialistas enfatizaram que a tecnologia deve atuar como ferramenta de apoio, permitindo que os profissionais tenham mais tempo para o contato humano. “Quando bem aplicada, a IA melhora a relação médico-paciente. Ela assume tarefas burocráticas, permitindo que os profissionais foquem no que realmente importa: o cuidado”, destacou Felipe Cabral, gerente médico de Saúde Digital do Hospital Moinhos de Vento, que moderou o debate. 

Previsibilidade e segurança no ambiente hospitalar 

Os participantes também ressaltaram o papel dos modelos preditivos baseados em IA na gestão hospitalar, permitindo antecipar picos de atendimento, ajustar escalas de trabalho e prever necessidades de internação. “Quando conseguimos antecipar a demanda, ganhamos eficiência e qualidade. A IA nos dá previsibilidade e reduz desperdícios operacionais”, explicou Victor Gadelha, Head de Educação, Pesquisa e Inovação da Dasa. 

Essa perspectiva foi reforçada por Vitor Ferreira, CIO do Sabará Hospital Infantil, ao destacar o uso da IA no monitoramento de prontuários eletrônicos para identificar padrões que indicam riscos ao paciente, como interações medicamentosas perigosas ou sinais precoces de deterioração clínica. “A IA é um apoio essencial para a segurança do paciente. Ao cruzar dados em tempo real, conseguimos agir antes que um evento adverso aconteça”, pontuou. 

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5G na saúde: desafios regulatórios, financeiros e de infraestrutura

Para que a tecnologia seja implementada, de forma plena, e traga os benefícios esperados para a saúde, é necessária a união de diferentes atores do setor.

A tecnologia 5G tem o potencial de revolucionar a saúde, viabilizando desde atendimentos remotos com baixa latência até procedimentos médicos mais precisos e conectados. No entanto, sua implementação no setor enfrenta desafios complexos, que vão desde barreiras financeiras e estruturais até entraves regulatórios e de segurança.

Embora a cobertura do 5G no Brasil tenha avançado, sua adoção plena na saúde ainda depende de investimentos, modernização da infraestrutura hospitalar e estratégias para garantir a proteção de dados dos pacientes. O caminho para essa transformação já começou, mas exige um esforço coordenado entre o setor público e privado.

Atualmente, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), 62,98% dos moradores do Brasil estão cobertos pelo 5G. Esse percentual é distribuído entre 73,09% dos moradores em áreas urbanas, e 8,18% em áreas rurais. A expectativa é de que, para os próximos anos, a tecnologia, especificamente na área de saúde, possa entregar o que se espera, como velocidade e tempo de latência reduzido em prol de melhor acesso à saúde. Porém, existem vários obstáculos a serem vencidos.

Desafios estruturais

A expansão do 5G no Brasil enfrenta dificuldades estruturais expressivas, incluindo a necessidade de instalação de novas antenas e equipamentos, principalmente em regiões remotas e de difícil acesso. Além da conectividade limitada, há problemas adicionais, como a falta de fornecimento contínuo de energia elétrica e a substituição de equipamentos obsoletos que não suportam a nova tecnologia.

“Ao mesmo tempo, a segurança cibernética surge como um fator crítico, exigindo medidas rigorosas para proteger a integridade da rede e dos dispositivos conectados, prevenindo ataques e acessos não autorizados que poderiam comprometer dados e serviços essenciais”, analisa Sérgio Portugal, professor da Pós-Graduação em Gestão de Negócios da Saúde da Fundação Dom Cabral (FDC).

Uma das características do 5G é a latência muito baixa, o que favorece a utilização para aplicações classificadas como missão crítica, ou seja, onde não pode haver falhas. Isso implica em densificação da rede com mais antenas e pequenos sites (small cells), o que demanda investimentos e adaptação da infraestrutura hospitalar para suportar essa conectividade.

“Muitos hospitais não possuem estrutura adequada para receber novos equipamentos de telecomunicação. Em locais de menos concentração populacional e mais afastados, o desafio reside na capilaridade da rede de fibra óptica, o que dificulta ainda mais a adoção da tecnologia”, aponta Matheus Rodrigues, sócio líder de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações na Deloitte Brasil.

Custos: uma das grandes barreiras

Segundo Donizetti Louro, consultor especialista da Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (Abimo), embora existam alguns mecanismos financeiros, não há incentivos diretos de financiamento para a adoção do 5G na saúde. Programas, como os do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), fornecem apoio financeiro para a transformação digital, mas o apoio específico para iniciativas de saúde 5G é limitado.

Nos hospitais, os custos são um desafio ainda mais complexo de ser vencido, na análise de Rodrigues, principalmente naqueles de pequeno porte, com uma infraestrutura tecnológica menor e geralmente orçamentos reduzidos. A tecnologia ainda tem um alto custo para implementação, principalmente onde a infraestrutura é mais antiga.

“A implementação do 5G em hospitais de menor porte é dificultada pelo alto custo de infraestrutura e pela falta de incentivos financeiros específicos”, diz Louro. Contudo, há soluções tecnológicas que podem tornar a implantação mais barata e também ações que podem gerar a obtenção de incentivos fiscais, o que varia conforme município e estado.

O especialista destaca que quem investe em inovação em saúde relacionada ao 5G pode se qualificar para incentivos fiscais sob a Lei 11.196/2005 (Lei do Bem), mas o processo é lento e burocrático. “Por outro lado, temos as Parcerias Público-Privadas (PPPs) com iniciativas de universidades, centros de pesquisa e hospitais privados que conseguem financiamento privado para programas-piloto 5G, porém as instituições públicas de saúde lutam para obter recursos comparáveis e funcionais.”

Entraves regulatórios e a proteção de dados

As questões regulatórias são consideradas um dos principais fatores responsáveis pela não adoção do 5G e podem ser observadas na dificuldade de conciliar o avanço da tecnologia com as autorizações de instalação de equipamentos em ambiente hospitalar.

Na avaliação de Louro, os atrasos na alocação e licenciamento de espectro da tecnologia 5G no setor de saúde brasileiro estão atrelados a atrasos regulatórios na liberação de frequência e implementação de infraestrutura, as quais prejudicaram sua aplicabilidade prática na área da saúde.

“Paralelamente, os cuidados com o gerenciamento e a transferência de dados confidenciais de pacientes em redes 5G reiteraram as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o que aumentou consideravelmente as análises de segurança, criptografia e armazenamento. Por outro lado, a certificação de dispositivos médicos habilitados para 5G (como instrumentos de cirurgia remota e diagnósticos alimentados por inteligência artificial) também exigem aprovação regulatória da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), processo demorado e burocrático.”

Existem diversas atividades, tais como a telemedicina, que é regida pela Lei 13.989/2020, mas para a qual não há uma estrutura legal explícita para aplicações 5G, como cirurgia robótica em tempo real e diagnóstico orientado por inteligência artificial.

Para o professor da FDC, são necessárias diretrizes mais claras sobre o uso de dados de pacientes e a obtenção de aprovações para a instalação de infraestrutura. “A LGPD exige uma abordagem rigorosa no manuseio de informações sensíveis, demandando políticas de segurança robustas e mecanismos eficientes de consentimento e auditoria.”

O desenvolvimento de protocolos de segurança, a implementação de criptografia avançada e a criação de sistemas de monitoramento contínuo são passos que se mostram essenciais para garantir a integridade das informações. “Além disso, educar usuários e profissionais de saúde sobre boas práticas de segurança digital pode reduzir riscos e fortalecer a confiança na nova tecnologia”, diz Portugal.

Louro, da Abimo, destaca que a privacidade dos dados é um tema que merece muita atenção, pois o fluxo de dados em tempo real de alta velocidade em redes 5G aumenta a probabilidade de violações de dados por hackers, caso a arquitetura e os mecanismos de segurança forem inadequados.

“Nesta direção, ainda temos os riscos de conformidade para hospitais. Caso essas instituições optem por fatiamento de redes, teremos riscos de segurança com a largura de banda especializada. Se os sistemas da instituição não forem adequadamente protegidos, um ataque cibernético pode prejudicar todo o sistema em operação. Aqui, deve-se refletir sobre a necessidade de uma criptografia segura, pois à medida que a tecnologia 5G melhora, as técnicas de criptografia devem se expandir.”

Caminhos para superar barreiras

A solução para superar esses problemas, na análise de Rodrigues, passa pela combinação de incentivos financeiros, modernização regulatória e parcerias estratégicas atreladas a um plano de desenvolvimento que pode ser elaborado utilizando-se as tecnologias adequadas para cada caso.

“A criação de políticas públicas voltadas para a digitalização da saúde, a flexibilização de normas para instalação de infraestrutura 5G e o desenvolvimento de modelos de negócios para os provedores da tecnologia e hospitais pode acelerar a implementação.”

Para que as barreiras sejam vencidas, a colaboração de todos os stakeholders do setor se faz necessária, na opinião dos especialistas. “É essencial uma colaboração ativa entre governo, setor privado e instituições de ensino, pesquisa e extensão. A criação de um arcabouço regulatório sólido e flexível, o investimento contínuo em infraestrutura e o desenvolvimento de mecanismos de incentivo financeiro são aspectos fundamentais para acelerar a transformação digital das instituições de saúde, de maneira especial com a aplicação da tecnologia 5G”, acredita Rodrigues.

Além disso, a troca de experiências com outros países e a realização de projetos-piloto podem oferecer insights e impulsionar a adoção segura e eficiente da tecnologia. “As iniciativas devem ser tratadas como projetos de inovação dentro de um contexto de transformação digital. Caso contrário, parte do investimento realizado corre o risco de se perder pela falta de foco estratégico na adoção da tecnologia”, alerta ele.

Louro aposta também que, para virar o jogo do 5G no Brasil, é preciso iniciativas para acelerar a adoção da tecnologia na área da saúde, com foco nas estratégias da Anatel e da Anvisa, que devem estabelecer programas contínuos de certificação para dispositivos médicos habilitados para 5G e simplificar os procedimentos de licenciamento para implantações de redes hospitalares.

“Os setores de saúde e telecomunicações devem trabalhar juntos para implementar soluções de saúde 5G, principalmente em unidades de saúde pública. Minimizar barreiras com incentivos financeiros direcionados, os quais poderiam introduzir incentivos fiscais, subsídios ou fundos de investimento dedicados para ajudar na implantação do 5G em hospitais, instalações de pesquisa e projetos de saúde digital são fundamentais.”

Soluções viáveis a curto e médio prazo

A tecnologia 5G chegou prometendo uma revolução na saúde, mas ainda não deslanchou como se esperava e seus benefícios ainda não são claros para muitos gestores. Os desafios são muitos e requerem, principalmente, investimentos financeiros. Mas, a curto e médio prazo, o que pode ser feito?

“No curto prazo, soluções viáveis incluem a implementação de redes 5G privadas em hospitais e clínicas, a aquisição de equipamentos compatíveis e a realização de testes lean para validar os benefícios da conectividade avançada”, diz Portugal.

Nesse sentido, Rodrigues comenta que a adoção de redes privativas pode ser realizada através do desenvolvimento da solução e posteriormente implementação com algum provedor.

Para Louro, algumas iniciativas também envolvem a implantação de redes híbridas 4G-5G massivamente com integração gradual de redes 5G não autônomas (NSA) na infraestrutura 4G LTE existente, o que tornaria a iniciativa mais econômica.

“A Anatel também pode desenvolver iniciativas que permitam que os hospitais testem aplicativos médicos baseados em 5G em ambientes regulatórios, acelerando assim a acurácia sistêmica e validação tecnológica.”

No médio prazo, a ampliação da infraestrutura de fibra óptica e o desenvolvimento de ecossistemas de tecnologias e conectividade em conjunto com a criação de políticas de financiamento específicas podem acelerar a adoção do 5G, beneficiando o público que vive em regiões menos favorecidas tecnologicamente e procedimentos que podem ser realizados de forma remota.

Portugal destaca, por fim, que na lista de prioridades das empresas do setor de saúde devem constar investimentos na capacitação de profissionais para que estes estejam preparados para lidar com novas ferramentas e processos tecnológicos em uma realidade de transformação digital do setor de saúde.

Segundo informações da Anatel, a expectativa é de que a tendência de crescimento do 5G permaneça no ano de 2025. A popularização dos dispositivos NB-IoT (sigla em inglês para Narrowband Internet of Things) poderá impulsionar o uso de dispositivos de automação, sensores industriais, vestíveis e muitos outros. Essa tecnologia permite implementar redes de grande alcance com baixo consumo de energia, além de reduzir o custo dos próprios dispositivos, viabilizando diversos modelos de negócio.

Embora o 5G tenha o potencial de alterar o setor de saúde do Brasil, atrasos em pesquisa, desenvolvimento e inovação; dificuldades de regulamentação; deficiências de infraestrutura; restrições financeiras e preocupações com implantação de sistemas cognitivos artificiais continuam sendo obstáculos significativos. Investimentos direcionados, reformas legislativas e colaboração do setor podem acelerar consideravelmente a formação de profissionais e a adoção plena da tecnologia.

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Sírio-Libanês é eleito um dos melhores hospitais do mundo pela sexta vez

Instituição integra o ranking World’s Best Hospitals 2025, que destaca os hospitais de maior excelência global, segundo a Newsweek e a Statista.

Pelo sexto ano consecutivo, o Hospital Sírio-Libanês figura entre os melhores hospitais do mundo, segundo o ranking World’s Best Hospitals 2025. A lista, elaborada pela revista norte-americana Newsweek em parceria com a Statista Inc., destaca as instituições de saúde de maior excelência globalmente. 

“Receber esse reconhecimento pelo sexto ano seguido é um grande orgulho para nós. Ele reflete o comprometimento diário de nossos profissionais em oferecer um atendimento de excelência, inovar em ensino e pesquisa e levar a medicina de ponta além das fronteiras do Brasil”, afirma Fernando Ganem, diretor-geral do Sírio-Libanês. 

World’s Best Hospitals 2025 

Considerado um dos rankings mais relevantes da área, a classificação se baseia em recomendações de especialistas, indicadores de desempenho hospitalar, avaliações de pacientes e na adoção dos PROMs (Patient-Reported Outcome Measures). A lista contempla instituições de 30 países, incluindo Estados Unidos, Alemanha, Japão, França, Reino Unido, Coreia do Sul e Brasil. 

Os países foram selecionados com base em critérios como padrão de vida, expectativa de vida, número de hospitais e disponibilidade de dados. Um conselho global de especialistas apoia a contínua evolução da metodologia do ranking. 

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MEDICINA S/A

Artigo - Como a tecnologia pode ajudar a virar o jogo na saúde suplementar

O faturamento hospitalar é, sem dúvida, um dos maiores gargalos da saúde suplementar brasileira. Trata-se de um processo burocrático, moroso e cheio de entraves que afeta diretamente a eficiência operacional de hospitais e operadoras de planos de saúde. O que deveria ser simples — a formalização de serviços prestados — acaba se transformando em um ciclo desgastante, que consome tempo, recursos humanos especializados e muita paciência para lidar com divergências administrativas, seja do lado do prestador ou da fonte pagadora.

Nos hospitais, tudo começa na consolidação das informações: prontuários, guias, autorizações e registros de procedimentos. O problema? Cada operadora tem suas próprias regras, e qualquer inconsistência pode gerar glosas e atrasos no pagamento. O aumento das glosas é alarmante: o 4º Balanço Observatório Anahp, publicado em dezembro do ano passado, destaca que o volume de glosas iniciais gerenciais atingiu 18,51% no terceiro trimestre de 2024, indicando uma oscilação crescente significativa em relação aos anos anteriores. Diante desse cenário, a equipe hospitalar precisa revisar contas, conferir documentos e interagir com múltiplas operadoras, consumindo um tempo precioso que poderia ser investido na melhoria da assistência.

O impacto financeiro direto é significativo: estima-se que o atraso nos repasses e o retrabalho gerado pelas glosas causem perdas milionárias para as instituições de saúde, comprometendo investimentos em infraestrutura e tecnologia. Já do lado das operadoras, o desafio não é menor. É preciso analisar cada conta recebida, cruzar dados, auditar cobranças e evitar pagamentos indevidos. Apesar do lucro operacional de R$3 bilhões registrado em 2024, conforme dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a falta de padronização entre os elos da cadeia gera ajustes constantes, retrabalho, custos administrativos elevados e impacto direto no fluxo de caixa das empresas.

O impacto vai além do financeiro. A lentidão no processo de faturamento pode prejudicar diretamente o paciente, seja por atrasos na autorização de novos procedimentos, seja pela limitação de recursos nos hospitais para investimentos em melhoria da assistência. Em contrapartida, instituições que já adotaram soluções de automação e digitalização de processos relatam ganhos significativos em eficiência e redução de erros, demonstrando que o caminho da transformação digital é promissor.

No fim, esse processo travado prejudica todos os lados. A solução passa pela digitalização e automação do faturamento, com sistemas que integrem e padronizem essas trocas. Isso não é apenas uma questão de eficiência operacional, mas de sustentabilidade do setor. O uso de tecnologias emergentes, como inteligência artificial para auditorias automatizadas e análise preditiva, pode ser um divisor de águas. Quem conseguir destravar esse processo, trazendo mais eficiência e previsibilidade, estará um passo à frente na transformação da saúde suplementar, beneficiando tanto as instituições quanto os pacientes que dependem de um sistema mais ágil e eficaz.

*Fabio Lia é country manager da Osigu no Brasil.

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Assessoria de Comunicação

Quarta, 05 Março 2025 08:34

CLIPPING AHPACEG 05/03/25

ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

A controvérsia dos planos de saúde sem pronto-socorro: uma questão jurídica e social

Entidades médicas pedem faixa etária maior para mamografia de rastreio

20 estados ainda mantem manicômios judiciais enquanto Goiás trocou política no começo dos anos 2000

Alexandre Padilha retorna à Saúde com objetivo de criar marca de governo

Oito em cada 10 posts sobre exames de saúde são enganosos

CONSULTOR JURÍDICO

A controvérsia dos planos de saúde sem pronto-socorro: uma questão jurídica e social

A proposta da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) de introduzir um plano de saúde restrito a consultas e exames, sem a inclusão de serviços de pronto-socorro, anunciada recentemente pela autarquia, suscita debates acalorados no cenário jurídico brasileiro. A iniciativa, de acordo com o Procurador da República, Hilton Melo, pode colidir frontalmente com a legalidade vigente ao potencialmente ignorar garantias essenciais previstas pela legislação, colocando os beneficiários em situação vulnerável e levantando questões sobre o acesso universal à saúde, um direito fundamental.

De fato, segundo a Lei 9656/98, que regulamenta os planos de saúde no Brasil, é fundamental que os beneficiários tenham acesso a serviços de urgência e emergência. Essa lei estabelece um padrão mínimo de cobertura que visa proteger o consumidor em momentos críticos.

O novo plano sugerido pela ANS, conforme descrito, parece desafiar essa premissa crucial, ao limitar o escopo de cobertura exclusivamente a consultas e exames, excluindo, por exemplo, atendimentos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) ou procedimentos cirúrgicos emergenciais.

Diante da ideia da ANS, o procurador Hilton Melo chama a atenção para a ausência de autorização legal para tais experimentações nos moldes propostos, algo que requereria uma revisão ou até mesmo a criação de novas regulamentações, possivelmente através de um projeto de lei que altere a Lei 9656/98 ou a edição de uma Medida Provisória (MP) com força de lei imediata, mas sujeita à aprovação do Congresso Nacional.

A preocupação não reside apenas na legalidade, mas também na prática dessa ideia da ANS. Existe um risco real de que essas sub segmentações nos planos de saúde venham a enfraquecer a oferta de produtos que atualmente asseguram internações de média e alta complexidade. Tal movimento poderia, alarmantemente, endossar uma desconexão entre o sistema de saúde suplementar e o Sistema Único de Saúde (SUS), sobrecarregando ainda mais este último. Por exemplo, um paciente com um plano restrito que necessite de uma cirurgia de emergência, como uma apendicectomia, seria inevitavelmente encaminhado ao SUS, aumentando a demanda e potencialmente comprometendo a qualidade do atendimento para todos os usuários.

Sem dúvidas, ao sugerir esse novo tipo de plano de saúde, a ANS mira no potencial existente no Brasil. Dos 213 milhões de brasileiros, aproximadamente 50 milhões possuem algum tipo de plano de saúde, o que significa que há um mercado demográfico potencial para esses produtos "populares".

Contudo, lançar tais planos sem uma rede apropriada de suporte às emergências pode não só deslocar problemas para o SUS como pode também incitar um cenário onde planos de saúde de baixa cobertura se tornem padrão de mercado, com implicações graves para o atendimento hospitalar. Imagine, por exemplo, um idoso com um plano de saúde limitado que sofra um Acidente Vascular Cerebral (AVC). A ausência de cobertura para internação e tratamento intensivo poderia resultar em sequelas graves ou até mesmo óbito, evidenciando a vulnerabilidade dessa população.

Para mitigar os riscos, é imperativo que a ANS e o Ministério da Saúde adotem um papel fiscalizador ainda mais ativo. Deve-se garantir um quadro regulatório capaz de preservar a integridade tanto dos serviços públicos quanto privados, por meio de uma arquitetura sólida de compliance que contemple as inovações tecnológicas, como prontuários eletrônicos integrados entre os sistemas de saúde.

A implementação de um sistema de blockchain, por exemplo, poderia garantir a segurança e a transparência dos dados dos pacientes, o que facilitaria a comunicação entre os diferentes níveis de atenção à saúde e evitaria a duplicação de exames e procedimentos. Além disso, a criação de indicadores de qualidade e desempenho para os planos de saúde, com a divulgação pública dos resultados, poderia incentivar a concorrência e a melhoria dos serviços.

A vitalidade da saúde suplementar precisa coexistir de maneira harmoniosa e eficiente com o serviço público, de forma que nenhuma das partes seja negligenciada. A proposta atual, então, aponta para um futuro incerto, com implicações legais e sociais significativas. É essencial que os poderes públicos, juntamente com entidades não governamentais e o próprio setor privado discutam estratégias sustentáveis antes da implementação de qualquer mudança que, em sua gênese, carrega a promessa de uma dualidade funcional ao mesmo tempo provocativa e contingente.

É crucial considerar o impacto a longo prazo dessas decisões e garantir que o acesso à saúde continue sendo um direito garantido a todos os cidadãos brasileiros, independentemente de sua condição socioeconômica. Iniciativas como a proposta da ANS devem ser amplamente discutidas e rigorosamente analisadas, incluindo representantes dos consumidores, profissionais de saúde, operadoras de planos de saúde e órgãos de defesa do consumidor, para garantir um debate democrático e bem fundamentado, além de realizar estudos que identifiquem os impactos socioeconômicos e de saúde desta nova modalidade de plano, e que considerem diferentes cenários e grupos populacionais.

Mais além, é necessário reforçar os mecanismos de fiscalização para evitar abusos e garantir a aplicação correta da legislação existente, com a criação de canais de denúncia e a aplicação de sanções para as operadoras que descumprirem as normas.

Trata-se de uma discussão complexa, que sublinha a necessidade de uma abordagem cuidadosa e abrangente que não só respeite o texto de lei mas também assegure que todas as mudanças desempenhem um papel positivo no espectro dos cuidados de saúde no Brasil. A criação de um grupo de trabalho multidisciplinar, com a participação de juristas, economistas, médicos e representantes da sociedade civil poderia ser uma medida eficaz para garantir que todas as perspectivas sejam consideradas e que as decisões sejam tomadas de forma transparente e responsável

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AGÊNCIA BRASIL

Entidades médicas pedem faixa etária maior para mamografia de rastreio

Entidades médicas apresentaram à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) um parecer defendendo a mamografia de rastreio para todas as mulheres entre 40 e 74 anos. O documento tenta mudar o critério a ser usado pela ANS para certificar planos de saúde em seu novo programa de valorização às boas práticas no tratamento do câncer.

Em dezembro do ano passado, a Agência lançou uma consulta pública para receber contribuições sobre o programa, e divulgou a cartilha preliminar com orientações e critérios para os planos de saúde que desejarem obter a certificação. Mas acabou sendo alvo de protestos.

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Um dos principais critérios é a realização de rastreamento organizado, ou seja, a convocação das usuárias para realizarem exames regularmente, mesmo sem sintomas. No caso do câncer de mama, a cartilha seguiu o protocolo do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional do Câncer (Inca): mamografias a cada dois anos para as mulheres com idades entre 50 e 69 anos.

Mas para as entidades médicas, essa faixa etária exclui uma parcela importante da população. Após os protestos, a ANS concedeu um prazo de um mês para que as organizações apresentassem um parecer com evidências científicas, o que foi feito na semana passada.

Aumento de casos

Elaborado em conjunto pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, Sociedade Brasileira de Mastologia e Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, o parecer argumenta que em 2024, 22% das mulheres que morreram por câncer de mama no Brasil tinham menos de 50 anos, e 34% tinham mais de 70.

Os estudos reunidos no documento também apontam que houve crescimento de casos de câncer em mulheres mais jovens, e que esses tumores geralmente são mais agressivos e tem mais risco de metástase.

Para as entidades médicas, a mamografia deve incluir essas pessoas, porque o diagnóstico de câncer em pessoas assintomáticas, a partir de exames de imagem, demanda tratamentos que impactam menos a qualidade de vida da paciente, e tem menos risco de recidivas, metástases e mortalidade.

"No grupo do rastreamento, o tumor é detectado no estágio inicial e apresenta características biológicas menos agressivas, permitindo maior número de cirurgias conservadoras da mama. Essas pacientes também possuem menos indicação de quimioterapia, consequentemente com menores efeitos colaterais do tratamento" diz o parecer.

E as entidades complementam: "o diagnóstico precoce também é custo-efetivo e se associa a benefícios econômicos, porque reduz os custos do tratamento, ao evitar terapias caras para cânceres em estágios avançados".

Efetividade

Mas de acordo com o diretor-geral do Inca, Roberto Gil, não há discussão sobre os benefícios do diagnóstico precoce, mas sim sobre a efetividade de aumentar a idade dos exames de rastreamento, que devem ser feitos por todas as mulheres, quando não há sintomas ou suspeita.

"Nossa questão não está baseada na incidência da doença abaixo dos 50 anos, mas nas fortes evidências de que o rastreamento abaixo de 50 anos não tem sensibilidade, aumentando o risco de sobrediagnóstico e de maior número de intervenções, sobrecarregando todo o sistema de Saúde", afirmou Gil na quinta-feira (27).

Em entrevista anterior à Agência Brasil, Gil enfatizou: "A informação científica que temos hoje não é da opinião de um especialista, é da literatura médica, avaliada com o nível de evidência 1, meta-análise e estudo randomizado, que é o maior nível de evidência que se tem. Grande parte dos trabalhos não conseguiu mostrar nenhum aumento de sobrevida na faixa dos 40 aos 50 anos. Só houve aumento de sobrevida na faixa de 50 a 69 anos."

De acordo com ele, isso se explica pela maior densidade da mama de mulheres mais jovens, o que aumenta as chances de um resultado falso positivo, que precisará ser descartado por exames adicionais, ou até por cirurgias desnecessárias.

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JORNAL OPÇÃO

20 estados ainda mantem manicômios judiciais enquanto Goiás trocou política no começo dos anos 2000

Censo de 2011, coordenador pela pesquisadora Debora Diniz, visitou todas as unidades espalhadas pelo Brasil e produziu um extenso relatório sobre a situação dos chamados manicômios judiciais

Apenas Acre, Amapá, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Roraima e Tocantins não possuem mais os Estabelecimentos de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (ECTPs). No Brasil, ao todo, são 23 ECTPs, enquanto Minas Gerais e Rio de Janeiro possuem mais de três cada. De acordo com a Lei 10.2016, de 2001, “é vedada a internação de pacientes portadores de transtornos mentais em instituições com características asilares”.

Censo de 2011, coordenado pela pesquisadora Debora Diniz, visitou todas as unidades espalhadas pelo Brasil e produziu um extenso relatório sobre a situação dos chamados manicômios judiciais. A população das unidades era de 3.989 indivíduos, sendo 2.839 em medida de segurança, 117 por convenrsão de pena e 3.033 em internação temporária. Homens, na sua maioria, sendo que ao menos 25% não deveriam estar internados por cumprirem medidas de segurança com a periculosidade cessada, desinternação ou medida extinta.

No Estado, as politicas manicominais, foram substituídas pelo Programa de Atenção Integral ao Louco Infrator (Paili), inspirado em programa semalhante ao Programa de Atenção Integral ao Paciente Judiciário (PAI-PJ), de Minas Gerais. De acordo com o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO), a execução é responsabilidade pelo conjunto entre Ministério Público, Secretaria de Estado de Saúde, Secretaria de Assistência Social, Secretaria de Segurança Pública e Diretoria Geral de Polícia Penal.

As discussões sobre as implementações das políticas antimanicomiais são feitas pelo CEIMPRA (Comitê Estadual de Implantação e Monitoramento da Política Antimanicomial ), da e a Defensoria Pública do Estado de Goiás. O município de Goiânia, através da Secretaria Municipal da Saúde também tem participação na aplicação das políticas.

Política responsável pela execução das medidas de segurança no Estado de Goiás. Atuação de forma à auxiliar aos juízos de execução penal, tem a tarefa de acompanhar os pacientes julgados e absolvidos pela Justiça Criminal, mas que, em razão de doença ou pertubação da saúde mental, são submetidos à internação psquiátrica ou ao tratamento ambulatorial de “pessoas com transtorno mental ou qualquer forma de deficiência psicossocial que estejam custodiadas, sejam investigadas, acusadas, rés ou privadas de liberdade, em cumprimento de pena ou de medida de segurança, em prisão domiciliar, em cumprimento de alternativas penais, monitoração eletrônica ou outras medidas em meio aberto”.

De acordo com a pesquisadora, o Brasil passou por três picos de instalação das custódias psiquiátricas. Entre 1921 e 1933, na década de 1980 e em 2001. Segundo a Universidade Federal de Goiás (UFG), o estabelecimento de institucionalização da loucura no Estado teve início com o médico Pedro Ludovico Teixeira. Uma década depois, o diagnóstico era que o Estado, juntamente com Sergipe e Acre não prestaram assistências a seus doentes.

Os sanatórios Espírita Batuíra e JK são ianugurados em 1950, no entanto, o louco infrator continua a ser recluso em presídios, em meio a criminosos comuns. É somente no ano de 1964 que o Hospital Adauto Botelho é utilizado como uma espécie de presídio, principalmente para presos políticos opositores ao regime da ditura militar em Goiás no início do golpe. As práticas diferenciadas do tratamento psiquiátrico tradicional só começaram em 1992, com o atendimento do tipo dia, quando os pacientes podiam ir embora para casa do final do horário comercial.

O que é a luta antimanicomial

A luta antimanicomial é um movimento social e político que visa transformar o modelo de assistência às pessoas com transtornos mentais, combatendo a lógica do isolamento e da institucionalização em hospitais psiquiátricos e manicômios. No Brasil, essa luta ganhou força especialmente a partir da década de 1970, impulsionada por denúncias de abusos e violações de direitos humanos dentro dessas instituições, onde pacientes eram submetidos a condições degradantes, maus-tratos e violência.

O movimento se consolidou na década de 1980, alinhado com os princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira, que resultou na Lei nº 10.216, de 2001. Essa legislação estabeleceu diretrizes para substituir o modelo manicomial por uma rede de atenção psicossocial baseada no cuidado humanizado e na inclusão social. Com isso, a internação psiquiátrica passou a ser medida excepcional, priorizando-se o atendimento em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), residências terapêuticas e outras formas de assistência comunitária.

No contexto da saúde mental e do sistema prisional, a luta antimanicomial questiona a existência dos Estabelecimentos de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (ECTPs), também conhecidos como manicômios judiciais. Essas unidades mantêm pessoas em privação de liberdade sob justificativa de tratamento psiquiátrico, mas muitas vezes reproduzem a lógica punitiva e de exclusão dos hospitais psiquiátricos convencionais.

Nos últimos anos, estados como Goiás têm implementado programas alternativos, como o Programa de Atenção Integral ao Louco Infrator (Paili), que busca garantir acompanhamento multidisciplinar a pacientes em conflito com a lei, sem a necessidade de internação em unidades asilares. Essas iniciativas estão alinhadas com a defesa dos direitos humanos e com a proposta de um cuidado em liberdade, onde o tratamento da saúde mental não implique em segregação.

A luta antimanicomial, portanto, não se restringe ao fechamento de hospitais psiquiátricos, mas propõe uma transformação profunda na forma como a sociedade encara a loucura e o sofrimento psíquico. Trata-se de uma questão de direitos humanos, inclusão social e construção de uma política pública que respeite a dignidade das pessoas em sofrimento mental, garantindo-lhes tratamento adequado, inserção na comunidade e acesso a políticas de assistência e reinserção social.

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JOTA INFO

Alexandre Padilha retorna à Saúde com objetivo de criar marca de governo

Em momento de baixa popularidade do governo Lula, a Saúde é tida como possibilidade de vitrine

O médico infectologista Alexandre Padilha refaz, agora, o movimento que fez entre 2010 e 2011: deixa o comando da Secretaria de Relações Institucionais para novamente assumir o Ministério da Saúde . Desta vez, ele também repete uma missão que teve à frente da Saúde, a de criar uma marca de governo. Em momento de baixa popularidade do governo Lula, a Saúde é tida como possibilidade de vitrine.

A passagem de Padilha no governo Dilma Rousseff no comando do ministério foi marcada por dois programas: Aqui Tem Farmácia Popular e Mais Médicos. Ambos tornaram-se conhecidos e tiveram uma boa receptividade entre população. No caso do Aqui Tem Farmácia Popular, a boa avaliação ocorreu também entre integrantes da classe média.

Articulação política

A troca no Ministério da Saúde é vista como uma solução para acomodar Alexandre Padilha, que tinha como certa sua saída da articulação política. Desde os primeiros seis meses de governo Lula, as críticas à sua gestão na Secretaria de Relações Institucionais são uma constante no governo. A crise foi escancarada em junho de 2023, quando a Câmara dos Deputados derrubou o marco do saneamento básico e aprovou o marco temporal das terras indígenas - duas pautas contrárias à agenda do governo Lula.

À época, o então presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL) tornou pública a primeira rusga com Padilha e disse que as lideranças do governo deveriam "andar com as próprias pernas". A principal queixa a Padilha era de que ele fazia verbalmente um acordo com os parlamentares, que envolviam cargos e liberação de emendas, mas não cumpria.

Nos 18 meses que se seguiram, a relação entre Padilha e Lira tornou-se cada vez mais distante, com ápice em abril de 2024. À imprensa, o deputado alagoano se referiu ao ministro como "desafeto pessoal", o chamou de "incompetente" e disse ser "lamentável" que integrantes do governo ficassem "plantando mentiras". Após o embate, Padilha negou crise e as queixas públicas se amenizaram.

Nos últimos meses, Padilha se tornou novamente alvo de críticas por causa da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de suspender o pagamento de emendas, exigindo maior transparência. Inicialmente, parlamentares o acusaram de ter atuado para que houvesse o bloqueio e depois exigiram que ele buscasse uma solução, mas o ministro evitou entrar diretamente no conflito.

Padilha também foi alvo de críticas do próprio partido, especialmente por causa de derrotas nas pautas econômicas. Ainda assim, ele seguiu no cargo com respaldo do presidente Lula, que o vê como aliado de primeira hora, confiável e tem reconhecimento pela história de Padilha no PT. Em momentos difíceis do partido, como no impeachment de Dilma Rousseff e na prisão de Lula, Padilha esteve presente e fez ampla defesa dos correligionários.

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PORTAL UOL

Oito em cada 10 posts sobre exames de saúde são enganosos

Influenciadores promovem no Instagram e TikTok testes como ressonância magnética de corpo inteiro para pessoas sem sintomas, o que pode gerar tratamentos desnecessários, aponta estudo.Dicas de saúde enganosas e falsas promessas de cura são tão antigas quanto a própria humanidade. Os primeiros cristãos eram instruídos a ingerir imagens devocionais de santos para curar doenças e dores, enquanto charlatães do século 18 vendiam o chamado óleo de cobra como uma cura para qualquer problema de saúde.

Em tempos de mídias sociais, a desinformação médica se espalha com uma rapidez que nenhum charlatão ou padre viajante poderia atingir. Com milhões de seguidores ao alcance de um clique, influenciadores podem exercer um enorme poder quando se trata de conselhos médicos e de saúde.

Um novo estudo, liderado pela Universidade de Sydney e publicado no periódico científico JAMA Network Open, constatou que cerca de 85% das publicações no Instagram e no TikTok sobre exames médicos fornecem orientações médicas falsas, enganosas ou potencialmente prejudiciais, que não mencionam danos importantes, como diagnóstico excessivo ou uso excessivo desses testes.

Além da facilidade em produzir e disseminar conteúdos proporcionada pelas mídias sociais, outro fator abordado pelo estudo é capacidade maior de influência que esse meio tem em comparação com as mídias tradicionais.

Esses dados demonstram a necessidade de uma regulamentação mais rigorosa de informações médicas enganosas nas mídias sociais , escreveram os autores.

Faca de dois gumes

Um dos exemplos citados pelo artigo é da celebridade Kim Kardashian, que em 2023 incentivou seus mais de 360 milhões de seguidores a se submeterem a uma ressonância magnética de corpo inteiro.

O exame consiste em ficar imóvel por cerca de uma hora numa maca longa e estreita que desliza para dentro de uma máquina cilíndrica que capta imagens detalhadas de órgãos, articulações e tecidos, que Kardashian chamou de máquina salva-vidas por seu poder de detectar sinais precoces de doenças como câncer.

De acordo com o artigo, há evidências cada vez mais claras de que os testes de detecção precoce são facas de dois gumes: podem salvar vidas, mas também trazer diagnósticos desnecessários.

De acordo com os pesquisadores, a principal preocupação com esses exames é que eles têm a capacidade de detectar condições que não levam necessariamente a uma doença, levando a diagnósticos e tratamentos desnecessários.

Agências reguladoras como a americana Food and Drug Administration (FDA, equivalente à Anvisa no Brasil) têm se articulado para regulamentar melhor testes como esse, pois identificam em seu uso inadequado uma das causas de tratamentos desnecessários, que podem causar danos individuais e ao sistema de saúde.

Além da ressonância magnética de corpo inteiro, o estudo se debruçou sobre o uso excessivo de mais quatro testes:

Multi-Cancer Early Detection (MCED), exame de sangue que detecta fragmentos de genes mutantes relacionados a tumores, estão sendo promovidos como uma forma de rastrear mais de 50 tipos de câncer antes do surgimento dos sintomas, embora não haja aprovação dos agentes regulatórios nem evidências de que os benefícios superam os danos, incluindo diagnósticos desnecessários;

Teste AMH, que mostra a quantidade de óvulos, é falsamente promovido como um teste de fertilidade e pode levar a tratamentos de fertilidade desnecessários;

Teste de microbioma intestinal, que coleta uma amostra de fezes e avalia a composição do microbioma no intestino de um indivíduo, promete bem-estar por meio da detecção precoce de muitas condições, apesar da falta de evidências de benefícios e preocupações sobre o uso excessivo de medicamentos;

Exames de sangue de baixa testosterona não têm evidências de benefícios para homens saudáveis assintomáticos e provavelmente causam o uso excessivo de suplementos.

Redes sociais e tratamentos desnecessários

Os pesquisadores afirmam que publicações nas mídias sociais são um dos principais fatores para o excesso de diagnósticos e para o aumento da demanda por tratamentos desnecessários.

O diagnóstico excessivo desvia recursos do combate a doenças que são subdiagnosticadas e subtratadas, afirmam os autores. O uso excessivo de tratamentos pode levar ainda a efeitos colaterais, como dores de cabeça induzidas por medicamentos.

Os pesquisadores analisaram 982 publicações de mídia social de influenciadores do Instagram e do TikTok com cerca de 200 milhões de seguidores no total para avaliar sua precisão e o possível impacto sobre os usuários.

Dessas publicações, apenas 15% mencionaram os possíveis danos associados aos exames médicos.

Quase todos os influenciadores da amostra não tinham o conhecimento médico necessário para fornecer informações precisas. Apenas 6% das postagens incluíam alguma forma de evidência médica.

Em vez disso, os influenciadores tenderam a se basear em evidências anedóticas ou em dados escolhidos a dedo para promover testes que podem não ser necessários ou mesmo benéficos.

Claramente, essa nova evidência de informações persuasivas e enganosas em quase 1.000 postagens exige respostas para ajudar a reduzir o possível excesso de diagnóstico e uso excessivo , escreveram os autores.

O estudo também descobriu que mais de dois terços dos influenciadores tinham incentivos financeiros para promover o teste sobre o qual estavam postando.

Esse incentivo financeiro pode levar a informações tendenciosas, em que os benefícios dos testes são exagerados, e os riscos, minimizados.

Como se proteger

Encontrar orientações de saúde confiáveis e com base científica na internet pode ser difícil, mas há caminhos que qualquer pessoa pode seguir para se proteger contra desinformação médica:

Verifique a fonte: Sempre confira as credenciais da pessoa que está fornecendo a orientação médica. Os influenciadores podem não ter o histórico médico necessário para oferecer informações confiáveis;

Proteja-se contra informações enganosas: Pense criticamente sobre o conteúdo que está vendo. Pergunte a si mesmo se o influenciador está se referindo a evidências científicas de fontes confiáveis;

Verifique os fatos: Use fontes confiáveis para verificar os fatos das informações compartilhadas pelos influenciadores. Sites como o da Organização Mundia de Saúde (OMS) podem ajudar;

Pense antes de compartilhar: Antes de passar algo adiante, considere se isso pode ser falso ou se pode causar danos. Verificar a precisão das informações com uma fonte respeitável pode reduzir o compartilhamento de falsidades.

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Assessoria de Comunicação

Sexta, 28 Fevereiro 2025 06:52

CLIPPING AHPACEG 28/01/25

ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

Ipasgo Saúde realiza live para esclarecer dúvidas sobre pagamentos

CFM participa de reunião da Frente Parlamentar Mista da Saúde e reforça compromisso com a defesa da assistência à população

Advogados e médicos de MS faturam alto com judicialização da saúde, indica PGE

Padilha abre transição na Saúde e diz que meta é reduzir espera para atendimentos

A REDAÇÃO

Ipasgo Saúde realiza live para esclarecer dúvidas sobre pagamentos

Transmissão ocorre nesta sexta-feira (28/2) 

O Ipasgo Saúde promove nesta sexta-feira (28/2) uma transmissão ao vivo para esclarecer dúvidas e otimizar os processos relacionados ao envio e validação de pagamentos na linguagem XML. A live, destinada a prestadores de serviços, visa garantir maior eficiência e conformidade nas operações que balizam as transações financeiras realizadas entre os profissionais e a instituição.

Durante o encontro online, das 9h30 às 11h, os participantes terão a oportunidade de aprender, passo a passo, como garantir que os pagamentos de terceiros sejam processados corretamente, sem falhas que possam impactar o fluxo. Além disso, especialistas estarão à disposição para esclarecer dúvidas e orientar sobre as melhores práticas no envio e validação dos pagamentos no XML, um processo fundamental para a gestão do faturamento.

A live será transmitida ao vivo no canal oficial do Ipasgo Saúde no YouTube. “Nosso objetivo é proporcionar a todos os prestadores as condições necessárias para refinar os processos de faturamento. Com essa capacitação, esperamos não apenas resolver dúvidas, mas também conferir maior agilidade e precisão nas operações financeiras”, diz o presidente do Ipasgo Saúde, Vinícius Luz.

Esta é a nona live que o Ipasgo Saúde realiza para sanar dúvidas da rede credenciada sobre o sistema Facplan, por meio do qual ocorre a gestão do plano de saúde. Além das transmissões ao vivo, a instituição disponibiliza na plataforma cerca de 50 tutoriais em vídeo e quatro manuais, que podem ser acessados por meio do Portal do Prestador.

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CFM

CFM participa de reunião da Frente Parlamentar Mista da Saúde e reforça compromisso com a defesa da assistência à população


O Conselho Federal de Medicina (CFM) segue atuante na defesa de políticas públicas que garantam a qualidade da assistência médica no Brasil. Nesta quarta-feira (26/02), os conselheiros federais Antonio Meira e Alceu Pimentel, membros da Comissão de Assuntos Políticos (CAP-CFM), representaram a autarquia na reunião da Frente Parlamentar Mista da Saúde (FPMS), realizada em Brasília (DF).

O encontro reuniu deputados, senadores, assessores e representantes de diversas categorias da saúde para discutir o planejamento estratégico da Frente Parlamentar para o ano. Entre as ações da FPMS destacam-se o observatório do orçamento da saúde, que monitora alocação de recursos; o acompanhamento da reforma tributária, com análise dos impactos na saúde; e o monitoramento de novas tecnologias no Sistema único de Saúde (SUS).

O presidente da FPMS, deputado Dr. Zacharias Calil, explicou que a FPMS tem monitorado a agenda legislativa e articulado com os parlamentares. Ele destacou a relevância da presença do CFM no grupo. "Juntos, seguimos trabalhando para fortalecer a saúde no Brasil e defender os interesses da sociedade", afirmou o parlamentar. Ele também ressaltou que a parceria com o CFM é fundamental para o avanço de pautas como a qualidade da formação médica, a ética na medicina, a transparência na gestão da saúde e demais temas estratégicos para o setor.

Defesa da medicina - O encontro também foi uma oportunidade para que os conselheiros do CFM reforçassem a necessidade de políticas públicas que assegurem condições adequadas para o exercício da medicina e um atendimento de excelência à população. Entre os temas prioritários que passam pela Câmara dos Deputados e Senado Federal, o conselheiro federal Alceu Pimentel alertou para a necessidade de se estabelecer critérios mais rígidos para a criação de cursos de medicina, incluindo restrições ao ensino a distância na área da saúde.

Com participação ativa nos debates legislativos, os dois conselheiros reafirmaram o compromisso da autarquia de atuar em defesa da categoria médica e da qualidade da assistência prestada à população.

Segundo o coordenador da CAP-CFM, Antonio Meira, o trabalho conjunto entre a autarquia e os parlamentares é essencial para garantir avanços concretos na área. "O CFM segue atento às discussões legislativas e contribui ativamente com propostas que visam a melhoria do sistema de saúde, sempre pautado na ética médica e na valorização da profissão", ressaltou.

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CORREIO DO ESTADO

Advogados e médicos de MS faturam alto com judicialização da saúde, indica PGE


PGE-MS mostra que, no intervalo de 1 ano, uma mesma advogada patrocinou 32 ações em favor dos mesmos médicos; impacto é de mais de R$ 5 milhões

Um relatório elaborado pela Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso do Sul (PGE-MS) indica que apenas uma advogada, em 2023, ingressou com 32 ações solicitando procedimentos médicos, sendo que 28 deles tinham custo superior a R$ 150 mil. A constatação foi fundamental para reforçar a tese de que há um esquema entre médicos e advogados que consiste em inflar os preços dos procedimentos e, consequentemente, turbinar o ganho dos advogados. Nesta terça-feira (25), o Ministério Público transformou o procedimento preparatório aberto em 2023 em inquérito civil. A investigação pode ir ainda mais além, pois a Polícia Civil também estaria no caso (não há confirmação de abertura de inquérito). A PGE-MS, em 2023, além de enviar os dados para a investigação civil do Ministério Público, também solicitou que a Polícia Civil instaurasse inquérito policial para investigar o esquema de superfaturamento de cirurgias pagas com dinheiro público a mando da Justiça.

Os processos patrocinados pela mesma advogada resultaram (ou resultariam, na época do dossiê, em 2023) em um impacto de R$ 5 milhões aos cofres públicos. Nessas ações judiciais, normalmente em caráter de urgência, há pouco espaço para o contraditório do poder público ou para questionar orçamentos. O valor, a título de comparação, é pouco menos da metade dos R$ 14 milhões investidos em cirurgias eletivas no ano passado, com ajuda federal. A suspeita dos envolvidos na investigação é que o sobrepreço dos procedimentos médicos pode contribuir para elevar o faturamento dos profissionais de saúde e ainda levar os advogados a turbinar seus honorários sucumbenciais, que podem chegar a 20% do valor da causa. Quanto ao inquérito do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, ele também investiga uma suposta omissão das procuradorias do Estado e do Município. A motivação foi levantada pelo juiz Cláudio Muller Pareja, que estranhou que, em um desses processos com valor exorbitante, o poder público não tenha pedido a impugnação dos orçamentos.

Na investigação do Ministério Público, já foram identificados pelo menos cinco clientes de uma mesma advogada, já intimados a depor. A investigação é reforçada pelo mapeamento da PGE-MS, elaborado pelo procurador do Estado Kaoye Guazina Oshiro, com o apoio da Polícia Civil, que notou uma repetição de processos judiciais requerendo a realização de neurocirurgias e cirurgias ortopédicas, em que os pacientes solicitam procedimentos com valores expressivos. Todos os processos, conforme o documento ao qual o Correio do Estado teve acesso em primeira mão, eram patrocinados pela mesma advogada: Luciana Tosta Quintana Ribas. "Não raro, os profissionais que ofereciam os serviços (os procedimentos cirúrgicos) se repetiam", argumenta o procurador do Estado. Em 2023, ano em que se concentra a investigação, a advogada Luciana Tosta Quintana Ribas ingressou com 32 demandas judiciais contra o Estado e municípios.

A maioria das demandas foi na comarca de Campo Grande: 19 ao todo. Mas também havia processos judiciais, na época em que o procurador do Estado elaborou o documento, nos municípios de São Gabriel do Oeste, Chapadão do Sul, Ponta Porã, Nioaque, Costa Rica, Miranda (Bodoquena), Rio Verde de Mato Grosso, Paranaíba, Coxim e Rio Negro. "De fato, no universo de 32 processos, apenas quatro contêm como menor orçamento de equipe médica montante inferior a R$ 150 mil", argumenta o procurador. Cartas marcadas O monitoramento feito pela Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso do Sul ainda apontou para indícios de carta marcada na oferta dos procedimentos pelos médicos. Normalmente, o paciente apresenta três orçamentos de procedimentos ao magistrado, que normalmente decide pelo mais barato. "Na maior parte dos orçamentos de menor valor - ou seja, dos orçamentos utilizados como parâmetro para sequestro de verbas públicas para a realização de procedimentos em âmbito privado - são dos Drs.
(médicos) Wolnei Zeviani (13) e Antônio Martins de Freitas Júnior (16). "O procurador do Estado complementa: "Ou seja, dos 32 processos, apenas três não têm como orçamento de menor valor o apresentado por um desses dois médicos." O dossiê da PGE-MS, feito a pedido do Ministério Público, ainda lembra que, nos outros três casos em que Zeviani e Freitas Júnior não aparecem, os médicos citados são Mariana Mazzuia (1) e Roberto Cisneros (2). O que chamou a atenção da PGE-MS é que, no orçamento feito por Mariana Mazzuia, a conta indicada como destino para o depósito era da empresa Nanoneuro Serviços Médicos, cujo responsável financeiro é nada menos que Wolnei Zeviani. O documento ainda mostra que Zeviani e Freitas Júnior também ofertaram orçamentos nos procedimentos em que não ofereceram o menor preço. Na época em que o relatório ficou pronto, no final de 2023, o dossiê da PGE-MS ainda indicou que, dos 32 processos patrocinados por Luciana Ribas, 16 já estavam com ordens de bloqueios de verbas públicas efetuadas.

"Todos esses bloqueios foram destinados a empresas que contêm ou o Dr. Wolnei Zeviani ou o Dr. Antônio Martins de Freitas Júnior ou ambos no quadro societário", demonstrou. As empresas que receberam os pagamentos foram: Instituto de Nervos, Cérebro e Coluna (INCC) Martins Neuro Serviços Médicos WW Zeviani Prestação de Serviços Médicos Nanoneuro Serviços Médicos Valor exorbitante Os procedimentos tinham valores exorbitantes e distantes da média praticada pelo mercado, indica o relatório do procurador Kaoye Oshiro. Ele cita o exemplo de uma cirurgia de coluna indicada pela advogada, em que o procedimento de menor valor sairia por R$ 339,4 mil. Ocorre que a PGE encontrou, na mesma época, um orçamento para o mesmo procedimento a ser executado em Ponta Porã por menos da metade do preço: R$ 162,4 mil. Fác-Símile de documento da PGE-MS Suspeita antiga Em meados do ano passado, a própria Procuradoria-Geral do Município de Campo Grande revelou, em peça judicial, a existência de um suposto esquema envolvendo médicos e advogados que forçam a judicialização da saúde para aumentar seus rendimentos.

A descrição veio à tona em defesa de uma ação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) que visa acabar com uma fila de espera de 7,7 mil consultas e cirurgias ortopédicas. Na ocasião, a procuradora do município Viviani Moro afirmou, na peça de defesa, que os custos desses procedimentos, solicitados via processos judiciais, contribuem para o aumento das filas na saúde pública. Em contestação à ação civil pública ajuizada pelo MPMS no fim de abril, ela destacou dois processos judiciais em que pessoas demandam procedimentos de quase R$ 600 mil e R$ 50 mil. "Desde a judicialização da saúde, inúmeros profissionais médicos e empresas encontraram nas ações meios para obter melhores lucros", afirmou a procuradora. "Por uma questão lógica, tais profissionais não se interessam em realizar o procedimento no âmbito do SUS, cujo custeio de tais procedimentos é pífio. E, por mais que os serviços estejam contratualizados, o gestor público não possui finanças suficientes para subsidiar valores equiparados com os que são praticados no âmbito privado", complementou a procuradora jurídica.

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FOLHA ONLINE

Padilha abre transição na Saúde e diz que meta é reduzir espera para atendimentos

Lula trocou comando do ministério após cobrar marca forte na pasta, e aposta é o programa Mais Acesso a Especialistas

Escolhido para comandar o Ministério da Saúde , o médico e deputado federal Alexandre Padilha (PT) disse nesta quinta-feira (27) que sua meta na pasta será reduzir o tempo de espera para atendimentos.

"A missão é se esforçar permanentemente, até o momento que for necessário, de minha parte de forma obsessiva, para reduzir o tempo de espera para quem precisa de atendimento neste país", disse

Padilha ao chegar ao ministério pela primeira vez após ser escolhido para o cargo.

Ele participou de reunião com a equipe da ministra Nísia Trindade para organizar a troca de comando na Saúde . Nísia foi demitida por Lula (PT) na terça-feira (25), cinco dias após a Folha revelar que o presidente havia decidido trocar a chefia do ministério.

Lula tem cobrado que o Ministério da Saúde emplaque uma ação de maior visibilidade. Com Padilha à frente da pasta, o governo deve aumentar a aposta no Mais Acesso a Especialistas . O programa, que ainda ganha tração , promete encurtar o tempo para a realização de consultas e exames especializados nas áreas de oncologia, cardiologia, oftalmologia, otorrinolaringologia e ortopedia.

Atual ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Padilha deve tomar posse no Ministério da Saúde no dia 10 de março. Já o nome que comandará a SRI ainda não foi anunciado.

Padilha disse que a transição na chefia da Saúde "será tranquila, construtiva e amigável".

"Estou sucedendo uma defensora do SUS que durante dois anos se esforçou para reconstruir o Ministério da Saúde, tão atacado pelo negacionismo", afirmou o próximo ministro da Saúde sobre Nísia.

O petista ainda disse que Lula colocou a redução do tempo para atendimentos como um "desafio".

Atual secretário de Atenção Especializada, o médico Adriano Massuda deve assumir a Secretaria Executiva da Saúde sob Padilha. O cargo é visto como uma espécie de vice-ministro, além de lidar com temas sensíveis ao governo, como elaboração do orçamento da Saúde, compras públicas e logística.

Massuda hoje comanda a secretaria que executa o Mais Acesso a Especialistas e foi secretário-executivo substituto da Saúde em 2011 e 2012, durante a gestão anterior de Padilha na pasta. Ele ainda participou, em 2022, da banca de doutorado do novo chefe do ministério.

Padilha assumirá a pasta também com o desafio de frear crises sanitárias, como a da dengue.

Terá, ainda, de lidar com a cobiça do Congresso sobre o orçamento da Saúde . Em 2024, as emendas parlamentares drenaram mais de 40% da verba empenhada para custeio e investimentos da pasta. Na passagem anterior de Padilha pela Saúde, encerrada em 2014, menos de 20% desses recursos eram definidos por deputados e senadores.

Ex-presidente da Fiocruz, Nísia comandou a Saúde desde janeiro de 2022 e foi uma escolha da cota pessoal de Lula. A ideia do presidente era reorganizar as políticas da pasta, como o Farmácia Popular e o Mais Médicos, além de se contrapor às gestões anteriores, marcadas por falhas no combate à Covid-19.

Ao se despedir dos servidores nesta quarta-feira (26), Nísia afirmou que sua gestão teve o "papel histórico" de reconstruir o ministério. Disse também que desejava permanecer no cargo durante os quatro anos do governo e se queixou dos dias de indefinição sobre a troca de ministro , mas sem citar o presidente Lula (PT).

A gestão de Nísia vinha sendo alvo de queixas de integrantes do Congresso, de membros do Palácio do Planalto e do próprio presidente, que chegou a fazer cobranças pela falta de uma nova política que se tornasse bandeira do governo. À frente da pasta ela enfrentou uma sequência de crises, como a explosão de casos de dengue e a falta de alguns modelos de medicamentos e vacinas em todo o país.

Aliados da ministra, contudo, defendem que a gestão de Nísia retomou políticas públicas e ampliou coberturas vacinais. Em 2024, o Brasil foi recertificado pela Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) pela eliminação de sarampo, rubéola e síndrome da rubéola congênita.

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Assessoria de Comunicação

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