Quinta, 31 Outubro 2024 06:43

CLIPPING AHPACEG 31/10/24

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ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

Planos de saúde estão entre os que mais recebem reclamações

Ex-presidente da Unimed Cuiabá é preso por suspeita de fraude de R$ 400 milhões

CRM abre sindicância para investigar médicos envolvidos em esquema de fraude de R$ 400 milhões na Unimed Cuiabá

Após decisão do STF sobre judicialização, instituições buscam aprofundar diálogo

Médicos são investigados por desinformação sobre câncer de mama

Ginecologista é acusado de abusar de pacientes; vítima relata consulta - veja vídeo

“Prefeito me estendeu a mão e perguntou quando eu vinha, deveria ter falado nunca”, relata Pollara sobre convite de Cruz

MONITOR MERCANTIL

Planos de saúde estão entre os que mais recebem reclamações

O setor de planos de saúde está entre os que mais recebem reclamações de consumidores todos os anos. Este cenário levou a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) a convocar audiência pública para discutir a reformulação das regras sobre preços de planos de saúde e aumentos anuais. Além disso, está em tramitação na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei (PL) 7419/2006, que propõe mudanças na Lei dos Planos de Saúde e uma reformulação da regulamentação do setor. A iniciativa da ANS não agradou os usuários dos convênios médicos, e as discussões do PL ainda não avançaram.

Lucas Andrietta, coordenador do programa de Saúde do Idec, afirma que um dos principais pontos de discussão é a extensão da proteção dos planos de consumidores para todos os contratos de plano de saúde. "Existem lacunas que criam distorção entre os planos individuais e os coletivos. Individual tem nível de proteção muito maior, e coletivos que não têm essa regulação e pessoas ficam mais desprotegidas", afirma Andrietta.

Uma dessas proteções está ligada ao reajuste das mensalidades. O reajuste dos planos coletivos tem sido um dos principais motivos para a judicialização contra planos de saúde, que saltou 50% nos últimos três anos. Os planos individuais e familiares têm os reajustes regulamentados pela ANS, que neste ano ficou em 6,91%, enquanto que os planos coletivos e empresariais não são regulados pela agência e seguem livre negociação do mercado, com reajuste neste cerca de três vezes maior do que nos planos individuais, ficando em 20%, em média.

A estimativa, segundo a ANS, é que dos 51 milhões de consumidores de planos de assistência médica no Brasil, cerca de 85% possuem contratos coletivos. "Muitas operadoras não têm interesse nesta modalidade (planos individuais), mas na prática são planos coletivos com quatro ou cinco pessoas, ou seja, um falso coletivo. O que acontece é que esses planos são imunes ao teto de reajuste, e as operadoras se veem no direito de cancelar contrato unilateralmente, o que acaba prejudicando muito os usuários", enfatiza Andrietta.

Para ele, existem avanços que podem ser promovidos pela agência sem necessidade de mudança legislativa, como garantir proteção aos planos coletivos em harmonia com Código de Defesa do Consumidor e dos Estatuto do Idoso. "O que estamos discutindo, e é de grande gravidade, é que, além de não promover avanço nos planos de saúde, a ANS tem promovido mudanças no sentido de piorar e que oferecem grande risco para os consumidores", alerta.

Reajuste extraordinário

Entre as mudanças que seriam prejudiciais aos usuários, Andrietta cita o reajuste extraordinário para os planos individuais. "O reajuste por revisão técnica é ilegal e tem decisão do Judiciário neste sentido. Ele traz insegurança jurídica para quem está contratando plano e é uma medida que pode estimular a ineficiência da operadora, porque exime o risco da carteira de cliente", avalia.

O reajuste extraordinário tem como objetivo diferenciar quando uma operadora tiver custos maiores que outras e, assim, permitir um teto de reajuste diferente. "Não é justo que o consumidor arque com esse desequilíbrio econômico nos planos individuais", enfatiza Caio Henrique Fernandes, sócio do Vilhena Silva Advogados.

Hoje, os planos individuais têm um teto de reajuste que todas as operadoras têm que seguir e, até por isso, eles já são mais caros que os planos coletivos. "E ninguém quer trocar esses planos por serem antigos e regulados. Mesmo que tenham valores de mensalidade altos, você não tem um índice aleatório, você vai ter um índice fixado pela ANS", explica Fernandes.

Sem internação

Outro proposta da agência reguladora que está causando preocupação é a que prevê a venda de planos exclusivamente ambulatoriais. A proposta foi apresentada pelo diretor-presidente da ANS, Paulo Rebello, que sugere a inclusão do debate sobre as regras para venda de planos exclusivamente ambulatoriais.

"Hoje em dia, sabemos que há cerca de 60 milhões de pessoas usando cartões de desconto, que são produtos baratos, sem qualquer tipo de regulação e fiscalização, mas que possibilitam a realização de consultas e exames. É a forma como essas pessoas encontraram de ter acesso aos serviços de saúde", argumentou à época.

Nesse sentido, diz Rebello, "a proposta de rever as regras dos planos exclusivamente ambulatoriais é dar a esses consumidores a possibilidade de ter planos de saúde com preços mais baixos, com regras claras e com coberturas garantidas, possibilitando o cuidado com a saúde e a realização de consultas e exames como forma de prevenir doenças ou identificá-las em fase inicial".

De um lado, os que são favoráveis à medida consideram que ter planos que cobrem apenas consultas e exames pode ser benéfico para um grande número de pessoas que utilizam os cartões de desconto.

Do outro, os que são contra avaliam que permitir um plano apenas com consulta e exames é temerário porque deixa o usuário com o diagnóstico em mãos, mas sem ter para quem recorrer para fazer o tratamento ou em caso de necessidade de exames mais complexos.

É fundamental, caso a medida seja aprovada, que os produtos sejam cuidadosamente regulados para garantir que ofereçam a segurança jurídica e a qualidade de atendimento, além de clareza na comunicação com o usuário para evitar que compre um plano achando que terá todo o atendimento e isso não ocorra.

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O REPÓRTER DO ARAGUAIA

Ex-presidente da Unimed Cuiabá é preso por suspeita de fraude de R$ 400 milhões

O ex-presidente da Unimed Cuiabá, Rubens Carlos de Oliveira Júnior, foi preso nesta quarta-feira (30), acusado de participar de um esquema que desviou R$ 400 milhões da cooperativa. Ele estava em Belo Horizonte (MG) quando foi detido pela Polícia Federal (PF).

A Operação Bilaz apura as ações da gestão que geriu a Unimed Cuiabá de 2019 a 2023. Segundo a PF, foram encontrados indícios de ilegalidades nos setores financeiro e administrativo, incluindo a apresentação de documentos com graves irregularidades contábeis que foram apresentados à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Foram cumpridos seis mandados de prisão de ex-administradores e funcionários da cooperativa, além de mandados de busca e apreensão, afastamento de sigilos telefônicos, financeiro e fiscal, assim como o sequestro de bens dos investigados.

Na operação foi apreendido uma grande quantidade de dinheiro, incluindo dólares, relógios de luxo, celular, joias e até canetas tinteiro caras. Além de Rubens, foram presos o ex-CEO Eroaldo Oliveira e a ex-diretora administrativa e financeira Suzana Palma.

Entre os problemas encontrados estão contratos irregulares, antecipação de pagamentos de forma indevida, aquisições e obras sem autorização em assembleia geral - o que é obrigatório em cooperativas -, além de relação desigual com fornecedores.

Em 2023, quando a nova gestão da Unimed Cuiabá assumiu, foram encontradas as primeiras inconsistências. Enquanto o balanço dos administradores apontava uma sobra de R$ 371 mil, uma auditoria particular encontrou um prejuízo de R$ 400 milhões. Para tentar controlar a crise, foi aprovado na época um plano de ação para resolver as contas da cooperativa, com medidas como o rateio das perdas e a renegociação dos contratos e dívidas com bancos.

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OLHAR DIRETO

CRM abre sindicância para investigar médicos envolvidos em esquema de fraude de R$ 400 milhões na Unimed Cuiabá

O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) anunciou nesta quarta-feira (30) a abertura de uma sindicância para apurar a conduta de médicos envolvidos no esquema de fraudes contábeis investigado pela Operação Bilanz, que mira a alta administração da Unimed Cuiabá. Foram presos os médicos Rubens de Oliveira, ex-presidente da Unimed Cuiabá, e Suzana Palma, ex-diretora administrativo-financeira.

"Diante das apurações, por parte do Ministério Público Federal, de supostas irregularidades envolvendo a gestão da Unimed Cuiabá, o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) instaurou sindicância para apurar a conduta dos médicos investigados neste caso", informou ao Conselho em nota enviada à imprensa. .

"O CRM-MT ressalta o respeito ao sigilo sobre procedimentos administrativos em andamento, conforme a legislação vigente".

A Justiça Federal em Mato Grosso aceitou denúncia do Ministério Público Federal contra seis ex-integrantes da alta administração da Unimed Cuiabá por possíveis fraudes contábeis no âmbito da Operação Bilanz.

A acusação aponta que os denunciados teriam ocultado um prejuízo de R$ 400 milhões no balanço patrimonial da operadora em 31 de dezembro de 2022.

A denúncia, oferecida pelo MPF à Justiça Federal, em 26 de agosto, acusa os ex-integrantes de sete crimes de falsidade ideológica. Entre os denunciados, estão o ex-diretor presidente, a ex-diretora administrativo-financeira, a antiga chefe do departamento jurídico, o antigo CEO, a ex-superintendente administrativo-financeira e a ex-chefe do Núcleo de Monitoramento de Normas.

As irregularidades apontadas consistem na omissão intencional de passivos (obrigações) e na inclusão indevida de ativos (bens e direitos), distorcendo as demonstrações contábeis para apresentar um resultado econômico artificialmente mais favorável.

Essas ações teriam distorcido a realidade econômico-financeira da Unimed Cuiabá, dificultando e obstruindo a fiscalização da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) quanto aos parâmetros regulatórios mínimos de liquidez e solvência da operadora, além de ocultar desvios patrimoniais.

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FUTURO DA SAÚDE

Após decisão do STF sobre judicialização, instituições buscam aprofundar diálogo

A decisão do STF sobre a judicialização de medicamentos não incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS), que estabeleceu critérios mais rígidos para processos judiciais, segue movimentando parte dos principais atores impactados pela discussão, em busca de reverter o impacto aos pacientes ou participar das mudanças que podem ocorrer nos processos de Avaliação de Tecnologia em Saúde (ATS).

É o caso da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), que enviou um ofício ao Ministério da Saúde no último dia 22 de outubro, solicitando que seja constituído um processo de aprimoramento do processo de ATS realizado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), assim como adotar medidas de participação social para qualquer mudança prevista.

Já associações de apoio ao pacientes buscam o Legislativo para estabelecer novos requisitos para o fornecimento de medicamentos não incorporados ao SUS ou não registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Projetos de lei do senador Romário (PL-RJ) e da deputada federal Rosangela Moro (União-SP) tramitam no Congresso Nacional, e as entidades buscam sensibilizar os parlamentares para pautarem os textos.

"Vai acontecer como foi no rol taxativo. A questão vai ser decidida pelo Legislativo, o que é muito ruim. Não queríamos ter esse jogo de poder entre Judiciário, Executivo e Legislativo. No entanto, entendemos que a decisão e a interpretação dela tem questões que estão omissas e que precisam ainda de reflexões para a sua interpretação", afirma Luana Ferreira Lima, gerente de políticas públicas e advocacy da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale).

Em meio a movimentos, a discussão sobre a possibilidade do país ter uma agência única de ATS segue sendo vista como uma possibilidade em tornar o processo de avaliação mais independente e confiável. A iniciativa depende da avaliação do Ministério da Saúde, já que a pasta, junto ao Governo Federal, seria responsável por propor a mudança. Procurado, o Ministério da Saúde não se posicionou sobre o tema até o momento.

"No caso do Brasil especificamente, a principal vantagem seria economizar e ter um determinado tipo de possibilidade de unificar critérios, dar um pouco mais de consistência ao processo, que é o que faz basicamente a Inglaterra, Austrália e o Canadá. O fato de você ter uma agência única de avaliação de tecnologia, porém, não significa que você tenha uma determinação do que vai ser incluído no rol, seja dos planos de saúde, seja do SUS", avalia André Medici, consultor em economia da saúde que atuou por 24 anos no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e no Banco Mundial.

Decisão do STF

O STF publicou, em 3 de outubro, a Súmula Vinculante nº 61, que trata do julgamento de medicamentos registrados na Anvisa e não incorporados ao SUS. Ela estabelece que os juízes devem adotar os critérios fixados no julgamento do Tema 6 de repercussão geral, isto, que via de regra os tratamentos não serão fornecidos por decisão judicial.

A ideia é frear o impacto da judicialização da saúde no país. O Governo federal gastou cerca de R$ 1,8 bilhão em 2022 e R$ 2,2 bilhões em 2023 com o tema. Com o aumento do preço de terapias avançadas, o Judiciário buscou o Governo Federal para buscar uma solução para a discussão.

Contudo, estabeleceu critérios para exceções, como o registro na Anvisa, a negativa de fornecimento do medicamento no SUS e, caso tenha passado pela Conitec, que houve ilegalidade no processo de incorporação. Se o medicamento não foi submetido à avaliação, é preciso indicar o fato ou apontar demora no processo. A avaliação de agentes do setor da saúde é que a decisão alça à Conitec poder indiscutível, e existem críticas aos processos desenvolvidos pela Comissão.

"Essa decisão não é de todo mal, tem aspectos positivos. Tem uma definição importante de competências, de quais entes são responsáveis pelo custeio, por exemplo. Para o Estado isso traz segurança jurídica. Mas existem questões que são extremamente difíceis, como as incorporações pela Conitec", afirma Luana Lima, da Abrale.

Críticas como a falta de transparência no processo, a influência do Ministério da Saúde nas avaliações e a composição da Comissão são algumas das mais frequentes. Por isso, entidades de apoio a pacientes têm buscado no Legislativo uma alternativa para conseguir uma alternativa. "Estamos buscando o Congresso Nacional", , afirma Antoine Daher, presidente da Federação Brasileira das Associações de Doenças Raras (Febrararas) e da Casa Hunter. "Temos dois projetos de lei em andamento e mais um terceiro em produção para ter uma estratégia de enfrentamento. Em nenhum momento defendemos a judicialização, especialmente a banalização dela, mas defendemos o direito do paciente à saúde. No caso das doenças raras, a Justiça é o último recurso que existe para salvar a vida do paciente."

Daher aponta que atualmente, existem mais de 120 medicamentos para doenças raras registrados na Anvisa, frente a cerca de 200 tratamentos disponíveis no mundo. Deles, menos de 40 estão incorporados ao SUS. "Isso prova que se a gente vai depender do Ministério da Saúde, mais de 70% dos pacientes ficam desassistidos", afirma o presidente da Febrararas.

Perspectiva do paciente e Legislativo

Os primeiros casos em que juízes se embasaram na decisão do STF para negar um pedido de acesso a medicamentos já estão sendo observados e acompanhados pelas associações de pacientes. Elas temem pelo impacto que a decisão pode provocar, limitando o acesso da população e trazendo riscos à saúde.

No caso da Abrale, por exemplo, o ibrutinibe, medicamento com indicação para o tratamento de pacientes com leucemia linfocítica crônica recidivada ou refratária, é considerado uma das principais terapias que são solicitadas por via judicial, exatamente por ter tido recomendação de não incorporação pela Conitec por conta do impacto orçamentário ao Ministério, isto é, acima do limiar de custo-efetividade definido de R$ 40.000 QALY.

"Deveria ter tido uma atualização desse limiar, ter uma atualização anual. E isso está na normativa sobre custo-efetividade, mas não consideraram essa questão da atualização do índice. A análise do impacto econômico sempre vai nivelar e nada vai ser aprovado, porque o parâmetro que está usando de para o custo daquele medicamento é totalmente fora do padrão. Tudo sofre reajuste", observa Luana Lima, da Abrale, que aponta que esse como um dos casos que serão impactados pela decisão do STF.

Agora, as associações de pacientes estão centralizando as iniciativas junto ao Congresso Nacional, apontando que não há espaço na Conitec e no Ministério da Saúde para a discussão sobre o impacto das decisões e a atualização sobre o processo de ATS.

Dois projetos de lei já foram apresentados e tramitam no Legislativo. O mais avançado deles é o PLP 149 de 2024, de autoria do senador Romário (PL-RJ). Ele dispõe sobre os requisitos para que entes federados forneçam medicamentos não incorporados pelo SUS, tornando os critérios mais brandos e não considerando a avaliação da Conitec. O projeto aguarda apreciação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para posteriormente passar por outras duas comissões, antes de ser pautado em plenário. Procurada, a assessoria de imprensa do senador Romário não respondeu ao pedido de entrevista ou posicionamento sobre o tema.

A Abrale, junto ao Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC), também está trabalhando por outro caminho, buscando o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para sensibilizar instituições do sistema de justiça, Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) sobre o impacto da decisão do STF. A entidade levanta dados para, até o final de novembro, apresentar de forma estruturada as informações sobre tratamentos não incorporados e pacientes.

Indústria pede cautela e diálogo

Para a Interfarma, a discussão sobre a possibilidade do Brasil adotar uma agência única de avaliação de tecnologias em saúde tem ocorrido de forma superficial e rápida. Por isso, a entidade aponta que é preciso cautela, diálogo com todos os setores envolvidos nesse processo e análise sobre quais temas o país quer resolver ao propor a mudança.

"O mais importante é ter um modelo de incorporação ou ter um acesso qualificado à população? O modelo de incorporação é uma ferramenta, uma ação dentro do nosso grande objetivo, que é mudar a qualidade do atendimento. É preciso escutar todas essas pessoas e não ser induzido por uma única premissa", afirma Renato Porto, presidente-executivo da associação.

A Interfarma tem buscado desenvolver estudos para colaborar com a discussão sobre incorporação de tecnologias, que devem ser concluídos e apresentados no início de 2025. Enquanto isso, tem procurado o Ministério da Saúde solicitando que seja instituído oficialmente um processo de aprimoramento da ATS no âmbito da Conitec. "Apresentamos um ofício pedindo para que esse processo seja transparente, aberto a tomada pública de subsídios, consulta pública e que se apresente uma norma ou que se elabore uma proposta de norma que leve em consideração todos os atores qualificados desse processo, para que isso depois seja levado para a sociedade com toda segurança", defende Porto.

Frente a esse cenário, a Interfarma prefere não se posicionar, em um primeiro momento, sobre a possibilidade de existir uma agência única de avaliação de tecnologias. A entidade aguarda uma discussão mais robusta, diálogo e a construção de materiais que embasam esse posicionamento.

"Precisamos ser determinantes na solução que vamos dar, para que tenhamos no final uma legitimação pela própria sociedade e pelos próprios atores. Sob pena, mais uma vez, de caminhar em um processo ancorado ou de uma maneira muito superficial, não chegando a uma solução definitiva nesse processo", observa o presidente-executivo.

Agência única é a solução?

"O ministro Gilmar Mendes tem razão e concordamos com ele sobre ter uma agência independente. Só que deveriam montar e aprovar essa agência antes de colocar essa decisão do STF sobre a judicialização em vigor. Quem tem que criar é o Executivo e mandar para o Congresso o projeto, mas o STF, com a força que tem, pode alinhar isso com o Governo", defende Antoine Daher, da Febrararas.

Para o economista André Medici, ter uma agência única pode simplificar o processo de ATS, já que ANS e SUS teria uma única instância decisória, sem necessidade de repetir processos, além de dar validade nacional e dar credibilidade. "Desde que isso não seja uma questão que tenha a mandatoriedade para incorporação, porque as situações têm que ser discutidas caso a caso. Coincide com o que acontece em países mais avançados", defende. Ele aponta o National Institute for Health and Care Excellence (NICE), do Reino Unido, como um dos exemplos de modelos semelhantes.

O economista aponta a iniciativa como possível solução para o impacto na questão da judicialização da saúde no país, já que o órgão seria responsável por apontar a eficácia e segurança do medicamento. Assim, seria possível se embasar nessa avaliação para que saúde pública e suplementar fizessem ou não a incorporação. O mesmo vale para processos judiciais.

Além disso, na visão dele, é preciso pensar de forma diferente do que foi feito até hoje: "Quando pensamos nessa questão das novas tecnologias, temos que avançar para processos que não são somente os processos anteriores, onde testam a tecnologia a partir de ensaios clínicos. Isso normalmente é o que se fazia há algum tempo atrás. Atualmente está se discutindo a incorporação de tecnologia através de estatísticas do mundo real. E quando a gente incorpora estatísticas do mundo real, significa que você tem que ter ferramentas que não liberam totalmente o processo, mas libera em caráter experimental, até ver especificamente como é que aquele medicamento está impactando fora do laboratório."

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Médicos são investigados por desinformação sobre câncer de mama

Sociedade Brasileira de Mastologia pontuou que observa com preocupação o crescente número de notícias falsas a respeito do tratamento e da prevenção do câncer de mama

Dois médicos estão sendo investigados pelos conselhos de medicina por divulgarem desinformação sobre o câncer de mama no outubro rosa , mês dedicado a conscientização sobre a doença. Um deles é o médico Lucas Ferreira Mattos, que tem mais de 1 milhão de seguidores no Instagram. Ao responder uma pergunta de uma pessoa que disse ter dois cistos nos seios e que fazia acompanhamento, ele disse que a mamografia gera uma radiação para a mama equivalente a 200 raios-X .

"Ficar fazendo mamografia? Uma mamografia gera uma radiação para a mama equivalente a 200 raios-X. Isso aumenta a incidência de câncer de mama, por excesso de mamografia. Tenho 100% de certeza que o seu nódulo benigno é deficiência de iodo", disse Lucas.

Já a médica Lana Tiani Almeida da Silva sugeriu que o câncer de mama não existe. Sou a doutora Lana Almeida, médica integrativa, especialista em mastologia e ultrassonografia das mamas. Por isso venho falar para vocês que câncer de mama não existe. Então esqueçam Outubro Rosa. Esqueçam mamografia , alegou a profissional. Depois, o Instagram da médica foi fechado.

Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Pará informou que já que tomou conhecimento da postagem no Instagram da Dra. Lana Almeida, devidamente inscrita neste CRM, e o fato já está sendo apurado pela regional. Ressaltamos que os procedimentos no CRM-PA tramitam sob sigilo , disse.

O Conselho de Medicina de São Paulo também informou que está investigando as declarações do médico Lucas e que as investigações tramitam sob sigilo determinado por lei.

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) pontuou que observa com grande preocupação o crescente número de notícias falsas a respeito do tratamento e da prevenção do câncer de mama. Em pleno outubro rosa, quando o tratamento e a prevenção do câncer de mama deveriam ser o foco principal de atenção, temos visto com tristeza o surgimento de postagens que afirmam absurdos , diz a organização.

Sobre a afirmação de que o câncer de mama não existe, a SBM explicou que a doença é a principal neoplasia (tumor) maligna entre as mulheres brasileiras, sendo responsável por mais de 70 mil novos casos ao ano no país. Menosprezar esta doença é um desrespeito às milhares de vítimas e suas famílias, além de poder causar tratamentos inadequados em mulheres que acabaram de descobrir a doença , frisa.

Acerca da declaração de que a mamografia causa câncer de mama, a Sociedade Brasileira de Mastologia ressaltou que o procedimento é a principal forma de prevenção de mortes pela doença. O diagnóstico precoce, obtido pela mamografia, permite a descoberta do câncer em estágios menores, onde as chances de cura são maiores e os tratamentos menos agressivos. Estudos comparativos realizados em países europeus e norte-americanos demonstraram que a realização de mamografia anual em mulheres entre os 40 e 75 anos reduz em 20% a 30% a mortalidade do câncer de mama em comparação com mulheres que não realizaram o exame , cita.

A SBM rebateu, ainda, a afirmação de que o câncer de mama pode ser tratado com o uso de hormônios. O uso de hormônios sexuais (estrógeno, progesterona e testosterona) é contraindicado em casos de câncer de mama, pois estimula o crescimento de células tumorais. Inúmeras publicações científicas mostram este efeito e a piora na evolução da doença. Inclusive, a terapia de alguns casos de câncer de mama é feita através de bloqueio destes hormônios, com resultados comprovados na diminuição da mortalidade , destaca.

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) disse, ao Correio, que a mamografia é o melhor exame para diagnóstico de câncer de mama, e ela não é arriscada. O procedimento não produz uma radiação equivalente a 200 raios-X.

O mastologista Marcelo Bello, diretor do Hospital do Câncer III, especializado em câncer de mama, cita que "as novas tecnologias de mamografia digital reduzem em até 70% a exposição à radiação. Para desenvolver câncer de mama causado pela mamografia, a mulher teria que fazer cerca de 5 mil destes exames, o que é algo similar a ter um câncer de pulmão fumando apenas 1 cigarro por ano, ou seja, é um risco muito baixo, principalmente hoje com os modernos aparelhos digitais".

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PORTAL G1

Ginecologista é acusado de abusar de pacientes; vítima relata consulta - veja vídeo

Mateus Barbosa Leite é indiciado por crimes sexuais contra pacientes e foi preso nessa terça-feira (29) após descumprir uma medida protetiva solicitada por sua ex-companheira

O ginecologista Mateus Barbosa Leite é indiciado por crimes sexuais contra pacientes e foi preso nessa terça-feira (29) após descumprir uma medida protetiva solicitada por sua ex-companheira, que o denunciou por violência doméstica.

A delegada Yvve Rocha, responsável pelo caso, informou que, além da acusação de violência doméstica, o médico responde a dois processos por crimes sexuais.

Mateus Barbosa Leite foi preso em Catalão, no sudeste de Goiás, por violar a proibição de manter contato com sua ex-companheira. A delegada Rocha confirmou que o médico era monitorado por tornozeleira eletrônica, mas não divulgou detalhes sobre as declarações feitas em depoimento.

O advogado de defesa do médico, Fausto Mesquita, argumentou que não houve violência doméstica, mas sim uma determinação para afastamento do lar . Mesquita afirmou que está aguardando a audiência de custódia para apresentar os argumentos relativos ao descumprimento da medida protetiva.

Em relação às acusações de crimes sexuais, o advogado mencionou uma denúncia isolada relacionada a um suposto incidente durante uma consulta médica , que será devidamente investigada e contestada.

A delegada Rocha informou que uma das investigações sobre os abusos sexuais foi concluída e encaminhada ao Judiciário em junho, e a outra, em agosto deste ano. As datas exatas dos crimes não foram divulgadas.

O médico é acusado de posse sexual mediante fraude, conforme definido pelo Código Penal, que ocorre quando o autor usa de fraude ou de qualquer meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima.

Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) afirmou que todas as denúncias sobre a conduta ética de médicos são investigadas e tramitam em total sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico.

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JORNAL OPÇÃO

“Prefeito me estendeu a mão e perguntou quando eu vinha, deveria ter falado nunca”, relata Pollara sobre convite de Cruz

O sentimento de frustração do secretário de Saúde está relacionado com a tentativa de explicar como a pasta gastou R$ 1,5 bilhão apesar do acúmulo da dívida com as maternidades, hospitais e prestadores de serviços

O secretário municipal de Saúde de Goiânia, Wilson Pollara, disse, durante prestação de contas na Câmara Municipal, que deveria ter recusado convite para o cargo. Frustrado com situação da saúde na Capital, o secretário afirmou que foi convidado para ser consultor, mas após apontar possíveis soluções para algumas áreas da pasta para o prefeito Rogério Cruz (SD) recebeu o convite, porém Pollara expressou: “Eu devia ter tirado a mão e falado nunca”.

O sentimento expressado pelo secretário de Saúde está relacionado com a tentativa de explicar como a pasta gastou R$ 1,5 bilhão apesar do acúmulo da dívida com as maternidades, hospitais públicos e privados, médicos, crise no SAMU e a falta de insumos básicos nas unidades.

“Quando cheguei aqui, o prefeito me chamou para fazer uma consultoria, não para ser secretário. Aliás, hoje eu acho que hoje eu devia ter ficado só na consultoria… Ele falou pra mim, o senhor consegue corrigir isso? E eu disse que sim. Ele estendeu a mão e perguntou quando eu viria. Eu devia ter tirado a mão e falado nunca”, relatou.

A prestação de contas, que estava marcada para as 13h, começou apenas após as 14h. Após as apresentações iniciais da presidente da Comissão da Saúde, vereadora Kátia Maria (PT), o secretário alertou: teria que sair mais cedo pois estava de viagem marcada. Ao fim da audiência tentou contornar. “Vamos agendar uma prestação de contas mais detalhadas”. Ocorre que esta é a última prestação de contas de Pollara enquanto secretário de saúde de Goiânia. Os dados referentes ao terceiro quadrimestre só serão apresentados pelo próximo secretário a ser nomeado na gestão do prefeito eleito, Sandro Mabel (UB).

Segundo Pollara, a Prefeitura de Goiânia aplicou, entre janeiro e outubro, mais de 24% do orçamento do município na área. O número é acima do mínimo constitucional, definido em 15%. O secretário aponta que apenas o gasto com a folha de pagamento dos servidores gira em torno de 17%. “Então se a gente pagar só os funcionários, você já não tem mais nada para aplicar na saúde. O governo faz um esforço e nós chegamos a 24%”.

Esse dispêndio alto, segundo o secretário, é referente “ao pagamento de mais de uma tabela SUS para os prestadores, principalmente para sustentar as três maternidades que, juntas, custam mais de R$ 250 milhões por ano”. Pollara apontou que houve uma articulação para estadualizar a maternidade Célia Câmara, mas a proposta não foi para frente por falta de força política para concretizar o planejamento.

Ainda sobre as maternidades, o secretário apontou que realizou um pagamento de R$ 14 milhões na semana passada e que estão previstos outros dois pagamentos até o mês de dezembro, sendo um de R$ 12 milhões e outro de R$ 10 milhões. “Fizemos um estudo que com R$ 28 milhões a nós conseguimos pagar e o prefeito conseguiu esse recurso a mais e nós conseguiremos pagar”, afirmou.

Sobre sanar as dívidas até o final da atual gestão, Pollara diz que não será possível quitar todos os débitos, mas que o fundo da saúde não terá dívida. “Alguma coisa não vai ser possível, a parte do fundo de saúde, que é da nossa administração, vai estar zerada. Nós não vamos estar devendo nada para ninguém”.

Aplicação de R$ 1,5 bi não está clara

Em coletiva de imprensa, a vereadora Katia Maria (PT), presidente da Comissão de Saúde, manifestou preocupação com a transparência e a eficácia na administração dos recursos destinados à saúde no município.

A parlamentar exigiu esclarecimentos sobre a aplicação dos valores. “Eles precisam demonstrar para a gente o que não está claro, onde foi aplicado 24% da receita do município, porque nós não encontramos esse recurso na ponta, nas unidades. Tirando a folha de pagamento dos servidores, você tem um déficit de funcionários, falta de insumos. Chego nas unidades e tem lugar que não tem álcool e algodão”, afirmou.

No que diz respeito à destinação dos recursos e ao cumprimento das metas estabelecidas para o setor, a vereadora Katia Maria destacou que a Comissão de Saúde adotará medidas rigorosas para cobrar a administração municipal. “As metas de saúde são apresentadas anualmente, e a Prefeitura presta contas três vezes ao ano. Eles não têm cumprido essas metas. Por isso, estamos encaminhando relatórios detalhados das visitas aos CAIS e às UPAs ao Ministério Público e ao Conselho Regional, para que possam tomar providências”, declarou.

Além das ações de fiscalização e cobrança, a Comissão estuda a possibilidade de acionar a Justiça para garantir o cumprimento dos compromissos assumidos pela Secretaria de Saúde de Goiânia. “Chega num ponto que não há condição de ficar apenas na cobrança política. A Câmara já encaminhou ao Ministério Público e demais órgãos de controle as ineficiências e problemas administrativos detectados para análise e, se necessário, a judicialização,” concluiu a vereadora.

Katia Maria também questionou a alocação dos recursos em entidades filantrópicas e privadas, além das dívidas acumuladas pela prefeitura com prestadores de serviços. “O (Hospital) Araújo e Jorge têm mais de R$ 40 milhões em dívidas, os laboratórios acumulam mais de 6 milhões, e as maternidades têm um déficit de R$ 86 milhões. Poderia ter sido feito um planejamento para sanar esse passivo”, pontuou.

Situação crítica

Conforme mostrou o Jornal Opção em 8 de outubro, a dívida da Prefeitura de Goiânia com os hospitais credenciados no Sistema Único de Saúde (SUS) pode gerar uma paralisação de diversos serviços, como já vem ocorrendo em algumas unidades. A situação é agravada pela falta de repasses a unidades essenciais como a Santa Casa de Misericórdia e o Hospital Araújo Jorge, impactando diretamente a capacidade de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade.

As maternidades gerenciadas pela Fundahc, por exemplo, restringiram uma série de atendimentos eletivos devido à dívida com fornecedores, funcionários e médicos da unidade. De acordo com a diretora da fundação, somente em obrigações vencidas e não pagas, o Paço devia, antes de parte do pagamento, R$ 86,5 milhões. Se incluídos os passivos trabalhistas, a dívida ultrapassa os R$ 127 milhões.

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Assessoria de Comunicação

Quarta, 30 Outubro 2024 08:00

CLIPPING AHPACEG 30/10/24

Escrito por

ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

Infecções hospitalares matam 45 mil pessoas por ano no Brasil.

Médico, personal trainer e outras duas pessoas são presas suspeitas de vender remédio ilegal para emagrecer

Polícia ouve atores que se passam por médicos em vídeos roteirizados para vender produtos que prometem resultados milagrosos

CRM investiga médica que diz que "câncer de mama não existe"

Como a IA está ajudando a melhorar o diagnóstico do câncer de mama

Maternidades municipais iniciam normalização de atendimentos em Goiânia

O TEMPO

Infecções hospitalares matam 45 mil pessoas por ano no Brasil.

A Unimed realiza, na quarta-feira (30/10), um evento virtual para discutir as Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS). O diagnóstico mata, por ano, 45 mil pessoas no Brasil. No entanto, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 70% dos casos poderiam ser evitados com a adoção de práticas nos hospitais.

O evento terá a participação e mediação do médico e infectologista Carlos Starling, que integrou o Comitê de Enfrentamento à Covid-19 em Belo Horizonte durante a pandemia. "No Brasil, melhoramos muito em serviços de controle de infecções nos últimos 30 anos, mas elas ainda são um problema enorme no país, principalmente aquelas provocadas por bactérias extremamente resistentes", diz Starling, que é especialista em medicina preventiva e social.

O médico destacou outro dado alarmante: na maioria dos hospitais, menos da metade dos profissionais de saúde higieniza as mãos quando necessário, atitude que seria essencial para prevenir as infecções. "E isso após a pandemia de Covid-19, quando todos pensavam que os cuidados durariam para sempre. Poucas faculdades de medicina no país dedicam carga horária ao controle de infecções relacionadas à assistência à saúde", complementou.

As infecções mais comuns no país são pneumonia associada à ventilação, infecção cirúrgica, infecção do trato urinário e infecção da corrente sanguínea. "Com os cuidados adequados, essa última é evitável em quase 100% das vezes. Hoje, convivemos com pacientes com múltiplas comorbidades, os quais são mais idosos e necessitam ser submetidos a múltiplos procedimentos invasivos e intervenções cirúrgicas que não eram feitas no passado, além de tratamentos com drogas imunossupressoras contra doenças até então intratáveis", afirmou o médico, que também é coordenador científico do Centro Nacional de Pesquisa Clínica e Tecnologia (CNPCT) do Sistema Unimed.

O assunto será discutido no Webinar Conecta Científico, promovido pela Faculdade Unimed em parceria com a Solventum, no próximo dia 30 de outubro, às 19h. Além de Carlos Starling, a mestre em enfermagem, professora e especialista em auditoria Aline Monzani; e o enfermeiro especialista em epidemiologia e prevenção de IRAS Márcio Melo vão integrar o debate.

As inscrições podem ser feitas no site da Unimed. As discussões são voltadas para enfermeiros de UTI, terapia infusional, Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), gerência de enfermagem, médicos infectologistas que lideram ou fazem parte da CCIH, diretores médicos e auditores.

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PORTAL G1

Médico, personal trainer e outras duas pessoas são presas suspeitas de vender remédio ilegal para emagrecer

Casal trouxe medicamento da Inglaterra. Personal trainer divulgava remédios nas redes sociais, segundo delegado.

A Polícia Civil prendeu, em Goiânia , quatro pessoas suspeitas de participação em um esquema de venda ilegal de medicamentos para emagrecimento, originalmente destinados ao tratamento de diabetes. Entre os presos estão um médico e um personal trainer.

O g1 entrou em contato com o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) para pedir um posicionamento sobre a prisão do médico, mas não houve retorno até a última atualização do texto. A reportagem também contatou o Conselho Regional de Educação Física (Cref), mas não obteve resposta até a última atualização.

À TV Anhanguera, o delegado Alex Rodrigues explicou que as investigações começaram após uma denúncia anônima que apontava a divulgação dos medicamentos nas redes sociais do personal trainer. Segundo o delegado, o profissional admitiu à polícia que comercializava os remédios e afirmou que os conseguia por meio do médico.

O g1 entrou em contato com os advogados dos quatro suspeitos, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem.

O delegado detalhou que o médico afirmou ter adquirido o medicamento de um casal que trazia os produtos do exterior. "O casal trouxe os remédios da Inglaterra, porém, sem nenhum tipo de autorização legal para isso. O personal então adquiriu os medicamentos para revenda", explicou Alex Rodrigues.

Conforme o delegado, o médico atuava como intermediário na venda. Durante a apreensão, foram encontradas 11 caixas do medicamento na residência do casal, que confessou ter transportado 50 caixas para o país, das quais a maioria já havia sido vendida.

Os envolvidos responderão por associação criminosa e por falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais.

NOTA CREMEGO

Todas as denúncias relacionadas à conduta ética de médicos recebidas pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) ou das quais tomamos conhecimento são apuradas e tramitam em total sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico.

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Polícia ouve atores que se passam por médicos em vídeos roteirizados para vender produtos que prometem resultados milagrosos

Vídeos com falsos especialistas são veiculados em sites para dar credibilidade a produtos, diz Conselho Regional de Medicina de SP, que denunciou os casos à Polícia Civil e ao Ministério Público em julho.

A Polícia Civil de São Paulo ouviu atores que estão sendo investigados por interpretarem médicos em produções roteirizadas na internet para vender produtos que prometem resultados milagrosos.

O g1 e Jornal Hoje denunciaram o caso em julho deste ano. Os vídeos têm a intenção de parecer reais e alguns não incluem um alerta ao internauta informando que se trata de uma encenação.

As denúncias chegaram ao Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp). O órgão, então, pediu via ofício que a Polícia Civil e o Ministério Público apurassem a situação. Em 5 de agosto, o Ministério Público concordou que a Polícia Civil abrisse um inquérito policial.

Os atores Fernanda Padilha, Rodrigo Gonzales e Renato Chocair foram intimados à delegacia. Fernanda e Rodrigo prestaram depoimento no dia 22 deste mês.

Fernanda aparece em vídeos como "Roberta Damasceno", "Roberta Zanetti" e "Maria Fernandez", se passando por oftalmologista, ginecologista e farmacêutica. Ela foi ouvida pela Polícia Civil na capital paulista nesta terça-feira (22).

A atriz apresentou os contratos de prestação de serviço que teve com três empresas e um acordo com uma das contratantes por "prejuízo moral sofrido com a vinculação de seu nome de forma indevida".

O que disse Fernanda Padilha à polícia

À polícia, Fernanda contou que é atriz há 23 anos e que faz propagandas comerciais. Sobre o material encaminhado à investigação com sua imagem, ela afirmou que trabalhou para três empresas e interpretou três papéis:

Roberta Damasceno: Padilha disse que interpretou a médica Roberta e esse anúncio foi veiculado na internet. Ela alegou que a responsabilidade, nesse caso, foi do contratante, que deveria ter colocado um aviso que se tratava de personagem fictícia.

Roberta Zanetti: sobre a personagem Roberta Zanetti , uma pesquisadora, a atriz informou à investigação que foi contratada pela empresa para anunciar um suplemento natural para a visão, o "VisiControl .

Maria Fernandez: sobre a personagem Maria, Fernanda Padilha comentou que foi paga para falar sobre o suplemento GotasFlux, e argumentou que "todos esses produtos são suplementos naturais, que sua profissão é atriz e nunca divulgou os vídeos".

O que disse Rodrigo Gonzales à polícia

Rodrigo Gonzales, segundo a denúncia, aparecia como urologista e falava sobre um aplicativo e o "truque do pepino", que seria um "segredo para a infertilidade". O g1 não conseguiu contato com a defesa dele até a última atualização desta reportagem.

O publicitário e ator, de 43 anos, contou aos policiais que eventualmente faz trabalhos para a área artística e tinha sido contratado para fazer um anúncio, como ator, para um aplicativo e que "não sabia a finalidade".

No material, ele interpretou um especialista em urologia. Durante uma entrevista fictícia, ele lembrou que "falou bastante sobre os benefícios do pepino para a saúde", assim como passou dicas de como o pepino pode ser bom para ereção masculina.

Ao fim do vídeo, ele dizia que para mais dicas como essa basta clicar no link abaixo . "O declarante foi contratado, e afirmou que nunca divulgou tal propaganda", finalizou.

Outros atores

Já Renato Chocair, também ator intimado pela polícia, interpretava o "doutor Fábio Rocha" e apresentava um suposto produto para perder peso. Ele ainda deve prestar esclarecimentos à polícia. Procurado pela reportagem anteriormente, ele não quis falar sobre o caso.

Sidnei Oliveira aparecia em vídeos falando sobre produtos para emagrecer e usava até um jaleco com um nome bordado e sendo entrevistado pela atriz Fernanda Padilha. No entanto, ele não aparecia como intimado pela polícia no inquérito do 15º DP de São Paulo.

Conar apura

Em nota atualizada, o Conselho Nacional Autorregulamentação Publicitária (Conar) diz que desde julho abriu três representações éticas contra os anúncios com evidências de testemunhal falso, entre outras desrespeitos ao Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária.

Um deles, com abertura do processo naquele mês, é contra o anúncio "Gotasflux", divulgado em espaço patrocinado em plataformas de redes sociais e em página da internet.

Segundo a entidade, os casos serão levados a julgamento nas próximas sessões do Conselho de Ética do Conar.

"Reafirmamos que o uso de testemunhais falsos é rechaçado pela legislação e pelas regras éticas do Conar. No caso de testemunhais de especialistas e/ou autoridades, há peso e gravidade ainda maiores, acerca da possível irregularidade. Os testemunhais falsos, inclusive, têm sido um dos indicativos de publicidade flagrantemente irregular.

Os suplementos integram o gênero alimentício. Não podem prometer cura ou benefícios diretos à saúde.

A partir da pandemia, verificou-se uma tendência maior de apelos irregulares na publicidade do segmento, com as promessas enganosas de cura", informou a entidade.

O que disse o Cremesp

O Cremesp disse que nas publicações checadas não tinha nenhuma indicação de que a pessoa que estava participando do anúncio era ator ou atriz.

[Solicitamos] a exclusão imediata destas publicações mentirosas das redes sociais, que só prejudicam a população e a própria classe médica. Reforçamos, ainda, a importância do uso do Guia Médico, disponível no site do Cremesp, que permite checar, pelo nome ou CRM, se o profissional é realmente médico e se possui especialidade registrada."

Relatos no Reclame Aqui

No Reclame Aqui, site usado para divulgar reclamações e denúncias de consumidores pelo país, uma usuária descreveu, no dia 8 de julho, que fez a compra do produto apresentado por Ricardo Bruno , recebeu comprovantes do pagamento, mas não teve a mercadoria entregue.

Em julho de 2024, assisti a um vídeo que apresentava um médico, dr. Ricardo Bruno, que se diz endocrinologista e professor da USP, mostrando um suplemento/medicamento aprovado pela Anvisa para emagrecer. Acreditei no suposto médico e comprei o produto. Preocupada, no dia seguinte entrei em contato com o suporte ao cliente solicitando o cancelamento da compra.

Em outro relato do Reclame Aqui, a pessoa afirma que nunca recebeu retorno da empresa.

Depoimentos sobre os produtos

Ao menos uma pessoa que aparece como paciente dos médicos fictícios anunciava depoimentos positivos ensaiados por meio de um site a R$ 25. No site, é possível encontrar a oferta de diversos tipos de serviço, como tradução e criação de convites, mas também muitos anúncios de pessoas vendendo propagandas e depoimentos para fazer com que o produto venda muito .

Em um vídeo, uma mulher agradece à "doutora Roberta", que é interpretada pela atriz Fernanda Padilha, pela indicação de um produto para os olhos: o VisiControl. "Depois de 6 dias de uso eu já vi os resultados. Eu tirei os colírios, a minha dor de cabeça passou. Então, assim, muito obrigado doutora Roberta, de coração", relata.

A paciente fictícia é Luciene Parizotto, que se apresenta na internet como especialista em prova social (uma estratégia usada por marcas para incentivar os consumidores a fazer compras).

Na descrição do seu serviço no site, Luciene diz que que faz um comercial persuasivo em vídeo ou em áudio com total espontaneidade e naturalidade sobre seu produto/serviço . Ela tinha um portifólio na internet com vídeos em que interpretava médicas, advogada e pacientes.

Por mensagem de texto, ela escreveu que um de seus vídeos foi vinculado ao VisiControl, mas que ela nunca gravou algo do tipo, que foi contratada por uma agência e que foi criado um avatar. Luciane nega que seja ela no vídeo.

O Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) afirmou, por meio de nota, que o uso de testemunhais falsos é rechaçado pela legislação e pelas regras éticas do órgão .

O que dizem os representantes dos produtos

José Detzel, de 18 anos, representante da Night Slim, disse ao g1 que Fernanda não representou nenhum papel de médica , e pediu para a reportagem procurar o advogado da empresa, mas não encaminhou contato.

Já o advogado que representa a VisiControl, que contratou Fernanda Padilha para falar de um produto para a visão, declarou, em nota, que o vídeo da oferta conta com disclaimers - que são avisos legais para informar ao consumidor que se trata de uma história fictícia.

Ainda segundo a nota, em nenhum momento a atriz foi mencionada ou retratada como médica, sendo sua atuação meramente ilustrativa e com fins publicitários . Devido à adesão abaixo do esperado, o suplemento alimentar VisiControl foi descontinuado e não se encontra mais disponível para comercialização.

Sobre a Alívio 360, Fernanda disse que o contratante pediu para não passar informações por questão de sigilo contratual.

Na internet, outros atores também aparecem interpretando profissionais da saúde. Alguns depoimentos como especialistas ou pacientes fictícios chegam a ser vendidos a R$ 20 em um site.

O Harmony House, dono do estúdio onde foi gravado o programa Saúde em Foco com os dois atores em São Paulo, afirmou, por nota, que o serviço de gravação foi contratado por um cliente de nome José. Nós, como estúdio de locação, oferecemos serviços para a gravação de conteúdos de áudio e vídeo conforme as especificações fornecidas pelos nossos clientes. Não temos envolvimento ou conhecimento sobre o conteúdo dos projetos gravados em nossos estúdios. A responsabilidade pelo conteúdo, assim como pela contratação dos apresentadores e demais participantes, é integralmente do cliente , escreveu.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) comentou os supostos selos de aprovação usados em suplementos como o Night Slim: Não há nenhum medicamento registrado na Anvisa com o nome Night Slim. Dessa forma, não se trata de medicamento autorizado para nenhuma indicação terapêutica. Destacamos que somente medicamentos registrados na Anvisa podem alegar propriedades terapêuticas na Anvisa .

O que disseram os atores ao g1

O ator Sidnei Oliveira, que aparece como um médico, afirmou que foi contratado como ator para interpretar um personagem simples , mas que se desvinculou do trabalho. Eu não faço mais parte. Portanto, não estarei mais nos vídeos e acredito que me citar na reportagem será em vão, pois minhas cenas estão sendo retiradas.

Questionado se sabia sobre o uso da imagem para a venda de produtos e citado como especialista da USP, Oliveira afirmou, por meio de mensagem de visualização única e áudio, que não sabia.

Ele disse ainda que passou o contato do jornalista para os responsáveis por sua contratação e não deu detalhes sobre o serviço prestado nem quem eram seus contratantes.

Já a atriz que aparece como uma apresentadora é Fernanda Padilha. As personagens dela são pelo menos quatro: a médica Roberta Zanetti , que também se diz diretora de pesquisas há mais de 19 anos, a médica Roberta Damaceno e a farmacêutica Maria Fernandes , além da apresentadora Vanessa Amorim . Ao g1, Fernanda Padilha falou que estão circulando vídeos na internet criando uma distorção sobre sua índole e trabalho .

Esses vídeos dizem que eu me passo por médica para vender produtos e insinuam que esses produtos são meus. Isso é mentira. Eu tenho contratos com todas as empresas para as quais prestei serviços. Eu não sou médica. Eu sou atriz há mais de 20 anos.

A atriz argumentou que um contratante disse que pessoas estão roubando as imagens e usando ferramentas de sincronia labial e mudando o texto gravado.

Segundo a atriz, ela foi contratada para ao menos três produtos: Night Slim, VisiControl e Alívio 360. O que diz Fernanda Padilha

Leia a nota da atriz na íntegra:

Recentemente, fui contratada por algumas empresas de suplementos vitamínicos para interpretar personagens fictícias em seus vídeos publicitários. Há aproximadamente três semanas, enviaram-me um vídeo produzido por um influencer que atribuía a mim responsabilidades que são das empresas contratantes, além de distorcer o meu trabalho e minha índole.

Por exemplo, o vídeo me acusa de "vender medicamentos falsos", induzindo a audiência à ideia errada de que a responsabilidade pelos produtos é minha e de que existiu uma intenção minha de "vender medicamentos falsos". Primeiramente, nunca fiz um vídeo publicitário para medicamento. Todos são suplementos nutricionais. Todo material publicitário foi gravado para a venda de suplementos alimentares e não de remédios.

Em nenhum momento foi gravado por mim algum conteúdo prometendo tratamento terapêutico ou até mesmo cura de doenças. Todos os contratos me eximem de toda e qualquer responsabilidade com relação à concepção do produto, sua validação perante órgãos pertinentes, conteúdo do roteiro, qualquer garantia expressa explícita ou implícita relacionada ao produto, além de qualquer ação legal decorrente do projeto. Além disso, as empresas têm a responsabilidade de informar expressamente que sou uma atriz interpretando uma personagem fictícia.

Os vídeos do influencer criaram uma falsa narrativa sobre meu trabalho e minha índole. Pessoas começaram a entrar na minha rede social para me xingar e difamar de forma extremamente agressiva. Esses vídeos foram compartilhados em grupos do WhatsApp pelo Brasil todo indiscriminadamente, me afetando pessoalmente. Foi então que comecei a fazer vídeos na tentativa de esclarecer sobre o trabalho do ator e sobre o que aconteceu comigo. Além de tudo isso, descobri sofrendo na pele que esse meio apresenta um problema sério que afeta principalmente a nós, atores, já que estamos expostos. Indivíduos que não possuem o direito da nossa imagem usam uma IA para fazer uma sincronização de lábio, mudam o texto completamente ou aproveitam parte do texto gravado e fazem o que querem com a nossa imagem, utilizando-a indevidamente.

Ontem fui informada de que 3 vídeos contendo minha imagem manipulada estavam circulando na rede. Antes de ontem, foram 4. Eu recorro aos contratantes que detêm a guarda da minha imagem para que solicitem a retirada do ar. Infelizmente, não tenho controle sobre isso porque as propagandas não chegam a mim. Assim que fui informada que alguns vídeos não tinham a legenda informando expressamente de que sou uma atriz e que as personagens são fictícias, solicitei aos meus contratantes, os quais não haviam colocado tais legendas, que retirassem os vídeos do ar imediatamente.

O que diz o Sindicato

De acordo com o Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de São Paulo (Sated-SP), as empresas que produzem as mercadorias é que devem ser responsabilizadas.

Por meio de nota, Rita Teles, presidente do Sated-SP disse que, como entidade que representa os artistas, defende que as empresas que produzem os medicamentos Night Slim, VisiControl e Alívio 360 sejam responsabilizadas .

É importante afirmar que o Sated-SP apoia e incentiva a regulamentação da atividade publicitária através de convenções coletivas, monitorando o descumprimento das legislações vigentes por parte das empresas contratantes, e principalmente no que diz respeito à relação dessas empresas com os artistas que contratam , escreveu.

Não é justo que a responsabilidade recaia sobre atrizes e atores que comprometem-se a cumprir o que está previsto no contrato de trabalho , complementa.

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DIÁRIO FM ONLINE

CRM investiga médica que diz que "câncer de mama não existe"

A desinformação, em especial aquela com interesses obscuros, como vender um tratamento alternativo para alguma doença ou algum produto, pode ser muito perigosa para quem é afetado e acredita nela.

É o caso de uma médica paraense que está sendo alvo de uma apuração do Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA) após compartilhar um vídeo em seu perfil nas redes sociais, afirmando que o câncer de mama "não existe".

O conteúdo foi amplamente divulgado e provocou diversas reações entre os internautas, provocando uma resposta do CRM e do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa).

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"O que existe é uma inflamação crônica nas mamas, que pode ser inflamação da tireoide, do rim, do fígado, em qualquer lugar. É cálcio nas mamas", afirma a médica no vídeo, apresentando também um produto que diz ser o "tratamento" para a inflamação na qual ela justifica.

CRM-PA e Sindmepa acompanham o caso

As falas da médica paraense provocaram uma reação por parte do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), que disse estar ciente do caso e enfatizou, por meio de nota, a importância do diagnóstico e do tratamento do câncer de mama.

O CRM-PA também se manifestou sobre as falas da médica paraense. Em nota, disse que apura o caso e que o procedimento tramita em sigilo, de acordo com o Código de Processo Ético-Profissional.

"O Sindicato dos Médicos do Pará (SINDMEPA) vem a público manifestar sua posição em relação ao recente vídeo divulgado pela Dra. Lana Almeida, no qual a médica afirma que o câncer de mama não existe, contraindica a realização de mamografias e desafia as evidências científicas estabelecidas sobre o câncer de mama.

O SINDMEPA reafirma que o câncer de mama é uma condição de saúde séria e amplamente reconhecida, responsável por um número significativo de mortes entre mulheres. A prevenção e o diagnóstico precoce, especialmente através da mamografia, são estratégias fundamentais e baseadas em evidências para a redução da mortalidade e tratamento mais eficaz da doença.

Estudos amplamente documentados e revisados por pares têm mostrado que a mamografia é uma ferramenta essencial para a detecção precoce do câncer de mama. Quando diagnosticado em estágio inicial, o câncer de mama tem maiores chances de cura e tratamento menos agressivo, contribuindo para uma melhor qualidade de vida das pacientes.

Ao público, reforçamos que as recomendações de prevenção e rastreamento, inclusive a realização de mamografias conforme orientação médica, seguem rigorosos protocolos científicos e visam à proteção e ao cuidado da saúde da mulher.

O SINDMEPA se compromete a promover e disseminar informações corretas e respaldadas cientificamente para garantir que a população tenha acesso a orientações médicas seguras e responsáveis."

Confira a nota na íntegra do CRM-PA:

"O Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará informa que tomou conhecimento da postagem no Instagram da Dra. Lana Almeida, devidamente inscrita neste CRM, nesta terça-feira (29), e o fato será objeto de apuração por este Regional.

Ressaltamos que os procedimentos no CRM-PA tramitam sob sigilo, de acordo com o art. 1º, do Código de Processo Ético-profissional."

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UOL NOTÍCIAS

Como a IA está ajudando a melhorar o diagnóstico do câncer de mama

Imagem: O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres no Brasil e a rapidez da sua detecção é o primeiro passo para o diagnóstico e o sucesso do tratamento. O exame mais indicado para esse fim é a mamografia, especialmente quando não há sintomas.

Como esse tipo de câncer é a doença com a maior evolução no tratamento medicamentoso e cirúrgico, o desenvolvimento de novas tecnologias que confiram velocidade ao diagnóstico é constante. Hoje, a proposta que mais se destaca é o uso da Inteligência Artificial (IA).

Para emplacar seus modelos na oncologia, a IA ainda precisa se consolidar como ferramenta de precisão, mas as evidências científicas disponíveis no momento já colocam a identificação e estratificação do câncer de mama como a sua maior aplicação na vida real.

IA até nas mamas?

A OMS (Organização Mundial da ) define a IA como uma área da ciência da computação que se dedica à simulação da inteligência por meio de máquinas que trabalham e reagem como humanos. Tal habilidade é obtida por meio de algoritmos, ou seja, uma sequência de instruções e operações para a resolução de problemas e a execução de tarefas.

Imagem: No campo da oncologia, o investimento em modelos de algoritmos para treinamento da IA (machine learning), hardwares e o acesso a grandes volumes de informações (imagens, dados genômicos e clínicos) permitiu o desenvolvimento de novas ferramentas.

A partir daí, a IA se tornou capaz de entender e prever mecanismos biológicos, descobrir e aproveitar padrões de informações clínicas para aprimorar não só diagnósticos, mas também tratamentos e decisões médicas.

A fase atual da evolução desses algoritmos permite que eles desvendem imagens e dados que detectam padrões complexos - como tumores em fase inicial - que podem passar despercebidos pela avaliação humana. Alexandre Chiavegatto Filho, professor de IA na FSP-USP

Poupa tempo

Essa possibilidade de detectar o câncer antes de que ele se manifeste é considerada a cereja do bolo das oportunidades que a IA tem oferecido. Economizar tempo, nesse cenário, resultaria em tratamentos menos invasivos e mais acertados.

Um exemplo disso é a tecnologia desenvolvida pela startup Huna, que identifica a probabilidade de ter um tumor a partir de exames de sangue de rotina. "Ao antecipar em até 16 semanas o diagnóstico, a chance de detecção precoce aumenta em até três vezes e permite a busca ativa das pacientes", fala Daniella Castro Araújo, diretora de tecnologia da empresa.

Imagem: Já a Linda Lifetech usa a termografia - um mapa térmico - integrada à IA que revela padrões suspeitos na mama. Um de seus sócios, Rodrigo Victorio, diz que ela pode se tornar a primeira triagem feita no consultório médico, oferecendo dados de quem realmente precisará de maior monitoramento dali para frente.

As muitas possibilidades da IA

Para além da possível detecção precoce de tumores por meio da melhoria das imagens e da precisão de suas interpretações, a IA têm-se demonstrado relevante de outras formas. Veja algumas delas:

Redução de resultados falsos positivos/negativos, proporcionando exatidão dos resultados e reduzindo erros e seus efeitos psicológicos na jornada da (os) pacientes.

Avaliação de risco personalizado a partir do cruzamento de dados do histórico de saúde, riscos pessoais, além da interpretação de exames genéticos que ajudam a traçar plano de acompanhamento do paciente.

Apoio para a tomada de decisão entre radiologistas com dados que funcionam como uma segunda opinião em casos complexos, o que também reduz o tempo de trabalho.

Análises de biópsias por meio da classificação de células e tecidos, aprimorando a identificação, por parte dos patologistas, do comportamento das células (benignidade e malignidade), além da descoberta de subtipos moleculares de câncer que podem melhor direcionar o tratamento.

IA explicável para todos Imagem: Apesar de o uso da IA na saúde já alcançar os 30%, Cristiano Teodoro Russo, especialista em transformação digital, tecnologia e inovação em saúde da PUCPR, afirma que ainda é preciso mais tempo para que os médicos entendam melhor essas ferramentas e para que elas se provem eficientes, seguras e relevantes.

Outro desafio é fazer que a IA perca a fama de caixa preta, garantindo a qualidade, a origem e a representatividade populacional dos dados usados para treinar as máquinas, a dos pacientes, além de transparência dos parâmetros usados para chegar ao diagnóstico (IA explicável).

O vice-presidente da área médica da Dasa, Leonardo Vedolin, afirma que tudo isso revela a urgente necessidade de uma discussão mais madura sobre riscos e segurança para a incorporação da IA.

Assim como outras tecnologias, ela pode trazer benefícios e não deve ser combatida por medo do eventual prejuízo que possa causar. Leonardo Vedolin

Futuro promissor

Enquanto isso, o INCA (Instituto Nacional de Câncer), encarregado da pesquisa, prevenção e vigilância para o controle do câncer no Brasil, já incorporou a tecnologia em um estudo envolvendo o tumor de ovário. A proposta diz respeito a possíveis respostas à quimioterapia e pode ser adaptada à mama.

Quem dirige esse trabalho é Mariana Boroni, chefe do Laboratório de Bioinformática e Biologia Computacional da instituição. Ela declara que as possibilidades são infinitas com a IA e prevê que, no futuro, o foco será a prevenção da doença e não o seu tratamento.

"A colaboração intensa de diferentes profissionais permitirá, cada vez mais, que os algoritmos combinem dados antes inacessíveis para nós. E será a partir desse conjunto de informações precisas que todas as decisões serão tomadas", acrescenta a pesquisadora.

Mais tempo para o cuidado

A mamografia é hoje considerada o exame padrão ouro por ser o mais preciso para o diagnóstico precoce (rastreamento) do câncer de mama, e é indicado para a população em geral, a partir dos 40 anos e até 74 anos ou mais, a depender da expectativa de vida da mulher.

Essa recomendação é a das sociedades médicas (Febrasgo, SBM, CBR*), mas o Ministério da sugere o rastreamento bienal entre os 50 anos e 69 anos.Em casos especiais, como quando há histórico familiar, o teste pode ser útil até mais cedo.Embora seja o teste de referência, a mamografia tem suas limitações. São exemplos a efetividade reduzida em identificar câncer em mulheres com idade inferior a 40 anos, bem como a menor sensibilidade a tumores menores que 1 mm. Assim, a IA tem o potencial de aumentar a eficácia do exame, beneficiando um maior número de pessoas.

A ginecologista Uianê Azevedo, especialista em mamografia e ultrassom do MEJC-UFRN/Ebserh vê o uso da IA com entusiasmo: "Como o diagnóstico se dá em várias etapas, a tecnologia poderá acelerar esse processo e ainda dará maior espaço para que os médicos se dediquem à qualidade no cuidado da (o) paciente", conclui.

Fontes: Alexandre Chiavegatto Filho, professor de IA da FSP-USP (Faculdade de Pública da Universidade de São Paulo); Cristiano Teodoro Russo, especialista em transformação digital, tecnologia e inovação na saúde, é professor do curso de Medicina na PUCPR-Londrina (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), palestrante e apresentador do programa MOVE na TV Tarobá/Band-PR; Daniella Castro Araújo, engenheira e doutora em Ciências da Computação pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), é diretora de tecnologia da Huna; Leonardo Vedolin, médico e vice-presidente da Área Médica da Dasa; Mariana Boroni, pesquisadora do INCA (Instituto Nacional de Câncer), tem doutorado em Bioinformática e lidera o Laboratório de Bioinformática e Biologia Computacional da instituição; Rodrigo Victorio, country manager da Linda Lifetech Brasil e um dos sócios da Linda global; Uianê Azevedo, médica ginecologista e obstetra da MEJC-UFRN/Ebserh (Maternidade Escola Januário Cicco da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, que integra a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), especialista em mamografia e ultrassom pelo CBR (Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem), responsável técnica e fundadora do Grupo Reviver, integra ainda a Liga Norte-Rio-Grandense contra o câncer e o corpo clínico da Clínica de Oncologia e Mastologia de Natal.

*Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia); SBM (Sociedade Brasileira de Mastologia); CBR (Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem).

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A REDAÇÃO

Maternidades municipais iniciam normalização de atendimentos em Goiânia

Suspensos por falta de repasses por parte da Prefeitura de Goiânia, os atendimentos eletivos - aqueles que não se enquadram como urgências e emergências - nas maternidades municipais Dona Iris, Nascer Cidadão e Célia Câmara serão retomados gradualmente a partir de 11 de novembro. A informação foi divulgada nesta terça-feira (29/10) pela Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (Fundahc/UFG), responsável pela gestão das unidades de saúde. 
 

Em nota, a entidade comunicou que as equipes das unidades já iniciaram os contatos com pacientes que tinham consultas, exames e cirurgias agendados durante o período de paralisação, a fim de remarcar os atendimentos. A orientação é que os usuários aguardem o contato das unidades para confirmação das novas datas.

A retomada foi possível graças à liberação de recursos pela Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS), viabilizando o retorno responsável das consultas ambulatoriais, exames e cirurgias eletivas, em conjunto com a regularização do fornecimento de insumos e a normalização dos contratos com prestadores.

"A Fundahc/UFG reafirma seu compromisso com a segurança e qualidade do atendimento à população e destaca que a continuidade plena dos serviços dependerá do cumprimento regular dos repasses pela SMS", traz a nota. 

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Assessoria de Comunicação

Quarta, 30 Outubro 2024 06:54

Profissionais de RH da Ahpaceg no 22º GoianaRH

Escrito por

 

OUTUBRO GOIANARH 2
O 22º GoianaRH, o grande congresso promovido pela regional goiana da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH/GO), começou ontem, 29, e segue nesta quarta-feira com a participação do time de profissionais da Ahpaceg.

Sanny Alves Andrade (do associado Hospital do Rim), coordenadora do Comitê de Recursos Humanos/Gestão de Pessoas da Ahpaceg, é uma das participantes do encontro, que conta com 16 palestrantes do cenário nacional e internacional.

Com a programação dividida em quatro eixos de aprendizado (Heartset, MindSet, Skillset e Toolset), o GoianaRH tem em pauta temas, como desafios e tendências na gestão de pessoas em Goiás, no Brasil e mundo; vida e relações de trabalho; inteligência artificial e gestão de pessoas; e o poder da adaptação: como sobreviver em um mundo que não para de mudar.

 

OUTUBRO GOIANARH 1

O 22º GoianaRH prossegue hoje com outras palestras, como o panorama do bem-estar corporativo e mudanças na velocidade da luz: qual é transformação esperada do RH. Durante o evento, acontece também uma feira de exposições e experiências

Terça, 29 Outubro 2024 07:26

CLIPPING AHPACEG 29/10/24

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ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

Queixas contra planos de saúde quase quadruplicam em cinco anos

Médicos não serão obrigados a realizar atendimentos em serviço do governo a partir de janeiro

Mais Médicos: MPF recomenda ao Ministério da Saúde revisão dos critérios e convocação dos cotistas aprovados

Unimed é o plano de saúde mais lembrado pelos brasileiros há 32 anos

Por uma saúde ética e sustentável

FOLHA.COM

Queixas contra planos de saúde quase quadruplicam em cinco anos


Com aumento das reclamações, cada vez mais consumidores vão à Justiça, o que preocupa investidores; ANS abriu consulta pública para discutir novidades no setor

São Paulo

A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) abriu no último dia 7 consulta pública para discutir diferentes temas envolvendo planos de saúde, desde a revisão das regras para incentivar a venda de opções exclusivamente ambulatoriais, sem direito à internação, até rever critérios de reajustes dos planos individuais e familiares para permitir que operadoras façam reajustes excepcionais.

A discussão ocorre em meio a uma crise no atendimento por parte dos planos de saúde. Entre 2018 e 2023, as reclamações contra o setor saltaram 263%, de 97.336 para 353.784, segundo levantamento feito pela agência a pedido da Folha.

O caso da Notre Dame Intermédica chama ainda mais a atenção: usuários registraram quase 49 mil queixas contra a empresa junto à ANS no ano passado. As reclamações contra a operadora dispararam 778% nos últimos cinco anos -em 2018, somavam 5.578.

Questionada pela reportagem, a Notre Dame não reconhece o aumento de 778% e indica alta de 153% nas queixas em tro intervalo (entre os meses de agosto de 2019 e agosto de 2024). Confira resposta abaixo.

ANS, por sua vez, acredita que o aumento das queixas possa ter relação com "o empoderamento e o maior entendimento dos beneficiários sobre seus direitos."

A Amil lider o ranking de queixas junto à ANS nos anos de 2018, 2019 e 2020. A partir de 2021, foi a Notre Dame Intermédica quem assumiu a dianteira na lista dos planos com mais reclamações do país.

Em fevereiro de 2021,a Notre Dame Intermédica anunci a sua fusão com a Hapvida -tra campeã de reclamações junto à ANS, ocupando o "top five" das mais reclamadas nos últimos anos.

Na Hapvida, as queixas saltaram 488% entre 2018 e 2023, para 28.067. Juntas, as empresas lideram em número de clientes de planos de saúde no Brasil, com 7,5 milhões de vidas.

Os principais problemas enfrentados pelos usuários das duas operadoras (que hoje formam um só grupo) são os mesmos: regras para acesso aos atendimentos, prazos máximos para atendimento e rede de atendimento conveniada.

Concluída em dezembro de 2023, a união entre Notre Dame Intermedica e Hapvida não foi o único movimento recente de concentração no setor. Em fevereiro de 2022, hve a compra da SulAmerica pela Rede D'Or, que também anunci em maio deste ano a criação de uma nova rede de hospitais com a Bradesco Seguros. Já em junho deste ano foi anunciada a fusão entre Dasa e Amil para formar a segunda maior rede de hospitais do país.

Em dezembro de 2023, a UnitedHealth Grp havia acertado a venda da Amil para o empresário José Seripieri Filho, fundador da Qualicorp.

Na Amil, as queixas cresceram 74% entre 2018 e 2023, para 21.411. Na operadora, os principais problemas são regras para acesso aos atendimentos, reembolso e suspensão e rescisão contratuais.

Em resposta à Folha, a Amil disse que ampli o número de procedimentos realizados desde 2019, que no ano passado somaram 80,2 milhões. "De janeiro a agosto do ano passado hve uma média de 0,005 reclamação por cliente junto à ANS."

Já o grupo Hapvida afirm, em nota, que nos últimos cinco anos acrescent mais de 2,7 milhões de vidas à sua carteira de clientes e incorpor 18 operadoras. A empresa afirma que as reclamações subiram 153% entre agosto de 2019 e agosto deste ano, "um aumento proporcional no número de demandas, acompanhando a expansão da base de beneficiários."

PROCESSOS CONTRA PLANOS TAMBÉM DISPARARAM ENTRE 2021 E 2023

O aumento das reclamações ocorre em meio à crise financeira vivida pela ANS -que está com dificuldades de pagar agências de viagem e os Correios, como apont a Folha.

Na opinião da advogada Ana Navarrete, membro do CNS (Conselho Nacional de Saúde), a ANS já prov que tem dificuldades em impor uma regulação aos planos de saúde, tendo em vista não só o aumento das reclamações, como o avanço da judicialização.

Só os novos casos envolvendo reajuste contratual cresceram 137% entre 2021 e 2023, para 32.325, segundo dados do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Já os novos casos envolvendo tratamento médico-hospitalar atingiram 115.669 no ano passado, um salto de 83% sobre 2021.

"Existem práticas consolidadas no mercado que vão contra a regulação, como seleção de risco e exclusão de risco de vulneráveis [como o que envolve o tratamento de crianças autistas]", diz ela. "Há um vácuo na governança da saúde suplementar e, no âmbito do CNS, se discute a criação de uma área no Ministério da Saúde que faça este ponto de conexão entre as questões envolvendo saúde pública e saúde privada."

Como exemplo, ela cita a Secretaria de Vigilância Sanitária, responsável por formular as diretrizes da política de vigilância sanitária e acompanhar a sua execução por parte da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). "É preciso um ponto de contato junto ao Ministério, é difícil a ANS regular sozinha."

No último dia 7, um relatório do banco Goldman Sachs, assinado pelos analistas Gustavo Miele e Emerson Vieira, chama a atenção para os efeitos do aumento da judicialização no negócio da operadora.

"Um dos principais pontos de discussão recente com investidores tem sido o alto nível de judicialização do setor (com o aumento do número de ações cíveis movidas por beneficiários devido a eventos assistenciais ocorridos durante o período de carência do contrato, cobertura de seguro mais limitada das operadoras, por exemplo) e como isso está impactando o provisionamento e o caixa da empresa", diz o relatório.

Para o terceiro trimestre, os analistas esperam novas saídas de caixa devido à realização de mais depósitos judiciais, resultado de contingências civis contabilizadas não -com valores que variam entre R$ 110 milhões e R$ 140 milhões por trimestre, até o final de 2025, afirmam.

No balanço da companhia no segundo trimestre, a própria Hapvida cham a atenção para o assunto, quando registr R$ 195,1 milhões em depósitos e bloqueios judiciais no período, uma alta de 80% sobre o mesmo intervalo de 2023.

Segundo apont no balanço, o valor se refere "a causas cíveis, cujos depósitos e bloqueios são reflexos processuais da crescente judicialização no setor", além de causas relacionadas ao ReSUS (Ressarcimento ao Sistema Único de Saúde), "cujos depósitos são necessários para que a companhia realize sua defesa judicial sem a incidência de multa moratória e encargos". O ReSUS ocorre quando o atendimento a usuários dos planos de saúde é realizado pelo SUS.

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ESTADÃO

Médicos não serão obrigados a realizar atendimentos em serviço do governo a partir de janeiro

Vídeo engana ao afirmar que profissionais de saúde seriam obrigados a documentar dados da prática médica em plataforma governamental; na realidade, Receita vai pedir recibos de pagamentos de consultas

O que estão compartilhando: que, a partir do dia 1º de janeiro, médicos e outros profissionais de saúde serão obrigados a realizar atendimentos, emitir laudos e documentar o histórico do paciente em uma plataforma governamental. Em vídeo, um homem afirma que o profissional que não seguir a medida poderá ser criminalizado.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. Não existe plataforma governamental que obrigue médicos e profissionais de saúde a registrar dados clínicos dos pacientes. O Ministério da Saúde informou ao Verifica que as alegações do vídeo não têm respaldo em portarias ou atos públicas da pasta.

Procurado, o psicólogo Alex Alves, autor da alegação verificada, disse que se referiu a uma plataforma da Receita Federal criada para digitalizar recibos referentes à prestação de serviços de profissionais de saúde. De fato, em abril deste ano, o Fisco lançou o serviço Receita Saúde, destinado a profissionais liberais da área, como médicos, dentistas, psicólogos, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos. Mas a ferramenta não impõe a esses profissionais a obrigatoriedade de registrar detalhes clínicos dos pacientes e da prática médica, como afirmou Alves.

Saiba mais: o vídeo verificado aqui consiste em um trecho de uma entrevista publicada em um canal no YouTube, no dia 10 de outubro. O recorte foi postado na rede social X no dia 17 do mesmo mês e, até o fechamento dessa verificação, tinha mais de 80 mil visualizações. Leitores também solicitaram checagem deste conteúdo por meio do WhatsApp do Estadão Verifica , pelo número (11) 97683-7490 .

Ao contrário do que afirma o autor das alegações, a plataforma Receita Saúde não determina que médicos e demais profissionais realizem atendimentos, emitam laudos ou documentem o histórico do paciente. Conforme informações publicadas pelo Ministério da Fazenda ( aqui ), pela Receita Federal ( aqui ) e pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) ( aqui ), a ferramenta tem como objetivo simplificar a emissão de recibos para profissionais autônomos da área, reduzir a incidência de contribuintes na malha fina e dificultar fraudes que envolvem a falsificação e venda ilegal de recibos.

Desenvolvida pelo Serpro, a plataforma está disponível no aplicativo da Receita. Os recibos emitidos serão carregados automaticamente na declaração pré-preenchida de 2025. O serviço também pode ser acessado pelos pacientes para consulta. De acordo com o Serpro, a iniciativa é "uma resposta às estatísticas que demonstram que um terço das retenções na malha fina envolvem esses serviços". Dados do Fisco indicam que, desde o lançamento em abril, mais de 128 mil recibos já foram emitidos.

Conforme reportagem publicada pelo jornal O Globo em abril , o uso da ferramenta será obrigatório a partir de 2025. O Verifica não identificou, em materiais disponibilizados pela Receita Federal, quais serão as implicações para os profissionais que não adotarem a plataforma quando ela se tornar obrigatória. A Receita foi procurada, mas não respondeu.

Quanto aos dados registrados na ferramenta, um texto sobre o Receita Saúde, publicado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), informa que a emissão do recibo requer no máximo quatro informações: CPF do pagador, CPF do beneficiário, valor e data. Segundo o CFM, quando o pagador é o beneficiário, apenas três dados são necessários.

Ao Verifica , o Ministério da Saúde informou que não há regulamentação em vigor que imponha a obrigatoriedade de médicos ou demais profissionais da saúde registrarem atendimentos, laudos médicos ou dados clínicos exclusivamente em plataformas governamentais. Segundo a pasta, as plataformas digitais do SUS visam facilitar o acesso a informações sobre saúde, incluindo histórico clínico, exames, vacinas e atendimentos. "Esses sistemas visam aprimorar a qualidade do atendimento e garantir a segurança dos dados, conforme a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)", esclareceu.

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BAHIA NOTÍCIAS

Mais Médicos: MPF recomenda ao Ministério da Saúde revisão dos critérios e convocação dos cotistas aprovados

As listas de convocação do programa Mais Médicos são objeto de recomendação do Ministério Público Federal (MPF) destinada à Secretaria de Atenção Primária à Saúde, do Ministério da Saúde. O MPF quer a correção das listas que não tenham considerado candidatos cotistas entre os aprovados.

Segundo as apurações do MPF, os gestores do programa federal vêm adotando critérios de seleção que, na prática, dificultam ou impedem o preenchimento de vagas reservadas a profissionais pretos, pardos, indígenas ou com deficiência.

A autora da recomendação do MPF é a procuradora regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo, Ana Letícia Absy. Ao requerer a correção das listas de convocação, ela pede que os candidatos cotistas aprovados sejam computados para o preenchimento das vagas afirmativas, independentemente do perfil de sua habilitação profissional. Apenas se inexistirem esses candidatos é que o Mais Médicos deverá convocar concorrentes da classificação geral para as vagas.

A falha, de acordo com a entidade, se deve à aplicação das cotas somente após o ranqueamento dos aprovados conforme a habilitação profissional.

O MPF explica que essa metodologia privilegia o denominado Perfil 1, composto por candidatos que tenham formação no Brasil ou diploma revalidado no país e que possuam registro em Conselho Regional de Medicina (CRM). Eles têm preferência sobre os concorrentes classificados em outros dois grupos, de profissionais brasileiros e estrangeiros com habilitação no exterior para o exercício da medicina. As cotas são observadas em cada uma dessas categorias, não sobre o total de vagas disponíveis.

Como constatou o MPF, os critérios têm gerado distorções. Em um dos casos analisados pelo Ministério Público Federal, constatou-se que todas as vagas foram destinadas à ampla concorrência no Perfil 1, em detrimento de candidatos cotistas aprovados nos perfis 2 e 3.

O MPF destaca que, da maneira como têm sido interpretadas, as regras de cotas no Mais Médicos vêm tornando "letra morta" a garantia da efetiva implementação de ações afirmativas no serviço público, prevista na legislação.

Em nota, o Ministério Público Federal diz que a aplicação dos critérios atuais no programa contraria o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que já proibiu a administração pública de adotar artifícios que limitem o alcance ou impeçam a incidência da reserva de vagas em concursos.

A Secretaria de Atenção Primária à Saúde tem 30 dias para informar o acatamento da recomendação. Caso descumpra os pedidos, o órgão fica sujeito a medidas judiciais, como o ajuizamento de ação civil pública.

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GAZETA DA SEMANA

Unimed é o plano de saúde mais lembrado pelos brasileiros há 32 anos


Líder do segmento, com 39% do mercado, se mantém invicto no primeiro lugar da pesquisa Top of Mind, da Folha de S.Paulo

Pela 32ª vez, a Unimed conquistou o prêmio Folha Top of Mind, no segmento "Planos de Saúde". A principal pesquisa de lembrança de marca da América Latina anunciou as empresas premiadas em cerimônia realizada no dia 22 de outubro, na capital paulista.

Desde que a categoria "Planos de Saúde" foi criada, a Unimed ocupa o primeiro lugar do ranking, como a marca mais lembrada. Nesta edição, a Unimed foi citada, de forma espontânea, por 33% dos brasileiros adultos, 27 pontos percentuais a mais do que o obtido pela segunda colocada no ranking.

O presidente da Unimed do Brasil, Omar Abujamra Junior, avalia que o resultado consistente, ao longo de mais de três décadas, é fruto do modelo de negócios adotado - o cooperativismo. Esse modelo possibilitou que a Unimed esteja presente em 9 de cada 10 municípios brasileiros.

"Além disso, como cooperativas médicas, temos o foco na qualidade dos serviços prestados aos nossos beneficiários e o envolvimento no dia a dia das comunidades em que estamos presentes, transformando a vida das pessoas tanto com a assistência à saúde quanto fomentando a geração de empregos e iniciativas sociais. Tudo isso nos trouxe a confiança de 20,5 milhões de beneficiários de planos de saúde e odontológicos e o reconhecimento da sociedade", analisa Abujamra Junior.

A Folha Top of Mind reflete a percepção do público sobre as empresas que mais se destacaram ao longo do ano em diversas categorias. A pesquisa é feita pelo Datafolha, que realizou, nesta edição, 7.543 entrevistas em 171 municípios de todas as regiões do Brasil. O levantamento oferece insights sobre as preferências dos consumidores e as tendências do mercado, servindo como um termômetro para a reputação.

Sobre a Unimed

Em mais de 56 anos de atuação, a Unimed se destaca na liderança do setor de saúde suplementar. A marca nasceu com a fundação da Unimed Santos (SP), em 1967, e hoje compõe um sistema de 340 cooperativas médicas e empresas, que estão presentes em nove de cada dez cidades brasileiras e atendem a 20,5 milhões de pessoas em planos de saúde e odontológicos. A Unimed reúne 118 mil médicos cooperados, gera cerca de 150 mil empregos diretos e dispõe da maior rede assistencial do país, com 30 mil estabelecimentos parceiros, além da rede própria, formada por 163 hospitais e hospitais-dia, 86 unidades de urgência e emergência, 509 clínicas, 42 centros de diagnósticos, 68 laboratórios e 96 serviços de terapias especiais, entre outros. Toda essa operação injetou no sistema de saúde brasileiro mais de R$ 87 bilhões em 2023, com a realização de 631 milhões de eventos assistenciais (consultas, exames, internações e outros procedimentos) no ano.

As cooperativas Unimed também são destaque no Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS), avaliação oficial da ANS para o setor. Das 25 operadoras médico-hospitalares que obtiveram nota máxima no IDSS 2023 (ano-base 2022), 20 são Unimed. Além disso, 234 Unimeds foram classificadas nas duas melhores faixas de pontuação, incluindo a operadora de planos odontológicos Unimed Odonto e a operação de saúde da Seguros Unimed.

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FORBES BRASIL ONLINE

Por uma saúde ética e sustentável

Grupo Care Plus inicia movimento para enfrentar fraudes bilionárias e impulsionar o uso consciente de recursos

Nos últimos anos, o setor de saúde suplementar tem enfrentado desafios à medida que se transforma. Um dos principais problemas é o número de fraudes, que geraram prejuízo de R$ 34 bilhões no Brasil em 2023, de acordo com levantamento do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). Diante desse cenário, alguns players do setor têm buscado alternativas para garantir um crescimento mais sustentável.

O grupo , parte da global Bupa, com mais de 60 milhões de beneficiários em todo o mundo, decidiu ir além. Em setembro, a operadora iniciou o movimento Faça pelo Mundo, ação em grande escala para promover a sustentabilidade do setor e o combate às fraudes não apenas em sua atuação direta, mas em toda a cadeia de valor.

"Chamamos de movimento, e não de campanha, porque se trata de um processo de educação que visa fomentar ações que transformem a cultura do setor para uma nova realidade, mais esclarecida e sustentável", diz o presidente da companhia, Luiz Camargo.

A iniciativa ocupa todos os canais de comunicação da empresa, tanto internos quanto externos, incluindo a presença ativa dos executivos da companhia nas redes sociais, como o LinkedIn. A estratégia é alcançar todos os elos da cadeia de valor, desde beneficiários e operadoras até a rede credenciada e os fornecedores.

"Nossa intenção é ir além do ESG. Estimular o uso racional dos recursos, evitar desperdícios e combater fraudes - tudo isso é sustentabilidade e está no escopo do movimento. Porém, trazer o beneficiário para o centro das decisões é algo fundamental para nos tornarmos sustentáveis, pois ele é a razão de ser de todo o nosso ecossistema. A operadora, o hospital, o laboratório de análises clínicas e quaisquer outros players do setor só existem porque há alguém a ser cuidado", explica o executivo.

A fase inicial do movimento está prevista para se estender até os primeiros meses de 2025, mas a intenção é que ele continue indefinidamente. A acredita que uma verdadeira mudança cultural não acontece de forma rápida, tampouco com um único "momento de virada". Ao contrário, "a cultura só muda quando as ações transformadoras se tornam hábitos", diz Camargo.

*BrandVoice é de responsabilidade exclusiva dos autores e não reflete, necessariamente, a opinião da FORBES Brasil e de seus editores.

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Assessoria de Comunicação

Segunda, 28 Outubro 2024 08:52

CLIPPING AHPACEG 24 A 28/10/24

Escrito por

ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

Tecnologia na saúde coloca o paciente no centro do cuidado

Ministro do STF mantém suspensas decisões para fornecer remédio de R$ 17 milhões

A segurança psicológica no trabalho agora é lei

Morte de empresário durante ressonância magnética pode ter sido 'fatalidade', diz neurologista

Veja novas diretrizes para controlar a pressão arterial, que passou a ser considerada elevada a partir de '12 por 8'

Sem regras específicas, cadáveres frescos são comprados no exterior para cursos de estética

MEDICINA S/A

Tecnologia na saúde coloca o paciente no centro do cuidado

tecnologia na saúde representa um marco revolucionário na maneira como cuidamos de pacientes e gerenciamos instituições de saúde. A integração de sistemas de informação tem permitido uma gestão mais eficiente, garantindo que os dados dos pacientes sejam acessados e atualizados em tempo real, o que é crucial para a tomada de decisões clínicas. Além disso, a automação de tarefas administrativas libera os profissionais da saúde para se concentrarem no que é mais importante: o cuidado ao paciente.

Softwares de gestão de saúde são essenciais para a coordenação eficaz do atendimento ao paciente. Eles não apenas simplificam o agendamento e a administração de tratamentos, mas também garantem que a comunicação entre diferentes especialistas seja fluida e eficiente.

A assertividade dos recursos virtuais é um ativo valioso para as equipes médicas, proporcionando um suporte robusto e eficaz no atendimento ao paciente. Por exemplo, o acesso facilitado a exames, prontuários e relatórios médicos melhora a comunicação entre os profissionais de saúde, permitindo que procedimentos sejam concluídos com base em um volume abrangente de informações. Isso não apenas otimiza o processo de tomada de decisão clínica, mas também promove uma abordagem mais personalizada e centrada no paciente.

Nesse contexto, a gestão eficiente de consultórios e instituições de saúde é um desafio complexo, que envolve não apenas a administração de recursos humanos e materiais, mas também a coordenação de horários e a comunicação com os pacientes. O absenteísmo, ou no-show, é uma questão crítica que afeta diretamente a eficiência operacional e financeira dessas instituições. Quando pacientes faltam sem aviso prévio, isso não só resulta em perda de receita, mas também em desperdício de recursos e tempo de profissionais de saúde, que poderiam estar atendendo outros pacientes.

Além disso, o absenteísmo pode aumentar a fila de espera e retrabalho nos reagendamentos, afetando a satisfação do paciente e a reputação da instituição. Contudo, a tecnologia ocupa um lugar privilegiado ao oferecer soluções simples que mudam a trajetória da relação com o cliente. Por exemplo, um lembrete eficaz pode ser a chave para reduzir o esquecimento, enquanto uma interface de agendamento online intuitiva pode minimizar erros na marcação de consultas. Neste cenário, criar políticas claras de cancelamento e reagendamento, bem como implementar sistemas de confirmação de presença, pode ajudar a mitigar o impacto das faltas.

A utilização de sistemas automatizados baseados em inteligência artificial para a gestão de presenças em unidades de saúde representa um avanço na eficiência operacional. Essa tecnologia não só otimiza o processo de confirmação de consultas e exames, como também contribui para a redução do absenteísmo. A integração desses sistemas com as ferramentas de gestão dos prestadores de saúde permite uma comunicação eficaz com os pacientes, garantindo que sejam lembrados de seus compromissos sem a necessidade de intervenção manual.

Para abordar esses desafios, as instituições de saúde podem adotar uma variedade de estratégias. A tecnologia desempenha um papel fundamental nesse processo, oferecendo soluções como sistemas de gestão de pacientes, aplicativos móveis para lembretes de consultas e plataformas de telemedicina que facilitam o acesso aos cuidados de saúde. A análise de dados também pode revelar padrões de absenteísmo e ajudar a identificar áreas de melhoria na comunicação e no agendamento.

Além das soluções tecnológicas, é essencial que haja um esforço contínuo para entender as necessidades e comportamentos dos pacientes. Pesquisas de satisfação, feedback direto e grupos focais podem fornecer insights valiosos sobre como melhorar a experiência do paciente e, consequentemente, reduzir as taxas de no-show. A colaboração entre profissionais de saúde, administradores e pacientes é crucial para criar um sistema mais resiliente e responsivo.

Em última análise, a redução do absenteísmo em instituições de saúde requer uma abordagem multifacetada que combine tecnologia, comunicação eficaz e um compromisso com a melhoria contínua. Ao enfrentar esse desafio de frente, as instituições de saúde podem não apenas melhorar suas operações, mas também fornecer um atendimento ao paciente mais confiável e de maior qualidade.

Ou seja, a tecnologia na saúde tem sido um catalisador para melhorias significativas na qualidade do atendimento ao paciente e na eficiência operacional. À medida que continuamos a integrar novas ferramentas e sistemas, podemos esperar um futuro em que a saúde seja mais acessível, personalizada e eficiente para todos.


*Eduardo Nunes é o cofundador e CMO da Wellon.

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A TRIBUNA ONLINE

Ministro do STF mantém suspensas decisões para fornecer remédio de R$ 17 milhões

Medicamento de alto custo é destinado para crianças diagnosticadas com distrofia muscular de Duchenne

Supremo Tribunal Federal: Gilmar Mendes manteve suspensão das decisões para fornecer medicamento de alto custo

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a restrição na concessão do medicamento de alto custo Elevidys para crianças de 4 a 7 anos diagnosticadas com distrofia muscular de Duchenne.

Na mesma decisão, o ministro manteve suspensas as liminares que determinam o fornecimento do medicamento custeado pelo Ministério da Saúde. A exceção segue para liminares já concedidas para crianças que contassem com no mínimo 6 anos e 6 meses, em 6 de setembro de 2024.

O medicamento também deve ser adquirido nos casos de liminares concedidas por ministros do STF.

O financiamento desse medicamento abriu um impasse entre o governo federal e a farmacêutica Roche, em negociações mediadas pelo STF. Famílias têm recorrido à Justiça para que o Ministério da Saúde cubra os custos.

O medicamento Elevidys, que tem custo médio de R$ 17 milhões, ainda não está disponível no SUS (Sistema Único de Saúde) e está em avaliação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para essa idade.

Hoje, 108 ações judiciais estão em andamento, aguardando o desfecho do possível acordo, mas já houve 19 decisões liminares (provisórias) determinando à União fornecer o Elevidys.

A decisão do ministro desta sexta-feira (25) acolhe parcialmente uma proposta conjunta apresentada pela União e a farmacêutica Roche Brasil. As partes solicitaram ainda a suspensão das audiências de conciliação por 45 dias ou até o registro do Elevidys pela Anvisa.

A medida foi autorizada pelo ministro após a União e a Roche informarem que o processo de avaliação na agência reguladora está em fase final e que eventual aprovação facilitaria o avanço das tratativas.

A Anvisa afirmou, em nota, que a análise está sendo feita para o fornecimento do medicamento em crianças de 4 a 7 anos. No momento, a agência aguarda resposta dos últimos pedidos de informações feitos à Roche, enviado em setembro de 2024.

As reuniões sobre o tema são conduzidas de forma sigilosa no STF. Uma nova rodada foi pré-agendada para o dia 12 de dezembro.

A distrofia muscular de Duchenne é uma doença rara que causa fraqueza progressiva dos músculos, levando com o tempo à perda de mobilidade e comprometendo as funções respiratória e cardíaca.

Por determinação da Justiça, a Saúde já pagou R$ 52,8 milhões para custear a entrega da terapia a três crianças. Apenas em 2024, a pasta comandada por Nísia Trindade empenhou (etapa que antecede o pagamento) R$ 1,7 bilhão para cumprir decisões judiciais sobre o fornecimento de diferentes tratamentos.

A discussão sobre o medicamento se intensifica por ser o único que atua diretamente na causa da doença. Atualmente, o tratamento disponível para crianças é limitado ao uso de corticoides e fisioterapia, que apenas reduzem os impactos.

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PORTAL G1

A segurança psicológica no trabalho agora é lei

Entenda a NR-1 e como a TH Segmed está à frente disso

A saúde mental no ambiente de trabalho é fundamental para o funcionamento saudável e produtivo de qualquer empresa, e por anos ela foi relegada ao segundo plano. Não obstante, a TH Segmed sempre empenhou-se em se especializar e se dedicar em garantir um ambiente de trabalho seguro e a estabilidade emocional e psicológica do trabalhador, o que agora se tornou uma lei vigente.

A Norma Regulamentadora 1 (NR-1) é a diretriz que trata do gerenciamento de riscos organizacionais, e ela foi atualizada em Julho de 2024 para incluir o bem estar e a saúde mental dos funcionários. O novo padrão demanda que as empresas identifiquem e controlem os riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A partir de agora, as empresas devem tratar as questões de saúde mental com a mesma seriedade que lidam com riscos de lesões físicas. As empresas que não se adequarem à nova norma regente estão passíveis de multas e também podem ser interditadas.

A TH Segmed é especializada em Medicina e Segurança do Trabalho, e é a única empresa que conta com psicólogos especializados no assunto e capacitados para prestar esse serviço para outras empresas. Adicionalmente, a TH Segmed oferece um treinamento - uma especialização - para que tais adversidades sejam primeiramente identificadas, e então seus métodos aplicados de maneira efetiva para que tanto o ambiente de trabalho quanto o trabalhador prosperem.

Sempre com o objetivo de promover a saúde dos trabalhadores, por meio da adequação das rotinas trabalhistas com as normas vigentes de segurança ocupacional e da adoção de medidas preventivas, a TH Segmed é composta por profissionais excelentes e experientes, e busca encontrar os melhores e mais eficientes caminhos para o desenvolvimento integral de sua empresa.

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Morte de empresário durante ressonância magnética pode ter sido 'fatalidade', diz neurologista

Fábio Mocci Rodrigues Jardim, de 42 anos, morreu em uma clínica em Santos (SP). Causa da morte será apontada por meio do exame de necrópsia feito pelo Instituto Médico Legal (IML).

A morte do empresário Fábio Mocci Rodrigues Jardim, de 42 anos, durante um exame de ressonância magnética na cabeça em uma clínica em Santos, no litoral de São Paulo, pode ter sido uma fatalidade. Ao g1, o médico neurologista e professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), João Brainer Andrade, explicou a função e os riscos do exame.

Fábio se submeteu à ressonância na cabeça em uma clínica no bairro Vila Mathias, às 14h de terça-feira (22). O exame foi indicado após ele relatar que sentia "muito sono" a um médico. A comerciante e viúva Sabrina Altenburg Penna, de 44 anos, contou ter sido informada por uma médica da unidade sobre o marido ter sofrido um "infarto fulminante".

Apesar disso, ainda de acordo com a viúva, um laudo do Serviço de Verificação de Óbito (SVO) de Santos considerou "morte suspeita", solicitando a conclusão do Instituto Médico Legal (IML) por meio de exame de necrópsia. O prazo para a divulgação do resultado é de 90 dias.

Ao g1, o médico neurologista João Brainer Andrade, que não acompanha o caso, explicou que a ressonância magnética não causa chance de infarto. Sendo assim, a morte de Fábio, ainda neste contexto, pode ter sido uma fatalidade.

"O paciente [pode] ter se sentido mal e, por coincidência, ter tido o infarto dentro da ressonância", afirmou o médico.

O médico acrescentou que o contraste, em si, também não causa infarto. "Ele pode causar uma insuficiência respiratória, dificuldade para respirar e pressão baixa, no contexto que a gente chama de choque anafilático, [mas] aí é diferente, que é o choque da reação alérgica", disse.

Ressonância magnética

De acordo com o médico, a ressonância magnética é um exame inócuo, ou seja, que não é nocivo, do ponto de vista de radiação, uma vez que cria um campo eletromagnético - diferentemente dos exames de Raios-X e tomografia, que podem causar mal devido o "efeito acumulativo".

Andrade complementou dizendo que, apesar disso, a ressonância pode ser um "problema" para pacientes que possuem órtese [dispositivo ortopédico que auxilia as funções de um membro, órgão ou tecido], prótese, marca-passo ou metais, que podem agir como um "grande ímã" e serem deslocados ou aquecidos durante o exame.

"Todas essas questões devem ser informadas previamente, os médicos do paciente têm que ser informados. Em geral, esses devices [dispositivos] têm um manual de instruções relacionados ao tipo de ressonância que pode ser feita [...]", afirmou.

O médico ressaltou que, em alguns casos, o paciente pode sofrer reação alérgica ao contraste. Ele explicou que, apesar disso, o tipo de contraste usado na ressonância causa menos alergia do que o utilizado na tomografia. Nessas situações, o quadro do paciente pode evoluir para afilaxia.

"[Acontece] quando o paciente tem choque circulatório, ou seja, fica com a pressão baixa, [e] pode ter problema para respirar grave, secundário a essa alergia", disse.

Quando o exame é indicado?

O neurologista explicou que, para a cabeça, de forma geral, a ressonância é indicada em casos de tumor para identificar o padrão e tipo. Além disso, o procedimento também é usado para identificar Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Para pacientes que sentem sono demais durante o dia, a sonolência excessiva diurna, como o caso do empresário, o especialista afirmou que a avaliação é feita por meio de um exame chamado teste das latências múltiplas.

"Se o médico identifica alguma outra alteração do exame neurológico do paciente, ai ele pode, eventualmente, recomendar realizar a ressonância, mas não é o primeiro exame que a gente indica que seja realizado", finalizou.

Entenda o caso

Segundo a esposa, uma médica da unidade disse que Fábio sofreu um infarto fulminante. Apesar disso, de acordo com a viúva, um lado do Serviço de Verificação de Óbito (SVO) de Santos considerou 'morte suspeita', solicitando a conclusão do IML.

“Isso tudo me deixa angustiada e nervosa”, desabafou Sabrina. A viúva afirmou ter recebido um prazo de 90 dias para o resultado do exame de necrópsia.

Conforme apurado pelo g1, a morte aconteceu em uma unidade da Mult Imagem. A equipe de reportagem entrou em contato, em busca de um posicionamento, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria.

Morte de empresário

Segundo a esposa, um médico de Fábio pediu o exame de ressonância magnética na cabeça após o homem reclamar de sentir "muito sono" durante o dia.

“A gente sempre fez exames de rotina, mas esse em especial foi um pedido do médico”, afirmou a comerciante. De acordo ela, o marido estava "tranquilo" com o procedimento apesar de fazê-lo pela primeira vez.

A comerciante contou que o exame estava marcado para o meio-dia de terça-feira (22). Apesar disso, segundo ela, o marido só foi atendido às 14h. Sabrina disse que o companheiro não reclamou de fome mesmo tendo passado oito horas em jejum. "Demorou muito, atrasou demais. Mas ele estava tranquilo, aguardando", disse.

Sabrina afirmou ter deixado a clínica para almoçar nos andares inferiores do prédio comercial assim que o marido foi atendido. Ela disse que voltou à unidade em menos de 30 minutos, perguntando a uma das funcionárias se o companheiro estava bem. "Ela disse que sim, que estava fazendo o exame, agitado, normal, mas que estava tudo bem", lembrou.

De acordo com o relato, a comerciante aguardou o fim do exame dentro da clínica. Pouco depois de perguntar sobre o estado do marido, ela percebeu uma "movimentação estranha" de pessoas entrando e saindo do cômodo rapidamente. Sabrina novamente questionou sobre o companheiro.

"[A funcionária] falou: 'Olha, está tudo bem. Ele passou mal, mas já estamos resolvendo'. E ficou uma moça na porta o tempo inteiro, então sentei e fiquei esperando", lembrou Sabrina.

Após aproximadamente 40 minutos de "tensão e angústia", Sabrina viu dois profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) indo em direção à sala da ressonância. Por isso, ela perguntou mais uma vez sobre o que estava acontecendo.

“Os médicos do Samu abriram a porta para entrar e vi que ele [Fábio] estava deitado e tinha uma pessoa em cima dele fazendo a massagem [cardíaca] com a mão", relatou a mulher.

A comerciante chegou a ver a blusa do marido ser rasgada para os primeiros socorros, mas logo foi informada sobre a morte dele após infarto fulminante. A mulher disse que a mãe dela e uma amiga chegaram ao local na sequência, assim como a polícia.

"Ficaram lá perto para ouvir o que estava acontecendo. Eu não aguentava, só chorava”, relembrou, acrescentando que precisou ir até a delegacia registrar o caso, enquanto o corpo do marido foi encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbito (SVO), que emitiu um laudo sobre morte suspeita.

No documento, foi descrito que o órgão considerou "prudente e necessário o exame necroscópico e toxicológico" realizado por médico legista. "Por exposição a outras drogas, medicamentos e substâncias biológicas, não especificadas, intenção não determinada - residência".

Prefeitura de Santos e SSP-SP

Em nota, a administração municipal informou que o Samu foi acionado para a ocorrência por volta das 15h. O município ressaltou, porém, que os profissionais encontraram o paciente sendo atendido por um médico da clínica.

A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso está sob investigação no 2° Distrito Policial de Santos. O laudo no IML está em andamento e, assim que finalizado, será analisado pela autoridade policial.

"Vale esclarecer, que o processo para conclusão dos laudos demanda tempo devido à sua complexidade e o prazo pode ser estendido por questões técnicas, em casos excepcionais. Quando isso ocorre, a autoridade solicitante sempre é comunicada", acrescentou a pasta.

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FOLHA DE S.PAULO

Veja novas diretrizes para controlar a pressão arterial, que passou a ser considerada elevada a partir de '12 por 8'


Protocolos brasileiros estão sendo revisados e alinhados ao modelo europeu, com previsão de divulgação em 2025

A pressão alta afeta 1 em cada 4 brasileiros, segundo dados divulgados pela OMS (Organização Mundial da Saúde), em 2023. Globalmente, o número de hipertensos foi de 650 milhões para 1,3 bilhão, entre 1990 e 2019. Para melhorar esse cenário, foram apresentadas novas diretrizes para hipertensão no Congresso Europeu de Cardiologia, em Londres, trazendo mudanças no diagnóstico e tratamento da doença.

A principal novidade é que a pressão arterial 12/8 (entre 120 por 80 e 129 por 84 mmHg), tradicionalmente considerada normal, passa a ser vista como elevada. Agora, a pressão ideal é 12/7 (12 por 7 mmHg) menos.

As diretrizes médicas ainda definem hipertensão arterial como uma pressão de 14/9 (140/90 mmHg) mais, explica Carlos Alberto Machado, cardiologista e assessor científico da SOCESP (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo).

"Isso significa que o diagnóstico de hipertensão arterial continua o mesmo, seja, se sua pressão estiver acima desse valor em duas ocasiões, você será considerado hipertenso", completa o médico que também é um dos autores da publicação "Diretrizes Brasileiras de Medidas da Pressão Arterial Dentro e Fora do Consultório".

O objetivo dessa mudança anunciada no congresso europeu é reduzir os níveis de pressão o máximo possível, especialmente para pessoas de alto risco.

Novas diretrizes para hipertensão foram apresentadas no Congresso Europeu de Cardiologia, em Londres

Outras alteração nas diretrizes é o início imediato do tratamento medicamentoso para hipertensão, exceto em casos de baixo risco em idosos acima de 80 anos, quando o tratamento pode ser iniciado de forma mais gradual para evitar riscos de quedas devido aos efeitos colaterais dos remédios, explica

Anteriormente, pacientes de baixo risco tinham até três meses para tentar controlar a pressão apenas com mudanças no estilo de vida. Agora, o tratamento começa logo após o diagnóstico para alcançar rapidamente a meta de pressão e reduzir o risco de complicações cardiovasculares.

A abordagem atualizada recomenda o uso de dois fármacos de classes diferentes desde o início, aumentando a eficácia e reduzindo os efeitos colaterais. Para casos mais difíceis de controlar, combinações de três fármacos podem alcançar o controle em até 90% dos pacientes.

"O objetivo é atingir a meta de controle entre 3 e 6 meses, reduzindo riscos de comorbidade e mortalidade cardiovascular", completa o cardiologista. Carlos Alberto Machado afirma que as diretrizes brasileiras de hipertensão estão sendo revisadas, alinhadas ao modelo europeu, com previsão de divulgação no início do próximo ano.

Para as pessoas já diagnosticadas com hipertensão, o tratamento medicamentoso deve começar junto com mudanças no estilo de vida. Para aqueles com pressão apenas elevada, a prioridade é ajustar a rotina, como dieta e exercícios. No entanto, se o risco de problemas cardíacos for alto, é necessário iniciar também o tratamento com medicamentos, explica Celso Amodeo, cardiologista do Hcor (Hospital do Coração).

Pacientes de baixo risco podem inicialmente se beneficiar de mudanças no estilo de vida sem medicamentos, evitando efeitos colaterais desnecessários. Já os muito idosos, devido à fragilidade e ao risco de hipotensão e quedas, precisam de um ajuste mais gradual da pressão arterial para manter uma boa perfusão (passagem de líquido através do sistema circulatório) e priorizar a qualidade de vida.

A diretriz, portanto, recomenda um tratamento mais personalizado e menos agressivo para esses grupos.

Diagnóstico de hipertensão

O diagnóstico de hipertensão não deve se basear em uma única medição no consultório. É recomendada a monitorização ambulatorial (MAPA) residencial (MRPA), explica Carlos Alberto Machado. A pressão deve ser medida inicialmente nos dois braços para identificar possíveis diferenças, o que pode indicar problemas de circulação. A precisão é fundamental, já que a hipertensão é uma condição crônica que requer tratamento contínuo.

A medição da pressão no consultório funciona como uma "fotografia", refletindo a pressão arterial apenas naquele momento específico, enquanto a medição fora do consultório, como a monitorização ambulatorial (MAPA) residencial (MRPA), permite um acompanhamento contínuo, oferecendo uma visão mais ampla e precisa do comportamento da pressão ao longo do dia e da noite, ajudando a identificar variações que podem passar despercebidas em uma única consulta.

Mede a pressão em casa, durante o dia, com o uso de aparelhos automáticos de medição de pressão arterial (medidores digitais)

Dá uma ideia melhor da pressão no cotidiano, fora do ambiente do consultório, mas não inclui o período noturno

Ajuda a entender a pressão ao longo do dia e a evitar leituras erradas causadas pelo efeito "jaleco branco", seja, o estresse de estar no consultório médico

Monitora a pressão ao longo de 24 a 48 horas, incluindo durante a noite, com um aparelho de monitorização ambulatorial, que é portátil e permanece acoplado ao braço do paciente durante todo o período

É mais completa, pois mostra o comportamento da pressão durante o sono, quando a pressão deve naturalmente cair

Se a pressão não baixa à noite aumenta ao despertar, o risco de problemas cardiovasculares é maior

Estratégias não farmacológicas

Além do uso de medicamentos, a diretriz recomenda medidas não farmacológicas, como exercícios físicos e alimentação equilibrada.

A combinação de atividades aeróbicas (corrida, natação bicicleta) e de resistência (musculação) é ideal, devendo ser realizada na maior quantidade de dias possíveis, em intensidade moderada, permitindo falar durante o esforço, explica Andrea Brandão, membro do conselho administrativo da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Atividades como corrida, natação e ciclismo ajudam a melhorar a saúde cardiovascular e a reduzir a pressão arterial. Esses exercícios aumentam a frequência cardíaca, fortalecem o coração e melhoram a circulação sanguínea

Incluem musculação, levantamento de peso, uso de faixas elásticas e exercícios com o próprio peso corporal (como flexões e agachamentos). Eles fortalecem os músculos, melhoram o metabolismo e ajudam no controle do peso, beneficiando a saúde do coração e a redução da pressão arterial

Alimentação e consumo de sódio

Na alimentação, é recomendada a redução do uso de sal (sódio). Alimentos que ajudam a controlar a pressão alta são ricos em potássio, magnésio e fibras, e pobres em sódio, explica Marcella Garcez, médica nutróloga e diretora da ABRAN (Associação Brasileira de Numerologia).

O potássio ajuda a eliminar o excesso de sódio pelos rins e promove o relaxamento dos vasos sanguíneos, reduzindo a pressão arterial. "Manter um equilíbrio adequado entre potássio e sódio é essencial para controlar a hipertensão", completa Garcez.

Garcez recomenda frutas e vegetais (banana, abacate, laranja, espinafre), cereais integrais (aveia, quinoa), leguminosas (feijão, lentilha), oleaginosas (nozes, amêndoas), peixes ricos em ômega-3 (salmão, sardinha) e laticínios com baixo teor de gordura.

"A recomendação de consumo de sódio permanece em 2g por dia, o que equivale a 5g de sal de cozinha (cloreto de sódio)", completa Andrea Brandão.

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PORTAL UOL

Sem regras específicas, cadáveres frescos são comprados no exterior para cursos de estética

As redes sociais entraram em polvorosa com o oferecimento de cursos de estética em cadáveres fresh frozen , termo médico que indica que são cadáveres frescos conservados congelados, sem uso de formol. A comoção se agravou com a informação de que os corpos seriam importados.

E são mesmo, segundo Kelly Ricca, diretora de ensino do Instituto de Treinamento em Cadáveres. Em entrevista à Folha , a dentista não deu detalhes de valores ou de onde vêm os corpos. Segundo ela, isso comprometeria a operação. O que a dentista diz é que muitas compras são feitas em dólar.

Instituições como o Centro de Treinamento em Cadáveres, Nepuga, Ramaga e Instituto de Treinamento em Cadáveres oferecem, principalmente, cursos de estética como preenchimentos com ácido hialurônico e aplicações de outros produtos injetáveis com corpos frescos.

No Brasil, a compra e venda de corpos é proibida. Mas existe uma regulamentação para uso de cadáveres para estudos. A norma, de 1992 , é repleta de lacunas, segundo Henderson Furst, presidente da Comissão de Bioética da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

Segundo a lei, "o cadáver não reclamado junto às autoridades públicas, no prazo de trinta dias, poderá ser destinado às escolas de medicina ".

Não há orientações para a doação voluntária de corpos para a pesquisa e ensino , nem sobre a venda. A única orientação sobre importação diz respeito a restos mortais, a resolução 662 da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O ITC (Instituto de Treinamento em Cadáveres) é uma das instituições que usa os cadáveres frescos. "A gente é praticamente 100% dependente do mercado externo", afirma o dentista Mohamad Abou Wadi, à frente do instituto.

Na seção de perguntas frequentes do site do ITC, a resposta para a origem das peças é apenas que "as peças chegam de fora do Brasil, sem origem especificada".

A reportagem falou com um médico familiarizado com os processos de uma das unidades do ITC, que acompanhou a compra de cabeças humanas pela instituição.

O médico, que pediu para não ser identificado, diz que cada cabeça pode custar até R$ 10 mil. Elas vêm dos Estados Unidos, por meio de sistemas em que famílias que não podem arcar com os custos de velório doam o corpo para a ciência.

Diversas empresas oferecem o serviço, americanas e europeias, caso da Novusarge, na Turquia e Science Care, nos EUA. Universidades americanas indicam em seus sites que aceitam doações de corpos, como a Indiana University e a Universidade da Califórnia-Davis.

A reportagem solicitou mais informações sobre as transações com a Anvisa, o Ministério da Saúde , o Ministério da Educação, o Ministério da Justiça, a Polícia Federal e a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Nenhum deles deu detalhes do que as duas resoluções já mencionadas.

A Anvisa afirmou que não se trata de uma competência da alçada da agência. O MEC não respondeu sobre a regulamentação de compra de cadáveres no exterior para uso em salas de aula. A SSP afirma que o Instituto Médico Legal não tem autorização para doar corpos ou parte deles.

A Receita Federal, por onde os corpos comprados devem necessariamente passar, não respondeu à solicitação de imprensa.

Segundo profissionais da área, inclusive Ricca, a vantagem dos cadáveres frescos é que eles conservam algumas características dos tecidos humanos que se perdem na conservação química.

Furst afirma que os corpos podem ser usados em qualquer nível de ensino superior, tanto na graduação, quanto em cursos de pós-graduação latu ou stricto sensu. Ele diz que o Código Civil veda a comercialização de corpos humanos, tecidos ou células. "Mas isso só vale para negócios realizados no Brasil. Não incide sobre negociações internacionais."

"Na ausência de outra regra específica ou de uma proibição expressa, fica valendo a importação de corpos para fins de ensino", diz. Eis a brecha.

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Assessoria de Comunicação

Quarta, 23 Outubro 2024 06:42

CLIPPING AHPACEG 23/10/24

Escrito por

ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

CFM: a cada três horas, um médico é vítima de violência no Brasil

Com aumento de conscientização sobre o autismo, número de crianças diagnosticadas com o transtorno avança no Brasil

Farmacêuticas brigam por extensão de 62 patentes de medicamentos após decisão do STF

Em meio à crise, Prefeitura de Goiânia diz que investiu R$ 896 mi na saúde

Vereadora Kátia se opõe à intervenção estadual na saúde de Goiânia

AGÊNCIA BRASIL

CFM: a cada três horas, um médico é vítima de violência no Brasil

Levantamento feito pelo Conselho Federal de Medicina mostra que registro de casos passou de 2,7 mil em 2013 para 3,9 mil em 2023


Dados do Conselho Federal de Medicina (CFM) indicam que, a cada três horas, um médico é vítima de violência enquanto trabalha em um estabelecimento de saúde público ou privado no Brasil.

O levantamento, divulgado nesta terça-feira (22), foi feito com base em boletins de ocorrência registrados em delegacias de polícia civil de todos os estados brasileiros entre 2013 e 2024.

Atualmente, o país registra média de nove casos de violência contra médicos em ambiente de trabalho por dia, de acordo com a entidade.

"Os dados mostram que a situação fica cada vez mais fora de controle, uma vez que o volume de queixas vem aumentando ano após ano. O recorde foi batido em 2023, mas os dados completos de 2024 somente serão conhecidos ano que vem", avaliou o CFM em nota.

Ocorrências

Foram contabilizados, ao todo, 38 mil boletins de ocorrência em que médicos aparecem como vítimas de ameaça, injúria, desacato, lesão corporal e difamação dentro de unidades de saúde, hospitais, consultórios, clínicas, prontos-socorros e laboratórios.

Segundo o levantamento, 47% desses registros são contra mulheres. Há, inclusive, registros de mortes suspeitas de médicos dentro de estabelecimentos de saúde.

Recorde

Em 2013, foram registrados pouco mais de 2,7 mil boletins de ocorrência desse tipo no país. Dez anos depois, em 2023, o número alcançou a marca de 3,9 mil casos, a maior da série histórica.

"Isso significa dizer que, em média, apenas no ano passado, foram contabilizados 11 boletins de ocorrência por dia no país por conta de situações de violência contra médicos no local onde atuam", destacou o CFM.

Autores

Os números mostram ainda que 66% dos casos ocorrem em municípios do interior do Brasil. Os autores dos atos violentos são, em grande parte, pacientes, familiares de pessoas atendidas e desconhecidos. Há ainda casos minoritários de ameaça, injúria e até lesão corporal cometidos por colegas de trabalho, incluindo enfermeiros, técnicos, servidores e outros profissionais da saúde.

Estados

São Paulo, que responde atualmente como a unidade federativa com o maior número de registros médicos do país (26% do total), registrou quase a metade dos casos de violência em termos absolutos - 18 mil dos 38 mil contabilizados no Brasil. No estado, a média de idade dos médicos que sofrem algum tipo de violência é 42 anos e cerca de 45% dos registros foram contra médicas.

De acordo com os dados, 45% dos ataques a médicos em São Paulo (8,4 mil casos) ocorreram dentro de hospitais (pronto-socorro, unidade de terapia intensiva, centro cirúrgico e consultório). Em seguida, entre as maiores ocorrências, estão postos de saúde (18%), clínicas (17%) e consultório (9%). O restante ocorreu em laboratórios, casas de repousos e outros tipos de estabelecimentos.

Já o Paraná, que aparece como o quinto estado com a maior quantidade de médicos, figura em segundo lugar no ranking de violência contra profissionais em estabelecimentos de saúde. A unidade federativa responde por, pelo menos, 3,9 mil casos de ameaça, assédio, lesão corporal, vias de fato, injúria, calúnia, difamação, desacato e perturbação do trabalho contra médicos registrados entre 2013 e 2024. Curitiba concentra 12% dos registros.

Em terceiro lugar está Minas Gerais, segundo estado com o maior número de médicos do Brasil. A Polícia Civil do estado registrou 3.617 boletins de ocorrência envolvendo esse tipo de violência, sendo 22% deles na capital Belo Horizonte.

De acordo com o CFM, o Rio Grande do Norte não encaminhou as informações solicitadas a tempo e o Acre informou não ter os dados em sua base. Já Mato Grosso e Paraná informaram dados relativos à violência em hospitais e clínicas médicas contra qualquer profissão - a partir daí, o conselho elaborou uma estimativa mínima de 10% que envolveria apenas médicos.

Estimativa semelhante foi feita com o Rio de Janeiro, onde a maioria das ocorrências não tem a profissão da vítima; e com as informações prestadas pelo Rio Grande do Sul, que forneceu apenas dados de violência contra médicos sem definir o local onde ocorreu o fato.

Orientações

Em casos de ameaça, o CFM orienta que o médico:

registre ocorrência na delegacia mais próxima ou online;

informe, por escrito, às diretorias clínica e técnica da unidade hospitalar sobre o ocorrido;

apresente dados dos envolvidos e testemunhas;

encaminhe o paciente a outro colega, se não for caso de urgência e/ou emergência.

Se a ocorrência envolver agressão física, a entidade indica que o profissional:

compareça à delegacia mais próxima e registre boletim de ocorrência (haverá necessidade de exame do corpo de delito);

apresente dados dos envolvidos na agressão e de testemunhas;

comunique o fato imediatamente às diretorias clínica e técnica da unidade hospitalar para que seja providenciado outro médico para assumir suas atividades.

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PORTAL AB NOTÍCIAS

Com aumento de conscientização sobre o autismo, número de crianças diagnosticadas com o transtorno avança no Brasil

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Censo Escolar contabilizou um aumento de 48% no número de estudantes com TEA matriculados em escolas públicas e particulares entre 2022 e 2023

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos, houve aumento na prevalência do Transtorno do Espectro Autista (TEA). No ano de 2004, a prevalência era de 1 em cada 166 crianças. Já em 2020, saltou de 1 em cada 36. Aqui no Brasil, que possui 2 milhões de autistas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Censo Escolar contabilizou um aumento de 48% no número de estudantes com TEA matriculados em escolas públicas e particulares entre 2022 e 2023.

No ano passado, foram 636 mil, e no ano retrasado, 429 mil. Em um primeiro momento, esses números podem ser interpretados como dados que comprovam que o número de casos de autismo cresceu no Brasil e em outros países, porém, é necessário analisar com cautela esse cenário. "Acontece que hoje em dia as pessoas estão mais informadas sobre o assunto e os profissionais de saúde estão mais qualificados, então não é que aumentou o número de casos, e sim que a população está mais consciente do que é o autismo e como tratá-lo", explica Priscila Parede, psicóloga do Centro de Reabilitação Religare.

Alguns sinais do autismo podem ser identificados ainda nos doze primeiros meses de vida do bebê, porém, após ele completar um ano, os sinais acabam sendo mais perceptíveis, já que é quando a linguagem e a socialização do bebê se iniciam de fato. Entre os primeiros sinais de autismo durante essa fase estão a dificuldade de manter contato visual, não mandar beijo ou dar tchau, não responder quando alguém chama pelo nome e dar mais atenção para objetos ao invés de interagir com outras pessoas. Sendo assim, é muito importante o diagnóstico precoce e é crucial identificar esses sinais logo no começo.

Quanto mais cedo uma criança receber o diagnóstico, maiores serão as chances de intervenção e suporte adequados, o que pode melhorar significativamente a qualidade de vida e o desenvolvimento dela. "Essa regra vale não só para aqueles pais que estão na dúvida se o filho tem autismo, e sim para qualquer outro caso: quanto antes o diagnóstico, melhor. Então quanto mais os pais postergarem a ida até o médico, pior para a criança, já que ela deixa de ter intervenções que podem melhorar significativamente a qualidade de vida e o seu desenvolvimento", pontua Priscila. Preconceito, medo do desconhecido ou do diagnóstico são alguns fatores que fazem com que os pais evitem levar os filhos até um profissional especializado.

Sendo assim, é importante buscar conhecimento e um grupo acolhedor capaz de dar assistência e esclarecer todas as dúvidas relacionadas ao assunto para garantir que a criança diagnosticada com TEA tenha qualidade de vida e apoio durante o seu crescimento.

"Já os sinais de autismo em crianças entre três e quatro anos podem ser atraso na fala, não gostar de alimentos com texturas diferenciadas, gostar de objetos que giram, desconforto quando é necessário mudar um objeto da casa ou trajetos e sensibilidade a alguns tipos de sons", ressalta Priscila. Atualmente existem diferentes tipos de terapias muito eficientes e capazes de proporcionar qualidade de vida para crianças diagnosticadas com autismo, como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), que após vários testes, cria intervenções personalizadas alinhadas com a necessidade do paciente.

Terapias que envolvem pets, blocos de montar, culinária e até mesmo videogame estão entre as opções que podem contribuir para o desenvolvimento e bem-estar da criança. "É importante pontuar que cada criança possui necessidades e cuidados específicos, ou seja, cada tratamento deve ser elaborado para atender às necessidades individuais de cada um, então é necessário sempre consultar profissionais capacitados e que podem indicar qual é a terapia mais adequada para o paciente em questão", finaliza Priscila. 

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ESTADÃO

Farmacêuticas brigam por extensão de 62 patentes de medicamentos após decisão do STF

Neste mês, Johnson & Johnson sofreu derrota na Justiça para manter a exclusividade, por mais de 20 anos, do Stelara, remédio para o tratamento de doenças autoimunes
Empresas farmacêuticas, fabricantes de medicamentos de referência e de genéricos, travam uma disputa acirrada na Justiça em torno de patentes de 62 medicamentos - entre eles, o Saxenda, de controle da diabetes e rival do Ozempic em tratamentos para perda de peso, e o Stelara, para doenças autoimunes. As donas das fórmulas originais querem manter a extensão do prazo de vendas exclusivas de seus remédios para além dos 20 anos legais de proteção das patentes. Mas uma mudança de entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2021, é um empecilho para elas.

A briga entre esses dois grupos começou a esquentar no contexto da pandemia de covid-19, quando cresceu um clamor de políticos, de juízes e dos governos para se acelerar e baratear tratamentos médicos. Foi nesse cenário que o STF decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo único do artigo 40 da Lei de Propriedade Industrial (LPI), de 1996. A redação desse trecho permitia uma brecha para as patentes vigorarem por mais de 20 anos após ter o seu registro pedido - em alguns casos, até superar os 30 anos.

Fabricantes de genéricos defendem que extensão das patentes encarece os medicamentos Foto: Felipe Rau/Estadão

Quando a LPI foi aprovada, a legislação brasileira estabeleceu que o detentor de uma patente tem direito à exclusividade de sua exploração comercial por 20 anos para as patentes de invenção (no caso de invenção do produto), ou por 15 anos para as patentes de melhoria (quando ocorre o incremento de um remédio já existente).

O artigo 40, no entanto, previa que, a partir da data da concessão da patente, sua vigência deveria ser de, no mínimo, dez anos para as patentes de invenção e de sete anos para as de melhoria. Ou seja, se, por algum motivo, especialmente burocrático, uma patente só fosse oficialmente concedida 15 anos após a empresa ter dado entrada no pedido, ela teria mais 10 anos de exploração - tendo, ao final, 25 anos de exclusividade. Foi esse o entendimento que o STF considerou inconstitucional em 2021.

"Existe, nos Estados Unidos, um instituto jurídico que permite às empresas pedirem um ajuste da receita com patentes expiradas, se ocorrem atrasos na regulação. Mas, nesse caso, as empresas pedem uma recompensa monetária, não em tempo adicional. É uma aberração jurídica utilizar esse recurso para pedir mais tempo de patente no Brasil", diz a vice-presidente do Grupo FarmaBrasil, Adriana Diaféria. "No final das contas, é uma tentativa de dar nó em pingo d'água na decisão do STF."

O Grupo FarmaBrasil é uma associação que representa 12 empresas brasileiras do setor - como EMS, Aché, Biolab, Hyper Pharma e Eurofarma -, que têm forte atuação na venda de medicamentos genéricos, que só podem ser produzidos após a queda das patentes.

Por outro lado, as empresas donas das patentes expiradas e que entraram na Justiça - quase todas de origem estrangeira - defendem que a nova decisão do STF teria sido inesperada e acabou prejudicando o planejamento de negócios, de vendas e de investimentos em curso. Elas alegam que os medicamentos de referência que estavam ainda dentro do tempo extra de comercialização exclusiva não deveriam ter as suas patentes derrubadas imediatamente.

Por meio de comunicado enviado ao Estadão, a Interfarma, a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa, composta por empresas internacionais - como Sanofi, Pfizer, Novartis, Johnson & Johnson, Roche, AstraZeneca, Takeda, Bayer e GSK -, afirmou que existe, "em diversos outros países (como Chile, Coreia do Sul, Estados Unidos, México e Colômbia), a concessão da recomposição do prazo de direito à exclusividade temporária de patentes, quando este tenha sofrido comprovado atraso injustificado por parte da Administração (no caso brasileiro, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial - INPI)".

"Entendemos, ainda, que este regramento seria uma medida de balanceamento frente à demora excessiva do Estado brasileiro - demora essa que o INPI reconhece ter existido", diz a associação. "Neste sentido, faz-se necessária a discussão de alteração da Lei de Propriedade Industrial para prever mecanismo de compensação de prazos para patentes que sofram atrasos injustificados no processo de análise do INPI."

No entanto, até agora, as empresas de genéricos e biossimilares estão levando a melhor nas disputas jurídicas contra as criadoras de medicamentos inovadores. Das 62 ações abertas, 19 sentenças já foram favoráveis, pelo menos, na primeira instância, ao entendimento do STF de término imediato das patentes já em 2021.

Um exemplo relevante dessa disputa teve um capítulo decisivo no início deste mês, quando o desembargador João Carlos Mayer Soares, do Tribunal Regional Federal 1 (TRF1), julgou que a patente do Stelara (do princípio ativo ustequinumabe), da Johnson & Johnson, já está expirada, de acordo com a mudança de entendimento do STF. Esse medicamento é utilizado para o tratamento de doenças autoimunes, como psoríase, Doença de Chron e colite ulcerativa. A estimativa do Ministério da Saúde é de uma economia de R$ 130 milhões para os caixas do governo, em cada lote do medicamento.

A empresa americana contestou na Justiça, por três anos, o vencimento da patente, e recorreu de decisões judiciais provisórias. Já o Grupo FarmaBrasil e os fabricantes de biossimilares reclamavam que havia uma demora excessiva para decidir o caso. Ainda cabe recurso. A Johnson preferiu não se manifestar para esta reportagem, e não informou se vai entrar com um novo recurso na Justiça, mas disse que tem o posicionamento alinhado com o da Interfarma.

Papel da AnvisaÉ importante, porém, não confundir o papel do INPI com outras aprovações necessárias no Brasil. Para uma nova molécula poder ser comercializada, ela precisa não apenas do registro de sua patente, como também de aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que analisa a qualidade, efetividade e a segurança do produto. Mas a decisão da Anvisa não conta para a exclusividade de comercialização de um medicamento. O prazo de proteção envolve apenas o registro no INPI.

Segundo a advogada Renata Rothbarth, sócia para as áreas de ciências da vida e saúde do escritório Machado Meyer Advogados, o INPI garante a invenção, avaliando a patente por três requisitos: inovação, atividade inventiva (checagem se é uma inovação mesmo) e produção industrial. Já a Anvisa faz uma análise de natureza sanitária, de aprovação e, depois, de fiscalização.

A disputa atual entre as farmacêuticas, segundo a advogada, acontece por ter ficado, na decisão do STF de 2021, "um espaço para diferentes interpretações". O ministro Dias Toffoli, no momento de definir a modulação de efeitos do novo entendimento, estabeleceu que a regra valia retroativamente, apesar de as fabricantes pedirem que o prazo só contasse depois do julgamento. Elas alegaram, por meio de pedidos de esclarecimentos ao STF, que a ação direta de inconstitucionalidade trazia uma ressalva de direitos resguardados.

"Elas também usam o argumento de que a mudança traria insegurança jurídica", diz Renata, que tem clientes tanto de um lado quanto de outro. A avaliação dela é que, em vez de o Brasil tratar de resolver o problema de atrasos do INPI, a decisão foi a forma que a Justiça encontrou de "dar um jeitinho" na questão. "Mas não podemos querer dar soluções simples para problemas complexos."

Por seu lado, o Grupo FarmaBrasil argumenta que as farmacêuticas nacionais também defendem que o sistema de propriedade intelectual funcione bem e que traga proteções para as empresas inovadoras. Afinal, as brasileiras, além de vender genéricos - que são normalmente os seus maiores negócios -, também buscam inovações próprias. Apesar disso, a associação tem a posição de que não pode haver prazos tão longos para o fim de uma patente. "O Brasil tem um sistema de propriedade intelectual justo", diz Adriana Diaféria. "Nos nossos levantamentos, descobrimos medicamentos que tiveram patente protegida por até 33 anos. Isso causa prejuízo para a sociedade. Uma versão genérica custa cerca de 35% menos."

De acordo com a FarmaBrasil, caso as companhias donas das patentes vencessem as 62 ações que tramitam na Justiça, poderia haver um custo de cerca de R$ 7,6 bilhões para o consumidor e de R$ 1,1 bilhão para o Sistema Único de Saúde (SUS), segundo um estudo encomendado para a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), realizado no ano passado. Esse valor considera a economia que consumidores e o governo podem ter pagando por medicamentos genéricos ou biossimilares (quando se trata de cópias de remédios biológicos), em vez de comprar os remédios de referência.

Já a Interfarma alega que, "por anos, os processos de análise levaram mais de 10 anos para serem concluídos e há prejuízos aos titulares por essa insegurança". Levantamento publicado em janeiro deste ano pela PhRMA (sigla para Pharmaceutical Research and Manufacturers of America, em português, Fabricantes e Pesquisadores Farmacêuticos da América) mostra que o prazo médio de exame de patentes biofarmacêuticas no Brasil, no período entre janeiro de 2020 e setembro de 2023, foi de 9,5 anos. "De certa forma esses dados corroboram com levantamento interno da Interfarma de que a maior parte das ações individuais em curso são referentes a patentes cujos atrasos foram superiores a 10 e 15 anos", informou a associação por meio de comunicado. "Para a Interfarma, a solução passa pelo fortalecimento do INPI."

Com base em estudo de 2023 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o setor farmacêutico afirma ser mais intensivo em pesquisas e desenvolvimento do que outros setores semelhantes, por investirem mais de 30% do seu valor agregado bruto na busca de inovações, dentro dos países da OCDE. A porcentagem seria superior ao investido pela indústria eletrônica e óptica (23,5%), pela indústria aérea (14,7%) e pela manufatura como um todo (8,4%).

Por meio de comunicado, o INPI afirma que "vem realizando uma série de ações nos últimos anos para acelerar os procedimentos e decidir pedidos de patentes em prazos compatíveis com a média internacional". Essas ações envolvem a otimização de procedimentos internos, o aproveitamento de análises realizadas no exterior, a contratação de examinadores e o uso de ferramentas como automação e inteligência artificial, entre outros aspectos.

"Em 2024, o prazo médio entre o protocolo inicial do pedido de patente no INPI e sua decisão está em 4,4 anos, ou seja, menos da metade dos 9,3 anos registrados em 2014. Especificamente em relação aos fármacos, o prazo está em torno de 4,6 anos", diz o comunicado. "O objetivo é chegar ao prazo de dois anos até 2026, conforme definido no Planejamento Estratégico do INPI para o período 2023-2026, com apoio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Dessa forma, decisões em períodos superiores a dez anos a partir do pedido inicial, que ocorreram no passado, são situações que não condizem com a realidade atual do INPI."

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A REDAÇÃO

Em meio à crise, Prefeitura de Goiânia diz que investiu R$ 896 mi na saúde

Em meio à crise que afeta a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a pasta emitiu, nesta terça-feira (22/10), uma nota esclarecendo que a Prefeitura de Goiânia investiu, entre janeiro e agosto desde ano, um total de R$ 896,3 milhões na área - valor que equivale a 24,26% da receita municipal. Ainda segundo o comunicado, no mesmo período de 2023, foram destinados R$703,5 milhões, 22,18% da receita.

"O aumento ocorreu principalmente pelas melhorias salariais, pela concessão de progressões que ocorrem a cada ano para todos os concursados e pela criação dos planos de cargos, carreira e salários dos servidores administrativos, agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes comunitários de endemias (ACE)", explicou a secretaria.

Maternidades
A SMS argumenta ainda que, mesmo investindo cada vez mais, o município encontra dificuldades em manter os altos custos das três maternidades públicas que possuem um custo mensal de R$ 20,2 milhões , sendo R$ 10,3 da Célia Câmara, R$ 6,9 da Dona Íris e R$ 2,9 da Nascer Cidadão. Mensalmente, o MS repassa R$ 7,5 milhões, os outros R$ 15,7 ficam a cargo do município, que já investe quase 25% do que arrecada na área.

"As maternidades passaram a pesar nos custos da saúde a partir do momento em que o Hospital Municipal e Maternidade Célia Câmara deixou de ser hospital covid, integralmente financiado pelo Ministério da Saúde (MS), e passou a depender 100% dos recursos do Tesouro Municipal. Mesmo com a ajuda do MS, iniciada em maio, com a ajuda de custeio da Célia Câmara, a situação ainda é desafiadora, já que a prefeitura tem outras áreas para cuidar e o custeio dos servidores", traz a nota oficial. 

Aumento da demanda
A pasta explica que a situação é agravada pelo frequente aumento de pacientes de outros municípios que são atendidas na Maternidade Dona Iris, que é uma maternidade de alto risco e alto custo. De janeiro a julho de 2023, 43% dos atendimentos eram de fora e agora em 2024, mesmo período, já são 52%. 

"Apesar das dificuldades, a rede de saúde do município está em funcionamento, somente nas urgências são uma média de 4 mil atendimentos dia, sendo 3,5 mil atendimentos adultos e 500 infantis. Não faltam médicos nas unidades de saúde e nem na atenção primária, somente nos últimos meses, mais de 400 médicos foram contratados. Das 22 novas ambulâncias contratadas para o Samu, 11 já chegaram e estão em atendimento", frisou a Secretaria Municipal de Saúde.

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Vereadora Kátia se opõe à intervenção estadual na saúde de Goiânia

Em discurso na Câmara de Goiânia, nesta terça-feira (22/10), a vereadora Kátia Maria(PT), presidente da Comissão de Saúde, manifestou sua oposição a qualquer tipo de intervenção do governo estadual na saúde pública de Goiânia. “Sou contra qualquer intervenção do estado. A política de saúde deve ser exercida pela prefeitura e fiscalizada por esta Casa, que tem competência para isso”, afirmou Kátia.
 

Kátia se pronunciou sobre sua reunião na manhã de segunda-feira (21/10) com o secretário municipal de Saúde, Wilson Pollara, na qual discutiram a grave crise do setor, especialmente nas maternidades públicas de Goiânia.
 

“Infelizmente, as notícias que recebemos do secretário Pollara foram as piores”, ressaltou a parlamentar. “Por parte da prefeitura, há um jogo de empurra, e o gravíssimo caso das maternidades ainda não tem um apontamento para solução”, completou.
 

A crise nas maternidades públicas já se arrasta há meses e a dívida da Prefeitura com a Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas da UFG (Fundahc) ultrapassa R$ 80 milhões. Em decorrência da situação, os atendimentos eletivos foram suspensos e há risco de paralisação também dos serviços de urgência e emergência.
 

“É muito grave o que estamos vivendo na saúde pública de Goiânia”, destacou Kátia. “E quem mais perde? É a população pobre, que não tem condição de pagar um plano de saúde ou uma consulta particular”.
 

A vereadora lembrou que o secretário Pollara foi convocado pela Comissão de Saúde para prestar esclarecimentos e apresentar a prestação de contas da pasta. A audiência está marcada para o próximo dia 30, às 13h. “Mais uma vez, questionarei onde foram parar esses 24% da arrecadação do município de Goiânia que foram aplicados na saúde e que não estamos vendo nas unidades de saúde”, indagou. “Faltam insumos, faltam profissionais, e as maternidades não estão recebendo; o Araújo Jorge, a Santa Casa, os Cais e UPAs estão sucateados... falta tudo!”
 

Apesar de todo esse cenário, Kátia se opõe à intervenção do Estado na saúde municipal. “Se o Estado quer ajudar, que faça a regulação funcionar”, afirmou. “Tenho visitado os Cais e vejo a superlotação das unidades porque o Estado não realiza a regulação para os hospitais. O Cais é um local para passagem rápida. O paciente é estabilizado e recebe alta ou é encaminhado a um hospital, mas hoje o Estado não consegue fazer essa regulação, e há pacientes que ficam 30 dias internados aguardando uma vaga em hospital”, explicou.
 

Kátia destacou que a política municipal deve ser executada pela Prefeitura, e a Câmara precisa assumir a responsabilidade de fiscalizar e cobrar soluções. “Não podemos permitir que a população passe por isso. Temos de assumir nossas responsabilidades”, disse. “E, se o Estado quer ajudar, que faça sua parte e contribua também com repasses para sanar as dívidas das maternidades, do Araújo Jorge e da Santa Casa. Não é com intervenção”, concluiu.

Assessoria de Comunicação

Terça, 22 Outubro 2024 06:19

CLIPPING AHPACEG 22/10/24

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ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

Índice OPME registra discreta queda de 0,04 em setembro

O poder da Inteligência Artificial na medicina de precisão

Digitalização já é realidade e inevitável para hospitais e clínicas

Instituto Panamericano da Visão é o primeiro no Pop List 2024

Goiás é pioneiro no exame genético de detecção do câncer de mama pelo SUS

Em reunião com Fundahc, Pollara não apresenta proposta para quitar dívida de R$ 86 milhões com maternidades

MEDICINA S/A

Índice OPME registra discreta queda de 0,04 em setembro

O Índice de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (I-OPME) teve discreta queda em setembro com variação de -0,04%. Comparativamente a outros índices, esse resultado ficou abaixo das variações registradas pela inflação ao consumidor, dada pelo IPCA/IBGE (+0,44%), pelo IGP-M/FGV (+0,62%), que abrange a inflação ao consumidor, no atacado e os custos da construção civil; e pelo IPM-H (+0,04%), que mede o comportamento dos preços dos medicamentos para hospitais.

Desenvolvido em conjunto pela Fipe e pela Bionexo, empresa líder em soluções tecnológicas SaaS para gestão em saúde, o Índice OPME acompanha a evolução dos preços dos itens transacionados entre fornecedores e hospitais por meio da plataforma Opmenexo, que processa mais de 3 mil cotações diárias de preços para mais de 45 mil produtos do setor.

Elaboração: Fipe, com base em dados de transações da plataforma Opmenexo

Entre as especialidades que compõem a cesta de cálculo do Índice OPME, os resultados mensais foram heterogêneos. No campo positivo, destacaram-se as variações em: sistema genital e reprodutor (+0,65%); sistema musculoesquelético e articulações (+0,62%); cabeça e pescoço (+0,35%); sistema urinário (+0,19%). No contraponto, registraram queda: sistema digestivo e anexos (-0,06%); sistema nervoso central e periférico (-0,45%); e sistema cardiocirculatório (-0,57%).

Elaboração: Fipe, com base em dados de transações da plataforma Opmenexo. Nota (*) Agrega as seguintes especialidades: cabeça e pescoço; olhos; orelhas; nariz e seios paranasais; parede torácica; sistema respiratório e mediastino; pele e tecido celular subcutâneo/anexos; transplantes de órgãos e outros (não listados)

Por outro lado, considerando o balanço parcial de 2024 (até setembro), o Índice OPME registrou leve incremento de 0,18%. Entre as especialidades consideradas na cesta de cálculo do índice, as variações acumuladas foram: sistema cardiocirculatório (+1,32%); sistema genital e reprodutor (+0,82%); sistema digestivo e anexos (+0,20%). Caíram as seguintes categorias: sistema nervoso central e periférico (-0,26%); sistema musculoesquelético e articulações (-0,45%); cabeça e pescoço (-0,69%); e sistema urinário (-2,21%).

Elaboração: Fipe, com base em dados de transações da plataforma Opmenexo. Nota (*) Agrega as seguintes especialidades: cabeça e pescoço; olhos; orelhas; nariz e seios paranasais; parede torácica; sistema respiratório e mediastino; pele e tecido celular subcutâneo/anexos; transplantes de órgãos e outros (não listados). (**) Variações acumuladas no ano até setembro/2024

Considerando as séries históricas disponíveis (entre janeiro de 2017 e setembro de 2024), o Índice OPME exibe um recuo de 0,12% nos preços de próteses, órteses e materiais especiais. Os preços por especialidade apresentaram o seguinte comportamento neste período: cabeça e pescoço (+19,15%); sistema musculoesquelético e articulações (+7,31%); sistema nervoso central e periférico (+2,55%). Por outro lado, registraram baixa: sistema digestivo e anexos (-1,00%); sistema genital e reprodutor (-2,07%); sistema urinário (-3,78%); e sistema cardiocirculatório (-9,31%).

Elaboração: Fipe, com base em dados de transações da plataforma Opmenexo. Nota (*) Agrega as seguintes especialidades: cabeça e pescoço; olhos; orelhas; nariz e seios paranasais; parede torácica; sistema respiratório e mediastino; pele e tecido celular subcutâneo/anexos; transplantes de órgãos e outros (não listados). (**) Considera os últimos 12 meses encerrados em setembro/2024

Na perspectiva de Bruno Oliva, economista e pesquisador da Fipe: "os resultados mais recentes do Índice OPME revelam que, em média, os preços de órteses, próteses e materiais não apresentaram variações significativas nos últimos meses. Em particular, a variação registrada pelo Índice OPME em setembro de 2024 (-0,04%) situou-se acima da média esperada para esse mês no histórico do índice (-0,18%), ou seja, os preços recuaram menos do que seria esperado para esse período do ano. Na análise desagregada, os aumentos observados nos preços de itens relacionadas ao sistema genital e reprodutor, sistema musculoesquelético, cabeça e pescoço colaboraram para contrabalancear os recuos nas demais especialidades, como sistemas cardiorrespiratório, nervoso e periférico. Já olhando para o cenário macro, é possível que fatores relacionados ao dólar valorizado tenham reflexos sobre o custo de internalização de produtos importados".

Por dentro do índice

O Índice de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (Índice OPME) é o primeiro indicador dedicado a analisar o comportamento de preços de produtos e materiais transacionados entre fornecedores e hospitais no mercado brasileiro e é resultado da parceria entre Fipe e Bionexo.

A cada mês e para cada material, calcula-se um índice que indique a variação de seu preço em relação ao mês de referência, levando em consideração variáveis que podem ser relevantes para determinar o preço, entre elas: (1) quantidade de itens requisitados no mercado; (2) discriminador de produto (dado que uma única família pode ser composta por múltiplos produtos); (3) localização do hospital e do fornecedor; (4) convênio; e (5) procedimento de urgência. Os produtos são agrupados em oito especialidades e ponderados de acordo com uma cesta de valor total transacionado na plataforma Opmenexo. O Índice OPME consolida o comportamento dos índices dos preços de cada especialidade.

Apesar de estar correlacionado a outros indicadores, o Índice OPME não mensura ou influencia o comportamento de preços de produtos e materiais no varejo. Ele não reflete diretamente em mudanças ou substituições tecnológicas, nem tem relação direta com os custos de hospitais e planos de saúde. Os dados apontam tendências de preços para negociações entre fornecedores e instituições hospitalares.

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O poder da Inteligência Artificial na medicina de precisão

Por Igor Couto

Diante de uma capacidade impressionante de analisar e dissecar enormes volumes de dados de forma imediata, a inteligência artificial se tornou foco prioritário para trazer aprimoramentos e otimizações em diferentes áreas de atuação da sociedade. Contudo, a medicina tende a ser um setor com maior possibilidade de impacto perante às novidades trazidas pelo recurso.

Os números mostram por si só. Um estudo da Statista aponta que o mercado de IA na saúde, avaliado em US$ 11 bilhões em 2021, irá saltar para US$ 187 bilhões até 2030. Além disso, projeções da Accenture apontam que, somente nos EUA, a IA na medicina pode proporcionar uma economia de US$ 150 bilhões anuais até 2026. Tal potencial decorre das possibilidades da redução de variabilidade nas cirurgias, automação de processos administrativos e de linhas de cuidado, melhora no processo de diagnóstico, além da redução de fraudes e incidentes.

Apesar do impacto global na área, alguns aspectos da saúde tendem a ser mais beneficiados pelo avanço da tecnologia. Dentre eles, está a chamada medicina de precisão, vertente que foca na prevenção, diagnóstico e tratamento personalizados, integrando dados tradicionais de saúde, como sintomas e histórico familiar, ao perfil genético de cada indivíduo. Ao considerar fatores como genética, ambiente e estilo de vida, a medicina de precisão visa otimizar os cuidados com a saúde, oferecendo tratamentos mais eficazes e personalizados.

Com a integração da IA podemos esperar, então, diagnósticos mais rápidos e tratamentos moldados especificamente para o perfil de cada indivíduo. Isso porque genômica, machine learning e análise de dados clínicos se unem para criar um novo paradigma voltado ao cuidado. Trata-se, portanto, de uma revolução que promete erradicar abordagens generalizadas em prol de terapias personalizadas e altamente assertivas.

Menos efeitos colaterais

Um dos campos que mais deve se beneficiar desta fonte é a genômica. O estudo do DNA humano se potencializa imensamente da IA, ao conseguir identificar padrões genéticos que seriam impossíveis de avaliar manualmente. Imagine o impacto disso: terapias individualizadas, menos efeitos colaterais e um controle muito mais preciso sobre o desenvolvimento de doenças. Tal sinergia já tem sido explorada em várias especialidades da medicina, incluindo oncologia, cardiologia e o tratamento de doenças raras.

Além disso, o uso de machine learning tem potencializado a interpretação de exames de imagem e dados clínicos, trazendo novos níveis de precisão para os diagnósticos. Ferramentas que interpretam biópsias, por exemplo, já são usadas para detectar cânceres em estágios iniciais, oferecendo uma chance de tratamento mais eficaz e menos invasivo. Nunca é demais lembrar que os sistemas de IA tendem a "aprender" a cada novo conjunto de dados analisados, o que significa um refinamento contínuo em suas análises e diagnósticos cada vez mais assertivos.

Mas a aplicação da IA na medicina de precisão vem acompanhada de desafios. A integração de dados de diferentes fontes ainda é um obstáculo considerável, e as questões éticas e regulatórias sobre a privacidade dos pacientes são preocupações legítimas. Outros pontos a serem abordados com urgência passam pelo correto uso de algoritmos, que podem acabar por perpetuar vieses, caso não sejam devidamente supervisionados.

A verdade é que a IA e a medicina de precisão caminham juntas para redefinir o futuro da saúde. Tratamentos genéricos darão lugar a abordagens personalizadas, guiadas por algoritmos capazes de aprender e se aprimorar de forma contínua. A questão não é se a nova tecnologia irá transformar a medicina, mas como vamos nos adaptar ao novo cenário, garantindo que o recurso maximize os benefícios sem perder de vista a humanidade e excelência no cuidado.

*Igor Couto é CEO e fundador da Sofya.

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Digitalização já é realidade e inevitável para hospitais e clínicas

Embora o tema possa parecer técnico e nichado, a digitalização da saúde está presente e ativa, transformando a vida das pessoas e a maneira como os negócios se movimentam no mundo corporativo. Este processo irreversível está remodelando o setor globalmente.

Com a necessidade de tomar decisões baseadas em dados, os gestores hospitalares identificaram que a implantação do prontuário médico eletrônico é essencial. Ele permite que as informações de saúde sejam facilmente compartilhadas entre diferentes profissionais e instituições, melhorando a continuidade do cuidado, a tomada de decisões clínicas e reduzindo erros médicos.

Essa tecnologia não só contribui para a redução de custos operacionais, por meio da otimização de processos e diminuição de desperdícios, mas também promove uma abordagem mais sustentável ao reduzir a necessidade de uso de papel. Isso não apenas fortalece a sustentabilidade ambiental do hospital, mas também melhora a segurança e a qualidade do atendimento ao paciente, garantindo que as informações estejam acessíveis e atualizadas em tempo real entre diferentes departamentos e especialistas, o que é essencial para uma assistência integrada e eficiente.

Novas frentes tecnológicas estão ganhando destaque na saúde digital. Empresas de tecnologia e startups estão investindo fortemente em soluções inovadoras, criando um ecossistema dinâmico e competitivo que melhora a eficiência operacional e a lucratividade das instituições. No entanto, com tantas inovações, é crucial identificar quais tecnologias se integrarão às estruturas já existentes em hospitais e clínicas e se realmente impactarão a gestão dessas organizações, que possuem necessidades distintas, complexas e frequentemente subfinanciadas, especialmente no setor público.

A interoperabilidade de sistemas, que permite a comunicação e funcionamento conjunto de diferentes tecnologias, é vital para a gestão hospitalar eficiente. Além disso, a automação de processos e a análise de grandes volumes de dados podem melhorar a tomada de decisões e a eficiência operacional. Inovações que oferecem soluções de baixo custo e alta eficiência são essenciais para hospitais públicos que enfrentam restrições orçamentárias.

A adoção de novas tecnologias requer treinamento adequado para os profissionais, garantindo que eles possam utilizá-las de maneira eficaz. Esses fatores são fundamentais para entender como as inovações tecnológicas podem ser aplicadas de forma eficaz na gestão hospitalar, atendendo às necessidades específicas e complexas dos hospitais, especialmente no setor público.

A tendência da IA

Em 2024, a integração da inteligência artificial (IA) no setor de saúde está se tornando uma prioridade crescente, conforme destacado por diversos estudos e artigos. A transformação digital é vista como uma solução essencial para a sustentabilidade do segmento de saúde.

A IA promete otimizar diagnósticos, prever surtos de doenças, personalizar tratamentos e automatizar tarefas administrativas, oferecendo um potencial significativo para revolucionar a saúde. As tendências pra a década indicam que as principais inovações incluem o uso de dados e IA em diagnósticos, prontuários médicos, criação de novos medicamentos, monitoramento remoto e saúde preventiva. Além disso, a regulamentação da segurança de dados e a interoperabilidade são prioridades que não podem ser ignoradas.

No entanto, apesar do potencial transformador da IA, a falta de investimentos robustos e a resistência à mudança permanecem como barreiras significativas. A implementação eficaz da ferramenta de inteligência artificial exige um compromisso firme com a inovação e o investimento estratégico.

Os estudos deixam claro que a IA torna-se uma ferramenta indispensável para o setor de saúde, com expectativas de grandes avanços nos próximos anos. A promessa de uma saúde mais eficiente e personalizada está cada vez mais próxima, desde que os desafios de investimento e adaptação sejam superados.

Nesse contexto, para o setor de negócios, a saúde digital representa uma oportunidade sem precedentes. Empresas que investem em tecnologias de saúde digital podem não apenas melhorar a eficiência e a qualidade dos serviços prestados, mas também abrir novas frentes de mercado. Com o foco certo e investimentos estratégicos, é possível não apenas melhorar a qualidade dos cuidados de saúde, mas também criar oportunidades de negócios e promover um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo.

*Miguel Gomes é CEO do Grupo Vivhas e fundador da Vivere.

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FOLHA DO PLANALTO

Instituto Panamericano da Visão é o primeiro no Pop List 2024

No mês em que completa 21 anos, o Instituto Panamericano da Visão (IPVisão) foi reconhecido como a instituição mais lembrada em oftalmologia na edição 2024 do prêmio Pop List, premiação conferida anualmente pelo jornal O Popular às marcas mais lembradas pelos goianienses. O IPVisão ocupa a primeiro lugar entre os mais lembrados no segmento Clínica de Olhos, com 13,4% de share of mind.

Esse reconhecimento não é apenas uma conquista, mas um reflexo de quase 30 anos de dedicação à saúde ocular na capital e região Centro-Oeste. O IPVisão surgiu do sonho de um grupo de médicos oftalmologistas que, em 1995, uniram forças para adquirir um excimer laser, um avanço tecnológico que revolucionaria o tratamento da miopia. Essa união dos visionários médicos do Hospital de Olhos de Goiás e da Oftalmoclínica foi o primeiro passo para a construção do IPVisão, iniciada em 2000 e concluída em 2003.

Desde sua inauguração, o Instituto se consolidou como um verdadeiro centro de excelência em oftalmologia, oferecendo uma ampla gama de serviços: desde exames de rotina até cirurgias de alta complexidade. O corpo clínico é composto por 61 médicos especializados, com doutorados e vasta experiência internacional.

Uma equipe de apoio, tanto na área da saúde quanto administrativa, compõe esse time de pessoas que abraçaram a missão do IPVisão de proporcionar a cada paciente um atendimento único, em um espaço bem localizado, projetado para oferecer conforto e praticidade a todos e, principalmente, para atender toda a complexidade da oftalmologia em um só lugar.

“O paciente conta com um espaço dedicado para teste e adaptação de lentes de contato, além de estrutura e equipamentos de ponta para diagnósticos”, destaca o médico oftalmologista Clausmir Jacomini, diretor-geral do hospital. Ele ressalta também a facilidade no agendamento de consultas e a extensa rede de convênios.

A qualidade do atendimento no IPVisão é ainda atestada pela acreditação pela Organização Nacional de Acreditação, que conferiu ao Instituto a Certificação Acreditado Pleno. Este selo de qualidade coloca o IPVisão como o primeiro hospital oftalmológico acreditado ONA em Goiás. A acreditação é um marco importante, pois atesta a profunda integração entre os setores, a qualificação da equipe e a implementação de processos atuais e eficientes, tudo visando à segurança e ao bem-estar dos pacientes.

A missão do IPVisão sempre foi clara e vem sendo posta em prática há 21 anos: oferecer os pacientes cuidados oftalmológicos seguros, eficientes e humanizados. Essa filosofia é parte da cultura institucional do Instituto e guia as ações e estratégias do hospital, que se orgulha de estar na memória afetiva dos goianienses, sendo um símbolo de qualidade e confiança na área da saúde.

A conquista do Pop List não apenas celebra a história do IPVisão, mas é um combustível para que o Instituto continue a trabalhar pela melhoria contínua dos serviços prestados a cada paciente. “Nossa prioridade é oferecer sempre a melhor assistência oftalmológica aos goianos e goianienses”, garante o diretor-geral.

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A REDAÇÃO

Goiás é pioneiro no exame genético de detecção do câncer de mama pelo SUS

O Estado de Goiás é pioneiro no exame genético de detecção do câncer de mama no Sistema Único de Saúde (SUS). O processo começa com o atendimento na atenção primária, onde mais de 600 profissionais da saúde, entre médicos, enfermeiros e técnicos, foram capacitados para identificar mulheres com perfil adequado para os exames. Entre os critérios, estão aquelas que têm histórico familiar de dois parentes consanguíneos que tiveram câncer de mama.

Um exemplo é a professora de matemática e servidora pública de Rio Verde, Júlia Beatriz Dani Rinaldi. “Minha mãe e minha tia tiveram câncer de mama. Assim que soube que em Goiás é possível fazer exames para detectar essa herança genética, quis participar. Espero que não dê nada”, compartilha a professora.

Por meio do projeto Goiás Todo Rosa, lançado durante a campanha Outubro Rosa de 2023, as mulheres são encaminhadas, por meio da regulação estadual, para consultas com mastologistas e ginecologistas e, em seguida, para a realização de exame de sangue que verifica a presença de mutações genéticas associadas ao câncer de mama.

O sequenciamento é realizado no Centro de Genética Humana (Cegh) da Universidade Federal de Goiás (UFG), parceira do projeto. “Firmamos uma parceria com a universidade e temos à disposição a lei que estabelece a realização do painel genético para o câncer de mama hereditário. Goiás é pioneiro na implementação desse exame”, destaca o secretário de Estado da Saúde, Rasível Santos.

Embora Estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Amazonas tenham legislação que prevê o exame, somente Goiás efetivou a Lei 20.707 de 2020 no ano passado e começou a realizar os testes gratuitamente este ano. “Após a avaliação do painel genético e o resultado do exame, a paciente poderá escolher qual tratamento deseja seguir. É uma decisão dela, caso o resultado seja positivo, sobre realizar a cirurgia de retirada da mama ou optar por uma cirurgia reparadora”, explica a geneticista Elisângela Lacerda, responsável pelo sequenciamento genético no Cegh/UFGH.

Grave problema

O câncer de mama é um grave problema de saúde pública e é o segundo tipo mais mortal entre as mulheres. Entre 5% e 10% dos diagnósticos desse câncer e cerca de 5% dos casos de câncer de ovário estão relacionados a alterações genéticas herdadas da família materna ou paterna. O teste genético pode ajudar a prevenir o desenvolvimento do câncer, proporcionando às mulheres uma vida mais longa e saudável.

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JORNAL OPÇÃO

Em reunião com Fundahc, Pollara não apresenta proposta para quitar dívida de R$ 86 milhões com maternidades

Dívida total do Paço Municipal com as maternidades ultrapassam os R$ 127 milhões

Reunião entre representante da Fundahc/UFG, responsável pelas maternidades públicas de Goiânia, e o secretário municipal de Saúde, Wilson Pollara, terminou sem qualquer tipo de acordo para pagamento das dívidas da Prefeitura de Goiânia com a instituição. O encontro teve a participação da vereadora e presidente da Comissão de Saúde da Câmara de Goiânia, Kátia Maria (PT), da diretora executiva da Fundahc, Lucilene Sousa e do vice-reitor da UFG, Jesiel Carvalho. De acordo com a diretora da fundação, somente em obrigações vencidas e não pagas, o Paço deve R$ 86,5 milhões. Se incluídos os passivos trabalhistas, a dívida ultrapassa os R$ 127 milhões.

Lucilene Sousa , diretora executiva da fundação, disse ao Jornal Opção que não foi apresentada qualquer solução. “Continua do jeito que está, o diálogo se mantém, mas o que eles colocam é que o município não tem recurso financeiro e que já ultrapassou o percentual mínimo destinado para a saúde e que não tem recurso financeiro para honrar com nosso contrato”, relatou.

A vereadora e presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Goiânia contesta que apesar da Prefeitura ter apresentado aumento do percentual mínimo para a Saúde, a população não sente isso nos atendimentos. “O secretário novamente diz que vai gastar mais que o mínimo de 15%, mas isso não é percebido, porque estão devendo todas as instituições. As unidades não têm o básico de insumos, salas de vacina fechadas e não tem funcionários. Mas a situação mais grave é nas maternidades”, pontua.

Conflito

Pollara teria dito durante a reunião que apesar do aumento dos gastos com a saúde, o município teve queda na arrecadação, o que acabou por “prejudicar a capacidade orçamentária de honrar compromissos da Prefeitura”. Segundo a Secretaria de Finanças (Sefin), por meio de nota, a informação não procede e a arrecadação do município “segue dentro das expectativas previstas, sem impacto significativo nas finanças”.

Ainda de acordo com a Sefin, os repasses financeiros estão “sendo realizados rigorosamente em dia, conforme os cronogramas estabelecidos, não havendo nenhum bloqueio”. “É importante ressaltar que a Secretaria Municipal de Saúde possui autonomia financeira para gerir seus recursos”, diz a nota. O comunicado reforça que o município cumpre com o repasse do mínimo constitucional “repassando cerca de 27% de sua arrecadação para a saúde, reafirmando seu compromisso com a qualidade dos serviços prestados”.

Habilitação da Célia Câmara

Kátia avalia que a crise da saúde em Goiânia é grave e há um sentimento de impunidade entre os secretários municipais. “Sobre os CAIS e UPAs, já finalizamos um relatório que foi encaminhado ao Ministério Público e isso deve ser investigado, assim como faremos com a questão das maternidades e das filantrópicas”, aponta.

A vereadora aponta que a dificuldade do Paço em honrar os contratos com as maternidades está relacionada com uma incompetência de gestão, já que o Paço não habilitou os serviços prestados na maternidade Célia Câmara junto ao Ministério da Saúde. “Foi somente com a vinda da ministra em Goiânia que essa habilitação foi concluída. O Governo Federal agora faz um repasse de R$ 9 milhões, mas os custos mensais das maternidades estão em R$ 20 milhões”, diz. Ela explica ainda que outras áreas como o Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) também conta com unidades não habilitadas. “Poderia estar recebendo recurso, mas eles são tão ineficientes que eles não fizeram a habilitação”, completa.

Crise generalizada

Conformou mostrou o Jornal Opção em 8 de outubro, a dívida da Prefeitura de Goiânia com os hospitais credenciados no Sistema Único de Saúde (SUS) pode gerar uma paralisação de diversos serviços, como já vem ocorrendo em algumas unidades. As maternidades gerenciadas pela Fundahc, por exemplo, restringiram uma série de atendimentos eletivos devido à dívida com fornecedores, funcionários e médicos da unidade. De acordo com a diretora da fundação, somente em obrigações vencidas e não pagas, o Paço deve R$ 86,5 milhões. Se incluídos os passivos trabalhistas, a dívida ultrapassa os R$ 127 milhões.

Sousa diz que hoje as maternidades enfrentam dívidas com fornecedores, médicos PJ´s, dívidas de encargos trabalhistas. “Ou seja, não tenho capacidade financeira para garantir a oferta de serviço, por isso, infelizmente, tivemos que tomar algumas medidas para manter algum serviço de urgência e emergência”, conta. Entre as alternativas para se manter funcionando, relata a diretora, está a negociação constante com fornecedores para a busca de insumos e medicamentos. “Mas hoje ninguém mais quer emprestar nada para as maternidades porque a gente não consegue devolver”, relata.

Jogo de empurra empurra

De acordo com a presidente da Comissão de Saúde da Câmara, a questão do pagamento dessas dívidas depende de uma atitude do prefeito. “Fizemos o contato com o prefeito que precisa intervir e dar o comando necessário pra estancar essa grave crise que nós estamos vivendo na saúde em Goiânia. O secretário de saúde fala que a responsabilidade é da finanças que não libera o recurso. É um jogo de empurra empurra e a população fica no meio disso”, expõe.

A reportagem tentou contato com o secretário de Saúde por meio de mensagens e ligações, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. A reportagem também entrou em contato com o novo titular da Secretaria de Finanças, que disse não poder responder aos questionamentos e direcionou a reportagem à assessoria.

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) disse estar “trabalhando para regularizar os pagamentos junto à Fundahc/UFG”.

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Assessoria de Comunicação

Segunda, 21 Outubro 2024 07:14

CLIPPING AHPACEG 19 A 21/10/24

Escrito por

ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

Artigo - Cultura de Inovação: Por que uma empresa de saúde deve inovar?

Estudante de medicina é investigado por fraudar provas de vestibular

Em Goiânia, maternidades suspendem atendimentos por falta de pagamento: “Desabastecimento de todo e qualquer tipo de medicamento”

Anvisa suspende venda e propaganda de "chips da beleza"

Acreditação hospitalar no Brasil: avanços e desafios no caminho da qualidade

Doenças infecciosas e transtornos mentais devem ser prioridades no SUS, apontam profissionais

MEDICINA S/A

Artigo - Cultura de Inovação: Por que uma empresa de saúde deve inovar?

Peter Drucker, considerado o pai da administração moderna, dizia que invenções eficazes são surpreendentemente simples. “O maior elogio que uma inovação pode receber é: isto é óbvio! Por que não pensei nisso antes?”. Drucker conseguiu distinguir muito bem a criatividade da inovação: mais do que um lampejo de genialidade ou a produção de algo diferente, a inovar é a capacidade de fazer alguma coisa nova que atenda uma necessidade real.

Entre empresas que têm no seu DNA a cultura de inovação, essa é uma premissa e a grande diferenciação de companhias consideradas criativas, mas que morrem na praia por não darem uma utilidade cotidiana e sustentável às ideias. E, entre as empresas de saúde, um setor sensível, com inúmeras variáveis e pressões diversas, inovar de forma sustentável não é apenas uma opção, é uma premissa.

No setor, posso citar alguns exemplos nacionais de inovações que tornam o sistema mais fluido para os pacientes e eficientes para companhias e operadoras, como os algoritmos de inteligência artificial em exames, que diminuem o tempo entre o diagnóstico e tratamento, e o monitoramento da saúde de pacientes através de dados, que diminuem os gaps de cuidado e previnem agravamento de doenças.

De maneira geral, as companhias inovam por motivos e de formas diferentes. A Amazon, por exemplo, durante anos promoveu mudanças com foco no crescimento do negócio. Passou praticamente duas décadas sem lucro, reinvestindo o excedente na criação de novos produtos, como o Prime e o AWS, além de promover melhorias na infraestrutura de entregas, que está no centro do negócio.

Com um lucro líquido de US$ 10,43 bilhões a mais no primeiro trimestre de 2024, se comparado ao primeiro trimestre do ano passado, a estratégia de Jeff Bezos se mostrou eficaz no longo prazo, com os serviços de nuvem e IA puxando o bom momento da empresa.

Outro exemplo interessante é da Danaher, empresa norte-americana de suprimentos de produtos médicos e biotecnologia, reconhecida pela excelência do modelo operacional, que entrega rentabilidade de forma consistente. Na década de 1990, ela encontrava dificuldade de diminuir os custos de produção e redirecionou seu esforço de inovação para a área, com aumento substancial da margem.

Casos assim tangibilizam como e porque companhias com uma cultura consistente de inovação têm uma vantagem competitiva sustentada: elas têm grande potencial de adaptabilidade, de solução de problemas, de atração e engajamento de talentos, são centradas no cliente e conseguem fazer o gerenciamento de risco de forma eficaz. Esses pontos as tornam atraentes ao mercado, valorizando seus ativos e fechando um círculo virtuoso, no qual todas as partes do ecossistema empresarial ganham.

Tão importante quanto o motivo pelo qual as companhias inovam é como elas fazem isso. O processo pode ser incremental, quando as mudanças são pequenas e graduais, com melhorias em processos e upgrades em produtos; radical, quando as mudanças são visíveis e rápidas; ou disruptivo, em que inovação muda completamente a forma do público consumir certo produto ou serviço.

Raciocínio similar é percebido na forma de alocação de capital entre o core business e novos negócios, método explorado pelo conhecido modelo dos 3 horizontes da inovação, da consultoria norte-americana McKinsey: um que explora o core business do negócio, aprimorando e otimizando produtos já existentes; outro que concentra esforços na investigação e exploração de mercados adjacentes, identificando oportunidades de crescimento; e finalmente aquele que incentiva a inovação radical, adotando uma abordagem mais arriscada e com perspectivas exponenciais. Todas essas frentes são trabalhadas de forma simultânea, com uso racional de capital, de acordo com o ciclo estratégico e de vida da empresa, ponto reforçado como relevante por autores como Aswath Damodaran.

Independentemente da área em que se busca a inovação, a cultura do erro pode ser empregada também como modelo de gestão – lição aprendida com as startups. A ideia é simples e tem termo em inglês, o fail fast: líderes estimulam que se erre “rápido”, por meio de protótipos que podem ser ajustados ou descartados, permitindo que a inovação seja colocada em prática – mas sem espaço para baixa performance, fator relevante em empresas que inovam com maior geração de valor.

Na minha trajetória de inovação no setor de saúde, tanto no ambiente acadêmico como corporativo, observei diferentes líderes testando e incorporando o uso de tecnologias para transformar a jornada de experiência dos pacientes, buscando novas formas de valor no diagnóstico e tratamento de doenças e, por fim, para mudarem o modelo de negócio em si. Aprendi o valor da inovação aberta, com parcerias que aperfeiçoam de forma substancial serviços e processos e comprovei a importância de equipes multidisciplinares e áreas transversais para ganhar agilidade e como a experimentação deve ser aplicada com disciplina e norteada por indicadores que comprovem a eficácia e aplicabilidade.

O impulso das empresas para inovação oscila em momentos de maior instabilidade financeira e econômica – inclusive do setor. Identifico que fatores como a ausência de retorno do investimento, o medo e intolerância à falha, a fadiga de tentar e não conseguir, além da conveniência de repetir aquilo que já deu certo no passado, são alguns dos principais fatores que paralisam a inovação. No entanto, em um mundo em constante evolução repetir os mesmos padrões pode ser contraproducente e uma frase do inventor norte-americano Charles Kettering traduz o meu pensamento sobre o tema: se você sempre faz algo do mesmo jeito, provavelmente você faz errado.


*Leonardo Vedolin é Vice-presidente médico da Dasa.

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JORNAL OPÇÃO

Em Goiânia, maternidades suspendem atendimentos por falta de pagamento: “Desabastecimento de todo e qualquer tipo de medicamento”

Unidades de saúde estão atendendo apenas urgências e emergências. Mais de 19 mil procedimentos não foram realizados

Agravando o colapso na saúde municipal, as três maternidades públicas de Goiânia suspenderam os atendimentos por falta de repasse da prefeitura municipal. Apenas casos de urgência e emergência estão sendo recebidos no Hospital e Maternidade Dona Iris (HMDI), Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara (HMMCC) e Maternidade Nascer Cidadã (MNC). 

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que está em contato com a Fundahc para regularizar o atendimento. A pasta também negocia com fornecedores para normalizar o serviço. Veja a nota na íntegra ao final da matéria.

Na última sexta-feira, 18, médicos pediatras do HMDI suspenderam todos os atendimentos noturnos. As gestantes que buscaram a unidade de saúde foram encaminhadas para o Hospital da Mulher (Hemu). Os serviços de urgência e emergência foram retomados no sábado, 19, de acordo com a Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (Fundahc) da Universidade Federal de Goiás (UFG).

“Hoje eu falo de desabastecimento de todo e qualquer tipo de medicamento, de serviços básicos como a alimentação, que não tem permitido a oferta de serviço assistencial. Com isso, alguns planos de contingenciamento já têm sido feitos, como a suspensão de cirurgias eletivas, atendimentos ambulatoriais”, explicou a diretora-executiva da Fundahc, Lucilene Sousa.

Juntas, as maternidades deixaram de realizar 19 mil procedimentos desde o início da suspensão dos atendimentos, incluindo cirurgias, exames e consultas, segundo Lucilene. Em agosto, as unidades de saúde já haviam suspendido os atendimentos por falta de pagamento.

Na ocasião, pacientes não conseguiram novas internações, realizar consultas agendadas, exames de ultrassonografia e de mamografia. Lucilene afirmou que o cenário vivido pelos funcionários das maternidades se agravou desde a primeira suspensão. 

“Isso não começou agora, já tem um histórico. A nossa grande preocupação é a questão do colapso da saúde materna e infantil no município de Goiânia. Essas três maternidades não prestam atendimento somente para Goiânia, mas também para municípios circunvizinhos e até outros estados”, disse.

Comitê 

A diretora-executiva da Fundahc explicou que propôs um comitê de crise, que será composto por técnicos de órgãos representantes de profissionais da saúde. A ação visa avaliar as condições para a manutenção do serviço prestado à população. 

No início de outubro, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) determinou o bloqueio de aplicação financeira ou depósito bancário nas contas vinculadas ao Fundo Municipal de Saúde da Prefeitura de Goiânia para garantir o repasse referente ao mês de agosto de 2024 para as maternidades e sugeriu o bloqueio de até R$ 6.895.584,93.

Nota Prefeitura de Goiânia

“A Secretaria Municipal de Saúde está em contato com a Fundahc/UFG enquanto se definem os repasses financeiros. A pasta também negocia com fornecedores, juntamente com a Fundahc, para que todo o serviço seja normalizado.

A expectativa é que o diálogo entre as instituições se mantenha aberto, buscando garantir a normalização plena dos serviços prestados à população.

Ressalta-se que os atendimentos de urgência e emergência foram retomados no Hospital Municipal Dona Iris (HMDI) nesta manhã, e todas as unidades de saúde geridas, incluindo o Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara (HMMCC) e a Maternidade Nascer Cidadã (MNC), permanecem funcionando normalmente”.

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AGÊNCIA BRASIL

Anvisa suspende venda e propaganda de "chips da beleza"

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a manipulação, comercialização, propaganda e uso de implantes hormonais manipulados, também conhecidos como chips da beleza, e vendidos por farmácias de manipulação em todo o país. A decisão consta em uma nova resolução da agência, que será publicada no Diário Oficial da União (DOU), e tem força de lei.

Segundo a Anvisa, a medida é preventiva e foi adotada após denúncias apresentadas por entidades médicas, entre elas a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, que apontam um crescimento do atendimento de pacientes com problemas devido ao uso de implantes que misturam diversos hormônios, em formato implantável, inclusive de substâncias que não possuem avaliação de segurança para a forma implantável. 

Desde o ano passado, a prescrição de terapias hormonais para fins estéticos, como ganho de massa muscular e melhora no desempenho esportivo, está proibida por outra resolução, aprovada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

Os “chips da beleza” são implantes largamente usados como estratégia para emagrecimento, tratamento da menopausa, antienvelhecimento, redução da gordura corporal, aumento da libido e da massa muscular. Segundo especialistas, eles podem conter inúmeras substâncias, embora normalmente sejam compostos por testosterona ou por gestrinona, um progestágeno com efeito androgênico. Combinações contendo estradiol, oxandrolona, metformina, ocitocina, outros hormônios e NADH também são produzidas. Entidades médicas vinham alertando as autoridades sanitárias contra o uso abusivo desses implantes.

Com a nova resolução, a Anvisa pede aos pacientes que fazem uso destes produtos a procurarem seus médicos para orientação em relação ao tratamento. Qualquer paciente que venha a ter reações pelo uso deste tipo de produto, deve fazer uma notificação ao órgão. Os chips da beleza nunca foram submetidos à avaliação da Anvisa.

 Alerta

A área de monitoramento da agência reguladora também já publicou um alerta em que destaca que implantes hormonais para fins estéticos e de desempenho podem ser prejudiciais à saúde, além de não haver comprovação de segurança e eficácia para essas finalidades.

 Dentre as complicações de quem faz uso indevido desses produtos estão: elevação de colesterol e triglicerídeos no sangue (dislipidemia), hipertensão arterial, acidente vascular cerebral e arritmia cardíaca.

Além disso, pode ocorrer crescimento excessivo de pelos em mulheres (hirsutismo), queda de cabelo (alopecia), acnes, alteração na voz (disfonia) insônia e agitação. 

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PORTAL G1

Estudante de medicina é investigado por fraudar provas de vestibular

Segundo a Polícia Federal, André Rodrigues Ataíde contava com um time de 32 pessoas fazendo as provas ou transmitindo as respostas para os candidatos.

O estudante de medicina André Rodrigues Ataíde é investigado por fraude no vestibular. O estudante se especializou em burlar o controle de exames de admissão online de algumas faculdades privadas. Essas provas costumam ser feitas com o microfone e câmera do computador ligados, para que um fiscal observe se o candidato não está colando.

O Fantástico teve acesso a um vídeo que André gravou para um candidato de vestibular de medicina. São instruções para enviar perguntas de uma prova na tela do computador para ele e receber de volta as respostas. “Teu olhar tem que ficar focado para tela. Se tu olhar para o lado aqui como eu to olhando, o sensor, o programa vai indicar para o fiscal e ele vai ficar enchendo teu saco”, diz André em um vídeo para um candidato ao vestibular de medicina.

A Polícia Federal identificou 30 candidatos que contrataram os serviços de André em quatro estados para 107 provas de vestibular. Na quarta-feira, a PF cumpriu 27 mandados de busca em casas de candidatos suspeitos ou de cúmplices no esquema de fraudes.

O investigado contava com um time de 32 pessoas fazendo as provas ou transmitindo as respostas para os candidatos, segundo a PF.

"Ele chegou a realizar nove provas em um único dia, simultaneamente, para nove candidatos. Ele tinha colaboradores que auxiliavam na resolução das provas", explica o delegado da Polícia federal Ezequias Martins.

Em fevereiro, o Fantástico mostrou a prisão de André por ter feito presencialmente, pelo menos, duas provas do Enem no lugar de estudantes que pagaram pelo serviço. A fraude foi comprovada quando a assinatura de André e a letra da redação foram comparadas com a assinatura e a letra dos estudantes aprovados. Um deles já estava cursando medicina na Universidade Estadual do Pará, a Uepa, onde André também estudava.

André hoje é réu na Justiça federal e responde em liberdade. E ainda pode se tornar réu em outro processo na Justiça estadual do Pará pelos mesmos crimes.

Em abril, André cancelou a matrícula na Universidade do Estado do Pará, onde já estava em andamento um processo de expulsão. Ele continuou a cursar medicina em Marabá na Faculdade de Ciências Médicas do Pará, a Facimpa.

O Fantástico foi até a casa de André Rodrigues Ataíde e quem atendeu foi o pai dele: “Vocês se aventurem daqui pra outro rumo. Para outro rumo, nós estamos falando sério”.

“As faculdades, elas estão sendo tratadas como vítimas nessa investigação, apesar de existir, sim, a vulnerabilidade do sistema”, afirma o delegado da Polícia federal Ezequias Martins.

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SAUDE BUSINESS

Acreditação hospitalar no Brasil: avanços e desafios no caminho da qualidade

Com apenas 8,99% dos hospitais acreditados, o Brasil avança lentamente na busca por excelência e segurança na saúde. Saiba quais são os principais desafios nesta jornada.

O cenário da acreditação no Brasil tem se mostrado cada vez mais relevante para o setor saúde, impulsionado por demandas de melhoria contínua na qualidade dos serviços prestados e pela necessidade de garantir segurança ao paciente. O país possui cerca de 6.805 hospitais, dos quais 612 são acreditados, representando 8,99% do total. Entre esses, 425 são certificados pela Organização Nacional de Acreditação (ONA).

Considerando o tipo de gestão, aproximadamente 57% dos hospitais acreditados pela ONA são privados, 21% são públicos, 19% são filantrópicos e 2% se enquadram em outros tipos de gestão ou não informados. Cerca de 70 organizações de saúde brasileiras são acreditadas pela Joint Commission International (JCI) - uma instituição internacional -, sendo que 70% são hospitais. Há ainda outros órgãos, como a Accreditation Canada.

No Brasil, a acreditação segue um modelo voluntário e se destaca por avaliar diferentes perfis, tamanhos e complexidades de organizações de saúde desde a atenção primária, secundária e terciária. Mas seu avanço ainda é considerado lento pelos especialistas.

"A acreditação no Brasil avança ainda com moderada velocidade. Considerando o número total de hospitais existentes no país, temos uma parcela muito pequena que se submete a essa avaliação externa", comenta Helidea Lima, diretora de Qualidade Assistencial da Rede D'Or e coordenadora do Grupo de Trabalho de Melhores Práticas Assistenciais da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp).

Existem diversas instituições acreditadoras, nacionais e internacionais. Segundo Cristiane do Valle, vice-presidente da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), a ONA é a única metodologia nacional estruturada de acordo com a realidade do sistema de saúde do Brasil, considerando a complexidade, porte, perfil, características regionais e níveis de atenção primário, secundário e terciário.

Poucas instituições são acreditadas, mas a tendência é de crescimento

Há um crescimento no número de instituições acreditadas, impulsionado por exigências de clientes, operadoras de saúde e pelo próprio mercado, que busca diferenciação pela qualidade e eficiência.

"O panorama da acreditação hospitalar no Brasil tem se mostrado cada vez mais promissor nos últimos anos. Com a maior conscientização sobre a importância da qualidade no atendimento à saúde, muitas instituições têm buscado a acreditação como um diferencial competitivo e um compromisso com a excelência", diz Mirocles Véras, presidente da Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB).

Apesar de não haver um levantamento oficial sobre o número de hospitais filantrópicos e Santas Casas que são acreditados atualmente, o portal da ONA aponta 119 resultados encontrados no perfil gestão filantrópica. "Um bom número, porém, ainda pequeno, diante das 1.814 instituições filantrópicas de saúde. Mas sabemos que a acreditação está no planejamento de muitas dessas instituições", destaca Véras.

O executivo acredita que os hospitais estão se conscientizando sobre a importância da acreditação não apenas como um selo de qualidade, mas também como uma forma de garantir a confiança da população e dos parceiros. Além disso, a acreditação tem se mostrado um diferencial competitivo que pode ajudar na captação de recursos e na ampliação do atendimento à população.

O fato é que o Brasil está vivenciando um momento de maior procura pelo sistema de acreditação, com um aumento significativo no número de novas instituições certificadas. Em 2023, o crescimento da ONA, por exemplo, foi de 17%, superando a média histórica de crescimento anual desde 2020.

Ana Maria Saut, gestora técnica da ONA e instrutora em cursos de pós-graduação da Fundação Vanzolini, uma das instituições acreditadoras credenciadas pela ONA no Brasil, conta que, no primeiro semestre de 2024, foram registradas 176 novas certificações, em comparação com 96 ao longo de todo o ano de 2023.

"Esse fato demonstra o contínuo interesse das instituições de saúde em aderir aos padrões de qualidade e segurança exigidos pela acreditação. O aumento foi impulsionado por iniciativas como o projeto Avança Saúde, que certificou 276 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) no município de São Paulo entre agosto de 2023 e junho de 2024."

Acreditação no Brasil e no mundo

Segundo dados do relatório Desafios de qualidade em saúde no Brasil, publicado em 2022 pela Anahp, a acreditação faz parte da gestão da saúde em quase 100 países, no entanto, o processo tem particularidades nas diversas regiões.

Na França, é obrigatório desde 1996 e serve como uma ferramenta de controle dos serviços, além dos propósitos originais. O National Health Service (NHS), da Inglaterra, utiliza a acreditação como base para uma política de melhoria contínua do sistema, inclusive com padrões específicos para unidades de baixa complexidade.

No Líbano, o governo emprega o processo como ferramenta para a regulamentação da assistência. Já a China adota a obrigatoriedade nos hospitais universitários como forma de garantir a formação de profissionais qualificados. Na Tailândia, o programa de acreditação, implantado em 1997, foi uma resposta bem-sucedida às dificuldades que os hospitais do país enfrentaram durante a crise econômica asiática.

"Quando comparamos o Brasil a outros países, podemos considerar que estamos bem. Avaliando dados de hospitais acreditados pela JCI no mundo, por exemplo, a Espanha possui apenas 3,24% dos hospitais acreditados por essa metodologia; Portugal, 1,23%; México, 1,08% e Colômbia, 0,77%, sendo que o Brasil aparece na terceira posição, com 8,63% do total dos hospitais acreditados", diz Helidea.

Nos Estados Unidos, a Joint Commission, junto à Joint Commission International (programa voltado para o exterior), certificou mais de 23 mil instituições em mais de 70 países. No Canadá, a Accreditation Canada certificou mais de 12.500 organizações em mais de 40 países.

Embora o Brasil enfrente desafios, como a concentração de instituições acreditadas na região Sudeste (71% do total), o crescimento em diversas áreas de saúde, como Atenção Primária e serviços de diagnóstico, está ampliando o alcance da acreditação no país.

"Além do crescimento no número de instituições acreditadas, destaca-se a evolução na maturidade dos sistemas de gestão. Atualmente, 521 instituições no Brasil são acreditadas no Nível 3 - Acreditado com Excelência, da ONA, representando 42,2% do total de acreditações. Esse nível de maturidade reflete a capacidade dessas instituições de manter padrões elevados de qualidade e segurança de forma consistente ao longo do tempo", destaca Ana Maria.

Desafios a serem vencidos na jornada da acreditação

As instituições hospitalares, tanto públicas quanto privadas, enfrentam desafios substanciais ao buscar a acreditação. A preparação pode demandar mudanças estruturais, culturais e de gestão.

O maior desafio para a maioria das instituições é mostrar aos profissionais o propósito da certificação. "Um dos fatores que dificultam o processo é a falta de estrutura adequada para atendimento aos padrões, incluindo áreas físicas e equipamentos. Hospitais que não conseguem manter suas estruturas atualizadas terão que fazer ainda mais investimento para conseguirem a acreditação", analisa Helidea.

Ela ressalta ainda a importância de avaliar a necessidade de fortalecer o cuidado interdisciplinar e centrado no paciente, além da cultura de aprendizado com a identificação dos eventos adversos como fundamentais nos desafios do processo da acreditação.

"Vejo como um dos principais obstáculos frente à obtenção da acreditação a adaptação aos rigorosos padrões de qualidade e segurança exigidos pelos organismos acreditadores. Isso muitas vezes requer investimentos em infraestrutura e formação de pessoal e implementação de novos protocolos, o que pode ser um desafio, especialmente para instituições que já operam com recursos limitados", opina Véras. Vale lembrar que o processo de acreditação pode envolver custos diretos (taxas de avaliação, investimentos em infraestrutura, treinamentos, entre outros) e indiretos (tempo e recursos humanos dedicados à implementação) significativos.

Outro desafio apontado por ele é a necessidade de documentação e rastreabilidade de processos. "Muitas instituições podem ter dificuldades em manter registros adequados e evidências que demonstrem conformidade com os padrões exigidos. Superar esses desafios é essencial para que possamos melhorar continuamente a qualidade do atendimento", comenta.

Na opinião de Ana Maria, instituições que não possuem uma área de qualidade podem ter dificuldades adicionais em organizar os processos necessários. "A criação de núcleos de qualidade é uma estratégia fundamental para garantir o desenvolvimento e a manutenção dos padrões exigidos para a acreditação."

Oportunidades e tendências para a melhoria contínua

Entre as tendências observadas nas certificações de qualidade e segurança do paciente destacam-se a busca por acreditações reconhecidas internacionalmente, a expansão para outros níveis de cuidado além dos hospitais e a busca por certificações em áreas específicas, como oncologia.

Além disso, a demanda por certificações em gestão ambiental e segurança da informação deve crescer. Na opinião de Cristiane, a integração de critérios de sustentabilidade, visando a redução do impacto ambiental nas práticas hospitalares - o que deve ganhar cada vez mais relevância nos próximos anos -, tem surgido como tendência promissora.

"Há, no entanto, o risco de migração da acreditação para a certificação pela norma ISO 7101, lançada no final de 2023. Por ser parte das normas ISO, essa certificação pode ter um maior reconhecimento pelo mercado e facilitar a integração com sistemas de gestão em áreas como meio ambiente e saúde e segurança ocupacional", observa Ana Maria.

Ela comenta ainda que as instituições de saúde já acreditadas devem buscar outras certificações. "As mais proeminentes na área de saúde incluem aquelas relacionadas à qualidade e segurança do paciente, gestão ambiental e segurança da informação. Essas certificações estão em destaque devido à crescente ênfase na excelência dos serviços de saúde, à visibilidade dos erros evitáveis, à necessidade de proteger os dados dos pacientes em um ambiente digitalizado e à preocupação global com questões ambientais. Além disso, elas se alinham às Metas de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidas pelas Nações Unidas, contribuindo para a promoção da saúde e bem-estar, redução das desigualdades e ação pelo clima."

Ana Maria também ressalta a necessidade de expansão da acreditação para além dos hospitais, alcançando laboratórios e serviços de imagem como uma tendência de diversificação e consolidação da acreditação em diferentes serviços de saúde no Brasil.

Mas as oportunidades de melhoria também devem ser uma preocupação das instituições acreditadoras, acredita Helidea, com foco na manutenção da expertise dos avaliadores, que deveriam passar por processo de educação permanente e avaliação do seu desempenho para que não existam tantas diferenças na forma de avaliação dos critérios por uma mesma metodologia.

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FOLHA DE S.PAULO

Doenças infecciosas e transtornos mentais devem ser prioridades no SUS, apontam profissionais

Profissionais de saúde pública destacam uma necessidade de priorização de temas como doenças infecciosas silenciosas, saúde de pessoas em vulnerabilidade social e saúde mental como indicadores de desempenho na Atenção Primária à Saúde (APS), principal porta de entrada do SUS (Sistema Único de Saúde).

É o que aponta pesquisa feita pela organização ImpulsoGov para o Ministério da Saúde. A entidade produz conteúdos que servem de sugestão para a pasta, com o objetivo de entender quais são as áreas da saúde pública que precisam de melhorias.

Os resultados destacaram não só uma clara prioridade para temas já consolidados no monitoramento em saúde, como gestantes, doenças crônicas e saúde infantil, como também revel uma necessidade de atenção para essas áreas emergentes.

Os indicadores compõem critérios para o cofinanciamento federal do piso da APS no SUS, que leva em consideração o cumprimento de metas. Hoje está em vigor um modelo de transição após uma portaria que pôs fim ao modelo anterior, o Previne Brasil, criado em 2020 na gestão Jair Bolsonaro (PL).

O levantamento teve a participação de profissionais em 1.368 municípios brasileiros de todas as unidades federativas. Os inscritos na lista do ImpulsoGov para receber conteúdos sobre a APS foram convidados a opinar sobre quais temas deveriam ser priorizados na construção de indicadores de desempenho: um total de 20.711 receberam as mensagens, mas apenas 3.262 responderam.

Os respondentes deveriam escolher um único tema entre quatro opções. Eles não eram informados da existência de tras na pesquisa além das selecionadas aleatoriamente para si. Cada resposta foi transformada em uma combinação de comparações binárias entre a resposta priorizada por cada participante e cada uma das alternativas oferecidas e, em seguida, as preferências foram agregadas. Esta é a pesquisa mais ampla a coletar percepções de profissionais de saúde em relação a indicadores de desempenho na APS no Brasil, conforme o instituto.

As doenças infecciosas silenciosas, como tuberculose, hanseníase e hepatites virais, foram destacadas por 51,5% dos profissionais. A saúde de pessoas em vulnerabilidade social recebeu 50,2% das preferências, e os transtornos mentais, incluindo abuso de álcool e tras drogas, foram destacados por 49,4%. Em seguida, o tema idosos foi destacado com 48,3% das preferências.

Além do ranking geral, o estudo fornece análises por cargo dos respondentes: foram vidos agentes comunitários de saúde, enfermeiros, médicos e dentistas, além de técnicos de enfermagem. Também há análises de acordo com a região geográfica, porte e vulnerabilidade dos municípios de atuação.

Cham atenção especial dos organizadores a maior importância que os agentes comunitários deram ao acompanhamento das questões de saúde mental em relação aos demais grupos - o tema apareceu em terceiro lugar de priorização, atrás apenas de hipertensão e diabetes, embora nunca tenha havido indicadores associados ao tema.

Os resultados indicam uma possível necessidade de ampliação do foco das políticas de saúde para garantir que as estratégias de financiamento e monitoramento estejam alinhadas às necessidades identificadas pelos profissionais do SUS, aponta João Abreu, diretor-executivo da ImpulsoGov.

Os agentes comunitários são a categoria que menos consegue ser escutada em relação a políticas federais e são as pessoas que mais têm informações relevantes sobre o que está acontecendo, porque elas visitam as casas das pessoas todos os dias

"Os agentes comunitários são a categoria que menos consegue ser escutada em relação a políticas federais e são as pessoas que mais têm informações relevantes sobre o que está acontecendo, porque elas visitam as casas das pessoas todos os dias. Então quando a gente tem mudanças nos perfis de saúde da população, eles são os primeiros a saberem."

Em contraste, a pesquisa revel que a saúde de pessoas com deficiência e a saúde do homem foram as áreas menos destacadas pelos profissionais de saúde, recebendo apenas 15% e 14,4% das preferências, respectivamente.

Segundo Abreu, esses dados geram uma preocupação, considerando que também são assuntos importantes na área da saúde. "A questão da saúde do homem, por exemplo, a gente sabe que existe uma série de barreiras culturais: eles procuram menos o serviço de saúde, então a atenção primária está refletindo essa realidade."

A amostra cont com a predominância de enfermeiros e coordenadores de equipe (40% da amostra), seguidos por técnicas de enfermagem (19%), tros cargos (16%), agentes comunitários de saúde (11%) e profissionais da gestão e apoio (11%). A predominância foi de profissionais da região Nordeste (38%), de municípios de média vulnerabilidade (30%) e com mais de 100 mil habitantes (40%).

Dentre as limitações metodológicas, o ImpulsoGov afirma que, embora tenha contado com uma ampla adesão de profissionais em todas as unidades federativas e em mais de 1.300 municípios, a pesquisa não foi desenhada para maximizar a representatividade em relação à população brasileira ao universo de profissionais do SUS, de forma que os resultados não necessariamente podem ser extrapolados ao conjunto do país.

Este projeto é uma parceria com a Umane, associação que apoia iniciativas no âmbito da saúde pública

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Assessoria de Comunicação

Sexta, 18 Outubro 2024 07:07

CLIPPING AHPACEG 18/10/24

Escrito por

ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

Demografia Médica CFM: número de médicos em Goiás aumenta 123% em 14 anos

Colaboradores da Unimed Federação Centro Brasileira participam de palestra sobre combate e prevenção ao assédio

TJGO: Prefeitura deve regularizar repasses a unidades de saúde de Goiânia

STF finaliza acordo sobre judicialização de remédios de alto custo

Comissão de Saúde convoca secretário Wilson Pollara para prestar esclarecimentos sobre crise no setor

Nísia diz que revisão em portaria sobre transplantes será para "aperfeiçoamento" - Notícias do brasil

CFM

Demografia Médica CFM: número de médicos em Goiás aumenta 123% em 14 anos

A quantidade de médicos no Goiás mais do que duplicou de 2010 para cá, segundo dados da Demografia Médica 2024 elaborada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). O levantamento, divulgado em abril deste ano, aponta que o estado tinha 9.522 médicos há 14 anos e, agora, conta com 21.215 profissionais. Com isso, a densidade por mil habitantes também dobrou: passou de 1,39 para 2,93 médicos por cada grupo de mil pessoas.

“Os dados indicam que o estado conta hoje com mais médicos. Mas a que custo? Observamos a criação indiscriminada de escolas médicas no País sem critérios técnicos mínimos, o que afeta a qualidade da formação dos estudantes de medicina. A qualidade da assistência não é apenas uma questão matemática, mas que exige planejamento e boa gestão. É preciso debater sobre isso com a administração pública e a sociedade”, afirma o presidente do CFM, José Hiran Gallo.

No Goiás, são 11.393 médicos e 9.822 médicas. A média de idade desses profissionais é de 42,57 anos, enquanto a média do tempo de formado chega a 16,16 anos. Na distribuição pelo território, verifica-se 12.801 médicos atuando na capital, Goiânia, ou seja, 60% do total, e 8.414 no interior. A maioria dos médicos tem Registro de Qualificação de Especialidade Médica (RQE): 10.831. Outros 10.384 não são especialistas (não têm RQE).

Com mais médicos, Goiânia se destaca com uma média de densidade médica seis vezes superior à registrada no interior da unidade da federação. Na capital, são 8,67 médicos para cada mil habitantes. Já no interior, é 1,46 por mil habitantes.

Brasil - A Demografia Médica 2024 do CFM revela que, nunca antes na história, o País contou com tantos médicos como atualmente. O levantamento mostra que o Brasil tem hoje 575.930 médicos ativos, uma das maiores quantidade do mundo. O número resulta em uma proporção de aproximadamente 2,81 registros de médicos por mil habitantes, a maior já registrada pelo País.

Desde o início da década de 1990, a quantidade de médicos mais que quadriplicou, passando de 131.278 para a atual, registrada em janeiro de 2024. Este crescimento, impulsionado por fatores como a expansão do ensino médico e a crescente demanda por serviços de saúde, representa um aumento absoluto de 444.652 médicos e de 339%, em termos percentuais.

Comparando os crescimentos da população em geral e a população médica, é possível ver que o número de médicos aumentou oito vezes mais do que o da população em geral durante esse período. Em termos absolutos, a população brasileira expandiu-se de 144 milhões em 1990 para 205 milhões em 2023, conforme dados do IBGE.

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AGÊNCIA UNIMED

Colaboradores da Unimed Federação Centro Brasileira participam de palestra sobre combate e prevenção ao assédio

Advogada trabalhista mostrou situações que caracterizam o assédio moral e sexual e como denunciá-los

Sabe aquela “brincadeira” de colocar apelidos nos colegas, destacando alguma característica física ou comportamental deles? Pois é, de brincadeira isso pode não ter nada e ainda ser caracterizado como crime. Isso mesmo! Insistir em chamar o colega de “baixinho”, “gordo”, “lerdo” ou adjetivos aparentemente inofensivos pode ser caracterizado como assédio moral e isso é crime.

Para falar aos colaboradores sobre o assunto, a Unimed Federação Centro Brasileira convidou a advogada trabalhista Carla Zannini. Na tarde da quinta-feira, 17, ela ministrou uma palestra para a equipe sobre Assédio Moral e Sexual e destacou as características e, principalmente, como prevenir e combater esses crimes. 

Apelidar os colegas, de acordo com a advogada, pode ser considerado uma forma de assédio moral. “Se o apelido incomoda, humilha, constrange a vítima e é repetido, se trata de assédio”, alertou.

Como saber se a brincadeira foi além do que poderia? Pergunte! A comunicação, de acordo com Carla Zannini, é a chave para prevenir problemas de assédio moral. Se o colega ou chefe alega não gostar do apelido, a dica é parar imediatamente com a prática, que é apenas um exemplo de assédio moral.

Gritar, humilhar, constranger, isolar, sobrecarregar de tarefas extras, comparar, minimizar a capacidade laboral são outros comportamentos indevidos que, quando reiterados, caracterizam o assédio moral no trabalho tanto entre colegas, quanto de gestores para subordinados e o contrário.

“A humilhação repetitiva interfere na vida profissional e pessoal, com danos à saúde física e mental. Em determinados casos, pode gerar acidentes de trabalho, adoecimento, baixa produtividade”, descreveu a advogada, ressaltando que a Constituição Federal e Código Civil trazem as bases legais para o combate ao assédio.

A Lei nº 14.457/2022, chamada de “Emprega Mais Mulheres”, reforça essa base legal e, além da proteção às trabalhadoras, ainda enfatiza a necessidade de um ambiente seguro nas empresas para denúncias por homens e mulheres.

Na Federação, ressaltou Carla, que também é assessora jurídica da cooperativa, o canal de denúncia é anônimo e os relatos são recebidos sem qualquer divulgação indevida da vítima ou perigo de represálias. 

Assédio sexual

A palestra também abordou as características do assédio sexual, como tocar partes do corpo do outro sem consentimento, piadas de cunho sexual, perseguição, intimidação e chantagem. Trata-se de um crime descrito no Código Penal. 

Neste caso, não há necessidade da continuidade para configurar o assédio. A primeira ocorrência já deve ser denunciada. “O assédio sexual é muito sério, mexe com os aspectos psicológicos e pessoais. Não podemos permitir a existência dele”. 

O presidente da Unimed Federação Centro Brasileira, Danúbio Antonio de Oliveira, acompanhou parte da palestra e ressaltou que a cultura da cooperativa é firme contra as variadas formas de assédio. “A nossa proposta, como Federação, sempre foi combater qualquer tipo de discriminação, para que o nosso ambiente de trabalho seja o melhor possível. Seguiremos dessa forma, respeitando a diversidade e as diferenças que existem”.

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A REDAÇÃO

TJGO: Prefeitura deve regularizar repasses a unidades de saúde de Goiânia

Acatando recurso do Ministério Público de Goiás (MPGO), o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) reconsiderou a decisão que havia suspendido a liminar determinando que a Prefeitura de Goiânia regularizasse os repasses devidos aos hospitais contratados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que atendem pacientes regulados pelo município. Com o parecer divulgado nesta quinta-feira (17/10), entidades como Santa Casa de Misericórdia e Hospital de Câncer Araújo Jorge devem receber, respectivamente, R$ 14 milhões e R$ 12 milhões.
A nova decisão, proferida pelo desembargador Wilton Müller Salomão, relator do caso, acolheu o recurso protocolado na tarde de ontem pela procuradora de Justiça Ivana Farina Navarrete Pena, e restabeleceu a liminar concedida pela 4ª Vara da Fazenda Pública Municipal, em agosto deste ano, também a pedido do MPGO.

A decisão anterior, que suspendia a liminar, havia sido justificada pelas alegações do município de dificuldades financeiras e estruturais. Contudo, ao reavaliar o caso, o desembargador Wilton Müller entendeu que a suspensão dos repasses hospitalares prejudicava diretamente a população dependente do SUS, vulnerando o direito fundamental à saúde garantido pela Constituição Federal. "A conduta do município, de suspender gradualmente a oferta de leitos, afeta gravemente a população mais vulnerável", destacou na decisão".
Outras considerações
Com a nova decisão, a liminar que obriga o município a não manter pacientes em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) por mais de 24 horas, transferir pacientes intubados para hospitais e garantir a utilização de todos os leitos habilitados no SUS volta a valer. 
O MPGO argumentou que a suspensão da liminar agravava a crise no sistema de saúde da capital, com hospitais paralisando os atendimentos pela falta de pagamento, gerando dano no direito à saúde. "É necessário garantir a primazia do direito à vida, o bem maior guardado pela Constituição Federal, que se sobrepõe a quaisquer outros, notadamente à eventual regularidade fiscal", afirmou Ivana Farina Navarrete Pena.
O desembargador Wilton Müller Salomão ainda determinou que o Juízo de primeira instância fosse imediatamente informado sobre a decisão, garantindo a retomada do cumprimento das obrigações impostas ao Município de Goiânia. 

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AGÊNCIA BRASIL

STF finaliza acordo sobre judicialização de remédios de alto custo

O Supremo Tribunal Federal (STF) finalizou nesta quinta-feira (17/10) o acordo firmado no mês passado com o governo federal, estados e municípios para estabelecer parâmetros para o fornecimento de medicamentos de alto custo.

A medida estabelece que as ações judiciais envolvendo pedidos de medicamentos não incorporados ao SUS, mas que já têm registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), devem tramitar na Justiça Federal. Nesses casos, a União deve pagar os medicamentos com valor anual igual ou superior a 210 salários mínimos.

Quando o custo anual do remédio ficar entre sete e 210 salários mínimos, os casos serão julgados pela Justiça Estadual. Nessa situação, o governo federal deverá ressarcir 65% das despesas que estados e municípios tiverem com o pagamento dos medicamentos. Nos processos envolvendo remédios oncológicos, o ressarcimento será de 80%.

Também está prevista a criação de uma plataforma nacional para centralizar todas as demandas judiciais de medicamentos. Os dados dos processos de requisição de medicamentos poderão ser compartilhados com o Judiciário para facilitar a análise dos processos.

Cerimônia

A cerimônia de conclusão do acordo foi realizada nesta quinta-feira pelo Supremo. Segundo o presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso, o acordo é a primeira medida para racionalizar o sistema judicial da saúde. "Essa questão da judicialização da Saúde passou a ser um dos maiores problemas do Poder Judiciário brasileiro, possivelmente um dos mais difíceis, porque é uma matéria que não há solução juridicamente fácil nem moralmente barata", afirmou. 

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, também participou do evento e disse que o acordo é um marco para a saúde pública do pais. Para ela, o direito constitucional à saúde deve ser aplicado de forma sustentável para que o SUS beneficie toda a população. "Os temas julgados pelo STF são emblemáticos e estabelecem critérios de responsabilidade para concessão judicial de medicamentos e outros insumos de saúde, bem como a competência e a divisão de responsabilidades e encargos entre União, estados e municípios", pontuou.

O advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou que o acordo vai permitir o combate à litigância predatória na área da saúde e a pacificação do tema entre estados, municípios e o governo federal. "A partir desse entendimento, nós conseguimos construir um rol de competências e de responsabilidades muito claras no SUS. A responsabilidade da União, dos estados, Distrito Federal e municípios", completou. 

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HORA EXTRA

Comissão de Saúde convoca secretário Wilson Pollara para prestar esclarecimentos sobre crise no setor

Entre outras pautas, audiência pública discutirá atraso em repasses financeiros da Prefeitura às maternidades de Goiânia

A Comissão de Saúde da Câmara de Goiânia, presidida pela vereadora Kátia Maria (PT), convocou o secretário municipal de Saúde, Wilson Pollara, para prestar contas de sua gestão e para esclarecer sobre a crise que afeta a saúde pública da capital. A audiência, marcada para o dia 30 de outubro, às 13 horas, no Plenário da Câmara, acontece em momento crítico para o setor, com interrupção de atendimentos em maternidades e com problemas em unidades de urgência e emergência, como falta de energia nos Centros de Atenção Integral à Saúde (Cais).

Um dos principais pontos a serem discutidos será o atraso nos repasses financeiros às maternidades de Goiânia, como a Célia Câmara, que suspendeu atendimentos devido à falta de insumos essenciais. A Fundação Fundahc, que administra a unidade, relata que há mais de R$ 43 milhões em repasses em aberto por parte da Prefeitura, o que tem dificultado a continuidade dos serviços. Além disso, a falta de energia em unidades de saúde prejudica o atendimento, causando transtornos à população.

A vereadora Kátia considera fundamental a convocação do secretário para exigir transparência na gestão da saúde pública e para pressionar a Prefeitura a adotar soluções emergenciais para os problemas. "É inadmissível que as maternidades estejam fechando portas e que os Cais estejam sem infraestrutura adequada. Vamos exigir respostas claras do secretário Pollara", afirmou.

A audiência pública contará com presença de representantes da Fundação Fundahc e do Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego), que já vinha intermediando negociações entre a Prefeitura e a fundação. O conselho espera a regularização dos repasses em atraso e o restabelecimento urgente dos serviços de saúde.

Com a crise no setor agravando-se a cada dia, a expectativa é de que a audiência resulte em soluções para melhoria da saúde pública em Goiânia, que hoje sofre com falta de recursos, de insumos e de profissionais para atender à crescente demanda.

Serviço
Audiência Pública - Crise da saúde pública em Goiânia
Data: 30 de outubro
Horário: 13 horas
Local: Plenário da Câmara

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NOTÍCIAS DO BRASIL

Nísia diz que revisão em portaria sobre transplantes será para "aperfeiçoamento" - Notícias do brasil

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, disse, nesta quinta-feira (17), que a revisão em curso na portaria que regulamenta o Sistema Nacional de Transplantes será para "aperfeiçoar" o sistema.

Segundo a ministra, antes mesmo de serem divulgados os casos de infecção por HIV após transplantes no Rio, o governo discutia novas regras para transplantes.

"As regras sempre foram muito rígidas, os exames que tinham que ser feitos", disse Nísia após um evento no Supremo Tribunal Federal.

Mas queremos avançar nos instrumentos para aperfeiçoamento. A portaria tem a ver com isso. Não é a portaria que vai resolver as questões, mas nós já estávamos atualizando porque é uma política de 14 anos Nísia Trindade

Regras mais rígidas

O Ministério da Saúde deve incluir regras mais rígidas e exames mais criteriosos nos órgãos a serem doados, além de criar normas específicas para definir os laboratórios que podem realizar os testes relacionados aos transplantes.

Hoje, a lei não define critérios para a escolha das unidades que realizam esses testes.

Nísia voltou a lamentar o transplante de órgãos infectados com HIV no Rio de Janeiro. Ao menos seis pacientes foram infectados após a produção de laudos errados por um laboratório privado de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O incidente é investigado pelo Ministério Público do Rio e pelas polícias Federal e Civil.

"Na questão do Rio, estamos trabalhando com cuidado com as pessoas que infelizmente passaram por esse processo inadmissível de receber um órgão infectado, e também de fazer uma auditoria em todos os processos relacionados ao laboratório. Isso é o que nos compete. À polícia, caberá a parte investigativa, que não é o nosso papel", disse Nísia.

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Assessoria de Comunicação

Quinta, 17 Outubro 2024 07:37

Ahpaceg no Conahp 2024

Escrito por

OUTUBRO EQUIPE CONAHP 16 10 24

 

O presidente da Ahpaceg, Haikal Helou, e representantes dos associados estão em São Paulo (SP) atualizando seus conhecimentos e ampliando informações na edição 2024 do Congresso Nacional de Hospital Privados (Conahp).

O evento começou ontem, 16, e segue nesta quinta-feira com uma programação repleta de temas atuais da área da saúde e do setor hospitalar, como o sistema de saúde, com evidências práticas de possíveis caminhos para renovação; o impacto das ações ESG praticadas pelos players da saúde, que buscam promover mudanças positivas para pacientes, colaboradores e sociedade; a evolução do cuidado, a importância do autocuidado e saúde integrativa; debates sobre lideranças humanas, burnout clínico-assistencial, nova formação médica e o impacto da IA regenerativa no trabalho de profissionais de saúde e muito mais.

Promovida pela Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anaph), essa edição do Conahp é apresentada como “um evento disruptivo, inspiracional e provocativo para contribuir, de forma prática, com a superação dos desafios impostos à saúde”.

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