Postado em: 05/03/2025

CLIPPING AHPACEG 05/03/25

ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

A controvérsia dos planos de saúde sem pronto-socorro: uma questão jurídica e social

Entidades médicas pedem faixa etária maior para mamografia de rastreio

20 estados ainda mantem manicômios judiciais enquanto Goiás trocou política no começo dos anos 2000

Alexandre Padilha retorna à Saúde com objetivo de criar marca de governo

Oito em cada 10 posts sobre exames de saúde são enganosos

CONSULTOR JURÍDICO

A controvérsia dos planos de saúde sem pronto-socorro: uma questão jurídica e social

A proposta da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) de introduzir um plano de saúde restrito a consultas e exames, sem a inclusão de serviços de pronto-socorro, anunciada recentemente pela autarquia, suscita debates acalorados no cenário jurídico brasileiro. A iniciativa, de acordo com o Procurador da República, Hilton Melo, pode colidir frontalmente com a legalidade vigente ao potencialmente ignorar garantias essenciais previstas pela legislação, colocando os beneficiários em situação vulnerável e levantando questões sobre o acesso universal à saúde, um direito fundamental.

De fato, segundo a Lei 9656/98, que regulamenta os planos de saúde no Brasil, é fundamental que os beneficiários tenham acesso a serviços de urgência e emergência. Essa lei estabelece um padrão mínimo de cobertura que visa proteger o consumidor em momentos críticos.

O novo plano sugerido pela ANS, conforme descrito, parece desafiar essa premissa crucial, ao limitar o escopo de cobertura exclusivamente a consultas e exames, excluindo, por exemplo, atendimentos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) ou procedimentos cirúrgicos emergenciais.

Diante da ideia da ANS, o procurador Hilton Melo chama a atenção para a ausência de autorização legal para tais experimentações nos moldes propostos, algo que requereria uma revisão ou até mesmo a criação de novas regulamentações, possivelmente através de um projeto de lei que altere a Lei 9656/98 ou a edição de uma Medida Provisória (MP) com força de lei imediata, mas sujeita à aprovação do Congresso Nacional.

A preocupação não reside apenas na legalidade, mas também na prática dessa ideia da ANS. Existe um risco real de que essas sub segmentações nos planos de saúde venham a enfraquecer a oferta de produtos que atualmente asseguram internações de média e alta complexidade. Tal movimento poderia, alarmantemente, endossar uma desconexão entre o sistema de saúde suplementar e o Sistema Único de Saúde (SUS), sobrecarregando ainda mais este último. Por exemplo, um paciente com um plano restrito que necessite de uma cirurgia de emergência, como uma apendicectomia, seria inevitavelmente encaminhado ao SUS, aumentando a demanda e potencialmente comprometendo a qualidade do atendimento para todos os usuários.

Sem dúvidas, ao sugerir esse novo tipo de plano de saúde, a ANS mira no potencial existente no Brasil. Dos 213 milhões de brasileiros, aproximadamente 50 milhões possuem algum tipo de plano de saúde, o que significa que há um mercado demográfico potencial para esses produtos "populares".

Contudo, lançar tais planos sem uma rede apropriada de suporte às emergências pode não só deslocar problemas para o SUS como pode também incitar um cenário onde planos de saúde de baixa cobertura se tornem padrão de mercado, com implicações graves para o atendimento hospitalar. Imagine, por exemplo, um idoso com um plano de saúde limitado que sofra um Acidente Vascular Cerebral (AVC). A ausência de cobertura para internação e tratamento intensivo poderia resultar em sequelas graves ou até mesmo óbito, evidenciando a vulnerabilidade dessa população.

Para mitigar os riscos, é imperativo que a ANS e o Ministério da Saúde adotem um papel fiscalizador ainda mais ativo. Deve-se garantir um quadro regulatório capaz de preservar a integridade tanto dos serviços públicos quanto privados, por meio de uma arquitetura sólida de compliance que contemple as inovações tecnológicas, como prontuários eletrônicos integrados entre os sistemas de saúde.

A implementação de um sistema de blockchain, por exemplo, poderia garantir a segurança e a transparência dos dados dos pacientes, o que facilitaria a comunicação entre os diferentes níveis de atenção à saúde e evitaria a duplicação de exames e procedimentos. Além disso, a criação de indicadores de qualidade e desempenho para os planos de saúde, com a divulgação pública dos resultados, poderia incentivar a concorrência e a melhoria dos serviços.

A vitalidade da saúde suplementar precisa coexistir de maneira harmoniosa e eficiente com o serviço público, de forma que nenhuma das partes seja negligenciada. A proposta atual, então, aponta para um futuro incerto, com implicações legais e sociais significativas. É essencial que os poderes públicos, juntamente com entidades não governamentais e o próprio setor privado discutam estratégias sustentáveis antes da implementação de qualquer mudança que, em sua gênese, carrega a promessa de uma dualidade funcional ao mesmo tempo provocativa e contingente.

É crucial considerar o impacto a longo prazo dessas decisões e garantir que o acesso à saúde continue sendo um direito garantido a todos os cidadãos brasileiros, independentemente de sua condição socioeconômica. Iniciativas como a proposta da ANS devem ser amplamente discutidas e rigorosamente analisadas, incluindo representantes dos consumidores, profissionais de saúde, operadoras de planos de saúde e órgãos de defesa do consumidor, para garantir um debate democrático e bem fundamentado, além de realizar estudos que identifiquem os impactos socioeconômicos e de saúde desta nova modalidade de plano, e que considerem diferentes cenários e grupos populacionais.

Mais além, é necessário reforçar os mecanismos de fiscalização para evitar abusos e garantir a aplicação correta da legislação existente, com a criação de canais de denúncia e a aplicação de sanções para as operadoras que descumprirem as normas.

Trata-se de uma discussão complexa, que sublinha a necessidade de uma abordagem cuidadosa e abrangente que não só respeite o texto de lei mas também assegure que todas as mudanças desempenhem um papel positivo no espectro dos cuidados de saúde no Brasil. A criação de um grupo de trabalho multidisciplinar, com a participação de juristas, economistas, médicos e representantes da sociedade civil poderia ser uma medida eficaz para garantir que todas as perspectivas sejam consideradas e que as decisões sejam tomadas de forma transparente e responsável

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AGÊNCIA BRASIL

Entidades médicas pedem faixa etária maior para mamografia de rastreio

Entidades médicas apresentaram à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) um parecer defendendo a mamografia de rastreio para todas as mulheres entre 40 e 74 anos. O documento tenta mudar o critério a ser usado pela ANS para certificar planos de saúde em seu novo programa de valorização às boas práticas no tratamento do câncer.

Em dezembro do ano passado, a Agência lançou uma consulta pública para receber contribuições sobre o programa, e divulgou a cartilha preliminar com orientações e critérios para os planos de saúde que desejarem obter a certificação. Mas acabou sendo alvo de protestos.

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Um dos principais critérios é a realização de rastreamento organizado, ou seja, a convocação das usuárias para realizarem exames regularmente, mesmo sem sintomas. No caso do câncer de mama, a cartilha seguiu o protocolo do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional do Câncer (Inca): mamografias a cada dois anos para as mulheres com idades entre 50 e 69 anos.

Mas para as entidades médicas, essa faixa etária exclui uma parcela importante da população. Após os protestos, a ANS concedeu um prazo de um mês para que as organizações apresentassem um parecer com evidências científicas, o que foi feito na semana passada.

Aumento de casos

Elaborado em conjunto pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, Sociedade Brasileira de Mastologia e Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, o parecer argumenta que em 2024, 22% das mulheres que morreram por câncer de mama no Brasil tinham menos de 50 anos, e 34% tinham mais de 70.

Os estudos reunidos no documento também apontam que houve crescimento de casos de câncer em mulheres mais jovens, e que esses tumores geralmente são mais agressivos e tem mais risco de metástase.

Para as entidades médicas, a mamografia deve incluir essas pessoas, porque o diagnóstico de câncer em pessoas assintomáticas, a partir de exames de imagem, demanda tratamentos que impactam menos a qualidade de vida da paciente, e tem menos risco de recidivas, metástases e mortalidade.

"No grupo do rastreamento, o tumor é detectado no estágio inicial e apresenta características biológicas menos agressivas, permitindo maior número de cirurgias conservadoras da mama. Essas pacientes também possuem menos indicação de quimioterapia, consequentemente com menores efeitos colaterais do tratamento" diz o parecer.

E as entidades complementam: "o diagnóstico precoce também é custo-efetivo e se associa a benefícios econômicos, porque reduz os custos do tratamento, ao evitar terapias caras para cânceres em estágios avançados".

Efetividade

Mas de acordo com o diretor-geral do Inca, Roberto Gil, não há discussão sobre os benefícios do diagnóstico precoce, mas sim sobre a efetividade de aumentar a idade dos exames de rastreamento, que devem ser feitos por todas as mulheres, quando não há sintomas ou suspeita.

"Nossa questão não está baseada na incidência da doença abaixo dos 50 anos, mas nas fortes evidências de que o rastreamento abaixo de 50 anos não tem sensibilidade, aumentando o risco de sobrediagnóstico e de maior número de intervenções, sobrecarregando todo o sistema de Saúde", afirmou Gil na quinta-feira (27).

Em entrevista anterior à Agência Brasil, Gil enfatizou: "A informação científica que temos hoje não é da opinião de um especialista, é da literatura médica, avaliada com o nível de evidência 1, meta-análise e estudo randomizado, que é o maior nível de evidência que se tem. Grande parte dos trabalhos não conseguiu mostrar nenhum aumento de sobrevida na faixa dos 40 aos 50 anos. Só houve aumento de sobrevida na faixa de 50 a 69 anos."

De acordo com ele, isso se explica pela maior densidade da mama de mulheres mais jovens, o que aumenta as chances de um resultado falso positivo, que precisará ser descartado por exames adicionais, ou até por cirurgias desnecessárias.

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JORNAL OPÇÃO

20 estados ainda mantem manicômios judiciais enquanto Goiás trocou política no começo dos anos 2000

Censo de 2011, coordenador pela pesquisadora Debora Diniz, visitou todas as unidades espalhadas pelo Brasil e produziu um extenso relatório sobre a situação dos chamados manicômios judiciais

Apenas Acre, Amapá, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Roraima e Tocantins não possuem mais os Estabelecimentos de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (ECTPs). No Brasil, ao todo, são 23 ECTPs, enquanto Minas Gerais e Rio de Janeiro possuem mais de três cada. De acordo com a Lei 10.2016, de 2001, “é vedada a internação de pacientes portadores de transtornos mentais em instituições com características asilares”.

Censo de 2011, coordenado pela pesquisadora Debora Diniz, visitou todas as unidades espalhadas pelo Brasil e produziu um extenso relatório sobre a situação dos chamados manicômios judiciais. A população das unidades era de 3.989 indivíduos, sendo 2.839 em medida de segurança, 117 por convenrsão de pena e 3.033 em internação temporária. Homens, na sua maioria, sendo que ao menos 25% não deveriam estar internados por cumprirem medidas de segurança com a periculosidade cessada, desinternação ou medida extinta.

No Estado, as politicas manicominais, foram substituídas pelo Programa de Atenção Integral ao Louco Infrator (Paili), inspirado em programa semalhante ao Programa de Atenção Integral ao Paciente Judiciário (PAI-PJ), de Minas Gerais. De acordo com o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO), a execução é responsabilidade pelo conjunto entre Ministério Público, Secretaria de Estado de Saúde, Secretaria de Assistência Social, Secretaria de Segurança Pública e Diretoria Geral de Polícia Penal.

As discussões sobre as implementações das políticas antimanicomiais são feitas pelo CEIMPRA (Comitê Estadual de Implantação e Monitoramento da Política Antimanicomial ), da e a Defensoria Pública do Estado de Goiás. O município de Goiânia, através da Secretaria Municipal da Saúde também tem participação na aplicação das políticas.

Política responsável pela execução das medidas de segurança no Estado de Goiás. Atuação de forma à auxiliar aos juízos de execução penal, tem a tarefa de acompanhar os pacientes julgados e absolvidos pela Justiça Criminal, mas que, em razão de doença ou pertubação da saúde mental, são submetidos à internação psquiátrica ou ao tratamento ambulatorial de “pessoas com transtorno mental ou qualquer forma de deficiência psicossocial que estejam custodiadas, sejam investigadas, acusadas, rés ou privadas de liberdade, em cumprimento de pena ou de medida de segurança, em prisão domiciliar, em cumprimento de alternativas penais, monitoração eletrônica ou outras medidas em meio aberto”.

De acordo com a pesquisadora, o Brasil passou por três picos de instalação das custódias psiquiátricas. Entre 1921 e 1933, na década de 1980 e em 2001. Segundo a Universidade Federal de Goiás (UFG), o estabelecimento de institucionalização da loucura no Estado teve início com o médico Pedro Ludovico Teixeira. Uma década depois, o diagnóstico era que o Estado, juntamente com Sergipe e Acre não prestaram assistências a seus doentes.

Os sanatórios Espírita Batuíra e JK são ianugurados em 1950, no entanto, o louco infrator continua a ser recluso em presídios, em meio a criminosos comuns. É somente no ano de 1964 que o Hospital Adauto Botelho é utilizado como uma espécie de presídio, principalmente para presos políticos opositores ao regime da ditura militar em Goiás no início do golpe. As práticas diferenciadas do tratamento psiquiátrico tradicional só começaram em 1992, com o atendimento do tipo dia, quando os pacientes podiam ir embora para casa do final do horário comercial.

O que é a luta antimanicomial

A luta antimanicomial é um movimento social e político que visa transformar o modelo de assistência às pessoas com transtornos mentais, combatendo a lógica do isolamento e da institucionalização em hospitais psiquiátricos e manicômios. No Brasil, essa luta ganhou força especialmente a partir da década de 1970, impulsionada por denúncias de abusos e violações de direitos humanos dentro dessas instituições, onde pacientes eram submetidos a condições degradantes, maus-tratos e violência.

O movimento se consolidou na década de 1980, alinhado com os princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira, que resultou na Lei nº 10.216, de 2001. Essa legislação estabeleceu diretrizes para substituir o modelo manicomial por uma rede de atenção psicossocial baseada no cuidado humanizado e na inclusão social. Com isso, a internação psiquiátrica passou a ser medida excepcional, priorizando-se o atendimento em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), residências terapêuticas e outras formas de assistência comunitária.

No contexto da saúde mental e do sistema prisional, a luta antimanicomial questiona a existência dos Estabelecimentos de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (ECTPs), também conhecidos como manicômios judiciais. Essas unidades mantêm pessoas em privação de liberdade sob justificativa de tratamento psiquiátrico, mas muitas vezes reproduzem a lógica punitiva e de exclusão dos hospitais psiquiátricos convencionais.

Nos últimos anos, estados como Goiás têm implementado programas alternativos, como o Programa de Atenção Integral ao Louco Infrator (Paili), que busca garantir acompanhamento multidisciplinar a pacientes em conflito com a lei, sem a necessidade de internação em unidades asilares. Essas iniciativas estão alinhadas com a defesa dos direitos humanos e com a proposta de um cuidado em liberdade, onde o tratamento da saúde mental não implique em segregação.

A luta antimanicomial, portanto, não se restringe ao fechamento de hospitais psiquiátricos, mas propõe uma transformação profunda na forma como a sociedade encara a loucura e o sofrimento psíquico. Trata-se de uma questão de direitos humanos, inclusão social e construção de uma política pública que respeite a dignidade das pessoas em sofrimento mental, garantindo-lhes tratamento adequado, inserção na comunidade e acesso a políticas de assistência e reinserção social.

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JOTA INFO

Alexandre Padilha retorna à Saúde com objetivo de criar marca de governo

Em momento de baixa popularidade do governo Lula, a Saúde é tida como possibilidade de vitrine

O médico infectologista Alexandre Padilha refaz, agora, o movimento que fez entre 2010 e 2011: deixa o comando da Secretaria de Relações Institucionais para novamente assumir o Ministério da Saúde . Desta vez, ele também repete uma missão que teve à frente da Saúde, a de criar uma marca de governo. Em momento de baixa popularidade do governo Lula, a Saúde é tida como possibilidade de vitrine.

A passagem de Padilha no governo Dilma Rousseff no comando do ministério foi marcada por dois programas: Aqui Tem Farmácia Popular e Mais Médicos. Ambos tornaram-se conhecidos e tiveram uma boa receptividade entre população. No caso do Aqui Tem Farmácia Popular, a boa avaliação ocorreu também entre integrantes da classe média.

Articulação política

A troca no Ministério da Saúde é vista como uma solução para acomodar Alexandre Padilha, que tinha como certa sua saída da articulação política. Desde os primeiros seis meses de governo Lula, as críticas à sua gestão na Secretaria de Relações Institucionais são uma constante no governo. A crise foi escancarada em junho de 2023, quando a Câmara dos Deputados derrubou o marco do saneamento básico e aprovou o marco temporal das terras indígenas - duas pautas contrárias à agenda do governo Lula.

À época, o então presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL) tornou pública a primeira rusga com Padilha e disse que as lideranças do governo deveriam "andar com as próprias pernas". A principal queixa a Padilha era de que ele fazia verbalmente um acordo com os parlamentares, que envolviam cargos e liberação de emendas, mas não cumpria.

Nos 18 meses que se seguiram, a relação entre Padilha e Lira tornou-se cada vez mais distante, com ápice em abril de 2024. À imprensa, o deputado alagoano se referiu ao ministro como "desafeto pessoal", o chamou de "incompetente" e disse ser "lamentável" que integrantes do governo ficassem "plantando mentiras". Após o embate, Padilha negou crise e as queixas públicas se amenizaram.

Nos últimos meses, Padilha se tornou novamente alvo de críticas por causa da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de suspender o pagamento de emendas, exigindo maior transparência. Inicialmente, parlamentares o acusaram de ter atuado para que houvesse o bloqueio e depois exigiram que ele buscasse uma solução, mas o ministro evitou entrar diretamente no conflito.

Padilha também foi alvo de críticas do próprio partido, especialmente por causa de derrotas nas pautas econômicas. Ainda assim, ele seguiu no cargo com respaldo do presidente Lula, que o vê como aliado de primeira hora, confiável e tem reconhecimento pela história de Padilha no PT. Em momentos difíceis do partido, como no impeachment de Dilma Rousseff e na prisão de Lula, Padilha esteve presente e fez ampla defesa dos correligionários.

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PORTAL UOL

Oito em cada 10 posts sobre exames de saúde são enganosos

Influenciadores promovem no Instagram e TikTok testes como ressonância magnética de corpo inteiro para pessoas sem sintomas, o que pode gerar tratamentos desnecessários, aponta estudo.Dicas de saúde enganosas e falsas promessas de cura são tão antigas quanto a própria humanidade. Os primeiros cristãos eram instruídos a ingerir imagens devocionais de santos para curar doenças e dores, enquanto charlatães do século 18 vendiam o chamado óleo de cobra como uma cura para qualquer problema de saúde.

Em tempos de mídias sociais, a desinformação médica se espalha com uma rapidez que nenhum charlatão ou padre viajante poderia atingir. Com milhões de seguidores ao alcance de um clique, influenciadores podem exercer um enorme poder quando se trata de conselhos médicos e de saúde.

Um novo estudo, liderado pela Universidade de Sydney e publicado no periódico científico JAMA Network Open, constatou que cerca de 85% das publicações no Instagram e no TikTok sobre exames médicos fornecem orientações médicas falsas, enganosas ou potencialmente prejudiciais, que não mencionam danos importantes, como diagnóstico excessivo ou uso excessivo desses testes.

Além da facilidade em produzir e disseminar conteúdos proporcionada pelas mídias sociais, outro fator abordado pelo estudo é capacidade maior de influência que esse meio tem em comparação com as mídias tradicionais.

Esses dados demonstram a necessidade de uma regulamentação mais rigorosa de informações médicas enganosas nas mídias sociais , escreveram os autores.

Faca de dois gumes

Um dos exemplos citados pelo artigo é da celebridade Kim Kardashian, que em 2023 incentivou seus mais de 360 milhões de seguidores a se submeterem a uma ressonância magnética de corpo inteiro.

O exame consiste em ficar imóvel por cerca de uma hora numa maca longa e estreita que desliza para dentro de uma máquina cilíndrica que capta imagens detalhadas de órgãos, articulações e tecidos, que Kardashian chamou de máquina salva-vidas por seu poder de detectar sinais precoces de doenças como câncer.

De acordo com o artigo, há evidências cada vez mais claras de que os testes de detecção precoce são facas de dois gumes: podem salvar vidas, mas também trazer diagnósticos desnecessários.

De acordo com os pesquisadores, a principal preocupação com esses exames é que eles têm a capacidade de detectar condições que não levam necessariamente a uma doença, levando a diagnósticos e tratamentos desnecessários.

Agências reguladoras como a americana Food and Drug Administration (FDA, equivalente à Anvisa no Brasil) têm se articulado para regulamentar melhor testes como esse, pois identificam em seu uso inadequado uma das causas de tratamentos desnecessários, que podem causar danos individuais e ao sistema de saúde.

Além da ressonância magnética de corpo inteiro, o estudo se debruçou sobre o uso excessivo de mais quatro testes:

Multi-Cancer Early Detection (MCED), exame de sangue que detecta fragmentos de genes mutantes relacionados a tumores, estão sendo promovidos como uma forma de rastrear mais de 50 tipos de câncer antes do surgimento dos sintomas, embora não haja aprovação dos agentes regulatórios nem evidências de que os benefícios superam os danos, incluindo diagnósticos desnecessários;

Teste AMH, que mostra a quantidade de óvulos, é falsamente promovido como um teste de fertilidade e pode levar a tratamentos de fertilidade desnecessários;

Teste de microbioma intestinal, que coleta uma amostra de fezes e avalia a composição do microbioma no intestino de um indivíduo, promete bem-estar por meio da detecção precoce de muitas condições, apesar da falta de evidências de benefícios e preocupações sobre o uso excessivo de medicamentos;

Exames de sangue de baixa testosterona não têm evidências de benefícios para homens saudáveis assintomáticos e provavelmente causam o uso excessivo de suplementos.

Redes sociais e tratamentos desnecessários

Os pesquisadores afirmam que publicações nas mídias sociais são um dos principais fatores para o excesso de diagnósticos e para o aumento da demanda por tratamentos desnecessários.

O diagnóstico excessivo desvia recursos do combate a doenças que são subdiagnosticadas e subtratadas, afirmam os autores. O uso excessivo de tratamentos pode levar ainda a efeitos colaterais, como dores de cabeça induzidas por medicamentos.

Os pesquisadores analisaram 982 publicações de mídia social de influenciadores do Instagram e do TikTok com cerca de 200 milhões de seguidores no total para avaliar sua precisão e o possível impacto sobre os usuários.

Dessas publicações, apenas 15% mencionaram os possíveis danos associados aos exames médicos.

Quase todos os influenciadores da amostra não tinham o conhecimento médico necessário para fornecer informações precisas. Apenas 6% das postagens incluíam alguma forma de evidência médica.

Em vez disso, os influenciadores tenderam a se basear em evidências anedóticas ou em dados escolhidos a dedo para promover testes que podem não ser necessários ou mesmo benéficos.

Claramente, essa nova evidência de informações persuasivas e enganosas em quase 1.000 postagens exige respostas para ajudar a reduzir o possível excesso de diagnóstico e uso excessivo , escreveram os autores.

O estudo também descobriu que mais de dois terços dos influenciadores tinham incentivos financeiros para promover o teste sobre o qual estavam postando.

Esse incentivo financeiro pode levar a informações tendenciosas, em que os benefícios dos testes são exagerados, e os riscos, minimizados.

Como se proteger

Encontrar orientações de saúde confiáveis e com base científica na internet pode ser difícil, mas há caminhos que qualquer pessoa pode seguir para se proteger contra desinformação médica:

Verifique a fonte: Sempre confira as credenciais da pessoa que está fornecendo a orientação médica. Os influenciadores podem não ter o histórico médico necessário para oferecer informações confiáveis;

Proteja-se contra informações enganosas: Pense criticamente sobre o conteúdo que está vendo. Pergunte a si mesmo se o influenciador está se referindo a evidências científicas de fontes confiáveis;

Verifique os fatos: Use fontes confiáveis para verificar os fatos das informações compartilhadas pelos influenciadores. Sites como o da Organização Mundia de Saúde (OMS) podem ajudar;

Pense antes de compartilhar: Antes de passar algo adiante, considere se isso pode ser falso ou se pode causar danos. Verificar a precisão das informações com uma fonte respeitável pode reduzir o compartilhamento de falsidades.

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Assessoria de Comunicação