Postado em: 11/03/2025

CLIPPING AHPACEG 11/03/25

ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

CFM determina intervenção federal em Conselho Regional de Medicina Rio

Leitos de UTI estão sendo preparados na Santa Casa depois de contrato com prefeitura

5 anos da pandemia de covid-19: quatro legados positivos do 'maior experimento psicológico da história'

Direito médico: Falha no Termo de Consentimento gera condenação

Healthtechs são o combustível de uma revolução na saúde brasileira

Cinco anos da pandemia que ressignificou o papel dos hospitais e de suas equipes

 

PORTAL G1

CFM determina intervenção federal em Conselho Regional de Medicina Rio

Por decisão do Conselho Federal de Medicina (CFM), uma intervenção será feita na gestão financeira do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) .

A decisão, que ainda não foi tornada pública, prevê afastamento temporário de diretores durante as apurações. Desde o início do ano, o Cremerj já vinha sendo alvo de uma auditoria do CFM.

A intervenção, na sequência dessa auditoria, tem como objetivo solucionar supostas irregularidades administrativas, como gestão temerária, falta de licitação em contratos e indícios de improbidade. Há ainda uma reclamação sobre contratações de funcionários sem concurso pelo Cremerj.

Nos bastidores do Cremerj, a percepção é de que está em curso uma disputa de forças entre as duas autarquias. A autarquia do Rio sustenta, desde que passou a ser auditada, que suas contas estão em dia, com cerca de R$ 20 milhões em caixa e distante da incapacidade financeira analisada pelo CFM.

Auditoria e intervenção estão sendo creditadas, no Rio, a uma motivação política. Isso porque, no CFM, está o conselheiro federal Raphael Câmara (ex-membro do governo Bolsonaro), que tentou presidir o Cremerj e não conseguiu. A desconfiança é de que Câmara teria articulado o pente-fino. Ele, no entanto, não é o responsável pelas decisões de corregedoria.

Também desde o início do ano, o Cremerj vem abrindo representações tanto no CFM quanto no MPF para denunciar o que entende ser um abuso quanto à auditoria e à intervenção (anteriormente, somente uma indicação de que ela aconteceria).

À procuradoria, foram enviados registros de mensagens de WhatsApp em que Câmara aparece adiantando, em janeiro, que a auditoria recém-iniciada, naquele mês, levaria à intervenção federal no Cremerj. O órgão do Rio afirmou ao MPF que Câmara tem provocado a atuação do CFM "por meio de denúncias sem qualquer indício de autoria ou materialidade, resultando em sucessivas auditorias".

Procurado, o CFM afirma que não há decisão tornada pública sobre o tema. O Cremerj, por sua vez, defende o "histórico de gestão transparente e regular", além de alegar que o CFM atua com falta de transparência sobre a auditoria, além da movitação política. A instituição também afirma que mantém compromisso com a transparência, disponibilizando suas contratações no Portal da Transparência. E informa que tem agido de maneira autônoma, "contra a crescente partidarização dos Conselhos de Medicina", o que teria levado à dita represália e aos supostos "ataques infundados".

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TV ANHANGUERA

Leitos de UTI estão sendo preparados na Santa Casa depois de contrato com prefeitura

https://g1.globo.com/go/goias/videos-ja-2-edicao/video/leitos-de-uti-estao-sendo-preparados-na-santa-casa-depois-de-contrato-com-prefeitura-13407920.ghtml

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PORTAL G1

5 anos da pandemia de covid-19: quatro legados positivos do 'maior experimento psicológico da história'


Em 11 de março de 2020, a OMS declarou a covid-19 uma pandemia. Cinco anos se passaram, e analistas acreditam que essa crise deixou algumas lições importantes.

"O maior experimento psicológico da história."

Estávamos em 2020, e foi assim que a então professora de psicologia da saúde da Universidade Vrije de Bruxelas, Elke Van Hoof, descreveu o confinamento resultante da pandemia de covid-19.

Em entrevista à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, a especialista em estresse e trauma se referia a uma medida sem precedentes que, naquele momento, se espalhava pelo mundo, mantendo 2,6 bilhões de pessoas sob alguma forma de isolamento em nível global.

Cinco anos se passaram desde aquela quarta-feira, 11 de março, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a covid-19 uma pandemia.

Desde então, segundo dados da OMS, o vírus Sars-CoV-2, causador da doença, provocou mais de 777 milhões de infecções e matou mais de 7 milhões de pessoas, embora os especialistas da organização estimem que as mortes associadas à pandemia cheguem a 15 milhões.

Os inúmeros e profundos impactos negativos desta pandemia ainda estão sendo sentidos no mundo todo.

No entanto, alguns analistas destacam que esse momento tão sombrio também resultou em lições positivas. A BBC destaca quatro delas.

1. O valor da ciência e os avanços revolucionários das vacinasDemorou apenas nove meses para os cientistas encontrarem uma vacina eficaz para combater o Sars-Cov-2. E eles fizeram isso por meio de um método que revolucionou o desenvolvimento de imunizantes em todo o mundo.

Embora o uso de RNA mensageiro sintético já viesse sendo estudado como um mecanismo eficaz para o desenvolvimento de vacinas há anos, foi a pandemia de covid-19 que realmente acelerou seu desenvolvimento.

Tanto a Pfizer, em parceria com a BioNtech, quanto a Moderna utilizaram esse mecanismo para criar suas vacinas em tempo recorde, permitindo que milhões de pessoas recebessem doses ao redor do mundo.

Em 8 de dezembro de 2020, Margaret Keenan, uma mulher de 90 anos do Reino Unido, se tornou a primeira pessoa a receber uma dose aprovada da vacina fabricada pela Pfizer/BioNTech.

Os cientistas Katalin Karikó e Drew Weissman, criadores desta fórmula, receberam o Prêmio Nobel de Medicina em 2023.

A corrida para encontrar uma vacina que imunizasse a população e evitasse mais mortes é um dos maiores legados positivos da pandemia, de acordo com a porta-voz da OMS, Margaret Harris.

"Testemunhamos avanços tecnológicos em uma velocidade incrível", diz a especialista em saúde pública à BBC News Mundo."A tecnologia do RNA mensageiro já era conhecida, mas agora estamos vendo como está sendo usada para desenvolver outros avanços, incluindo vacinas contra o câncer."

Ela vai além: "Entendemos que a ciência é fundamental."

Devi Sridhar, professora da Universidade de Edimburgo, na Escócia, e autora do livro Preventable: How a Pandemic Changed the World & How to Stop the Next One ("Evitável: Como uma pandemia mudou o mundo e como impedir a próxima", em tradução livre), destaca que as lições da pandemia tiveram um impacto na melhor detecção e identificação de novos surtos.

"Nossa capacidade científica melhorou, nossas plataformas estão cada vez mais avançadas. Se a pergunta que tínhamos no início da pandemia era se haveria vacina, a pergunta agora é: com que rapidez poderemos produzir uma", afirma.A colaboração conjunta dos países para o desenvolvimento destas vacinas e o direcionamento de recursos para este processo permitiu, segundo Sridhar, uma das coisas mais positivas resultantes da covid-19.

Além disso, há ensinamentos que nos permitem estar mais bem preparados para a próxima pandemia, diz ela. Por exemplo, os países que "parecem ter se saído melhor foram aqueles com populações mais saudáveis antes da pandemia".

Em março de 2020, o microbiologista Ignacio López-Goñi, da Universidade de Navarra, na Espanha, foi um dos primeiros cientistas a ousar apontar que poderia haver aspectos positivos relacionados à pandemia emergente.

"A pandemia de gripe de 1918 causou mais de 25 milhões de mortes em menos de 25 semanas. Será que algo semelhante poderia voltar a acontecer hoje em dia? Como podemos ver, muito provavelmente não", disse ele na época.

Cinco anos depois, o acadêmico continua vendo o copo meio cheio, especialmente do ponto de vista científico.

"Fizemos muitos avanços. O vírus causador da covid-19 é o mais publicado de todos os tempos, o mais estudado de todos os patógenos infecciosos, mais do que o causador da malária, da Aids ou qualquer outro", afirma.

2. Um 'novo despertar' na educaçãoO impacto catastrófico que o fechamento de escolas teve devido à pandemia em todo o mundo e, em particular, na América Latina, está bem documentado.

De acordo com Mercedes Mateo, chefe da Divisão de Educação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), uma das marcas mais profundas deixadas pela pandemia é o aumento das taxas de evasão escolar e o atraso na aprendizagem, principalmente no ensino fundamental e médio.

No entanto, ela ressalta que esta experiência também proporcionou oportunidades excepcionais para o mundo educacional.

"Houve realmente um impacto muito positivo que levou o debate sobre educação para o século 21, que serviu para repensar os sistemas educacionais", disse ela à BBC.Um avanço evidente é que durante e após a pandemia, ficou para trás o paradigma do ensino presencial e da sala de aula exclusivamente como um espaço físico e estático.

"Durante a pandemia, ficou claro que o setor da educação era um dos setores menos digitalizados", afirma Mateo.Ela diz, inclusive, que havia uma certa demonização e resistência à digitalização de processos e práticas, mas que a covid-19 abriu o caminho para uma educação mais híbrida e flexível.

"O fato de as salas de aula terem sido fechadas fez com que a educação passasse a ter maior prioridade na agenda política após a pandemia. Consolidou-se a ideia de manter o serviço educacional diante de qualquer circunstância", observa Mateo.

Por outro lado, Sridhar não tem certeza de que, diante de uma nova pandemia, os governos tomem uma decisão diferente em relação ao fechamento de escolas.

"Há o conhecimento teórico dos danos causados pelo fechamento das escolas, mas há também o prático: como fazer com que os pais enviem os filhos para a escola sabendo que eles podem ficar doentes", afirma.Mateo destaca, por sua vez, que há agora uma maior consciência sobre o papel da escola nas nossas sociedades.

Na sua opinião, ficou demonstrado que a escola é muito mais do que um lugar onde as crianças e os jovens vão para aprender: é um espaço de apoio emocional, social e psicológico e, em muitos casos, também oferece serviços essenciais, como alimentação.

3. Recuperação e mudança de paradigma no trabalhoA aniquilação de empregos foi uma das graves consequências da covid-19, e a região da América Latina e do Caribe foi uma das mais atingidas.

A pandemia também aumentou as disparidades na participação de jovens e mulheres no mercado de trabalho - um dos maiores desafios restantes.

Mas, no geral, os especialistas observam que, embora ainda haja muito avanço a ser feito, os impactos da pandemia no mercado de trabalho tiveram uma recuperação relativamente rápida, considerando os níveis de crescimento econômico nos últimos cinco anos.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirma que as taxas de emprego e desemprego na região conseguiram voltar aos níveis pré-pandemia em 2023, ou seja, apenas oito trimestres após o início do período de recuperação, quando os lockdowns e as restrições de circulação permitiram aos trabalhadores retornar aos seus empregos ou, no caso daqueles que o haviam perdido, se reintegrar ao mercado de trabalho.

E, embora inicialmente a recuperação tenha respondido fortemente à retomada de empregos informais, essa proporção vem diminuindo nos últimos anos.

Para Gerson Martínez, especialista em economia do trabalho do Escritório Regional da OIT para a América Latina e o Caribe, há várias lições positivas da pandemia no âmbito do trabalho.

Uma delas é que as políticas de proteção ao emprego e à renda que foram implementadas permitiram amortecer o golpe, e influenciaram positivamente a recuperação acelerada observada principalmente em 2021 na região, seguindo a tendência observada na média global.

"Essa é uma boa notícia porque nos diz que essas medidas, e esta é uma importante lição aprendida para a nossa região, permitiram que a recuperação fosse quase total", disse ele à BBC News Mundo.Além disso, para a OIT, o mercado tem conseguido manter uma certa estabilidade na região. "Esperamos que essa resiliência se mantenha, pois acreditamos que isso se deve justamente ao fato de que se reconheceu a necessidade de instituições trabalhistas fortes, e essa também é uma lição deixada pela pandemia."

Mesmo assim, em 2025, a OIT alertou em seu último relatório que essa recuperação vem perdendo força, se olharmos para o cenário global, diante de ameaças como "tensões geopolíticas, o aumento dos custos das mudanças climáticas e problemas de dívida não resolvidos".

Mas talvez a mudança mais evidente introduzida pela pandemia tenha sido o trabalho remoto e o trabalho híbrido em setores que antes só tinham contratos presenciais.

Embora as evidências até agora tenham indicado que o impacto positivo do trabalho remoto na produtividade depende fundamentalmente da natureza desse trabalho (e de outros fatores relacionados às condições dos funcionários), e empresas no mundo todo estejam atualmente tentando voltar ao trabalho presencial, a experiência da pandemia trouxe mudanças.

Muitos países avançaram em legislações sobre o trabalho remoto para, por exemplo, incluir maior flexibilidade em alguns setores.

Uma mudança significativa no mercado de trabalho também resultou dos aplicativos de entrega, como Uber Eats e Rappi, entre outros, que abriram novos postos de trabalho, mas continuam sendo um desafio em termos de precarização e proteção trabalhista.

A revolução tecnológica da pandemia também representa, de acordo com Martínez, uma "oportunidade de ouro" para continuar a usá-la a favor da produtividade do mercado. Por exemplo, com a inteligência artificial, que, segundo ele, em vez de ameaçar os empregos, pode otimizar os processos e a eficiência de diferentes setores.

4. A importância de cuidar da saúde mentalA pandemia foi um golpe para a saúde mental da humanidade. Não apenas entre aqueles que perderam entes queridos ou para as equipes médicas que viram centenas de pessoas morrerem diariamente por causa do vírus.

O confinamento, a incerteza, a solidão, o medo e a angústia que se espalharam pelo mundo tornaram a pandemia um cenário traumático por si só.

Agências como a OMS e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) elaboraram relatórios detalhados sobre o aumento de transtornos de depressão e de ansiedade e da prevalência de comportamentos e pensamentos suicidas com a pandemia.

Para a psicóloga e escritora Laura Rojas-Marcos, especialista em ansiedade, estresse e depressão, "a pandemia teve um impacto não apenas no nosso dia a dia, mas também na nossa memória emocional e na maneira como nos relacionamos. Foi um momento decisivo, não apenas de sofrimento, mas também de aprendizado".

"Hoje há mais consciência sobre a importância de cuidar da saúde mental, que não é algo separado do corpo, mas algo que caminha completamente junto", diz ela."Algumas pessoas, eu diria que muitas, aproveitaram a oportunidade para fazer uma reflexão sobre a vida, e aprenderam a valorizar outras pessoas, seu ambiente e até mesmo sua própria existência."

Um estudo encomendado pelo Serviço Mundial da BBC à GlobeScan constatou, em 2022, que 36% das pessoas entrevistadas em 30 países ao redor do mundo disseram que se sentiam melhor do que antes da pandemia.

"Muitos afirmaram que passar mais tempo com a família e ter uma conexão melhor com a comunidade e a natureza teve um efeito positivo, e que eles tinham mais clareza sobre suas prioridades gerais na vida", informou a BBC em outubro daquele ano.

Outro aspecto positivo em termos de saúde mental, como destacaram organizações como a Opas, "foi que estimulou a adoção de abordagens inovadoras, como o atendimento remoto à saúde mental".

Isso provocou uma mudança radical na forma como os psicólogos oferecem terapias de vários tipos atualmente.

Essa flexibilidade, de fato, permitiu que Rojas-Marco ajudasse pessoas que, de outra forma, não teriam acesso à terapia.

Ele se conectou, por exemplo, com soldados ucranianos que precisavam de apoio em meio à guerra com a Rússia, e com pacientes em áreas remotas, onde a oferta de espaços como estes é mínima.

De acordo com a experiência de Rojas-Marcos e o intercâmbio que ela mantém com colegas de todo o mundo, são percebidos níveis mais altos de tolerância à frustração e capacidade de adaptabilidade.

A pandemia também nos ensinou sobre resiliência e compaixão humana, duas questões que, de acordo com a especialista, estão no cerne da nossa natureza.

Os gestos de solidariedade foram um afago em meio a uma tragédia rotulada como "o maior experimento psicológico da história".

Para Margaret Harris, porta-voz da OMS, nós "vimos o melhor da humanidade" na pandemia.

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MEDICINA S/A

Direito médico: Falha no Termo de Consentimento gera condenação

Por Renan Corrêa de Mello

O sucesso de uma cirurgia ou procedimento médico, ou odontólogo, com resultados visíveis e satisfatórios, pode não ser suficiente para evitar reclamações de pacientes na Justiça. Isso caso o Termo de Consentimento Informado (TCI) seja considerado impreciso, inexistente ou entregue para assinatura em momento inadequado, como de vulnerabilidade, conforme decisões judiciais recentes.

Muitos pacientes recorrem ao Poder Judiciário, quando entendem que seus atendimentos não foram adequados. E baseiam o pedido de indenizações com base na falta do TCI ou na imprecisão do texto presente nele, entre outras condições acerca deste termo, ou seja, há médicos e dentistas com problemas, na Justiça, que poderiam ser evitados, caso buscassem escolhas léxicas mais precisas e claras na redação do referido documento. Chamado também de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, o TCI não pode ser tratado como mera formalidade, tampouco como arquivo padrão, sem personalização e cuidado técnico-jurídico, para qualquer tipo de procedimento ou cirurgia.

O Supremo Tribunal Federal (STF), bem como os tribunais estaduais, reforça que o consentimento do paciente deve ser explícito e baseado em informações completas, não podendo ser presumido. A ausência de informações detalhadas no Termo de Consentimento pode, inclusive, gerar a responsabilização civil do profissional, conforme enfatizado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) no Processo n.º 1118716-67.2017.8.26.0100, mesmo que o procedimento técnico tenha sido corretamente realizado.

O cumprimento do dever de informar é um dos pilares que sustenta a relação de confiança entre o profissional de saúde e o paciente. O profissional deve explicar, com clareza, os riscos, benefícios, possíveis complicações e alternativas ao procedimento proposto. O TCI serve, portanto, como prova de que o profissional cumpriu com seu dever, protegendo-o de eventuais alegações de negligência informacional. Esse ponto é particularmente relevante em casos em que complicações inerentes ao procedimento ocorrem. O termo demonstra que o paciente foi informado sobre essas possibilidades e, ainda assim, optou pelo tratamento.

Um dos aspectos mais discutidos na prática médica e odontológica é o momento da entrega do Termo de Consentimento. Ele deve ser apresentado no momento em que o paciente manifesta sua decisão informada, antes de estar em uma condição de vulnerabilidade ou estresse, como imediatamente antes do procedimento. Entregar o termo no momento do tratamento pode comprometer sua validade jurídica, uma vez que o paciente pode alegar não ter tido tempo hábil para refletir. Ademais, o paciente tem o direito de revogar seu consentimento a qualquer momento, sem isso gerar obrigações adicionais além do pactuado no contrato de prestação de serviços.

Além disso, o consentimento informado só é válido se o paciente possui plena capacidade de entendimento e discernimento. Isso é especialmente relevante em casos que envolvem menores de idade ou indivíduos com limitações cognitivas. Nestes casos, a necessidade de um responsável legal e a adequação das informações apresentadas se tornam imprescindíveis para garantir a validade do consentimento.

Portanto, um erro que clínicas, hospitais e profissionais devem evitar ao máximo é utilizar um documento genérico, eventualmente antigo ou reaproveitado de outras situações, para qualquer tipo de atendimento de saúde.

A personalização do documento é crucial para garantir que os riscos específicos sejam detalhados. Esse é um caminho seguro para proteção do médico, odontólogo e qualquer outro profissional de saúde, por exemplo, que atenda desde o procedimento estético ou eletivo mais simples às cirurgias de alta complexidade.

*Renan Corrêa de Mello é administrador, advogado na área de Direito Médico e sócio do escritório FRM - Sociedade de Advogados.

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Healthtechs são o combustível de uma revolução na saúde brasileira

Por Karlyse Claudino Belli

O Brasil está vivenciando uma revolução no setor de saúde com o crescimento expressivo das startups que abordam serviços da área, conhecidas como healthtechs. Essas empresas emergentes estão remodelando o mercado ao combinar tecnologia avançada com soluções inovadoras para atender às demandas crescentes de hospitais, clínicas, profissionais de saúde e pacientes.

De acordo com a Liga Ventures, em colaboração com a PwC Brasil, foram mapeadas 536 startups de saúde ativas no país até abril de 2024, distribuídas em 35 categorias diferentes, como gestão de processos, planos e financiamento, bem-estar físico e mental, buscadores e agendamentos, exames e diagnósticos, entre outros. Esse movimento tem atraído não apenas investidores, mas também fomentado parcerias estratégicas entre healthtechs e grandes players da área da saúde, como operadoras de planos e instituições de grande porte.

Esse crescimento é impulsionado por uma combinação de fatores. Um deles é a necessidade de modernização dos sistemas de saúde, que enfrentam desafios como a sobrecarga de serviços públicos, a falta de integração de dados e a demanda por maior eficiência operacional. Além disso, a pandemia de covid-19 acelerou a adoção de tecnologias digitais, como a teleconsulta e o monitoramento remoto de pacientes. De acordo com dados do levantamento Condições de Trabalho dos Profissionais de Saúde no Contexto da Covid-19, realizado pela Fiocruz, o período alterou de modo significativo a vida de 95% dos profissionais da área.

Outro fator relevante é o aumento do interesse de investidores em venture capital no setor de saúde. Em 2022, por exemplo, as healthtechs brasileiras receberam mais de R$ 3 bilhões em investimentos, consolidando-se como uma das áreas mais promissoras para quem busca inovação com impacto social.

Apesar disso, elas não estão isentas de problemas. A regulamentação é um dos principais entraves, pois exige das empresas um profundo entendimento das normas de compliance, proteção de dados e certificações técnicas. Além disso, a resistência à mudança por parte de profissionais da saúde e instituições mais tradicionais pode dificultar a implementação de soluções inovadoras.

Outro obstáculo é a concorrência. O alto número de opções no mercado significa que apenas as empresas com propostas de valor sólidas e modelos de negócios sustentáveis conseguem se destacar e sobreviver a longo prazo. A alta taxa de mortalidade entre startups gera insegurança em hospitais e outros parceiros comerciais, que hesitam em adotar tecnologias de empresas emergentes.

Para superar esses entraves e se manter no mercado, as healthtechs precisam adotar algumas características fundamentais. Entre elas:

Modelo de negócios sólido e escalável: startups com propostas claras de geração de valor e que conseguem adaptar soluções para diferentes contextos têm mais chances de sobreviver.

Parcerias estratégicas: estabelecer colaborações ajuda a criar uma base de clientes estável e aumenta a confiança no mercado.

Sustentabilidade financeira: a busca por capital inicial deve ser acompanhada por estratégias para atingir rapidamente um fluxo de caixa positivo, reduzindo a dependência de rodadas sucessivas de investimento.

Foco em resultados mensuráveis: startups que conseguem demonstrar, com dados concretos, como as soluções melhoram indicadores de saúde ou reduzem custos operacionais conquistam maior credibilidade.

Atenção à regulamentação: estar em conformidade com as normas do setor, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), é essencial para conquistar e manter clientes institucionais.

Investimento em tecnologia e inovação contínua: adotar uma abordagem de melhoria constante garante que os serviços permaneçam relevantes e eficientes.

De qualquer forma, o futuro das healthtechs no Brasil parece promissor. Com o avanço da inteligência artificial, do aprendizado de máquina e de outras tecnologias, espera-se que essas empresas continuem a oferecer serviços cada vez mais personalizados e acessíveis. Além disso, de acordo com o levantamento da Statista, o mercado de IA na saúde terá um crescimento de mais de 1.600% entre 2021 e 2030, ao nível global, fomentando a inovação e, consequentemente, levando à valorização das empresas de tecnologia.

Para que esse cenário se concretize, é essencial que o ecossistema corporativo no Brasil continue a amadurecer, com políticas públicas que incentivem o empreendedorismo, maior integração entre universidades e startups e o fortalecimento de hubs de inovação voltados para a saúde. Esses negócios estão movendo a revolução ao desafiar modelos tradicionais e trazer soluções para o que, alguns anos atrás, não era possível de ser resolvido. A tecnologia e a criatividade desses novos players têm o poder de transformar não apenas a forma como as doenças são tratadas, mas como o bem-estar coletivo é imposto na sociedade.

*Karlyse Claudino Belli é Head of Data no grupo Doctor Assistant.ai.

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REVISTA CAPITAL ECONÔMICO

Cinco anos da pandemia que ressignificou o papel dos hospitais e de suas equipes

O mês de março de 2020 marcou um período que uniu pessoas em todo o mundo. Muitas dessas histórias tiveram como cenário hospitais nos quatro cantos do planeta. Foram casos de altas hospitalares muito comemoradas, despedidas a distância e, acima de tudo, uma luta intensa. No dia 11, a Organização Mundial de Saúde declarou a pandemia de covid-19 e, no dia 20, o Brasil decretou estado de calamidade pública devido à doença. A partir de então, apenas os serviços essenciais puderam funcionar.

Enquanto muitos viviam momentos de incertezas e se adaptavam à nova realidade, profissionais da saúde aprendiam diferentes formas de cuidado, e um número cada vez maior de pessoas lutava pela vida nos hospitais. Segundo o Ministério da Saúde, mesmo com todas as medidas de isolamento, mais de 700 mil mortes foram registradas no país - número inferior apenas ao dos Estados Unidos, que superou a marca de 1 milhão de mortos, de acordo com dados do Our World in Data , da Universidade de Oxford.

Em Curitiba (PR), o advogado Guilherme Kovalski, então com 35 anos, foi diagnosticado com covid-19 em julho de 2020. Diabético e hipertenso, viu a doença evoluir rapidamente devido a uma trombose pulmonar, uma das complicações mais comuns e graves do vírus. Ele foi internado às pressas no Hospital São Marcelino Champagnat, referência para casos de covid-19, e iniciou uma verdadeira batalha pela vida.

A alta hospitalar veio sete meses depois - cinco deles foram passados dentro de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). "A covid-19 deixou algumas marcas, principalmente no aspecto físico e motor. Precisei de um intenso processo de reabilitação para recuperar a mobilidade e a capacidade respiratória. Ainda hoje sigo com acompanhamento médico e algumas limitações, mas me considero um sobrevivente e sou grato pela recuperação que alcancei", conta Guilherme. "Foi um período assustador, sem saber o que vinha pela frente, mas também de muito aprendizado, resiliência e fé. Cada dia foi uma batalha, e olhar para trás agora me faz valorizar ainda mais a vida e o convívio com as pessoas que amo", enfatiza o advogado.

O intensivista e gerente médico do Hospital São Marcelino Champagnat, Jarbas da Silva Motta Junior, coordenava as UTIs da instituição quando a pandemia foi decretada. Ele foi o primeiro médico da capital paranaense a atender um caso grave da doença.

Entre os milhares de atendimentos, estava o advogado Guilherme Kovalski. "A covid-19 exigiu uma nova forma de cuidado. Muitos pacientes precisaram de traqueostomia, e alguns foram submetidos à ECMO, que funciona como um coração ou pulmão artificial. A média de internação de pacientes críticos, que era de 14 dias, passou a ser quatro vezes maior e, em casos como o de Guilherme, ainda mais longa", explica Jarbas. "Guilherme era jovem e, apesar do diabetes e da hipertensão, acreditávamos que teria uma recuperação sem grandes complicações. Mas, já na primeira semana, ele apresentou tromboses, infecções e outras condições que exigiram cirurgia. Em muitos momentos, tememos por sua vida, mas ele se mostrou um lutador", relembra o intensivista.

Na época, o hospital foi reorganizado, com uma ala dedicada aos pacientes com problemas respiratórios e outra para os demais. Profissionais da saúde pertencentes ao grupo de risco foram afastados, respiradores adquiridos, protocolos de higiene revisados e antecâmaras de pressão negativa instaladas nos acessos às áreas de atendimento à covid-19.

Além disso, a comunicação com os familiares passou a ser feita por videochamada. Ferramentas de telemedicina foram implementadas para atender pessoas com sintomas respiratórios leves evitando a necessidade de deslocamento. Também foi desenvolvido um protocolo para cirurgias seguras, para evitar qualquer risco de contaminação pelo vírus, voltado a pacientes que necessitavam de outros tipos de atendimento.

As equipes médicas participaram de treinamentos constantes para se manterem atualizadas sobre os protocolos recomendados pelas autoridades de saúde. "Foi um período extremamente desafiador. Precisávamos entender a nova doença, acompanhar suas manifestações e aperfeiçoar técnicas de cuidado - e, mesmo assim, perdemos muitos pacientes. Acredito que ninguém que esteve dentro de um hospital - e, principalmente, de uma UTI - passou pela pandemia e saiu da mesma forma", frisa Jarbas.

Enquanto muitos hospitais se tornaram referência no atendimento de casos de covid-19, outras instituições precisaram absorver a demanda de outros problemas como os traumas. Esse foi o caso do Hospital Universitário Cajuru, que divide a mesma quadra com o Hospital São Marcelino Champagnat. Ambas as instituições fazem parte do complexo de saúde do Grupo Marista. Grande parte das emergências e urgências de Curitiba e da região metropolitana foi direcionada ao Hospital Universitário Cajuru, incluindo casos de acidentes de trânsito, violência e diversos tipos de trauma. Para atender a essa demanda, cirurgias eletivas, acompanhamentos e pesquisas em várias áreas precisaram ser suspensos.

"A pandemia nos transformou como profissionais. Tanto nós, que já tínhamos anos de experiência, mas nunca havíamos vivenciado algo semelhante, quanto os residentes, que foram formados em um cenário completamente atípico. Cinco anos depois, tudo parece distante, mas as lições que tiramos continuam vivas", comenta o médico intensivista e diretor-geral dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, Juliano Gasparetto.

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Assessoria de Comunicação