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ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
Nos planos de saúde coletivos, Amil lidera reajustes; Bradesco acelera alta
Unimed Ferj atrasa pagamentos, e hospitais podem ser descredenciados
Acionistas pedem que UnitedHealth analise impacto de recusas de atendimento médico
Unimed Nacional alcança a maior pontuação no IDSS entre as principais operadoras de saúde do Brasil
Apenas 18% dos hospitais brasileiros possuem estratégias digitais definidas, revela estudo
Relatório analisa avanços da Transformação Digital dos Hospitais Brasileiros
Desamparo do médico frente às responsabilidades éticas e legais
SUS Digital amplia serviços com novos códigos para os serviços de telessaúde
O GLOBO
Nos planos de saúde coletivos, Amil lidera reajustes; Bradesco acelera alta
Entre as maiores operadoras de saúde do país, a Amil é a que mais vem reajustando os preços dos planos coletivos (adesão e empresariais), segundo análise do BTG Pactual com base em dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Na outra ponta, os aumentos mais "tímidos" vêm da Hapvida. E, embora as operadoras estejam reduzindo o ritmo das altas, no geral, o Bradesco acelerou o reajuste, observa o BTG.
O reajuste anual médio praticado pelos planos coletivos entre setembro e novembro (dado mais recente da ANS) foi de 13,2%. No terceiro trimestre (julho a setembro), as operadoras haviam reajustado os planos que fizeram "aniversário" naquele período em 13,4%. No acumulado de 2024 até novembro, o reajuste anual médio aplicado foi de 13,8%, contra 14,5% no mesmo período de 2023.
Lucro?
Entre setembro e novembro, a Amil praticou um reajuste médio de 19,9%, o maior entre as operadoras pesquisadas pelo BTG. No entanto, houve uma desaceleração: no terceiro trimestre, a taxa estava em 21,2%.
"(Os reajustes) da Amil continuam chamando atenção na comparação com a média da indústria", escreveram os analistas do BTG.
Como se sabe, a operadora trocou de mãos no fim de 2023, quando o empresário José Seripieri Filho - o Júnior, fundador da Qualicorp - comprou o negócio das mãos da americana UnitedHealth Group e assumiu um passivo estimado em R$ 9 bilhões. Desde então, o empresário vem focando na rentabilidade do negócio e prometendo apresentar algum lucro no balanço referente a 2024. Em 2023, a operadora registrou uma perda contábil de R$ 4 bilhões.
Contraste
Na Hapvida, o reajuste anual caiu de 12,3% para 11,7% nos períodos analisados; na SulAmérica, foi de 16,8% para 16,6%; na Unimed Nacional, a alta anual média foi de 16% entre setembro e novembro, contra 16,6% no terceiro trimestre.
"Até agora, os números da Hapvida têm sido consistentes com a mensagem da operadora de que os aumentos devem desacelerar durante o ano", observou o relatório do banco. "Em contraste com a média do setor, os reajustes do Bradesco aceleraram."
A Bradesco Saúde praticou um reajuste médio de 17,6% nos planos coletivos entre setembro e novembro, contra 13,9% no terceiro trimestre.
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Unimed Ferj atrasa pagamentos, e hospitais podem ser descredenciados
Rede D' Or deixará de atender pacientes do plano mês que vem. Associação de Hospitais do Rio calcula que operadora deve cerca de R$ 2 bilhões a prestadores; empresa nega
Oito meses após a migração dos usuários da Unimed-Rio, a Unimed Ferj acumula dívidas com hospitais e clínicas que passam dos R$ 2 bilhões. Os cálculos são da Associação de Hospitais do Estado do Rio (Aherj), que prevê a possibilidade de descredenciamento caso a operadora não se comprometa a quitar as cobranças.
A Rede D'Or já anunciou que deixará de atender clientes da Unimed Ferj a partir de fevereiro. O plano de saúde afirma desconhecer os valores.
A quantia é a soma do passivo herdado pela operadora na transferência dos usuários da Unimed-Rio, de cerca de R$ 1,6 bilhão, com outros R$ 400 milhões em faturas mensais para estabelecimentos de saúde.
Inicialmente, a proposta da Unimed Ferj para os débitos anteriores à migração era um desconto de 30% e o pagamento em 36 meses, mas as negociações com a associação não continuaram, e os acordos passaram a ser feitos individualmente com cada hospital.
Apesar disso, segundo o presidente da Aherj, Marcus Camargo Quintella, as parcelas não estão sendo pagas em dia, formando uma "bola de neve" com as cobranças pelos serviços prestados pelos hospitais mês após mês, que também não são quitados de forma integral.
Risco de descredenciamento Os hospitais propuseram, então, a inclusão das faturas mensais em aberto no passivo da Unimed-Rio e um reparcelamento, mas a decisão espera uma reunião entre as partes, a ser mediada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Em nota, a reguladora afirmou que até o momento não há reunião agendada sobre o tema.
Segundo Quintella, se a operadora não se comprometer com os pagamentos, clientes Unimed Ferj podem deixar de ser atendidos em hospitais do Rio.
- Os pacientes continuam chegando, e os hospitais não recebem. Não dá mais para subsidiar. Tudo caminha no sentido de que os hospitais serão obrigados a paralisar por não ter mais capital para sustentar o atendimento. Nossos profissionais e fornecedores não aguardam seis meses para receber - diz.
A Unimed Ferj tem na rede credenciada grandes grupos hospitalares, mas também pequenas instituições independentes. Segundo o presidente da Aherj, são os menores que mais sofrem com a falta de pagamento:
- Não há equidade nos pagamentos. Num mês, pagam a dívida antiga para um hospital. Noutro, quitam parcela corrente de outra instituição. A preocupação da operadora é com as grandes redes, que recebem a maior parte dos usuários e por medo de descredenciamento, mas tem estabelecimento, principalmente os pequenos, que não recebe há praticamente um ano.
Mais Sobre Planos de saúde Planos de saúde: ANS diz que vai manter consulta sobre mudança de regras Planos de saúde: operadoras pedem suspensão de consulta pública sobre mudança de regras Só na maior prestadora de serviços hospitalares da operadora, são R$ 100 milhões em débitos anteriores à migração, além de R$ 60 milhões em faturas mensais atrasadas ou pagas apenas parcialmente. Um executivo da companhia diz que "não há intenção de descredenciamento, mas é impossível trabalhar sem receber".
A Rede D'Or informou que, partir de 18 de fevereiro, os seis hospitais credenciados Unimed Ferj - Quinta D'Or, Norte D'Or, Oeste D'Or, Glória D'Or, Perinatal e o Jutta Batista - deixarão de atender usuários da operadora "por motivos administrativos". O atendimento dos pacientes que já estavam com tratamento em andamento será mantido.
Como informou o Valor, circularam no mercado comunicados de que os hospitais São Lucas, em Copacabana, e Nossa Senhora do Carmo, em Campo Grande, deixariam de atender usuários da Unimed Ferj a partir de 30 de dezembro. Mas a Dasa, dona das unidades, se limitou a dizer que não divulga detalhes de suas tratativas com parceiros comerciais.
A Amil, com cinco unidades credenciadas, como os hospitais Pró-Cardíaco, em Botafogo, e Pasteur, no Méier, também não comentou.
Procurada, a Unimed Ferj informou que desconhece os valores mencionados pela Aherj. Sobre a dívida herdada da Unimed Rio, a operadora informou que "mais de 65% do montante assumido já foi renegociado, com as respectivas repactuações devidamente assinadas e em dia".
Entre dívidas e descredenciamentos, estão os consumidores. A carteira da Ferj passa de 509 mil vidas, sendo 131 mil contratos individuais e 378 mil coletivos.
Segundo a ANS, as operadoras são obrigadas a oferecer aos beneficiários todos os procedimentos previstos no contrato e no rol da agência. Dessa forma, em caso de descredenciamento por parte do hospital, cabe ao plano de saúde manter o atendimento dos usuários de maneira compatível.
Médicos recebem menos Outro gargalo nas finanças da operadora é relativo ao pagamento dos médicos cooperados. Na semana passada, os profissionais foram informados que receberão apenas 35% dos honorários, e não há um cronograma de acerto dos meses de novembro e dezembro.
Sobre isso, a operadora afirmou que houve um "evento pontual relacionado ao fluxo de caixa de final de ano".
"De acordo com o cronograma vigente, a produção de novembro foi apresentada em dezembro, sendo paga em duas datas: a primeira parcela foi quitada integralmente, enquanto a segunda teve 40% de seu valor pago. A Unimed Ferj está empenhada em readequar a nova data para o pagamento", diz o texto.
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INFOMONEY
Acionistas pedem que UnitedHealth analise impacto de recusas de atendimento médico
Se a proposta chegar a ser votada na reunião anual da empresa, ela levantará um tópico muito discutido depois que um executivo sênior foi morto a tiros em NY
Se a proposta chegar a ser votada na reunião anual da empresa, ela levantará um tópico muito discutido depois que um executivo sênior foi morto a tiros em NY
Acionistas da UnitedHealth Group disseram nesta quarta-feira (8) que solicitaram que a empresa preparasse um relatório sobre os custos e o impacto na saúde pública relacionados às suas "práticas que limitam ou atrasam o acesso à saúde".
Se a proposta chegar a ser votada na reunião anual da empresa, ela levantará um tópico muito discutido depois que um executivo sênior foi morto a tiros em Manhattan no mês passado.
Um porta-voz da UnitedHealth disse que a empresa responderá às propostas dos acionistas para sua declaração de procuração de 2025 assim que apresentar o documento que serve como agenda para sua reunião anual, que ainda não foi marcada. Nos últimos anos, a empresa emitiu sua procuração em abril, antes da reunião anual de junho.
Entre os que apresentaram a resolução estão grupos religiosos liderados pelas Irmãs dos Santos Nomes de Jesus e Maria de Quebec e a Trillium Asset Management.
O grupo propôs uma análise de como a autorização prévia, ou seja, a aprovação exigida por uma seguradora antes que um paciente possa receber atendimento médico, e as recusas de serviços médicos levam os pacientes a renunciar ao tratamento.
"O padrão de atrasos e recusas de cuidados médicos necessários por parte da UnitedHealth e de outras seguradoras prejudica mais do que apenas o próprio paciente", disse Wendell Potter, presidente do Center for Health & Democracy e ex-executivo da Cigna, em um comunicado enviado em apoio à resolução pelo Centro Inter-religioso sobre Responsabilidade Corporativa.
A morte do presidente-executivo da UnitedHealthcare Brian Thompson, em dezembro, galvanizou as críticas às seguradoras de saúde dos EUA, com grupos de pacientes descrevendo atrasos ou recusas de atendimento e acusando as empresas de usar práticas enganosas.
Luigi Mangione, 26 anos, que foi acusado de matar Thompson, declarou-se inocente em um tribunal de Nova York em dezembro, depois de receber milhares de dólares em doações públicas logo após sua prisão.
Em um comunicado de dezembro, a UnitedHealth disse que aprova e paga, em média, 90% das solicitações médicas enviadas.
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SAÚDE BUSINESS
Unimed Nacional alcança a maior pontuação no IDSS entre as principais operadoras de saúde do Brasil
Com pontuação de 0,9408, a Unimed Nacional ficou na faixa mais alta do IDSS 2024, avaliação anual da ANS para o setor de saúde suplementar.
A Unimed Nacional alcançou a nota mais alta entre as cinco maiores operadoras de planos de saúde do Brasil no Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS) 2024, referente ao ano-base 2023. O índice, divulgado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), é a principal ferramenta de avaliação do setor no país.
Com uma pontuação de 0,9408 (em uma escala de 1,00), a Unimed Nacional foi classificada na faixa verde, a mais alta do ranking. O desempenho consolida a posição de liderança do Sistema Unimed na saúde suplementar. Entre as 25 operadoras médico-hospitalares que atingiram a nota máxima no levantamento, 20 pertencem ao sistema Unimed.
Cooperativas médicas destacam-se no setor
As cooperativas médicas, incluindo a Unimed Nacional, continuam a se sobressair no setor de saúde suplementar. Das 234 operadoras classificadas nas faixas verde e amarela (as duas melhores do IDSS), as cooperativas médicas obtiveram uma nota ponderada de 0,8032, superando a média geral do setor, que foi de 0,7898.
No total, a ANS avaliou 894 operadoras em 2023, mas apenas 48 (5,37%) alcançaram notas superiores a 0,90. Esse desempenho coloca a Unimed Nacional bem acima da média do setor.
Desempenho da Unimed Nacional
A Unimed Nacional obteve a nota máxima em nove critérios avaliados pelo IDSS, com destaque para a dimensão “Indicadores da Gestão de Processos e Regulação”. Nesse quesito, a cooperativa atingiu sua melhor pontuação, especialmente nos indicadores de “Índice Composto de Qualidade Cadastral” e “Proporção de Diagnósticos Inespecíficos nos Eventos de Internação Preenchidos nas Guias TISS”.
Outro ponto relevante foi a nota máxima no critério “Taxa de Resolutividade de Notificação de Intermediação Preliminar”, alcançando uma taxa de sucesso de 92% na resolução consensual de conflitos entre beneficiários e operadora, mediada pela ANS.
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Apenas 18% dos hospitais brasileiros possuem estratégias digitais definidas, revela estudo
O Mapa da Transformação Digital dos Hospitais Brasileiros 2024 destaca que, apesar de 62% das instituições reconhecerem a importância do digital, a falta de governança e planejamento limita avanços significativos no setor.
O Mapa da Transformação Digital dos Hospitais Brasileiros 2024 revelou uma importante lacuna entre intenção e execução. Apesar de 60% das instituições de saúde reconhecerem o papel estratégico das iniciativas digitais na melhoria da eficiência e qualidade dos serviços, a ausência de uma direção clara ainda impede a implementação de projetos.
O relatório, elaborado pela FOLKS, baseia-se na análise de 189 hospitais em todo o país. Ele mostra que, embora 62% dos gestores incluam o digital em seus planos estratégicos, apenas 18% possuem estratégias claramente definidas. A falta de governança e planejamento coordenado, somada a investimentos pouco direcionados, tem limitado o potencial de transformação digital no setor.
“Sem uma estratégia robusta, o setor continuará sobrecarregado, incapaz de aproveitar plenamente o potencial das tecnologias para melhorar a experiência dos pacientes, a eficiência operacional e a segurança,” afirma o Dr. Claudio Giulliano, CEO da FOLKS.
Desafios para a digitalização completa
Um dos principais obstáculos destacados no relatório é a falta de competência digital entre gestores e equipes de TI, que raramente contam com especialistas em informática clínica. Como resultado, apenas 9% das instituições alcançam o status de full paperless. Esse cenário reduz significativamente os benefícios da digitalização em termos de eficiência, qualidade no atendimento e segurança da informação.
O estudo também alerta para a tendência de focar na aquisição de tecnologia antes de preparar equipes e processos. Apenas 26% dos hospitais conseguem alinhar a adoção tecnológica a estratégias de longo prazo, o que frequentemente resulta em iniciativas fragmentadas e pouco efetivas.
“Menos de 4% das instituições estruturam suas operações antes de adotar novas soluções, o que compromete iniciativas digitais em sua totalidade,” explica Bernardo Alves, Gerente de Estratégia da FOLKS.
Índice de maturidade digital: resultados médios e lacunas
O Mapa da Transformação Digital utiliza o índice de maturidade digital (DMI-H) para avaliar os hospitais em cinco domínios: Serviços e Aplicações, Dados e Informações, Estrutura e Cultura, Infraestrutura e Arquitetura, e Estratégia e Governança. A maturidade média geral foi de 46,19%. Estrutura e Cultura teve o menor índice (38,63%), enquanto Infraestrutura e Arquitetura liderou com 58,55%.
“É comum que se foque mais na tecnologia e menos nos aspectos culturais e organizacionais, que são fundamentais para uma transformação genuína,” observa o Dr. Leandro Miranda, Líder Médico de HealthTech da FOLKS.
Eficiência e redução de custos como prioridades
Com recursos limitados, os hospitais enfrentam o desafio de equilibrar projetos inovadores e estruturantes com objetivos claros de retorno clínico, operacional ou financeiro. A fragmentação de esforços em sistemas isolados gera ineficiências e custos elevados. Para superar isso, o relatório recomenda investir em governança sólida e equipes multidisciplinares com competências clínicas e tecnológicas.
“Além de estruturar processos e capacitar equipes, é essencial engajar profissionais de saúde e pacientes por meio de jornadas digitais bem planejadas. Isso melhora a experiência e a satisfação de todos os envolvidos,” reforça Giulliano.
Cultura digital e liderança estratégica
O DMI-H não apenas diagnostica a maturidade digital, mas também orienta os próximos passos. “A transformação digital precisa ser vista como uma jornada estratégica que envolve a criação de uma cultura digital e a formação de lideranças capacitadas para promover mudanças reais e sustentáveis,” conclui o CEO da FOLKS.
Entre as recomendações, o relatório sugere:
Estabelecer governança robusta e estratégias digitais bem estruturadas.
Integrar tecnologias às estratégias organizacionais, priorizando pessoas e processos.
Investir na capacitação digital de equipes multidisciplinares.
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Relatório analisa avanços da Transformação Digital dos Hospitais Brasileiros
Diante dos desafios financeiros e operacionais que pressionam o setor de saúde, especialmente após os impactos dos últimos dois anos, o novo relatório da FOLKS, “Mapa da Transformação Digital dos Hospitais Brasileiros 2024”, destaca uma importante lacuna entre intenção e execução. Realizado a partir de uma análise abrangente de 189 hospitais em todo o país, o estudo traz um olhar para a realidade desse processo de mudança.
Segundo o relatório, embora 62% das instituições de saúde reconheçam a importância do digital em seus planos estratégicos, apenas 18% possuem estratégias definidas. Aspectos como falta de governança e planejamento coordenado são apontados como fatores que impedem que todo o potencial da transformação digital seja aproveitado. Além disso, os dados demonstram a necessidade urgente de direcionar melhor e mais estrategicamente os investimentos. Isso inclui utilizar os recursos financeiros de forma mais assertiva, garantindo custo-efetividade, traçando um caminho claro para superar as barreiras que ainda limitam o avanço digital e para transformar as operações, a experiência e a segurança dos pacientes.
“A transformação digital é hoje a chave para elevar a qualidade dos serviços hospitalares, segurança do paciente e até competitividade. Sem uma estratégia digital robusta, o setor continuará sobrecarregado e incapaz de aproveitar plenamente o potencial das tecnologias para melhorar tanto a experiência dos pacientes e dos recursos humanos, quanto a eficiência operacional”, afirma Claudio Giulliano, CEO da FOLKS.
A publicação destaca que a desconexão entre intenção e prática decorre de alguns fatores como falta de competência digital dos gestores e equipe de TI sem profissionais especializados em informática clínica. O executivo reforça que, o resultado disso é um ambiente “semi-digital”, no qual, apenas 9% das instituições são realmente full paperless, e assim os hospitais perdem a oportunidade de capturar os benefícios da tecnologia em termos de eficiência operacional, qualidade no atendimento e segurança do paciente e da informação.
Adoção digital: entre o desejo e a realidade
O Mapa da Transformação Digital dos Hospitais Brasileiros 2024, construído a partir do índice de maturidade digital (DMI-H), constata que a maturidade digital média dos hospitais avaliados está em 46,19%. Dentre os cinco domínios avaliados, Estrutura e Cultura possui a menor média, 38,63%, e Infraestrutura e Arquitetura a maior média, 58,55%. “É muito comum que se olhe na transformação digital muito para a tecnologia e pouco para aspectos organizacionais e culturais. Porém, são bases fundamentais para a transformação acontecer de fato” aponta Leandro Miranda, Líder Médico de HealthTech da FOLKS.
Os dados mostram ainda que, embora o número de hospitais que iniciaram a transformação digital esteja crescendo, apenas 26% conseguem realmente integrar adoção tecnológica com uma estratégia adequada para mantê-la a longo prazo. Entre os principais entraves, estão a baixa capacitação digital e o foco na aquisição de tecnologia antes de preparar equipes e processos. Esse modelo, muitas vezes apressado, limita o potencial transformador da digitalização.
“Por isso, é fundamental reforçar o mantra da FOLKS: ‘pessoas, processos e então tecnologia’. Menos de 4% dos hospitais na amostra analisada estruturam suas operações antes de adotar novas tecnologias. A maioria passa por dificuldade em implementar e capturar plenamente o valor das soluções digitais em suas instituições, pois não olham adequadamente para o processo, governança e treinamento, o que pode comprometer diversas iniciativas de todo o projeto”, comenta Bernardo Alves, Gerente de Estratégia na FOLKS e um dos editores do Mapa.
Outro dado importante é que, embora a transformação digital esteja em pauta nas discussões estratégicas de grande parte das instituições, apenas 40% realizam algum tipo de monitoramento sobre essas iniciativas. Isso indica que, mesmo considerando a transformação digital uma prioridade, metade delas não monitora adequadamente o progresso nem avalia o impacto, revelando uma fragilidade na governança.
Metodologia para a transformação
O Mapa da Transformação Digital dos Hospitais Brasileiros é direcionado a todos àqueles que trabalham e contribuem para o setor da saúde de alguma maneira. O DMI-H, que subsidia a publicação, foi desenvolvido pela FOLKS em 2019, sendo um instrumento diagnóstico que mede a maturidade digital dos hospitais em cinco domínios: Serviços e Aplicações, Dados e Informações, Estrutura e Cultura, Infraestrutura e Arquitetura, e Estratégia e Governança.
Segundo Giulliano, o DMI-H não só diagnostica, mas orienta. “Em nossos projetos, vemos diariamente as complexidades da transformação digital e atuamos diretamente para superar esses desafios. O Mapa da Transformação Digital dos Hospitais Brasileiros 2024 reflete o que observamos no dia a dia do setor: há uma necessidade clara de uma abordagem que vá além da simples adoção da tecnologia. É preciso investir na criação de uma cultura digital e na formação de lideranças preparadas para conduzir essa transformação de forma estratégica”, atesta o CEO.
“O objetivo é permitir que cada instituição entenda sua posição no mercado e identifique os passos para evoluir. A transformação digital precisa ser vista como uma jornada estratégica, que envolve criação de cultura digital e formação de lideranças capazes de conduzir mudanças reais e sustentáveis”, acrescenta Giulliano.
Eficiência e redução de custos são prioridades para gestores
Diante de recursos limitados, os hospitais precisam distribuir suas prioridades de forma precisa, seja em projetos estruturantes ou inovadores, sempre com metas claras e retorno sobre o investimento, seja clínico, operacional ou financeiro. A FOLKS destaca que, para alcançar resultados consistentes, é essencial evitar a fragmentação dos esforços em sistemas isolados, que geram ineficiências e custos elevados. Instituições que buscam resultados sólidos e duradouros devem priorizar uma base bem estruturada, combinando governança eficaz com equipes que possuam competências tanto clínicas quanto tecnológicas.
“Além disso, é essencial promover um maior engajamento digital entre profissionais de saúde e pacientes, por meio de jornadas digitais e programas de saúde apoiados por tecnologias inovadoras. Essa abordagem não apenas melhora a experiência, mas também eleva os níveis de satisfação de todos os envolvidos. Ademais, é fundamental entender que a tecnologia é essencial na transformação digital, mas é necessária estar acompanhada de um forte olhar para processos e pessoas”, transformação digital transcende a simples adoção de tecnologia: ela exige uma evolução dos processos, uma mudança cultural, uma governança robusta e um compromisso com a inovação constante”, sentencia o executivo.
O Mapa da Transformação Digital dos Hospitais Brasileiros 2024 recomenda que as instituições estabeleçam uma governança robusta com base em uma estratégia digital bem estruturada. Além disso, sugere integrar as tecnologias digitais às estratégias organizacionais, priorizando pessoas, processos e tecnologia. Por fim, destaca a importância de investir na capacitação digital de equipes multidisciplinares para garantir o sucesso das iniciativas.
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Desamparo do médico frente às responsabilidades éticas e legais
Por Gisele Machado Figueiredo Boselli
O ano de 2024 passou rapidamente? Podemos ter essa sensação, mas quando reexaminamos as inúmeras resoluções do CFM, as modificações na jurisprudência dos Tribunais e as novas normas das agências reguladoras - Anvisa e ANS - que impactaram o Direito Médico e da Saúde, lembramos que os dias de estudo e discussão foram longos, visando à melhor compreensão das inúmeras novidades, que repercutem diretamente na atividade médica e na dos demais profissionais da saúde
Minha ideia inicial para este artigo era elaborar uma "retrospectiva" dos assuntos que mais se destacaram no ambiente médico-jurídico neste ano, mas o intento foi logo abandonado, ao prever que o texto se alongaria demasiadamente. Eu me empenharei, portanto, em apresentar, nas próxima linhas, uma resenha sobre o atual cenário da saúde, com enfoque nas questões jurídicas que reiteradamente vêm afetando o cotidiano dos profissionais que nele atuam.
Devo começar pelo impacto das (mais) novas tecnologias, que ainda geram sentimentos antagônicos, seja nos que já as utilizam - os chamados early adopters -, quanto entre os que apenas as observam. Um recente estudo publicado no Jama Network associou o uso de IA por radiologistas como fator determinante para o burnout, especialmente para profissionais com alta carga de trabalho e àqueles com baixa aceitação dessa nova tecnologia . É um alerta, portanto, em relação à forma como as novas tecnologias são introduzidas, sinalizando que deve existir a preocupação com os usuários, frequentemente já sobrecarregados com outros encargos.
O fato de "ansiedade" ter sido eleita a palavra do ano por alguns pesquisadores, pode indicar esse momento de apreensão, preocupação ou temor em relação à atual realidade. Na prática da Medicina, a sensação de desamparo passou a ser uma constante, ao menos para aqueles comprometidos com a atualização profissional. Esse sentimento resulta de questões que transcendem a Ciência Médica, abrangendo temas que tangenciam o Direito, a Ciência de Dados e até mesmo a Publicidade.
No âmbito jurídico, observamos os Tribunais tratando a relação médico-paciente como de consumo e impondo ao prestador de serviço, inúmeras obrigações, sem as quais não é possível demonstrar - judicial ou administrativamente - que atuou de forma diligente, ficando sujeito a penalidades ou indenizações. Nossa agência sanitária - Anvisa - regula os dispositivos médicos e exige, para aprovação, avaliações técnicas rigorosas, impondo aos usuários - os médicos - capacitação para operá-los de forma diligente e responsável, o que comumente envolve conhecimentos de programação e aprendizado de máquinas, o que é alheio à formação da maioria dos profissionais. O CFM, por sua vez, cria regras para publicidade e propaganda tão complexas e extensas que desmotivam sua leitura e dificultam sua aplicação .
A multidisciplinaridade que adentrou ao universo da saúde se depara com um profissional já sobrecarregado pelas infindáveis publicações científicas que proliferam em sua própria especialidade . Não há tempo suficiente para ler todos os estudos e comparecer a todos os congressos e a sensação é a de constante frustração.
Um endocrinologista, por exemplo, além de acompanhar os mais recentes estudos publicados globalmente, deve compreender as inovações tecnológicas dos sistemas de infusão de insulina, que atualmente envolvem sensores de última geração, combinados com algoritmos de inteligência artificial. Porém, caso ele seja convidado pela indústria a participar de um evento - como almoço, por exemplo - para conhecer esses novos dispositivos e suas complexas tecnologias, precisa informar ao CFM sobre sua participação, pois, segundo a Resolução CFM 2.386/24, pode sugerir um conflito de interesse . Na clínica, ao indicar ao paciente o medicamento ou dispositivo mais adequado a ser utilizado no tratamento, deve informá-lo e esclarecer sobre possíveis riscos e benefícios de cada uma das opções disponíveis, preferencialmente por meio de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE . E nem cogitar em copiar um TCLE da internet, ou mesmo elaborar um documento padrão, com lacunas em branco, pois este será desconsiderado em eventual litígio .
Comparada a décadas passadas, é certo que a Medicina avançou significativamente em relação a diagnósticos e tratamentos, além da prevenção e predição, em grande parte decorrente dos avanços científicos e tecnológicos em diversas especialidades, como a reprodução assistida e a cirurgia robótica, por exemplo. A velocidade e a complexidade desses avanços não foram acompanhadas pela atualização do perfil do médico, tampouco o sistema jurídico se adaptou às novas relações sociais. Nas especialidades acima mencionadas, enfrentamos questões acerca da criopreservação de embriões, que possibilita a paternidade post mortem, sem que exista um respaldo legal. Na cirurgia assistida por robôs, por sua vez, emerge a incerteza na responsabilização por eventual falha da máquina. Essas e muitas outras situações ainda carecem de previsão em lei, e continuam gerando enorme insegurança jurídica.
Vislumbramos, portanto, mais uma vez, o paradoxo das novas tecnologias que, apesar de desenvolvidas para melhorar a vida humana e solucionar problemas, frequentemente introduzem novos desafios, novas formas de dependência ou criam consequências imprevistas que tornam ainda mais complexa nossa existência.
Outros problemas mais concretos, mas não menos desafiadores decorrem do aumento no número de novos profissionais da saúde que muitas vezes, pela pouca experiência, forçam a entrada no mercado de trabalho por meio de práticas comerciais desleais, desvirtuando o propósito da Medicina. A redução da remuneração é outra questão invariavelmente trazida ao debate, assim como a sobrecarga de trabalho, que prejudica a qualidade da assistência compromete a contínua atualização do profissional.
O desamparo descrito por Freud em O mal-estar na civilização, pode facilmente ser identificado diante dos desafios contemporâneos do médico, seja no ambiente de trabalho, permeado pelas novas tecnologias, frequentemente ambivalentes e com efeitos nem sempre desejáveis, bem como nas relações humanas, com o paciente ou outros profissionais, que demandam do médico uma nova postura, frente a uma sociedade muito mais complexa e heterogênea. As limitações do profissional, enquanto ser humano, passam a ser ignoradas, gerando expectativas irreais sobre ele.
Se a sensação de desamparo na contemporaneidade não é nova, também é complexa a busca por soluções e ingênua é a propaganda que promete remédios milagrosos ou respostas simplistas.
Faz-se necessário construir um novo cenário, a partir da compreensão das adversidades, visando delimitar as funções e responsabilidades dos envolvidos. Para tanto, é importante unir esforços em diversas áreas do conhecimento, para que, ao final, seja possível obter uma efetiva melhoria em todo o ambiente da Saúde.
No âmbito do Direito Médico, é essencial trazer à luz as delicadas questões ora enfrentadas pelos profissionais da saúde e promover a união entre o Legislativo, o Judiciário, as entidades de classe, instituições de ensino e a própria população médica, que almeja melhorar as condições de trabalho e obter reconhecimento da sociedade, diante de ofício tão nobre, que sempre foi valorizado ao longo da História.
Por fim, não nos esqueçamos de que analisando retrospectivamente podemos considerar os recentes avanços da Medicina como motivo de comemoração. Que essas boas novas sirvam de motivação e renovem a esperança para a construção de um ambiente mais saudável e equitativo, tornando 2025 uma oportunidade para novos recomeços.
*Gisele Machado Figueiredo Boselli é Advogada. Especialista em Direito da Economia e da Empresa pela FGV. Especialista em Direito Médico e da Saúde pela PUC-PR. Membro da Comissão Especial de Bioética e Biodireito da OAB-SP. Associada ao Instituto Miguel Kfouri Neto - Direito Médico e da Saúde.
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PORTAL MS NEWS
SUS Digital amplia serviços com novos códigos para os serviços de telessaúde
por Redacao | jan 9, 2025 | Últimas notícias | 0 Comentários
Portaria publicada insere a telessaúde e formas de organização na tabela de procedimentos e medicamentos do SUS, permitindo dados mais precisos sobre as ações de telessaúde para os usuários. Iniciativa busca padronizar os serviços.
Uma portaria publicada em dezembro pelo Ministério da Saúde incluiu novos procedimentos de telessaúde na Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses, Próteses e Materiais Especiais do SUS. Essa medida visa organizar e qualificar o monitoramento das ações de telessaúde, proporcionando informações mais precisas que orientarão decisões estratégicas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) . Assim, cria-se uma ferramenta de gestão que permite o acompanhamento sistemático, inclusive com série histórica, de cada procedimento, assim como suas compatibilidades, relacionamentos e instrumentos de registro.
A iniciativa está alinhada ao programa SUS Digital e à sua Ação Estratégica SUS Digital - Telessaúde, incluindo procedimentos que dialogam com serviços já existentes no SUS e com novos serviços assistenciais delimitados pela ação estratégica do programa, como teleconsultoria, teleinterconsulta, telediagnóstico, teletriagem e outras modalidades descritas na portaria. Até então, os sistemas do SUS não contavam com códigos específicos para registrar os procedimentos relacionados a esses serviços.
Segundo a secretária de Informação e Saúde Digital da pasta, Ana Estela Haddad, a padronização na telessaúde é de grande importância, pois garante que todos os estabelecimentos de saúde utilizem a mesma linguagem e critérios para registrar os procedimentos. "Isso nos permite avaliar o impacto de cada modalidade, gerando dados que orientam o fortalecimento e aprimoramento da prática de telessaúde. É com métricas claras e resultados concretos que estruturamos uma política robusta e eficiente", afirma.
Com a inclusão dos procedimentos, as ações de telessaúde já realizadas pelos profissionais passam a ser registradas de forma padronizada - um marco no reconhecimento e valorização dos profissionais que atuam na telessaúde. Além disso, a medida estrutura o sistema para acompanhar a expansão do Programa SUS Digital prevista para este ano.
Impactos para profissionais e população
Os profissionais de saúde agora poderão informar os procedimentos corretamente, aplicando os novos códigos nos sistemas de informação, garantindo o registro oficial de suas atividades. Isso não apenas facilita a avaliação do trabalho realizado, como também assegura maior valorização desses profissionais.
Para a população, o impacto será gradual, com a melhoria na qualidade e na expansão dos serviços de telessaúde. O monitoramento contínuo possibilitará ajustes nas políticas públicas e fomentará ações e estratégias que resultarão em ofertas de saúde mais eficientes e estruturadas.
Procedimentos contemplados
Os novos códigos incluem os seguintes procedimentos:
Teleconsultoria;
Teleinterconsulta;
Teletriagem;
Telediagnóstico;
Telemonitoramento;
Teleorientação;
Teleatendimento em grupo;
Telemonitoramento nas ações de vigilância à saúde.
Telessaúde: um marco para o SUS
O SUS foi pioneiro na adoção da telessaúde no Brasil, iniciando essa prática em 2006. Atualmente, a iniciativa é uma das principais estratégias do SUS Digital, utilizando tecnologias digitais para apoiar o atendimento presencial. Essa ferramenta amplia o acesso a especialistas, qualifica e reduz filas de espera na regulação de serviços especializados, promovendo mais acesso a diagnósticos e tratamentos.
Dentre outras vantagens, a telessaúde é uma solução eficiente para o acompanhamento de pacientes com doenças crônicas, permitindo que eles tenham acesso a profissionais de saúde e recebam orientações sem sair de sua unidade de saúde de referência ou, em alguns casos, de casa.
Desde o início de 2023 até julho de 2024, já foram realizados mais de 8 milhões de teleatendimentos nos três níveis de atenção à saúde. Essa rede de serviços do SUS é fomentada pela Ação Estratégica SUS Digital - Telessaúde, que apoia, com recursos, 24 núcleos de telessaúde em todo o país - um aumento significativo em relação aos 10 núcleos existentes no início de 2023.
Esses núcleos reúnem equipes clínicas especializadas e oferecem serviços de telessaúde, como telediagnósticos em oftalmologia, dermatologia e cardiologia. A meta é transformar o acesso aos serviços de saúde, alcançando regiões remotas e garantindo que mais pessoas recebam cuidados de qualidade.
Acesse a portaria que inclui novos procedimentos de telessaúde na Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses, Próteses e Materiais Especiais do SUS
Ministério da Saúde
Link: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/janeiro/sus-digital-amplia-servicos-com-novos-codigos-para-os-servicos-de-telessaude
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Assessoria de Comunicação
Na Mídia: ANS define novas regras para descredenciamento de hospitais em planos de saúde
Escrito por AdministradorMudanças já entraram em vigor, garantindo maior portabilidade de carências, comunicação prévia obrigatória aos beneficiários e critérios mais rígidos para substituição de unidades hospitalares.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) oficializou que, em 2025, entram em vigor as novas regras para alteração de redes hospitalares em planos de saúde, conforme regulamentado pela Resolução Normativa 585/2023. As medidas impactam diretamente consumidores, operadoras e hospitais, ampliando a transparência e a segurança jurídica no setor.
Entre as principais novidades estão a ampliação da portabilidade de carências, critérios mais rigorosos para substituições de hospitais e a obrigatoriedade de comunicação prévia e individualizada aos beneficiários.
Direitos para o consumidor
Os beneficiários de planos de saúde passarão a contar com o direito à portabilidade de carências, mesmo sem cumprir o prazo mínimo de permanência no plano ou a compatibilidade por faixa de preço. Essa flexibilidade será garantida em casos de descredenciamento de hospitais ou serviços de urgência e emergência no município de residência ou contratação do plano.
Além disso, as operadoras serão obrigadas a informar individualmente os beneficiários sobre alterações na rede hospitalar, com antecedência mínima de 30 dias. A comunicação deverá detalhar as exclusões ou substituições de hospitais e serviços contratados.
Regras para operadoras
A exclusão de hospitais da rede credenciada estará sujeita a critérios mais rígidos. Por exemplo, se o hospital representar até 80% das internações da região em um período de 12 meses, a operadora será obrigada a substituí-lo por outro com equivalência de serviços. A substituição deverá incluir todos os serviços utilizados no hospital excluído, especialmente os de urgência e emergência.
Impactos para os hospitais
Os hospitais que forem descredenciados poderão enfrentar novos critérios de avaliação, como a proibição de exclusão parcial de serviços caso a unidade seja considerada essencial para a rede do plano. A norma busca garantir que os beneficiários tenham acesso contínuo a serviços de referência e alta qualidade.
Saúde suplementar
De acordo com Alexandre Fioranelli, diretor de Normas e Habilitação de Produtos da ANS, as novas regras reforçam o compromisso da agência com a qualidade e a segurança do setor.
“Esta é mais uma contribuição da Agência para ampliar a transparência e a proteção para os beneficiários de planos de saúde. Com a vigência das novas regras para alterações na rede hospitalar, fortalecemos os direitos dos consumidores e reafirmamos o compromisso da ANS com a qualidade e a segurança na saúde suplementar”, afirmou.
Panorama das mudanças
Confira as principais mudanças e seus impactos:
Para o consumidor:
Portabilidade de carências sem exigência de prazo de permanência ou compatibilidade por faixa de preço.
Comunicação prévia e individualizada sobre exclusões ou substituições na rede hospitalar.
Para a operadora:
Avaliação obrigatória de impacto das exclusões, considerando a representatividade do hospital na região.
Substituição de hospitais com equivalência comprovada nos serviços prestados.
Para o hospital:
Regras definidas para exclusão parcial de serviços hospitalares.
Proibição de descredenciamento de unidades essenciais sem substituição adequada.
Fonte: Saúde Business
ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
ANS define novas regras para descredenciamento de hospitais em planos de saúde
STF e CFM lançam Plataforma Nacional para Demandas de Medicamentos pelo SUS
Procedimentos de acreditação reduzem infecções hospitalares em 30%
Organização Mundial da Saúde alerta para erros médicos alarmantes
Segurança do paciente: o valor dos dados na anestesiologia
Paradoxo na medicina: estudo revela impacto da defasagem de vagas na residência médica na falta de especialistas
SAÚDE BUSINESS
ANS define novas regras para descredenciamento de hospitais em planos de saúde
Mudanças já entraram em vigor, garantindo maior portabilidade de carências, comunicação prévia obrigatória aos beneficiários e critérios mais rígidos para substituição de unidades hospitalares.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) oficializou que, em 2025, entram em vigor as novas regras para alteração de redes hospitalares em planos de saúde, conforme regulamentado pela Resolução Normativa 585/2023. As medidas impactam diretamente consumidores, operadoras e hospitais, ampliando a transparência e a segurança jurídica no setor.
Entre as principais novidades estão a ampliação da portabilidade de carências, critérios mais rigorosos para substituições de hospitais e a obrigatoriedade de comunicação prévia e individualizada aos beneficiários.
Direitos para o consumidor
Os beneficiários de planos de saúde passarão a contar com o direito à portabilidade de carências, mesmo sem cumprir o prazo mínimo de permanência no plano ou a compatibilidade por faixa de preço. Essa flexibilidade será garantida em casos de descredenciamento de hospitais ou serviços de urgência e emergência no município de residência ou contratação do plano.
Além disso, as operadoras serão obrigadas a informar individualmente os beneficiários sobre alterações na rede hospitalar, com antecedência mínima de 30 dias. A comunicação deverá detalhar as exclusões ou substituições de hospitais e serviços contratados.
Regras para operadoras
A exclusão de hospitais da rede credenciada estará sujeita a critérios mais rígidos. Por exemplo, se o hospital representar até 80% das internações da região em um período de 12 meses, a operadora será obrigada a substituí-lo por outro com equivalência de serviços. A substituição deverá incluir todos os serviços utilizados no hospital excluído, especialmente os de urgência e emergência.
Impactos para os hospitais
Os hospitais que forem descredenciados poderão enfrentar novos critérios de avaliação, como a proibição de exclusão parcial de serviços caso a unidade seja considerada essencial para a rede do plano. A norma busca garantir que os beneficiários tenham acesso contínuo a serviços de referência e alta qualidade.
Saúde suplementar
De acordo com Alexandre Fioranelli, diretor de Normas e Habilitação de Produtos da ANS, as novas regras reforçam o compromisso da agência com a qualidade e a segurança do setor.
“Esta é mais uma contribuição da Agência para ampliar a transparência e a proteção para os beneficiários de planos de saúde. Com a vigência das novas regras para alterações na rede hospitalar, fortalecemos os direitos dos consumidores e reafirmamos o compromisso da ANS com a qualidade e a segurança na saúde suplementar”, afirmou.
Panorama das mudanças
Confira as principais mudanças e seus impactos:
Para o consumidor:
Portabilidade de carências sem exigência de prazo de permanência ou compatibilidade por faixa de preço.
Comunicação prévia e individualizada sobre exclusões ou substituições na rede hospitalar.
Para a operadora:
Avaliação obrigatória de impacto das exclusões, considerando a representatividade do hospital na região.
Substituição de hospitais com equivalência comprovada nos serviços prestados.
Para o hospital:
Regras definidas para exclusão parcial de serviços hospitalares.
Proibição de descredenciamento de unidades essenciais sem substituição adequada.
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JORNAL GRANDE BAHIA
STF e CFM lançam Plataforma Nacional para Demandas de Medicamentos pelo SUS
Conselho Federal de Medicina (CFM)Gilmar Ferreira MendesSaúde Pública do BrasilSupremo Tribunal Federal (STF)
O Supremo Tribunal Federal (STF), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), deu um passo significativo para otimizar a gestão e o controle de demandas judiciais relacionadas ao fornecimento de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Sob a liderança do ministro Gilmar Mendes, foi lançada uma plataforma nacional destinada a centralizar e integrar os processos administrativos e judiciais envolvendo o acesso a fármacos. O projeto entra em fase de testes externos, com a participação voluntária de profissionais da saúde em Goiás.
De acordo com o despacho do ministro, o sistema foi projetado para simplificar e padronizar as solicitações de medicamentos.
"O acesso médico ocorrerá via plataforma do CFM, que, após o login, conectará automaticamente à plataforma nacional para efetivação das solicitações", explicou Mendes.
A primeira etapa será executada em Goiás, que possui uma plataforma própria em operação e dispõe de suporte técnico para o projeto, sem custos adicionais ao STF.
Na fase inicial, o CFM, o Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) e o Governo do Estado de Goiás indicarão 60 médicos - 20 de cada instituição - para testar a plataforma. Esses profissionais realizarão solicitações e acompanhamentos através do sistema, que utilizará prescrições eletrônicas certificadas para garantir o controle ético e legal das informações.
Hideraldo Cabeça, 1º secretário do CFM e diretor de Tecnologia da Informação da autarquia, destacou a importância da plataforma para aumentar a segurança e a eficiência do processo.
"A centralização das informações permitirá que os cidadãos consultem os dados de forma simples, enquanto o poder público e o Judiciário poderão analisar e resolver as demandas com maior agilidade", afirmou.
Além disso, a plataforma identificará os entes responsáveis pelo custeio e fornecimento de medicamentos, assegurando um fluxo mais transparente e eficiente.
O projeto tem como base a tese fixada pelo plenário do STF no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 1366243, que tratou do fornecimento de medicamentos registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas ainda não incorporados ao SUS. A ideia de criar a plataforma surgiu nas fases iniciais do julgamento, realizadas em 2023, e foi concretizada com o apoio técnico do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que já havia implementado soluções semelhantes no Estado de Goiás.
A iniciativa também prevê o monitoramento de pacientes beneficiários de decisões judiciais, permitindo consultas centralizadas por meio de CPF, nome do medicamento, CID, entre outros, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Após os testes e os ajustes necessários, o uso da plataforma nacional será obrigatório para todas as solicitações, dispensas e acompanhamentos de medicamentos pelo SUS.
O ministro Gilmar Mendes enfatizou que a iniciativa visa aprimorar a gestão pública e reduzir os conflitos judiciais, promovendo maior eficiência na entrega de medicamentos aos cidadãos.
"Estamos criando um ambiente integrado que possibilitará melhor articulação entre os poderes, sempre com foco no atendimento às necessidades dos usuários do SUS", concluiu.
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MEDICINA S/A
Procedimentos de acreditação reduzem infecções hospitalares em 30%
Pesquisa da ONA revela impacto positivo da acreditação na redução de infecções hospitalares no Brasil.
A Organização Nacional de Acreditação (ONA) conduziu uma pesquisa com 74 instituições de saúde em todo o Brasil com o objetivo de avaliar a eficácia da acreditação na prática e os benefícios proporcionados para a segurança do paciente.
Os resultados mostraram que, em 41,86% das instituições participantes, os processos implementados por meio da acreditação geraram melhorias superiores a 31%. Quase 12% dos respondentes relataram que as taxas de infecção diminuíram entre 26% e 30%, enquanto 2,33% mencionaram uma redução inferior a 5% nos índices de infecção.
Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 14% dos pacientes internados no país adquirem algum tipo de infecção durante a hospitalização. A gravidade desse cenário é reforçada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) ao estimar que aproximadamente 100 mil brasileiros morrem a cada ano em decorrência dessas infecções. Além disso, um em cada dez pacientes afetados por infecções hospitalares acaba falecendo. Na maioria dos estabelecimentos de saúde, faltam procedimentos e protocolos claros para prevenir esses problemas graves.
Para Gilvane Lolato, gerente geral de operações da ONA, o registro de eventos adversos é essencial para fortalecer a cultura de segurança nas organizações de saúde. Ao documentar e analisar cada ocorrência, as instituições conseguem identificar falhas, aprender com os erros e implementar medidas preventivas para evitar que se repitam. “Esse processo fomenta um ambiente de transparência e aprendizado contínuo, onde a segurança do paciente é prioridade, estimulando uma abordagem proativa para a melhoria da qualidade e o engajamento de toda a equipe em prol de um cuidado mais seguro e eficaz”, ressalta.
Segundo Lolato, quando o prontuário não é adequadamente preenchido, o paciente corre riscos significativos, como erros na administração de medicamentos e falta de continuidade no tratamento. “Nossa pesquisa revelou que 38,1% dos entrevistados relataram uma melhoria superior a 31% nesse aspecto após a implementação da acreditação”, salienta Gilvane.
Erros de medicação
Estima-se que o gasto global causado por erros de medicação seja de US$ 42 bilhões por ano, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Trata-se da terceira prioridade dentro dos desafios globais de segurança do paciente. Os estudos evidenciam que os danos relacionados ao uso de medicamentos correspondem a 50% de todos os problemas evitáveis, além dos ônus econômicos e psicológicos decorrentes. Conhecer os medicamentos, verificar sistematicamente os itens de segurança de administração e perguntar ao paciente se ele compreendeu o que está sendo realizado são elementos fundamentais para a garantia de um cuidado mais seguro.
A pesquisa da ONA revelou que 47,62% dos entrevistados observaram uma diminuição superior a 31% nas falhas relacionadas à cadeia medicamentosa, enquanto apenas 4,76% relataram uma queda inferior a 5%. Em relação às falhas na cadeia de suprimentos, 47,62% dos participantes indicaram uma melhoria superior a 31%, e 14,29% informaram uma redução entre 21% e 25%.
Falhas de higienização
Outro desafio enfrentado pelas instituições são as falhas de higienização, que frequentemente resultam em reclamações nas ouvidorias ou no serviço de atendimento ao cliente. Com a implementação da acreditação, 38,1% das instituições relataram uma melhoria superior a 31% nos serviços de higienização, enquanto cerca de 15% dos respondentes indicaram uma melhoria entre 16% e 20%.
Cenário de acreditação no Brasil
Segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), das mais de 400 mil organizações de saúde instaladas no país, 1932 são acreditadas. Desse total, a ONA é responsável por 72,1% no mercado de acreditação, o que corresponde a mais de 1.400 organizações de saúde acreditadas, das quais 422 são hospitais. Desse montante, 0,45% das instituições de saúde estão certificadas no Brasil, sendo 68,4% (917) de gestão privada, 22,2% (298) de gestão pública, 8,3% (111) de gestão filantrópica e 0,1% de gestão militar.
Atualmente, 61% das instituições acreditadas pela ONA estão concentradas na região Sudeste. O Sul é responsável por 12,7%; o Nordeste, por 12,1%; o Centro-Oeste, por 11,4%; e o Norte, por 2,8%.
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Organização Mundial da Saúde alerta para erros médicos alarmantes
Estudos mostram que, em média, 12% dos pacientes sofrem danos em diferentes contextos do atendimento médico.
Em 2024, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu o tema "Melhorar o diagnóstico para a segurança do paciente" para o Dia Mundial da Segurança do Paciente, acompanhado do lema "Diagnósticos corretos, pacientes seguros". O objetivo da entidade é destacar a importância de diagnósticos precisos e realizados em tempo oportuno, como forma de assegurar a segurança dos pacientes e promover melhores resultados clínicos.
A OMS destaca a gravidade dos erros de diagnóstico, que são responsáveis por quase 16% dos danos evitáveis nos sistemas de saúde.
A insegurança no atendimento é um problema significativo de saúde pública, afetando milhões de pacientes globalmente. Estudos mostram que, em média, 12% dos pacientes sofrem danos em diferentes contextos de atendimento médico, evidenciando que mais de um em cada dez pacientes é impactado por eventos adversos resultantes de cuidados inseguros. Aproximadamente 12% desses eventos adversos causam incapacidade permanente ou morte. Além disso, quase 50% dos danos causados por cuidados inseguros foram considerados evitáveis.
Estima-se que anualmente ocorram 134 milhões de eventos adversos em hospitais de países de baixa e média renda, contribuindo para cerca de 2,6 milhões de mortes. Globalmente, 1 em cada 20 pacientes sofre danos evitáveis causados por medicamentos, evidenciando um desafio significativo em todos os sistemas de saúde. Mais da metade, ou seja, 53% desses danos ocorrem durante a fase de prescrição, o que destaca a necessidade urgente de aprimorar as práticas de segurança relacionadas aos medicamentos.
Nas Américas, a segurança do paciente foi reconhecida como uma prioridade nas políticas nacionais de saúde em 57% dos países. Mais da metade desses países estabeleceu padrões mínimos de segurança para suas instalações de saúde, e há uma base sólida em programas de controle de infecção e segurança dos medicamentos.
Realidade no Brasil
No Brasil, o Anuário de Segurança Assistencial Hospitalar, publicado pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), revela que cinco pessoas morrem a cada minuto no país devido a erros médicos, totalizando quase 55 mil pacientes por ano.
Desde 2013, o Ministério da Saúde estabeleceu o Programa Nacional de Segurança do Paciente, que inclui protocolos básicos essenciais para garantir a segurança dos cuidados, como: identificação correta do paciente, cirurgia segura, prevenção de úlceras por pressão, higiene das mãos em serviços de saúde, prevenção de quedas e segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos.
No entanto, muitos estabelecimentos ainda falham em implementar esses protocolos de forma eficaz. Problemas como a falta de medição de indicadores, a ausência de acompanhamento da adesão dos profissionais aos protocolos, a inadequação da infraestrutura para fornecer cuidados seguros e a insuficiência de profissionais continuam a ser desafios significativos.
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Segurança do paciente: o valor dos dados na anestesiologia
Relatório mostra como os dados podem reduzir riscos, otimizar recursos e melhorar desfechos anestésico-cirúrgicos.
A anestesia é o momento mais crítico da jornada do paciente anestésico-cirúrgico, bem como o que gera mais dados. Apesar da sua importância dentro do ecossistema da saúde, esse momento muitas vezes é excluído da adoção digital. Como consequência, há poucos dados disponíveis, o que gera baixa cultura data-driven.
Para mudar esse cenário, a Anestech lançou a segunda edição do relatório “Observatório Anestesia de Valor”, com dados anonimizados de centenas de instituições e milhares de procedimentos. Ao todo, são mais de 1 milhão de horas em dados anestésico-cirúrgicos coletados.
Característica dos Pacientes
A média de idade da população foi 46,6 ± 21,7 anos (1 ano e 4 meses superior à média de 2022), com predomínio de pacientes do sexo feminino (58,1%). A média de idade das mulheres foi 47,1 ± 23,7 anos (de 0 a 109 anos) e a dos homens, 46,2 ± 20,3 anos (de 0 a 109 anos).
A população infantil (dos 0 aos 14 anos) foi majoritariamente masculina (62,9%), enquanto que a senioridade (acima dos 75 anos) foi em sua maioria feminina (53.5%).
Outro ponto importante é o aumento da presença de pacientes centenários no centro cirúrgico. 5,28% da população anestésica de 2023 apresentou idade superior a 80 anos, uma alta de 2 pontos percentuais para a população de 2022 (3,23%) – 63,5% mais pacientes idosos.
A população adulta dos 20 aos 39 anos (principal faixa de idade na gestação) foi constituída predominantemente por mulheres (71,5%), estatística que vai ao encontro da liderança de procedimento cirúrgico registrado na base da empresa: cesariana.
Tipo de Atendimento
A maioria dos atendimentos foi hospitalar (77,9%). A anestesia na modalidade declarada como ambulatorial apresentou um aumento de 15,7% (2022) para 19,5% em 2023.
Cenário de Distribuição de Comorbidades
Em 2023, a taxa de comorbidades foi de 1,29 patologias por paciente. Esse número representa um aumento de 13,2% em comparação com a taxa de 2022 (1,14 por paciente).
De modo geral, todas as comorbidades apresentaram aumento de incidência no último ano (menos psiquiátrica, que se manteve). Em comparação com 2022, houve um aumento relativo de 36% na incidência de doenças respiratórias (de 10,4% para 14,2% dos pacientes) e um aumento relativo de 33,1% na incidência de doenças renais (de 3,61% para 4,81%). Doenças cardiovasculares continuam liderando o cenário de comorbidades, estando presentes em 35,5% dos pacientes.
Porte Cirúrgico
Chama a atenção o número de cirurgias de grande porte (4,8%), evidenciando que o mercado anestésico global é o de pequena (44,6%) e média complexidades (50,6%). As cirurgias de grande porte consomem grande parte dos recursos econômicos, assistenciais e relativos ao tempo de internação, e parecem ser mais frequentes no Sistema Único de Saúde (SUS) do que no setor privado.
Média de Procedimentos e Tempo Anestésico Médio
É comum a realização de mais de um procedimento cirúrgico por anestesia. A média de 2023 foi 1,71 ± 1,36 procedimentos por anestesia, com tempo anestésico médio de 01:33 ± 01:29 h.
Técnicas Anestésicas
A anestesia geral foi a técnica mais utilizada em 2023, com destaque para a Geral Venosa Inalatória Balanceada (AGVI). A Anestesia Venosa Total (AVT) não apresentou crescimento no último ano. Dentre as anestesias regionais, a Raquianestesia é a mais utilizada, apesar do crescimento dos bloqueios periféricos, provavelmente devido à popularização do uso do ultrassom no point-of-care.
O destaque ficou para procedimentos com sedação, que subiram 3,8 pontos percentuais (de 27,7% em 2022 para 31,5% em 2023), provavelmente devido ao aumento da participação dos anestesiologistas em procedimentos de diagnóstico por imagem e anestesias fora do centro cirúrgico.
Incidentes
O acompanhamento de incidentes e eventos adversos e dos danos decorrentes deles é parte de todos os manuais de qualidade e segurança. Existem várias iniciativas em todo o mundo para melhorar a transparência e a notificação de eventos, a fim de possibilitar medidas preventivas e corretivas.
Nesse ponto, há um possível viés de subnotificação, o que pode explicar os valores baixos (0,81%). A cultura do país e de cada instituição e o receio de judicialização contribuem para o baixo número de notificações. Contudo, houve um aumento relativo de 35% na comparação com o ano de 2022.
Dano ao Paciente
Em 2023, 5,03% dos incidentes tiveram relato de dano ao paciente, mais da metade resultando em lesões (55,7%), seguido por incapacidade (22,5%) e sofrimentos (21,8%).
Acesse o estudo completo em:
https://observatorio.anestech.com.br
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AL1 | INFORMAÇÃO
Paradoxo na medicina: estudo revela impacto da defasagem de vagas na residência médica na falta de especialistas
O Brasil vive um paradoxo na medicina: enquanto o número de médicos recém-formados cresce significativamente, o acesso à especialização, fundamental para um atendimento de qualidade, permanece um gargalo. A Residência Médica (RM), tradicionalmente vista como o único caminho para a especialização, não consegue absorver a crescente demanda, deixando milhares de profissionais sem o título de especialista e a população com dificuldades para acessar atendimento especializado.
Diante desse cenário, a pós-graduação médica surge como uma alternativa, mas sua regulamentação e reconhecimento pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) ainda são temas de intenso debate na Justiça Federal.
Dados do Informe Técnico nº 05 da "Demografia Médica no Brasil 2025", estudo da Associação Médica Brasileira (AMB) e da Faculdade de Medicina da USP, apontam para um aumento de 71% no número de estudantes de medicina entre 2018 e 2024, enquanto as vagas de residência cresceram apenas 26%.
O estudo mostra que a defasagem entre oferta de graduação e de residência aumentou e que 14 especialidades tiveram redução de vagas. Outro problema é a concentração das vagas no Sudeste, com São Paulo reunindo quase um terço dos médicos residentes. A consequência é um contingente de mais de 210 mil médicos generalistas sem título de especialista reconhecido pelo CFM.
Ao mesmo tempo, há um enorme contingente de médicos com cursos de pós-graduação credenciados pelo Ministério da Educação (MEC) que são impedidos de divulgar seus títulos.
"A pós-graduação lato sensu é uma via legítima para a especialização, amparada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que atribui ao MEC a competência para normatizar esses cursos, muitos dos quais oferecidos por universidades públicas, com conteúdo programático e duração semelhantes aos das residências médicas", comenta Eduardo Teixeira, presidente da Associação Brasileira de Médicos com Expertise de Pós-Graduação (Abramepo) e professor titular da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.
Regras
O CFM reconhece apenas a residência médica e a prova de títulos como vias para a emissão do Registro de Qualificação de Especialista (RQE). A prova de títulos é restrita a médicos que cursaram especializações reconhecidas pela Associação Médica Brasileira (AMB), ou seja, uma entidade privada define regras que são de responsabilidade da União.
"O nosso questionamento à prova de títulos é que ela não forma especialistas, ao contrário dos cursos de pós-graduação. A prova de títulos apenas afere conhecimentos. Mas quem garante a formação desses profissionais?", indaga o presidente da Abramepo.
A Abramepo reconhece a importância do RQE, mas critica os critérios atuais para sua obtenção. Eduardo Teixeira questiona a prerrogativa do CFM em relação à pós-graduação. "Quem diz quem é médico no Brasil é o MEC, através do diploma de graduação. Na pós-graduação, deveria ser a mesma coisa", argumenta.
A LDB já estabelece requisitos mínimos de qualidade para as pós-graduações, como corpo docente qualificado e aprovação por conselhos universitários, mas é possível estabelecer ainda mais parâmetros de qualidade e segurança para impulsionar a formação de especialistas no Brasil.
"Em vez de negar o reconhecimento dos cursos de pós-graduação, o CFM deveria atuar junto ao MEC para aprimorar a regulamentação, estabelecendo critérios mais rigorosos de qualidade", comenta o professor.
Impacto no SUS
A falta de reconhecimento do título obtido via pós-graduação gera impactos significativos. Médicos qualificados ficam impedidos de anunciar sua especialização e concorrer a cargos públicos ou de pleitear registro em convênios, limitando o acesso da população a especialistas. Além disso, a exigência do RQE em editais de concursos públicos deixa vagas ociosas, prejudicando a oferta de serviços, especialmente no SUS.
Para Teixeira, o reconhecimento da pós-graduação como via de especialização traria benefícios para médicos, governo e pacientes, ampliando o acesso a atendimento especializado, principalmente para a população carente.
"A Abramepo defende um diálogo com o CFM e o MEC para construir um modelo regulatório eficaz que garanta a qualidade da pós-graduação e o reconhecimento dos profissionais qualificados, contribuindo para a solução da escassez de especialistas no Brasil. Essa é uma questão urgente de saúde pública", completa Teixeira.
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Assessoria de Comunicação
ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
Planos de saúde se recuperam, mas prejuízo ainda ameaça setor
Mabel anuncia pagamento integral da folha dos médicos de Goiânia nesta segunda-feira, 6
Mabel anuncia continuidade de parceria da prefeitura com o Estado na Saúde
Demografia dos Núcleos de Segurança do Paciente
Sete pautas que o setor da Saúde deve trabalhar em 2025
FOLHA DE S.PAULO
Planos de saúde se recuperam, mas prejuízo ainda ameaça setor
Apesar do recente alivio no desempenho do mercado de planos de saúde, que em 2022 tiveram um prejuízo operacional sem precedentes, é cedo para celebrar a retomada, e o cenário ainda não recuperou os patamares anteriores à pandemia, segundo representantes do setor.
Se os novos dados divulgados pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), relativos ao acumulado até o terceiro trimestre de 2024, apresentam um lucro operacional de R$ 3 bilhões das operadoras médico-hospitalares, após dois anos de prejuízo na mesma base de comparação, o resultado ainda não reflete a realidade geral do setor.
Segundo levantamento da Abramge, (Associação Brasileira de Planos de Saúde), hoje, 44% das operadoras de planos médicos ainda registram resultado negativo, uma parcela muito maior do que os 33% de 2019.
"De fato, o ano de 2024 foi melhor para o equilíbrio da sustentabilidade. Por outro lado, chegando ao fim do ano, você vê que o número de empresas em prejuízo operacional pulou para 44%, o que é quase metade do setor. Isso assusta", afirma Gustavo Ribeiro, presidente da Abramge.
Nos últimos anos, o setor tem permanecido dependente do apoio da remuneração das aplicações financeiras acumuladas pelas operadoras médico-hospitalares para compor seu resultado líquido total. Segundo a ANS, no acumulado de 2024 até setembro, o resultado financeiro foi positivo em R$ 6,9 bilhões, próximo ao recorde do ano anterior.
A sinistralidade, um dos principais indicadores neste mercado, melhorou. O índice, que aponta a parcela das receitas de mensalidades que são utilizadas com as despesas assistenciais, desceu do pico de 90,3% no acumulado do terceiro trimestre de 2022 para 84,3%, atingindo a menor taxa para o período desde 2020.
Naquele ano, a sinistralidade foi atipicamente baixa porque o isolamento provocado pela pandemia resultou na queda no uso dos planos de saúde pelos beneficiários.
Entre os grandes movimentos que as operadoras têm feito nos últimos anos para conter a crise, o combate às fraudes praticadas contra os planos de saúde ajudou a estancar parte dos desperdícios e abusos, segundo Vera Valente, diretora-executiva da FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar).
Empresas do setor ainda recebem críticas pela prática de cancelamentos unilaterais de planos coletivos, um problema que ficou conhecido como higienização de carteira, que exclui usuários custosos.
"A melhora era esperada, mas os resultados ainda não chegaram nos níveis pré-pandemia. Se o setor estava se afogando com 20 metros de água acima da cabeça, hoje são 5 metros. Ainda é preocupante. O lucro líquido de janeiro a setembro traduz os esforços de gestão das operadoras, de racionalizar custos e combater fraudes. Estamos nos recuperando após nove trimestres de prejuízo. A sinistralidade começa a entrar em uma janela razoável", diz.
A despeito do alívio, representantes das operadoras de planos de saúde afirmam que o setor ainda enfrenta dificuldades estruturais geradas por mudanças legislativas e regulatórias que estimularam os questionamentos judiciais contra as empresas e agregaram incertezas ao cálculo do risco na operação.
Uma delas é a legislação do rol, publicada em 2022, que colocou fim ao chamado rol taxativo, obrigando os planos de saúde a arcarem com procedimentos que não estejam na lista de cobertura mínima da ANS.
Na mesma época, uma mudança regulatória da ANS acabou com a limitação do número de consultas e sessões com psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas, tornando o atendimento ilimitado, o que favoreceu a prática de desperdícios e fraudes, segundo representantes do setor.
A entrada de medicamentos de custo milionário no mercado brasileiro, como o Zolgensma, também é citada como empecilho à sustentabilidade das contas.
Para este ano, o setor deve avançar sobre outro tema que impacta as contas das operadoras: a expectativa é que cresça a pressão para que a indústria farmacêutica participe da solução para combater o desequilíbrio da saúde suplementar.
Segundo Ribeiro, da Abramge, a saúde privada paga muito mais caro do que o SUS (Sistema Único de Saúde) por alguns medicamentos e não tem o benefício do compartilhamento de risco, modelo pelo qual o produto só é pago integralmente se houver desfecho positivo para o paciente.
A proposta, segundo ele, é que os planos de saúde possam comprar o produto do próprio SUS, pagando um adicional em torno de 20%, o que beneficiaria o sistema público. Ainda assim, segundo Ribeiro, sairia mais barato para a saúde privada do que ela hoje paga para a indústria.
"Se eu compro do SUS, pagando 22% a mais, o SUS ganha em cima da saúde suplementar. E eu deixo de pagar oito vezes a mais pelo remédio", diz Ribeiro. A ideia deve ser defendida pelo setor em 2025.
Questionados sobre qual deve ser a intensidade dos reajustes nos preços dos planos de saúde, os representantes das operadoras evitam estimar com precisão.
"Este é um mercado de saúde com lastro atuarial baseado em seguro. E seguro é medição de risco. Eu não vi nenhuma grande mudança que faça com que os reajustes sejam maiores. Então, em condição de temperatura e pressão normal, vai seguir a tendência", afirma o presidente da Abramge.
É difícil prever, afirma Vera Valente, da FenaSaúde. Segundo ela, o mercado em geral tem feito esforços para reduzir custos, desperdícios e fraudes, que impactam os reajustes, mas ainda há gargalos regulatórios e de legislação que podem pesar no bolso do consumidor.
No caso dos planos de saúde individuais, as projeções de bancos apontam altas entre 5,6% e 6,8%.
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JORNAL OPÇÃO
Mabel anuncia pagamento integral da folha dos médicos de Goiânia nesta segunda-feira, 6
Mabel também comentou sobre a dívida da Prefeitura de Goiânia com os prestadores de saúde e hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS)
O prefeito Sandro Mabel (UB) anunciou que a folha de pagamento dos médicos credenciados à Saúde de Goiânia será quitada nesta segunda-feira, 6, de forma integral. Questionado durante coletiva de imprensa que apresentou os resultados do Gabinete da Crise na Saúde, ele apontou que havia uma expectativa de realizar o pagamento de apenas 50%, mas com a garantia dos recursos em caixa, os salários serão pagos de forma integral.
“Hoje estamos pagando os profissionais da saúde credenciados de forma integral. Na saúde não vamos estar devendo nada para ninguém”, disse.
Mabel também comentou sobre a dívida da Prefeitura de Goiânia com os prestadores de saúde e hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com o Ministério Público de Goiás (MPGO) a dívida com esses hospitais era de cerca de R$ 300 milhões. Uma operação do MP revelou que o ex-secretário de Saúde e seu núcleo mais próximo realizaram pagamento fora da ordem cronológica dos atendimentos, o que teria agravado o déficit e resultou na prisão de Wilson Pollara, além do secretário executivo da pasta, Quesede Henrique e do diretor financeiro, Bruno Viana.
De acordo com o prefeito, o mês de janeiro será “pago em dias” e um plano de parcelamento do restante da dívida será finalizado e apresentado aos credores. “Estamos explicando aos fornecedores que vamos pagar o mês de janeiro em dia e vamos fazer um plano para parcelar o restante para quitar as dívidas que existem para pagar ao longo dos próximos meses. Estamos negociando, mas eles foram camaradas, seguraram as pontas e entenderam que estamos em uma guerra que ainda não acabou”, disse.
Intervenção na saúde
A intervenção instaurada na saúde municipal de Goiânia foi um pedido do Ministério Público e acatado pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO). O governo criou o gabinete de crise por meio de um decreto instaurado nas 13 unidades de Urgência e Emergência da capital e tinha como objetivo garantir o atendimento da população nas unidades de saúde da Capital.
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A REDAÇÃO
Mabel anuncia continuidade de parceria da prefeitura com o Estado na Saúde
O prefeito Sandro Mabel anunciou a continuidade da parceria com o Governo Estadual na área da Saúde da capital, nesta segunda-feira (6/1), durante apresentação dos resultados do Gabinete de Crise. Na ocasião, confirmou pagamento integral, nesta terça-feira (7/1), dos profissionais de saúde contratados, além da negociação de dívidas com fornecedores.
A ação conjunta zerou a fila de espera nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) há 12 dias e registrou queda de 79% nos pedidos de vagas, além de adquirir 200 mil medicamentos e ampliar o número de ambulâncias disponíveis para atendimento.
“Essa crise nos mostrou uma coisa muito importante: que juntos nós somos mais fortes. Então nós vamos trabalhar juntos em uma série de operações de regulação. Graças a Deus, já há 12 dias nós não temos problemas com falta de vaga para UTI. Conseguimos uma estabilização, mas nós não podemos parar. É por isso que nós vamos continuar juntos, de mãos dadas em todos os aspectos”, afirmou o prefeito Sandro Mabel.
O prefeito agradeceu ao governador Ronaldo Caiado pela ajuda durante a intervenção. Mabel também disse que o pagamento dos servidores contratados da Saúde será feito de forma integral nesta terça-feira (7/1) e que está pedindo aos parlamentares que destinem todas as emendas para o setor.
Mabel também esclareceu que tem conversado com os fornecedores da Saúde para realizar acordos e conciliações. No mês de janeiro, o pagamento será realizado em dia. “Agora, os fornecedores, sim, nós estamos negociando. Tem muito fornecedor que foi camarada nesse momento difícil. Nós estamos pegando um a um e conciliando, comprando medicamentos, fazendo as ambulâncias funcionarem, adquirindo gasolina e contratando profissionais para as equipes. Então, isso foi um trabalho muito bom”, avaliou.
O secretário municipal de Saúde, Luiz Pellizer, afirmou que a instalação do Gabinete de Crise foi crucial para frear o processo de mortalidade de pacientes. “Conseguimos manter uma estrutura mínima sobre tratamentos desses doentes, reabastecer as unidades, o SAMU e trazer condições para um primeiro atendimento digno. Dessa forma, houve um impacto extremamente positivo criando confiança na Saúde de Goiânia. Na prática, a administração Sandro Mabel começou antes mesmo da posse”, disse.
Resultados
A apresentação foi realizada pelo secretário de Estado da Saúde, Rasível Santos, que esclareceu que o Gabinete de Crise foi criado com objetivo de monitorar a situação da Saúde na capital, planejar, estruturar e mobilizar ações e, por fim, coordenar respostas rápidas e eficientes para o desafio. Foram instalados, em tempo recorde, Gabinetes de Crise em 13 unidades de pronto atendimento e adquiridos 232 mil medicamentos por meio de processos emergenciais.
“Foi uma decisão acertada do nosso governador Ronaldo Caiado. Nós conseguimos integrar o município juntamente com o Estado, com a comissão de transição, e depois com a intervenção. Então, trabalhamos com uma sinergia muito grande com o objetivo de reduzir mortes e complicações evitáveis. E a gente conseguiu fazer isso, porque nenhum paciente evoluiu para óbito aguardando vaga de terapia intensiva, nenhum paciente ficou mais de 24 horas aguardando vaga e nenhum caso foi judicializado nesse período”, disse o secretário Rasível Santos.
O secretário afirmou que a próxima etapa será a implantação do Samu macro-regional. “Será feito o gerenciamento através de um consórcio intermunicipal de saúde, com a cooperação de cada um dos municípios. E como é feita essa cooperação? Um valor per capita. Dessa forma, a gente consegue trazer justiça para esse processo”, pontuou.
De acordo com o secretário, o Estado assumiria a parte variável do custo. Atualmente, o Governo Federal tem um valor fixo destinado para o SAMU e o Estado colabora com 50% do valor destinado pela União. A proposta é inverter, deixando o valor fixo para os municípios e o Estado assumindo a parte variável. “Dessa forma, a gente consegue trabalhar com todos os municípios cooperando, de forma que o SAMU possa ser organizado e operado com o apoio de todos os municípios”, disse.
UTIs
Segundo os dados apresentados na coletiva, atualmente estão à disposição 444 leitos de UTI em Goiânia, sendo que 332 estão ocupados, representando 74% do total. O número de internações autorizadas na capital também subiu vertiginosamente. No dia 11 de dezembro, foram autorizadas, somadas a regulação municipal e estadual, 831 internações. No dia 6 de janeiro o número atingiu 3.764 internações autorizadas no período.
A atuação do Gabinete melhorou a organização na avaliação do paciente, reduzindo o prazo limite definido para permanência de paciente crítico nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) para 24 horas. Nos últimos 12 dias o número de pendências de solicitação de vagas de UTIs se manteve em zero. Medidas que resultaram em um aumento de 134% no número de vagas autorizadas.
O balanço apontou ainda a ampliação no número de ambulâncias disponíveis para atendimento. O número de Unidades de Suporte Avançado (USAs) subiu de três para quatro, atingindo o número ideal de unidades. Já as Unidades de Suporte Básico (USBs) subiram de 6 para 11 com a instalação do Gabinete de Crise, que considera 13 o número ideal de veículos. O Serviço de Atendimento ao Transporte Sanitário (SATS) subiu de três para onze unidades, sendo que o número ideal é de 22.
Contratações
Na área de Recursos Humanos, após a reunião da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) com o Ministério Público (MP), foram realizados esforços significativos para atender às demandas de saúde nas UPAs e no SAMU. Entre os técnicos de enfermagem, 178 vagas foram solicitadas, 148 publicadas e 76 credenciadas. Foram solicitadas 82 vagas para enfermeiros, todas publicadas, resultando no credenciamento de 65 profissionais. Para técnicos de laboratório, foram 20 vagas solicitadas, todas publicadas, com 15 credenciados.
No caso dos auxiliares de farmácia, 15 vagas foram solicitadas e publicadas, com 10 credenciados. Para técnicos de raio-x, 11 vagas foram solicitadas, 9 publicadas e 8 credenciados. Em relação aos biomédicos, 9 vagas foram solicitadas e publicadas e 7 foram credenciados. Por fim, para farmacêuticos, 5 vagas foram solicitadas e publicadas, com 4 profissionais credenciados.
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MEDICINA S/A
Demografia dos Núcleos de Segurança do Paciente
Iniciativa única no país, levantamento chega à segunda edição com mais de 1.000 instituições participantes e dados fundamentais para a gestão e o avanço da cultura da segurança nos serviços de saúde brasileiros.
Os Núcleos de Segurança do Paciente (NSP) presentes em serviços de saúde no país são realmente atuantes? São bem preparados e estão transformando e melhorando as condições de segurança dos pacientes atendidos? Quais dificuldades enfrentam? É possível identificar motivos que expliquem o número ainda reduzido de NSPs cadastrados?
Ciente da importância fundamental de conhecer essa realidade para o avanço da cultura da segurança do paciente no Brasil, a Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente, SOBRASP, realizou ao longo de 2024 a segunda edição da pesquisa “Demografia dos Núcleos de Segurança do Paciente”. Os resultados foram divulgados em primeira mão para a Medicina S/A.
Foram 1.131 instituições participantes de 26 estados e do Distrito Federal, quase o triplo da primeira edição, em 2022 (400 respondentes). O salto é atribuído pela SOBRASP ao empenho na divulgação pela equipe do Núcleo de Informações Estratégicas* da entidade, ao trabalho do grupo “Comitê de Mobilização pela Demografia” (composto por cerca de 50 pessoas em diversas posições nos âmbitos público e privado e criado para fazer a pesquisa chegar ao conhecimento dos serviços de saúde com NSPs no país) e à credibilidade e às parcerias que a Sociedade vem conquistando desde sua fundação em 2017.
A Demografia dos Núcleos de Segurança do Paciente 2024 foi uma websurvey com um questionário de 42 perguntas, divididas em quatro seções: dados da instituição; dados do NSP; dados do(a) coordenador(a)/responsável pelo NSP; e dados sobre o nível de maturidade do Núcleo. A SOBRASP contou com a participação do Ministério da Saúde no início dos trabalhos de confecção e revisão dessas perguntas. Os dados, coletados no período de 1 de março a 21 de junho deste ano, são anonimizados e protegidos no contexto da Lei Geral de Proteção de Dados. Nenhum estabelecimento é identificado.
DE 2013 A 2024: AFINAL, COMO OS NSPs ATUAM?
Segundo Antônio José de Lima Júnior, coordenador do Núcleo de Informações Estratégicas da SOBRASP, responsável pela Demografia, os principais objetivos da pesquisa são fornecer dados para a criação de políticas públicas que possibilitem o avanço da cultura da segurança no sistema de saúde brasileiro e garantir aos Núcleos de Segurança do Paciente (NSPs) elementos que os auxiliem a mudar sua realidade. “A intenção é levantar uma discussão em nível nacional sobre a atuação dos núcleos e que contribua para entender, também, o que tem dificultado a implementação na maioria dos serviços, a julgar pela proporção de NSPs cadastrados de 2013 até hoje”, diz Lima Júnior. Os Núcleos de Segurança do Paciente integram o conjunto de medidas do Programa Nacional de Segurança do Paciente, lançado em abril de 2013 pelo Ministério da Saúde, e estão previstos na Resolução de Diretoria Colegiada-RDC 36/2013, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A RDC se aplica aos serviços de saúde públicos, privados, filantrópicos, civis ou militares, e ainda aos que exercem ações de ensino e pesquisa; ela não inclui consultórios individualizados, laboratórios clínicos e serviços móveis e de atenção domiciliar.
O documento diz o que compete ao NSP, como, por exemplo, elaborar o Plano de Segurança do Paciente (PSP) e monitorar e notificar os eventos adversos à Anvisa, e define as condições organizacionais dos núcleos. Segundo a RDC, é preciso que a direção do serviço de saúde disponibilize recursos humanos, financeiros, equipamentos, insumos e materiais, além de um profissional responsável pelo NSP com participação nas instâncias deliberativas do serviço de saúde.
“Como a RDC não determina qual a composição mínima dos Núcleos e a formação dos profissionais membros, esses questionamentos fizeram parte da Demografia. Identificamos, por exemplo, que os NSPs são predominantemente compostos por enfermeiros, seguidos de médicos e farmacêuticos. Também consideramos muito importante saber como essas pessoas atuam, quantas horas podem usar para a execução das tarefas do Núcleo e se o responsável pela gestão do NSP tem dedicação exclusiva, já que essas definições acabaram ficando a critério de cada instituição”, destaca Lima Júnior.
De acordo com ele, os resultados da Demografia 2024 ratificaram os dados encontrados na edição anterior sobre esse quesito: das instituições respondentes, a maioria (57,7%) não tem coordenadores com dedicação exclusiva.
ACREDITAÇÃO E MATURIDADE
Nessa edição da pesquisa, a SOBRASP incluiu uma pergunta sobre acreditação, a fim de verificar se essa estratégia pode trazer impacto para a qualidade da atuação dos Núcleos. Apenas 22,2% responderam que têm alguma acreditação e percebem que a atuação do seu NSP é significativa (próxima de 8 numa escala que vai até 10). “Saber que quase 77,8% das instituições participantes não são acreditadas nos leva a entender que essa iniciativa tem evoluído no país, mas que ainda não é uma realidade na maioria dos serviços”, comenta o coordenador.
E, ao associar variáveis de desfecho de resultado com outras variáveis da pesquisa, foram encontradas relações entre o quanto os Núcleos são atuantes e seu tempo de criação no serviço de saúde, ou seja, NSPs criados há mais de sete anos receberam uma avaliação melhor de seus participantes, com média superior a oito. Para Lima Júnior, é um indicador do valor do amadurecimento. “Não se cria um Núcleo hoje e no próximo ano ele já é muito atuante, com resultados. Isso requer tempo”, diz.
APOIO DA ALTA GESTÃO
Outra associação foi entre o quão atuante é o Núcleo com o apoio recebido da alta gestão. Os NSPs que dizem receber apoio da alta gestão tiveram uma nota de 7.9, enquanto que aqueles que afirmam não ter apoio alcançaram 6.68. “Parece pequena essa distância, mas é estatisticamente significante. Além do mais, está descrito na literatura sobre segurança do paciente que o apoio da alta gestão é fundamental para a melhoria da qualidade dessa segurança”, reforça Lima Júnior. “É preciso que a instituição tenha uma política na área e tenha a adesão das pessoas, e quem encabeça esses profissionais é a alta gestão.”
Uma divergência foi identificada entre a informação de que núcleo recebe apoio da alta gestão (90,3%) e a existência de uma agenda de reuniões com a alta gestão (61%). Para o coordenador, não ter encontros para a definição de ações e tomadas de decisão e, ao mesmo tempo, dizer receber apoio passa a impressão de que esse apoio é incondicional, que o NSP pode fazer o que quiser. A discrepância também fortalece a necessidade de aprofundamento da investigação sobre de que forma esse apoio é dado.
DIFICULDADE: ENVOLVIMENTO DE PACIENTES E FAMILIARES NAS AÇÕES DE SEGURANÇA
A necessidade da formação, capacitação e educação continuada dos profissionais de saúde nos aspectos da segurança do cuidado – que inclui o envolvimento de pacientes e familiares nas ações do Núcleo – aparece nos 41,6% dos NSPs que afirmam não ter ações nesse sentido. “Como eu vou dar uma orientação se não desenvolvi aquele olhar? Como posso reduzir o risco de queda sem envolver o paciente e o familiar? A maioria dos serviços de saúde não têm conseguido fazer isso, e a Demografia ratifica essa realidade”, salienta Lima Júnior.
Para o coordenador, atitudes básicas, como se apresentar para o paciente e o familiar antes de qualquer avaliação, pedem que haja uma mudança de comportamento, assim como para envolvê-los na análise de um incidente, de um evento adverso, convidando-os a ajudar na elaboração de um plano de ação para evitar que o problema aconteça novamente (uma das frentes de atuação do chamado disclosure).
“O envolvimento acontece na prevenção e na melhoria contínua, é algo que precisa estar sistematizado. Toda pessoa que é internada vai receber as orientações básicas de onde está a saída de emergência, a campainha para pedir ajuda, o que fazer para evitar uma queda. É preciso, ainda, que o NSP trabalhe para construir e manter um ambiente favorável e seguro que estimule o paciente e o familiar a questionarem o profissional de saúde toda vez que algum medicamento for administrado, por exemplo, e que o profissional seja treinado para essa troca. O quesito envolvimento do paciente e familiar comporta até a nomeação de um representante da comunidade para integrar o NSP”, afirma.
NÚCLEOS MAIS ATUANTES = PROTOCOLOS IMPLANTADOS
Serviços de saúde sem Núcleo de Segurança do Paciente estruturado enfrentam muito mais dificuldades na implantação e no monitoramento dos protocolos de segurança do paciente, segundo Lima Júnior. Por outro lado, como mostrou a Demografia 2024, NSPs com avaliação de atuação próxima ou superior a oito (numa escala de 1 a 10) têm protocolos descritos, implantados e monitorados, o que também envolve apoio da alta gestão, com capacitação dos profissionais para possibilitar adesão e recursos e suprimentos necessários ao cumprimento dos protocolos.
“Todos sabemos que protocolos de segurança do paciente são construídos a partir de evidências científicas, e que trabalhar com eles é condição essencial para melhorar a qualidade da assistência. Também sabemos que um apoio importante da alta gestão é o financeiro, para, por exemplo, ter os materiais previstos no protocolo de prevenção de lesões por pressão. Sem materiais, podemos entender que essa prevenção não é prioridade da gestão”, analisa.
Para a Demografia, os oito protocolos definidos pela SOBRASP foram: identificação do paciente; comunicação segura; segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos; cirurgia segura; prática de higiene das mãos; prevenção de quedas; prevenção de lesão por pressão; e uso seguro de sangue e hemocomponentes.
A pesquisa mostrou, ainda, a associação entre o quão atuante é o núcleo e a análise de eventos adversos. Mais de 80% dos participantes responderam que analisam os eventos adversos, e seus serviços de saúde tiveram nota de atuação próxima de 8, o que também é estatisticamente significante, de acordo com Lima Júnior. Vale lembrar que, no Brasil, o número de eventos adversos notificados pelos serviços de saúde na Anvisa chegou a 370.000 em 2023.
“Só fazemos gestão se tivermos dados, e não tínhamos informações detalhadas sobre a conformação, o trabalho e as dificuldades dos Núcleos de Segurança do Paciente, que são uma célula importante de implantação das ações de segurança nas instituições de saúde do país”, pontua Paola Andreoli, que tomou posse como presidente da SOBRASP (2025-2026) no dia 6 de dezembro. Ela espera que a Demografia possa ser usada pelo Ministério da Saúde, pela Anvisa, pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), pelo Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS) e pela Agência Nacional de Saúde (ANS), órgãos que definem diretrizes que podem apoiar mais os NSPs.
“Esperamos que esse conjunto de informações possa catalisar iniciativas para o desenvolvimento e o apoio às práticas de segurança implantadas pelos Núcleos de Segurança do Paciente e que a Demografia também seja um instrumento para os profissionais que compõem os NSPs, pois eles são a instância propulsora do Programa Nacional de Segurança do Paciente nos serviços de saúde do país”, deseja o Coordenador-geral do Proqualis ENSP/Fiocruz e ex-presidente da SOBRASP, Victor Grabois, que após sete anos deixa o cargo que ocupou desde a fundação da Sociedade.
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Equipe do Núcleo de Informações Estratégicas da SOBRASP, responsável pela Demografia dos Núcleos de Segurança do Paciente
Ana Gabriela Silva de Lima, Antônio José de Lima Júnior, Flávia Portugal, Isabelle Mury, Jurema Corrêa da Mota. Colaboradores da edição 2024: Claudia Toledo, Luiza Gerhardt e Victor Grabois.
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Sete pautas que o setor da Saúde deve trabalhar em 2025
Por Rogério Pires
O avanço tecnológico do setor da Saúde nos últimos anos transformou o modo como as instituições operam. A digitalizaçãotraz benefícios para todos os elos da cadeia: para os pacientes, o diagnóstico e tratamento são aprimorados, melhorando também sua jornada nas instituições de saúde como um todo; para os profissionais, a tecnologia é importante aliada para ganho de produtividade, agilidade e inteligência; e do lado das instituições, a gestão é elevada a um nível superior, conferindo maior eficiência, ponto fundamental para a gestão financeira.
Diante de tantos benefícios, o movimento de transformação digital da saúde deve se acentuar em 2025, a exemplo do aumento do uso da tecnologia na jornada dos pacientes. Além de proporcionar uma experiência muito mais completa e positiva para quem é atendido, a digitalização da jornada do paciente traz mais comodidade e praticidade. Hoje, vemos a crescente popularidade de ferramentas como aplicativos próprios das instituições, chatbots para agendamento de consultas e exames e canais digitais de atendimento para o contato entre pacientes e instituições. Inovações no processo de validação do “token” das operadoras de saúde também vêm ganhando destaque, utilizando tecnologias como a de reconhecimento facial, por exemplo, o mesmo racional usado já há algum tempo pelo setor financeiro.
A tecnologia também é ingrediente essencial na maneira como as instituições de saúde realizam o registro de suas informações, parte essencial da operação. De acordo com a pesquisa TIC Saúde 2024, conduzida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), 92% dos estabelecimentos de saúde do Brasil têm algum sistema eletrônico para registro das informações dos pacientes, um aumento de 5 pontos percentuais com relação a 2023.
E conforme essa digitalização se consolida o uso de dadosse torna ainda mais estratégico, abrindo um leque de possibilidades. Para 2025, sem dúvidas, os dados continuarão atuando como protagonistas, uma vez que, se bem coletados, tratados e integrados, auxiliam na gestão das instituições, sejam hospitais, clínicas, cooperativas médicas ou planos de saúde, nos mais variados aspectos. A inteligência de dados já vem sendo aplicada na redução de custos nas operadoras, por exemplo. Por meio de uma visão completa da base de cliente é possível gerenciar gastos e reduzir a sinistralidade, ponto central para as operadoras.
Outro uso dos dados na área da saúde que ganha força são os wearables, ou dispositivos vestíveis. Na medida em que grandes empresas de tecnologia lançam dispositivos como smartwatches e anéis, a população tem demonstrado maior interesse nos benefícios do uso de wearables para sua saúde. Ao captarem dados do usuário ao longo do dia, estes dispositivos podem auxiliar no monitoramento e prevenção de doenças, ajudando na condução de um acompanhamento de saúde mais eficiente por meio da medicina preditiva.
E, quando falamos em dados, não podemos deixar de lado o assunto do momento: Inteligência Artificial. A IA já vem sendo utilizada na área da saúde em diversos processos, a fim de garantir automação e eficiência para as instituições. Por isso, para 2025, aposto que a IA seguirá com destaque no setor, inclusive a IA Generativa. Uma das suas aplicações que já são vistas é no registro de informações em prontuários, possibilitando que o médico dedique total atenção ao paciente, enquanto a ferramenta registra o que foi dito no prontuário.
O mercado de tecnologia para a área da saúde vem evoluindo e, com isso, cresce o número de novidades desenvolvidas especialmente para o segmento. Mas sabemos que a digitalização da saúde no Brasil ainda enfrenta desafios, e existe um longo caminho a ser percorrido para o uso e integração efetiva das soluções no setor. Um exemplo é a necessidade de capacitação dos profissionais com relação ao uso da tecnologia. De acordo com a TIC Saúde 2024, apenas 23% dos médicos e enfermeiros realizaram alguma formação ou treinamento em informática em saúde para lidar com as novas tecnologias nos 12 meses que antecederam a pesquisa.
Outro desafio constante é a cibersegurança. Conforme o uso de soluções aumenta, é fundamental que as organizações de saúde estejam preparadas para garantir a proteção e privacidade dos dados de seus pacientes, garantindo também o cumprimento de legislações, como a LGPD. Ainda de acordo com a mesma pesquisa TIC Saúde 2024, houve um aumento no uso de todos os sistemas de segurança utilizados nas instituições de saúde em comparação à pesquisa do ano anterior. Ferramentas de segurança da informação como antivírus (88%), proteção por senha do acesso ao sistema eletrônico (83%), firewall (60%) foram as três mais citadas.
Frente a um cenário cada vez mais competitivo, volátil e repleto de desafios, as instituições de saúde têm muito a se beneficiar do investimento em digitalização. A tecnologia não é mais apenas uma ferramenta, mas sim a base para um sistema mais eficiente, conectado e centrado nas necessidades do paciente. O futuro da saúde não é apenas sobre como usamos a tecnologia, mas sobre como ela pode ajudar a criar um sistema mais sustentável e acessível para todos.
*Rogério Pires é diretor de produtos para Saúde da TOTVS.
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Assessoria de Comunicação
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Recibo médico do Imposto de Renda passa a ser digital em 2025
Receita Saúde era opcional até 2024; agora, é obrigatório; veja como usar
A partir deste ano, profissionais da saúde, como médicos, fisioterapeutas, dentistas e psicólogos, deverão emitir seus recibos de pagamento por meio do sistema digital da Receita Federal, o que deve facilitar a dedução dos gastos com saúde na declaração do Imposto de Renda das pessoas físicas.
O recurso está disponível desde abril de 2024, mas a sua utilização não era obrigatória. Agora, os profissionais que emitem seus recibos como pessoas físicas deverão utilizar a ferramenta.
Segundo a Receita Federal, a medida deve reduzir o número de declarações em malha fina- situação em que são encontradas inconsistências entre as informações declaradas e os dados apresentados por outras entidades.
Com o recurso, as informações sobre os pagamentos poderão ser conferidas diretamente no aplicativo e, posteriormente, informadas na declaração do IR. Dessa forma, pacientes e profissionais não precisarão mais guardar os recibos em papel.
Até o início de dezembro do ano passado, mais de 380 mil recibos digitais já tinham sido emitidos - número que representa mais de R$ 215 milhões em serviços de saúde prestados.
Segundo o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, a medida busca reduzir o número de declarações em malha fina, uma vez que cerca de 25% das declarações retidas na malha, apresentam erros relacionados aos recibos de prestadores de serviços de saúde pessoas físicas.
QUEM PODE EMITIR O RECIBO?
O Receita Saúde deve ser utilizado por profissionais da saúde que emitem seus recibos como pessoas físicas. São considerados trabalhadores dessa área: médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais com registro ativo em seus conselhos profissionais.
A ferramenta não se aplica a aqueles que tenham empresas e que já fornecem essas informações por meio da Dmed (Declaração de Serviços Médicos e de Saúde).
Representantes profissionais, ou seja, pessoas para quem o profissional de saúde concede procuração eletrônica para a emissão dos recibos também poderão acessar o aplicativo.
QUANDO O RECIBO DEVE SER EMITIDO?
O recibo deve ser emitido na data do pagamento da prestação de serviço. Para os casos em que o pagamento for parcelado, deverá ser emitido um recibo para cada parcela paga.
Aqueles que desejarem também poderão realizar a emissão retroativa. Para isso, o profissional deverá providenciar os respectivos ajustes no cálculo do Recolhimento Mensal Obrigatório (Carnê-Leão), referente ao IR.
A obrigatoriedade de uso do recurso valerá apenas para as declarações feitas no início de 2026, referente ao ano fiscal de 2025. Contudo, os recibos emitidos no aplicativo em 2024 já impactarão a declaração de 2025, ano-base 2024, facilitando a prestação de conta.
PACIENTES PODEM ACESSAR O APLICATIVO?
Todos os cidadãos com CPF ativo podem acessar o Receita Saúde por meio do Perfil Paciente. Nessa seção do aplicativo, todos os recibos em que o cidadão aparece como beneficiário ou pagador serão exibidos.
COMO UTILIZAR O APLICATIVO?
O Receita Saúde está disponível para dispositivos móveis com sistemas IOS e Android e pode ser baixado nas lojas de aplicativo dos aparelhos (App Store e Play Store).
Os usuários devem acessar o recurso por meio de sua conta gov.br. É necessário, no entanto, que a conta tenha um nível de segurança prata ou ouro.
Para os profissionais, além da conta gov.br, também é necessário apresentar o cadastro no Carnê Leão Web, onde os recibos emitidos são armazenados. O cadastro na plataforma deve ser feito por meio do Portal e-CAC no menu Declarações e Demonstrativos, opção Acessar Carnê-Leão.
COMO EMITIR O RECIBO PELO COMPUTADOR?
Aqueles que preferirem, também poderão emitir o recibo por meio do Carnê Leão Web, localizado na funcionalidade +Receita Saúde, que fica na ficha Rendimentos.
QUAIS SÃO OS DADOS NECESSÁRIOS PARA EMITIR O RECIBO?
Após realizar o seu login com a conta gov.br, o profissional de saúde ou seu representante deverá preencher os seguintes campos para emitir o recibo:
CPF do pagador
Se o pagador for o beneficiário do serviço basta selecionar o checkbox com essa indicação
Se o beneficiário e o pagador não forem a mesma pessoa deve ser informado o CPF do beneficiário
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PORTAL R7
Pesquisa: reembolso é um dos maiores pontos de insatisfação dos clientes de planos de saúde
Associação dos planos de saúde afirma que análise para reembolsos se tornou mais criteriosa por causa do número de fraudes
Qual sua principal insatisfação quando o assunto é plano de saúde? Se respondeu reembolso, você não está sozinho. Pesquisa realizada na cidade de São Paulo, com 26.300 observações, revelou que a solicitação de reembolso e o recebimento do valor por despesas médicas estão entre os pontos mais mal avaliados pelos consumidores.
A Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde) tem uma explicação direta sobre essa dificuldade: as fraudes.
Mas vamos aos números: os planos de saúde avaliados analisados incluem 11 operadoras. As médias do setor para as etapas de reembolso foram de 7,26 e 7,55, respectivamente, no Net Promoter Score (NPS), uma métrica que mede a recomendação dos clientes.
Claro, o reembolso não é o único ponto fraco apontado pela pesquisa: espera pelo prazo de carência na adesão do plano (6,82) e o cancelamento do plano (7,10) também aparecem.
Por outro lado, a escolha do médico, clínica ou exame no site da operadora aparece como o ponto mais bem avaliado, com uma média de 7,84. O score médio no uso do plano, considerando todos os elos, foi de 7,57.
A análise foi realizada utilizando uma plataforma de Inteligência Artificial Generativa e dados de reviews online de consumidores do setor de saúde disponíveis na internet. A responsável é a Decoupling Brasil, empresa global que aponta disrupções nos mercados de companhias tradicionais.
As notasOs cofundadores da empresa responsável pelo levantamento, Thales Teixeira e Leandro Guissoni, destacam que notas acima de 8,50 são raras e representam atividades que encantam o consumidor. No entanto, no setor de planos de saúde, não há nenhum elo com nota igual ou superior a 8,50. Já as notas abaixo de 7,50 indicam atividades de forte insatisfação dos consumidores.
Os resultados da pesquisa nos Estados Unidos são muito parecidos com o mercado brasileiro. Lá, entre 15% a 20% dos pedidos de reembolso são negados.
Teixeira explica que a solicitação de reembolso por despesas médicas incorridas é também parte da discussão que está ocorrendo nos EUA após o assassinato do CEO da UnitedHealthcare, Brian Thompson. Palavras como "Delay, Deny, Defend" (Atrasar, Negar, Defender) estavam escritas na munição do assassino, refletindo a frustração dos consumidores.
1 / 6 A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) estipulou novas regras para o cancelamento de planos de saúde por inadimplência. Veja quais foram as mudanças definidas pelo órgão e tire suas dúvidas sobre as regras dos planos e direitos do consumidor com o Jornal da Record!Explicações e soluçõesA Abramge confirma que "a análise na prestação desses serviços tornou-se mais criteriosa para combater irregularidades que impactam os preços e reajustes dos planos de saúde". Segundo a associação, estimativa recente baseada em dados dos últimos cinco anos (2019-2023) indica que mais de R$ 10 bilhões foram gastos fraudulentos (veja a nota completa no fim da matéria).
A solução apontada pela Abramge e pelos responsáveis pela pesquisa são coincidentes, na medida em que envolvem comunicação e uma chance de os planos de saúde se envolverem mais com os clientes.
A associação, por exemplo, afirma que tem investido na comunicação setorial para explicar à população sobre o funcionamento dos planos de saúde, "incluindo a importância da carência, o funcionamento dos reembolsos, cuidados com dados pessoais e fraudes que afetam o setor e seus beneficiários".
Já Guissoni destaca que o trâmite do reembolso representa uma oportunidade de inovação para os planos de saúde, já que startups podem surgir para abocanhar partes da cadeia de valor de empresas estabelecidas.
Confira a nota da Abramge:"A Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) destaca que ao ano são realizados mais de 1,7 bilhão de procedimentos no cuidado e atenção aos 51,5 milhões de beneficiários de planos de saúde em todo o país. As operadoras desempenham um papel crucial no acesso a tratamentos, exames e procedimentos médicos, além de colaborar diretamente para aliviar a sobrecarga do sistema público de saúde.
A Abramge e suas operadoras associadas trabalham incansavelmente para superar os desafios encontrados no setor e reforçam seu compromisso com a prestação de um serviço essencial e de qualidade à população brasileira.
No que diz respeito ao tema dos reembolsos, estimativa recente da Abramge, com base em dados dos últimos cinco anos (2019-2023), indica que mais de R$ 10 bilhões foram gastos fraudulentos. Com isso a análise na prestação desses serviços ficou mais criteriosa para combater as irregularidades que impactam profundamente nos preços e nos reajustes dos planos de saúde.
A Abramge tem investido cada vez mais na comunicação setorial com o objetivo de levar informações de credibilidade para esclarecer à população sobre o funcionamento dos planos de saúde, como, por exemplo, explicar a importância da carência, o funcionamento dos reembolsos, os cuidados com os dados pessoais como login e senha do seu plano de saúde, as fraudes que acometem o setor e seus beneficiários.
Por fim, a Abramge reafirma seu compromisso inafastável em defender os interesses dos beneficiários de planos de saúde por meio da defesa dos pilares de sustentação do sistema de saúde suplementar e o combate às fraudes e desperdícios. Vale ressaltar que o setor de saúde suplementar ocupa apenas a 18ª posição em número de reclamações segundo o Consumidor.gov (portal oficial de reclamações do Governo Federal), com uma taxa de apenas 1,6% ao ano, evidenciando os esforços contínuos pela qualidade no atendimento de mais de 51,5 milhões de brasileiros."
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DIÁRIO DO NORDESTE
Hapvida abre novo hospital em Fortaleza com investimento de R$ 50 milhões
Unidade fica no Bairro de Fátima e adiciona 74 leitos à rede de atendimento da empresa cearense
A Hapvida NotreDame Intermédica abre, nesta segunda-feira (6), o Hospital Santa Maria, no bairro de Fátima, em Fortaleza, após um investimento R$ 50 milhões. Os atendimentos ao público começarão a ser realizados nesta noite.
Com mais de 7.602 m² de área construída e 74 leitos disponíveis, a unidade é a sétima da empresa no Ceará.
O novo hospital integra o plano de expansão da companhia, que prevê em torno de R$ 1 bilhão por ano em investimentos para ampliar a rede de atendimento.
Os novos leitos serão destinados a pacientes clínicos e cirúrgicos, incluindo 10 leitos de UTI adulto. A unidade contará com centro cirúrgico, serviço de diagnóstico por imagem e de análises clínicas.
Segundo a Hapvida, o hospital não abrirá para atendimento de urgência e emergência.
200 empregos gerados
Para a unidade, a Hapvida contratou 200 novos colaboradores, incluindo enfermeiros, técnicos de enfermagem, coordenadores, supervisores, auxiliares de serviços gerais, recepcionistas, maqueiros, copeiros e nutricionistas.
Local estratégico
O vice-presidente de Operações Hapvida, Francisco Souto, afirma que o hospital está localizado em uma área mapeada como estratégica pela companhia, que permite atender o maior número de pacientes.
"Estamos entregando mais uma unidade com serviços de altíssimo nível em Fortaleza. É uma expansão pensada em cada detalhe, desde a localização privilegiada e de fácil acesso aos usuários, no bairro de Fátima, até o oferecimento de serviços exclusivos que complementam o que já existe em toda a rede, no estado", destaca.
A Hapvida possui 5 unidades de pronto atendimentos, 22 clínicas médicas e 17 centros de diagnóstico por imagem e coleta ambulatorial no Ceará.
Em todo o Brasil, são 87 hospitais e 341 clínicas médicas.
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PORTAL HORA CAMPINAS
Artigo - Tornando a medicina de família uma especialidade mais atrativa: estratégias para enfrentar a escassez de especialistas em atenção básica no Brasil
Carmino de Souza e Colabores
Vou reproduzir neste texto uma publicação feita em janeiro de 2023 na PLOS Saúde Pública Global e que está relacionado ao programa "Mais Médicos Campineiro" para elevar de maneira significativa a formação de médicos de saúde da família e comunidade, programa este instituído por lei municipal de Campinas-SP, com a participação das três escolas médicas de Campinas (Unicamp, PUCC e São Leopoldo Mandic) e do governo municipal de Campinas através da Secretaria Municipal de Saúde e da Rede Mario Gatti (1).
Este texto estava disponível em inglês, mas decidimos publicá-lo em português para dar ciência à nossa comunidade de um importante programa que pode servir de inspiração para outras cidades ou Estados e, porque não dizer, para outras residências médicas de importância estratégica ao país.
A Atenção Primária ou Básica à Saúde (APS) é frequentemente o primeiro nível do sistema de saúde e é responsável pela coordenação do atendimento médico e interdisciplinar. Como porta de entrada preferencial do Sistema Único de Saúde (SUS), a APS é de fundamental importância e está presente em todas as regiões do país.
Ela trabalha para viabilizar o acesso à assistência à saúde e garantir a coordenação e integralidade do cuidado. Essa estrutura pode tratar aproximadamente 80% da necessidade geral relacionada às doenças apresentadas nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Apesar de sua importância, a valorização da APS e da Medicina de Família (MF) como disciplina e política pública não tem sido priorizada na maioria das instituições de ensino brasileiras.
Segundo o estudo sobre demografia médica realizado pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), o Brasil contava com 500 mil médicos em 2020, porém com distribuição desigual entre as cinco regiões do país, e concentração de profissionais nas capitais em relação ao interior. Embora a Estratégia Saúde da Família (ESF) seja considerada prioridade pelo Ministério da Saúde, muitas regiões do Brasil enfrentam dificuldades para recrutar e, principalmente, reter profissionais médicos para a área. Em 2020, o Brasil tinha 7.149 médicos de FM, apenas 2,4% de todos os especialistas do país.
Os esforços contínuos para contratar e reter médicos em áreas rurais continuam desafiadores, e muitas vagas permanecem, deixando os moradores sem acesso a cuidados de qualidade. Esse problema é enfrentado por muitos países.
Nos Estados Unidos (EUA), de 8.116 cargos de treinamento de pós-graduação em cuidados primários (que incluem pediatria, clínica médica e médicos de família), 42% foram preenchidos por graduados de escolas médicas dos EUA e a American Association of Medical Colleges (AAMC) projeta uma escassez de 21.100 a 55.200 médicos de cuidados primários (PCP) até 2034. Na Europa, onde o PCP era tradicionalmente respeitado e reconhecido, a falta de clínicos gerais (GP) também está aumentando e é uma questão preocupante. A carga de trabalho e a falta de prestígio percebido associada à trilha do PCP podem tornar os cuidados primários menos atraentes.
Esses tipos de equívocos, juntamente com salários mais baixos, esgotamento e difícil avanço na carreira, tornam os cuidados primários uma especialidade difícil de atrair e reter médicos.
Para Feuerwerker, as vagas em instituições brasileiras são resultado de vários elementos: o incentivo a especialidades e instituições distintas, a incompreensão histórica e a importância da prática e o incentivo crescente à especialização na educação médica. A falta de investimentos em insumos e infraestrutura na atenção primária, as preocupações com o desenvolvimento de carreira e os baixos salários e a valorização da formação de médicos de MF no trabalho da ESF também contribuem para a dificuldade de retenção dessas posições no Brasil.
Com o objetivo de reduzir a taxa de vagas nos programas de residência médica para FM, alguns departamentos de saúde brasileiros introduziram reformas e financiamento adicional para treinamento em MF. Em 2020, a região de Campinas, onde atuamos, introduziu um programa chamado "Mais Médicos para a Cidade de Campinas" (PMMC), que estabeleceu uma parceria entre instituições de ensino superior públicas e privadas, hospitais e Unidades de Urgência/Emergência com uma nova proposta de pós-graduação para FM. Ele criou um programa para apoiar a formação de especialistas em medicina de família, estimular a pesquisa e expandir o atendimento em Unidades Básicas de Saúde e, desde então, resultou em uma redução de 50% nas vagas.
Um dos elementos bem-sucedidos do programa de Campinas, juntamente com a qualidade da formação médica, é que ele ajuda a aproximar o treinamento em sala de aula médica da comunidade e da realidade social cotidiana. Os médicos formados pelo PMMC estão cientes de como seu trabalho impacta a comunidade local e suas necessidades específicas de saúde.
O programa resultou em um atendimento mais responsivo às necessidades da comunidade, especialmente na perspectiva de adotar um modelo de assistência que prioriza a promoção da saúde, a prevenção de doenças, o diagnóstico e o tratamento de forma integrada. No entanto, para que a ESF continue a inovar e a melhorar sua capacidade de resposta aos problemas de saúde contemporâneos, ela deve investir fortemente na formação profissional, na incorporação racional de tecnologias de informação e comunicação e na criação de condições de trabalho adequadas para equipes multidisciplinares.
(1)- Carmino De Souza e colaboradores convidados: Clarissa Vasconcellos De Souza, Giuliano Dimarzio, Adail de Almeida Rollo, Aguinaldo Gonçalves, Rubens Bedrikow e Lair Zambon - 13 de janeiro de 2023 PLOS Saúde Pública Global .
Carmino Antônio de Souza é professor titular da Unicamp. Foi secretário de saúde do estado de São Paulo na década de 1990 (1993-1994) e da cidade de Campinas entre 2013 e 2020. Secretário-executivo da secretaria extraordinária de ciência, pesquisa e desenvolvimento em saúde do governo do estado de São Paulo em 2022 e atual Presidente do Conselho de Curadores da Fundação Butantan. Diretor científico da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) e Pesquisador Responsável pelo CEPID-CancerThera-Fapesp.
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MEDICINA S/A
Hospital Vila Nova Star adota modelo inédito de pronto-socorro privativo
O Hospital Vila Nova Star, da Rede D’Or, inaugurou uma nova torre com 140 leitos que adotou um modelo inédito de pronto-socorro privativo, sem fila de espera e com exames de sangue e imagem que vão até o paciente. Com a ampliação e modernização do serviço, o atendimento é realizado em suítes individuais localizadas no térreo, onde o paciente não precisa se deslocar para diferentes setores, já que todos os serviços, como triagem, consulta médica, exames (ultrassom e análises clínicas), reavaliação e medicação, são realizados na suíte. As suítes de pronto atendimento estão localizadas na nova torre da unidade.
“No total serão 23 postos de atendimento no térreo, todas com banheiro completo privativo, incluindo ducha, que quadruplicaram a capacidade do pronto atendimento. Todas são equipadas com monitores de sinais vitais. Há também duas salas reservadas para atendimento de pacientes com risco iminente de morte”, explica Daniel Favarão Del Negro, diretor geral do Vila Nova Star.
O pronto-socorro conta com médicos de diferentes especialidades, como clínica médica, cardiologia, ortopedia e cirurgia geral, aptos a atender imediatamente às necessidades dos pacientes.
“Nas primeiras avaliações NPS (Net Promoter Score – métrica que avalia a satisfação e a fidelidade dos clientes de uma empresa), já temos índices superiores a 90, um resultado impressionante e que coloca o hospital entre os melhores do mundo. Além disso, em uma emergência, o tempo até o atendimento médico pode fazer a diferença no desfecho clínico, ou seja, na vida de um paciente. Por essa razão, nos organizamos para que não haja espera no pronto-socorro da unidade”, destaca Paulo Moll, CEO da Rede D’Or.
Expansão
Construída em um espaço de 28,2 mil metros quadrados, com 15 andares e 140 leitos de internação, a nova torre do Vila Nova Star segue o conceito de medicina de alta performance aliada à hotelaria seis estrelas já consolidada pela bandeira Star, além dos mais renomados médicos do país em suas áreas de atuação.
Com a expansão, o Vila Nova Star passou de 89 para 229 leitos, dos quais 68 de UTI. Dois andares são ocupados exclusivamente pelas suítes presidenciais e masters, com mais de 60 metros quadrados cada e antessala.
Erguida diante da necessidade de ampliar o acesso dos pacientes frente à crescente demanda, a nova estrutura integra a expansão de um dos maiores complexos hospitalares da América Latina, situado nas regiões do Itaim Bibi e Vila Olímpia, na zona sul da capital paulista, que engloba os hospitais São Luiz Itaim, Vila Nova Star, Maternidade São Luiz Star e o novo Centro de Transplantes e Cirurgias de Alta Complexidade, totalizando 720 leitos. O investimento do grupo na ampliação do complexo da Rede D’Or no Itaim é de R$ 1,5 bilhão.
“O conceito da bandeira star é ainda mais diferenciado e baseia-se num padrão assistencial de excelência comparável aos melhores e mais admirados hospitais mundialmente, com hotelaria inigualável, corpo clinico de primeira linha, profissionais altamente qualificados e tecnologia médico-assistencial de última geração para diagnóstico e tratamento, sem descuidar da humanização. O sucesso do Vila Nova Star em apenas cinco anos justifica sua expansão, para oferecer o melhor em saúde para um público exigente e sofisticado”, destaca Rodrigo Gavina, CEO de Hospitais Rede D’Or.
Tecnologias únicas e exclusivas
Paulo Hoff, médico e Presidente da Oncologia D’Or, ressalta que o Vila Nova Star dispõe de tecnologias únicas no Brasil. São equipamentos de imagem de altíssima complexidade e que se complementam para executar o que há de mais inovador em radioterapia no Brasil.
“O Cyberknife, por exemplo, é um equipamento de radioterapia sensível aos movimentos do corpo provocados pela respiração do paciente, o que o torna extremamente preciso para atingir o tumor, sem afetar órgãos sadios ao redor da célula cancerígena. Na prática, funciona como um acelerador linear montado num braço robótico, permitindo o tratamento com precisão submilimétrica de lesões pequenas com altíssima dose, preservando ao máximo os tecidos normais em torno da área tratada”, explica Hoff.
Além do Cyberknife, o hospital dispõe de outros dois equipamentos de última geração – Tomotherapy e Truebeam ST X –, que juntos formam o melhor e mais completo parque tecnológico de radioterapia do país.
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Assessoria de Comunicação
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DESTAQUES
Custos médicos corporativos no Brasil devem crescer 12,9% em 2025, aponta estudo
Abramge solicita suspensão de Consulta Pública da ANS sobre reajustes e regulação em planos de saúde
Doctoralia e Feegow lançam o Panorama das Clínicas e Hospitais 2025 com insights exclusivos sobre o setor
Mabel decreta estado de calamidade pública em Goiânia para saúde e finanças
Mamografias 3D superam exames tradicionais nos EUA, mas benefícios ainda são analisados
SAÚDE BUSINESS
Custos médicos corporativos no Brasil devem crescer 12,9% em 2025, aponta estudo
Apesar da desaceleração, aumento supera a média da América Latina e reforça a importância da gestão eficiente dos planos de saúde.
O Relatório de Tendências Globais dos Custos Médicos 2025, produzido pela Aon, projetou um aumento de 12,9% nos custos médicos corporativos no Brasil. Apesar da alta, o número representa uma redução de 1,2% em relação à edição anterior do estudo. Ainda assim, a média brasileira permanece acima da América Latina, com previsões de crescimento de 11,7% para 2024 e 10,7% para 2025.
Fatores que impulsionam os custos no Brasil
De acordo com Leonardo Coelho, vice-presidente de Health & Talent Solutions da Aon Brasil, a estabilização na frequência de uso dos serviços médicos após a pandemia não será suficiente para conter a variação nos custos em 2025. “Tratamentos, terapias e a crescente demanda por medicamentos de alto valor continuam sendo os principais motores dessa alta. Isso reforça a necessidade de uma gestão eficiente dos planos de saúde corporativos pelas empresas”, analisa.
O cálculo da tendência de custos considera o comportamento de utilização dos planos de saúde, custos de eventos médicos como consultas, atendimentos de emergência, exames, terapias e internações, além do impacto da inclusão de novas tecnologias e medicamentos no rol da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).
Destaques para 2025 no Brasil
Terapias simples: a frequência de uso dessas terapias (psicoterapia, fonoaudiologia, fisioterapia, entre outras) deve aumentar devido à cobertura ilimitada estabelecida pela ANS.
Eventos de menor complexidade: crescimento na procura por eventos eletivos.
Medicamentos de alto custo: impacto significativo, especialmente de quimioterápicos e imunossupressores adicionados ao rol nos últimos dois anos.
O estudo também destacou as condições médicas que mais elevam os custos dos planos corporativos no país: doenças autoimunes (exceto Diabetes Tipo 1), cardiovasculares, câncer e saúde mental, esta última com aumento expressivo desde a pandemia.
Panorama global
O relatório aponta que, globalmente, o aumento médio dos custos médicos será de 10% em 2025, uma leve redução em relação aos 10,1% registrados em 2024. A América Latina, no entanto, apresenta uma tendência de desaceleração, influenciada por ajustes econômicos e estratégias empresariais regionais.
Segundo Max Saraví, head de Human Capital da Aon para a América Latina, a região enfrenta desafios específicos, como desvalorização cambial e inflação, mas o cenário também abre espaço para estratégias inovadoras: “Flexibilizar benefícios é uma tendência crescente, permitindo maior controle de gastos e a criação de pacotes de benefícios mais atrativos.”
Sobre o estudo
O relatório Global Medical Trend Rates 2025 reúne dados de 112 países, consolidando informações de planos médicos corporativos administrados pela Aon. Os insights refletem as expectativas locais, regionais e globais para o comportamento dos custos de saúde.
Leia o relatório completo aqui.
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Abramge solicita suspensão de Consulta Pública da ANS sobre reajustes e regulação em planos de saúde
Entidade crítica abordagem ampla da consulta e propõe análise separada para garantir maior participação e profundidade nas discussões.
A Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) solicitou à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) a suspensão imediata da Consulta Pública 145. Essa consulta, iniciada em 19 de dezembro de 2024, visa coletar contribuições para a reformulação da Política de Preços e Reajustes do setor e abrange outros três temas: mecanismos de regulação financeira, venda online e revisão técnica. Para a Abramge, a abordagem conjunta dos temas compromete a profundidade das discussões e exige reformulação.
A Abramge defende que cada tema abordado na Consulta Pública 145 seja tratado separadamente, por meio de processos individualizados. “A condução da consulta com temas tão díspares e de tamanho impacto viola a participação social, impedindo que a sociedade tenha tempo e organização para apresentar críticas e sugestões relevantes”, afirmou a entidade em ofício enviado à ANS.
A associação também destaca que a legislação exige participação social robusta em processos regulatórios, conforme disposto na Lei nº 13.848/2019 e no Decreto nº 10.411/2020. Segundo a Abramge, a falta de foco prejudica a qualidade e a legitimidade das contribuições recebidas, comprometendo o processo.
Proposta alternativa: prazos sucessivos
Como alternativa à suspensão total da consulta, a Abramge sugere que a ANS estabeleça prazos sucessivos de 45 dias para cada tema, permitindo maior aprofundamento das discussões. “Cada um dos temas, de tão profundos que são, exige maior foco e tempo nas respectivas análises. Não somos contrários à consulta, mas ela precisa ser conduzida de forma individualizada”, declarou Gustavo Ribeiro, presidente da Abramge.
Compromisso com a sustentabilidade da saúde suplementar
A associação reafirma seu compromisso com a modernização da regulação setorial e se coloca à disposição para contribuir com propostas que promovam a sustentabilidade e eficiência da saúde suplementar no Brasil. Segundo a Abramge, mudanças significativas no horizonte regulatório demandam tempo e detalhamento adequado para análise, garantindo que operadoras, prestadores de serviços e consumidores participem de maneira estruturada e assertiva.
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MEDICINA S/A
Doctoralia e Feegow lançam o Panorama das Clínicas e Hospitais 2025 com insights exclusivos sobre o setor
Estudo aponta que 71% das instituições investem em marketing e que isso é determinante para atrair novos profissionais
O Panorama das Clínicas e Hospitais é um estudo realizado pela Doctoralia, maior plataforma de saúde do mundo, juntamente com Feegow, software líder em gestão para clínicas e consultórios, para trazer insights exclusivos do setor no Brasil. O material, que já está na 5ª edição, se consolida cada vez mais como uma referência em dados para descrever o cenário da saúde e apontar as tendências para os próximos anos. Feito em parceria com Memed, Patient Centricity, Neomed, Dr. Fisiologia e Comunidade Inovação em Saúde, a pesquisa ouviu 1.048 representantes de clínicas e hospitais dos 26 Estados do Brasil, entre os dias 15 de agosto e 22 de setembro de 2024.
O estudo aponta que 71% das instituições investem em marketing e que isso é determinante para atrair novos profissionais, principalmente porque a ausência de estratégias de comunicação eficazes em clínicas e hospitais pode criar barreiras, afastando os pacientes quando eles precisam de serviços médicos. Além disso, 16% têm a intenção de investir em marketing, mas ainda não o fizeram, mesmo sabendo da importância de promover suas clínicas e serviços. Agora com relação ao investimento de marketing e o número de especialistas, proporcionalmente as estratégias avançadas são mais adotadas por instituições maiores, com mais de 50 profissionais, e a ausência de investimento em marketing ocorre em maior proporção em clínicas menores, com dois a quatro profissionais.
Canais mais populares
O relatório também traz insights a respeito dos canais de atuação mais populares. Nesse âmbito, 8 em cada 10 instituições de saúde estão no Instagram, e pelo segundo ano consecutivo este é o canal onde as clínicas e hospitais estão mais presentes. Em seguida, destacam-se o WhatsApp (54%), o site próprio (51%) e o Google Perfil da Empresa (51%). Pela primeira vez desde 2021, o Facebook não ocupa a primeira colocação no ranking e apresenta uma queda de mais de 40%. Os resultados obtidos por meio desses canais são: aquisição de novos pacientes, aumento de receita, visibilidade, retenção de pacientes e reconhecimento da marca.
Dessa maneira, ao garantir qualidade em todas as etapas da jornada dos pacientes, as instituições de saúde acumulam os seguintes benefícios: redução do no-show, engajamento com o tratamento e satisfação com os resultados, maior taxa de retorno, mais indicações do boca a boca, custo por aquisição reduzido, menos dependência de ações de marketing, ticket médio elevado e maior percepção de valor da marca.
Principais desafios
O estudo trouxe também os principais desafios enfrentados pelas instituições de saúde. Dentre eles, destacam-se: aquisição de novos pacientes (33%), ter mais pacientes particulares (33%) e aumentar o faturamento (29%). “Atrair novos pacientes é um dos principais desafios dos profissionais de saúde e a tecnologia pode ser uma grande aliada. Por meio de soluções inovadoras é possível oferecer um atendimento cada vez mais personalizado e humanizado, o que faz toda a diferença nos dias de hoje. Cada vez mais os pacientes estão em busca de praticidade e comodidade no atendimento e, por isso, oferecer agendamentos online, disponibilizar opinião dos pacientes, facilitar a vida deles e entender as suas reais necessidades será um diferencial na hora de escolher um profissional ou clínica médica”, afirma Felipe Rizzo, CEO da Doctoralia.
Telemedicina
O relatório traz também uma análise sobre o uso da telemedicina pelos profissionais de saúde. Nesse caso, 69% dos centros de saúde já oferecem telemedicina. Em comparação com o estudo do ano passado, houve uma leve alta no uso do teleatendimento. “Vale reforçar que esse movimento pode desafogar os atendimentos presenciais, reduzir no-shows e melhorar o acesso em áreas remotas. Além disso, a pressão por competitividade e adaptação tecnológica pode ser um fator decisivo para a popularização das consultas online nos próximos anos”, reforça Rizzo.
Digitalização de serviços
É fato que nos últimos anos temos visto a digitalização de determinados serviços de saúde aumentando cada vez mais. Agendamento e confirmação de consultas são digitais em 64% dos centros de saúde; prescrição vem em seguida, com 45%; pesquisa de satisfação com 40%; pagamento (29%), contato com especialistas (26%), check-in (21%) e histórico clínico do paciente (21%).
Objetivos das clínicas e hospitais
O levantamento reforçou os objetivos das clínicas e hospitais para 2025. Os dois que se sobressaíram foram aumento do faturamento, para 59% dos entrevistados, e aquisição de novos pacientes, para 54%. Em contrapartida, metas relacionadas à eficiência operacional e à experiência do paciente foram escolhidas por menos de um terço da amostra.
Tendências
Outro insight relevante foi com relação às tendências para o próximo ano. Para metade das clínicas e hospitais a palavra chave será humanização. Mas, ainda há alguns impeditivos, já que 72% dos entrevistados nunca mapearam a jornada dos seus pacientes, sendo que isso é essencial para identificar oportunidades de humanização. Além disso, para os ouvintes os dois maiores objetivos estão mais relacionados à rentabilidade, como aumento do faturamento e aquisição de novos pacientes.
“Diante desse cenário, a preocupação em oferecer uma jornada de qualidade ao paciente ainda parece ser um mero discurso. Para que a tendência se concretize, precisamos estimular mudanças de mentalidade, de hábitos e de comportamento na gestão da saúde. Outra controvérsia é que, embora apenas 20% da amostra tenha o objetivo de investir em tecnologia, as tendências associadas ao tema tiveram bastante relevância. Nesse contexto, é importante reconhecer que, apesar da dualidade percebida entre humanização e tecnologia, ambas estão diretamente relacionadas. Dessa maneira o futuro da saúde será tão humano quanto às ações que tomamos hoje, já que as clínicas e os hospitais serão tão prósperos e sustentáveis quanto sua dedicação em colocar os pacientes no centro”, finaliza Rizzo.
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A REDAÇÃO
Mabel decreta estado de calamidade pública em Goiânia para saúde e finanças
Goiânia - O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, assinou nesta quinta-feira (2/1) decretos de calamidade pública para a saúde e para as finanças para enfrentar as crises que afetam o município. Ao todo, foram assinados 12 decretos com foco na contenção de despesas e no enfrentamento da crise na Saúde. As medidas buscam reorganizar as finanças, otimizar recursos e enfrentar os problemas críticos da gestão pública municipal. Análises preliminares da Secretaria de Fazenda estimam rombo operacional entre R$ 2 e R$ 3 bilhões, agravado por problemas na saúde que levaram a uma intervenção estadual.
Os decretos de calamidade pública são válidos por até 180 dias e abrangem desde a suspensão a novas adesões a atas de preços até restrições na aquisição de equipamentos de tecnologia. “Não se trata de cortar serviços, mas de ajustar os valores para que a população tenha um retorno melhor dos recursos públicos investidos”, afirmou o prefeito, destacando que as medidas são essenciais para estabilizar o município e priorizar áreas críticas.
O decreto financeiro visa possibilitar o contingenciamento de despesas e a renegociação de dívidas, incluindo precatórios e obrigações previdenciárias. Além do déficit operacional, estima-se mais de R$ 1 bilhão em dívidas tributárias e bloqueios de contas que dificultam o pagamento de fornecedores.
Na área da saúde, o decreto permitirá ações mais rápidas, como a compra de medicamentos e insumos e a contratação emergencial de leitos de UTI. “Precisamos de agilidade para resolver as urgências da população. O decreto nos dará condições de fazer isso sem burocracia excessiva”, pontuou Mabel.
Na gestão financeira, o decreto autoriza o contingenciamento de despesas e a renegociação de dívidas, incluindo precatórios e obrigações previdenciárias. Na saúde, as medidas emergenciais viabilizam a aquisição rápida de medicamentos, insumos e a contratação de leitos de UTI. “Precisamos de agilidade para resolver as urgências da população. O decreto nos dará condições de fazer isso sem burocracia excessiva”, destacou Mabel. O prefeito também alertou para um possível surto de dengue no início de 2025 e justificou a edição de um decreto emergencial voltado à prevenção. Entre as ações previstas, está o uso de drones para identificar e combater focos do mosquito transmissor de forma mais eficiente.
Além disso, Mabel enfatizou a necessidade de modernizar a gestão financeira com a implantação de sistemas de governança tecnológica e centros de custo, visando maior transparência no uso de recursos públicos. “Hoje, não sabemos quanto cada área realmente gasta. Isso precisa mudar, e a tecnologia será uma aliada para trazer mais eficiência”, afirmou. Os decretos também suspendem temporariamente o pagamento de horas extras aos servidores municipais, com exceção de situações emergenciais na área da saúde.
O prefeito também criticou a burocracia que atrasa entregas essenciais, como medicamentos e materiais escolares, e defendeu o uso de atas de registro de preços de outros entes federativos para acelerar contratações emergenciais. Mabel reforçou que os decretos representam um esforço conjunto para colocar Goiânia nos trilhos, enfrentando com responsabilidade os desafios financeiros e de saúde que assolam a cidade. “Estamos aqui para organizar a casa, trazer transparência e responsabilidade na gestão dos recursos públicos”, disse.
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Recadastramento de servidores
Outra iniciativa importante dos decretos será a implementação de um sistema de recadastramento dos servidores municipais. A medida visa identificar trabalhadores ativos, afastados ou em licenças prolongadas, permitindo um controle mais rigoroso da folha de pagamento e otimizando os recursos destinados à gestão de pessoal.
Na gestão financeira, Mabel planeja ainda implementar sistemas de governança tecnológica e criar centros de custo para maior transparência na destinação dos recursos. “Hoje, não sabemos quanto cada área realmente gasta. Isso precisa mudar, e a tecnologia será uma aliada para trazer mais eficiência”, afirmou. O prefeito também criticou os processos burocráticos que atrasam entregas essenciais, como medicamentos e materiais escolares. Ele defendeu o uso de atas de registro de preços de outros entes federativos para acelerar contratações emergenciais.
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FOLHA.COM
Mamografias 3D superam exames tradicionais nos EUA, mas benefícios ainda são analisados
Novo tipo de ferramenta de imagem, a tomossíntese digital da mama é cada vez mais usada para examinar mulheres
Uma nova tecnologia, às vezes chamada de mamografia 3D ou DBT, permite que os médicos examinem a mama com mais detalhes. Algumas pesquisas mostraram que ela pode detectar um pouco mais de cânceres com menos resultados falsos positivos do que as mamografias convencionais - embora ainda seja cedo para saber se esses benefícios se traduzirão em menos mortes por câncer.
"Quando soubermos a resposta, essa já será a tecnologia padrão", diz Ilana Richman, professora assistente na Escola de Medicina de Yale, que estudou a adoção do procedimento nos Estados Unidos.
Quase metade de todas as unidades de mamografia nos EUA agora são unidades de tomossíntese, e mais de 90% de todas as instalações de imagem mamária no país oferecem o procedimento, de acordo com dados federais.
Como funciona a tomossíntese?
O procedimento é semelhante a uma mamografia regular, onde a mama é comprimida entre placas e uma máquina tira raios-X. Mas na DBT, uma máquina tira múltiplos raios-X ao longo da mama e os reconstrói em fatias para criar uma imagem quase 3D. Em contraste, a mamografia tradicional tira um raio-X de toda a mama de uma vista superior e outro de uma vista lateral, criando uma imagem 2D.
Os médicos costumam compará-la a olhar fatias de pão. "A tomossíntese digital da mama nos permite desconstruir a mama em camadas para facilitar a visualização", diz Kathryn Lowry, professora associada de radiologia na Escola de Medicina da Universidade de Washington e médica no Fred Hutch Cancer Center.
Ver essas camadas adicionais pode, às vezes, ajudar a revelar massas potencialmente cancerígenas escondidas atrás de outros tecidos - ou deixar claro quando uma anormalidade não é nada, disse Richman.
Quais são os benefícios?
Vários estudos mostraram que a DBT encontra alguns cânceres a mais do que a mamografia tradicional, disse Lowry.
A taxa de detecção de câncer de uma mamografia tradicional de rotina é de cerca de quatro a seis cânceres por mil mulheres, disse Lowry. A DBT demonstrou melhorar a taxa de detecção em cerca de 0,5 a quatro cânceres adicionais por mil mulheres, diz ela. As taxas de detecção dependem do ambiente e das características do paciente, incluindo idade e densidade mamária, e se o exame é a primeira mamografia de uma pessoa.
Uma das grandes questões entre os especialistas médicos é se detectar mais cânceres previne mais mortes por câncer de mama ou simplesmente leva a uma maior probabilidade de tratamento desnecessário para cânceres que talvez nunca tivessem progredido.
"Você está realmente encontrando tumores que têm impacto clínico, ou é mais sobre diagnóstico?" diz Karla Kerlikowske, professora de medicina, epidemiologia e bioestatística na Universidade da Califórnia em São Francisco.
Ainda não sabemos se os exames de DBT reduzem as mortes por câncer de mama. A pesquisa de Kerlikowske, baseada em dados de mais de 1 milhão de pacientes, sugere que a DBT pode beneficiar aqueles que estão em alto risco de câncer de mama e têm mamas extremamente densas. Nesses pacientes, sua pesquisa sugeriu que a DBT detecta cânceres agressivos mais cedo do que uma mamografia tradicional faria.
A evidência mais convincente a favor da DBT, disseram os especialistas, é que ela reduz os resultados falso-positivos que exigem que os pacientes voltem para mais exames de imagem - de mais de 100 por mil mulheres para cerca de 90, dependendo do estudo.
"Mesmo que não haja diferença nos resultados do câncer, isso por si só significa que é um teste melhor", diz Lowry.
Reduzir esses falsos positivos significa menos ansiedade para o paciente sobre um possível diagnóstico de câncer e elimina a necessidade (e o incômodo) de retornar para mais exames de imagem.
"Se isso poupa você da ligação que diz: 'Ei, encontramos algo suspeito', isso é um benefício real para as mulheres", afirma Richman.
Os médicos recomendam para todos?
Kerlikowske, que também é médica de cuidados primários, disse que, além dos pacientes que seu estudo encontrou especificamente para se beneficiar da tomossíntese, o tipo de mamografia não importa.
Sarah M. Friedewald, professora de radiologia na Escola de Medicina Feinberg da Universidade Northwestern, afirma que encorajaria todos que podem fazer DBT a fazê-lo. "É simplesmente uma mamografia melhor", diz ela. (Friedewald é consultora da Hologic, que fabrica equipamentos de tomossíntese.)
A Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA disse que tanto a mamografia digital quanto a DBT são formas eficazes de triagem. O Colégio Americano de Radiologia endossou ambas para fins de triagem e diagnóstico.
Quanto custa a DBT?
Alguns estados exigem que seguradoras privadas cubram os exames sem coparticipação, alguns exigem cobertura mas permitem coparticipação, e vários estados não exigem nada. O Medicare cobre a triagem com DBT como um serviço preventivo gratuito, assim como o Medicaid em alguns estados.
Quando o seguro não cobre totalmente o procedimento, o custo médio do próprio bolso é de cerca de US$ 70 a US$ 77, de acordo com um estudo publicado por Richman em 2022.
Sem seguro, o preço de tabela pode ser de centenas de dólares. Planos de pagamento ou programas de triagem de saúde estaduais e comunitários podem compensar ou eliminar esse custo.
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Assessoria de Comunicação
ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
ANS endurece regras e incentiva redução de reclamações nos planos de saúde
Nova regra da ANS permite que usuário mude de plano em caso de exclusão de hospital
Remédio contra agressão a médicos
Saúde Mental e a Regulamentação da ANS: Limitações da DUT
FOLHA.COM
ANS endurece regras e incentiva redução de reclamações nos planos de saúde
Nova normativa estabelece metas para diminuir queixas e oferece descontos em multa a quem melhorar atendimento
A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) decidiu estabelecer novas regras para as operadoras de planos de saúde no que diz respeito a atendimento e demanda de beneficiários, buscando reduzir reclamações e melhorar a qualidade da prestação de serviços.
As medidas, que estão na resolução normativa nº 623, publicada poucos dias antes do fim do ano de 2024, incluem sanções mais rigorosas para empresas com desempenho insatisfatório e incentivos financeiros para aquelas que demonstrarem avanços no IGR (Índice Geral de Reclamações).
Operadoras que cumprirem as metas estipuladas pela ANS serão beneficiadas com descontos nas multas administrativas.
A normativa também ajusta critérios para que operadoras resolvam conflitos administrativos antes que se tornem processos sancionadores, desde que estejam dentro dos limites estabelecidos pelo IGR.
Segundo a normativa, será concedido desconto de 80% para empresas que alcançarem a meta de excelência do IGR trimestral e de 60% para aquelas que atingirem a meta de redução do IGR trimestral. Esses descontos aplicam-se a penalidades relacionadas a infrações administrativas definidas em lei.
Além disso, operadoras com IGR inferior ou igual à metade da média do setor poderão solicitar condições especiais para encerrar processos sancionadores, como 60% de desconto em multas pendentes na primeira instância e 40% em multas pendentes de julgamento em segunda instância.
Por outro lado, empresas que não cumprirem as metas de excelência ou de redução do IGR estarão sujeitas a penalidades agravadas. As consequências incluem agravamento de sanções administrativas para infrações relacionadas ao atendimento aos beneficiários, multas que podem chegar a até R$ 30 mil por descumprimento de regras como prazos e qualidade no suporte.
O IGR é uma ferramenta utilizada pela ANS para avaliar o desempenho das operadoras com base no volume e na natureza das reclamações registradas pelos consumidores.
"A norma é um avanço na relação entre as centrais de atendimento das operadoras e seus beneficiários e é um pilar inicial e fundamental para as mudanças fiscalizatórias que queremos implementar", disse a diretora de Fiscalização da ANS, Eliane Medeiros.
A Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde) classificou a atualização como parte de um ciclo natural do setor e destacou a importância das mudanças.
"Estimular e promover a transparência, a rastreabilidade e a segurança no atendimento aos beneficiários de planos de saúde é de suma importância para o funcionamento do setor", afirmou a entidade em nota.
Ainda segundo a associação, a busca por métricas positivas no IGR será mais um fator para engajar as operadoras na constante melhoria dos serviços prestados.
A resolução normativa nº 623/2024 foi aprovada na 616ª reunião da Diretoria Colegiada da ANS, realizada em 16 de dezembro.
As operadoras têm até julho de 2025 para ajustar seus processos internos e atender às novas exigências, o que inclui intensificar os esforços para reduzir reclamações e aumentar a resolutividade no atendimento.
Demandas agora devem ser atendidas dentro de prazos específicos, com respostas imediatas para casos de urgência e emergência. Além disso, as operadoras são obrigadas a fornecer informações claras sobre negativas de cobertura.
A especialista em saúde e consultora jurídica Juliana Hasse destaca que a está alinhada ao decreto nº 11.034/22, "incentivando melhorias nos mecanismos de atendimento".
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VALOR ONLINE
Nova regra da ANS permite que usuário mude de plano em caso de exclusão de hospital
Beneficiários de planos de saúde insatisfeitos com a exclusão de um hospital ou de um serviço de urgência e emergência que funcione dentro do hospital da rede de sua operadora, na cidade onde mora ou onde contratou o plano, poderão mudar de operadora (fazer a portabilidade sem carência) sem cumprir os prazos mínimos de permanência, de um a três anos.
Também não será mais exigido que o plano escolhido seja da mesma faixa de preço do plano de origem, como acontece atualmente nos casos de portabilidade de carências. As operadoras também estão obrigadas a comunicar os usuários, individualmente, sobre exclusões ou substituições desses serviços com 30 dias de antecedência do término.
Essas e outras novas regras da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) estão em uma resolução de 2023, que entrou em vigor nesta terça (31) e devem ser adotadas por todas as operadoras de planos de saúde, em todos os tipos de contrato.
Segundo Alexandre Fioranelli, diretor de normas e habilitação dos produtos da agência, o objetivo é trazer maior transparência e segurança aos beneficiários.
Em casos de substituição de um hospital, a operadora deverá manter ou elevar a qualificação em relação ao serviço disponível anteriormente. Por exemplo: se o hospital excluído tiver um certificado de qualidade e de segurança do paciente (acreditação) terá que ser substituído por outro prestador que possua atributo do mesmo nível ou superior.
De acordo com a agência, a operadora poderá indicar, como prestador substituto, um estabelecimento de saúde já pertencente à rede de atendimento do produto somente nos casos em que tenha havido aumento da capacidade de atendimento do prestador, por meio a ampliação dos seus serviços/leitos ou da sua instalação física, nos últimos 90 dias, correspondente aos serviços que estão sendo excluídos.
O que muda com a nova resolução
Redução da rede hospitalar
Caso o hospital ou unidade a ser excluída da rede pelo plano seja responsável por até 80% das internações em sua região de atendimento, nos últimos 12 meses, a ANS entende que ela é uma das mais utilizadas do plano e, assim, a operadora não poderá apenas retirar o hospital da rede, mas deverá substituí-lo por um novo.
Substituição de hospitais
A avaliação de equivalência de hospitais para substituição também terá regras próprias. Agora, ela deverá ser realizada a partir do uso de serviços hospitalares e do atendimento de urgência e emergência, nos últimos 12 meses. Se no período analisado os serviços tiverem sido utilizados no prestador excluído, eles precisarão ser oferecidos no prestador substituto.
Ainda neste caso, se o hospital a ser retirado pertencer ao grupo de hospitais que concentram até 80% das internações do plano, não será permitida a exclusão parcial de serviços hospitalares.
Além das mudanças, a norma mantém um critério importante para o consumidor: a obrigatoriedade de o hospital substituto estar localizado no mesmo município do excluído, exceto quando não houver prestador disponível. Neste caso, poderá ser indicado hospital em outro município próximo.
Comunicação direta
A operadora será obrigada a fazer comunicação individualizada sobre as eventuais exclusões ou substituições de hospitais e serviços de urgência e emergência contratadas dentro do hospital.
Nos casos de contratos coletivos, a comunicação poderá ser por meio da pessoa jurídica contratante, desde que a operadora comprove que foi avisado individualmente cada beneficiário titular do plano ou de seu responsável legal.
O portal corporativo e a central de atendimento das operadoras devem manter atualizadas as informações sobre as alterações ocorridas na rede assistencial hospitalar para consulta pelos beneficiários.
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O GLOBO
Remédio contra agressão a médicos
É fundamental que o Congresso aprove leis que endureçam as penas para agressores de profissionais da saúde
Nunca se falou tanto sobre a violência sofrida por médicos em seus locais de trabalho. Diariamente, relatos incluem desde ofensas verbais até agressões físicas. Em novembro, uma tragédia em Douradina (MS) revelou o ápice dessa crise: o marido de uma paciente assassinou a facadas o médico Edvandro Gil Braz dentro do posto de saúde. No dia 10 de dezembro, no Rio de Janeiro, a médica Gisele Mendes de Souza e Mello morreu após ser atingida dentro do Hospital Naval Marcílio Dias por uma bala perdida durante tiroteio entre policiais e bandidos.
A violência contra médicos em situação de trabalho afeta, em média, três profissionais por dia no país. Levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) junto às polícias civis de 26 estados e do Distrito Federal registra acúmulo de 38 mil ocorrências entre 2013 e 2024.
Esse cenário exige diagnóstico cuidadoso, pois as causas são diversas. Uma das principais é a precariedade do Sistema Único de Saúde (SUS). Diante da demora no atendimento e da falta de recursos, muitas vezes a frustração de pacientes e familiares é dirigida aos médicos, também vítimas desse enredo.
Outro fator preocupante é a ausência de segurança adequada em postos e hospitais. Afinal, a proteção patrimonial não pode ser mais importante que a segurança de médicos, demais profissionais da saúde e pacientes. Além disso, o silêncio contribui para a sensação de impunidade. Descrentes da eficiência das autoridades, desestimulados pela burocracia e temerosos de retaliações, há profissionais que suportam insultos e agressões, perpetuando um ciclo de violência.
É urgente que o Brasil reconheça a violência contra médicos como problema a ser combatido. Um passo fundamental é a aprovação, pelo Congresso Nacional, de leis que endureçam as penas para agressores de profissionais da saúde. Vários projetos tramitam com essa finalidade. Um exemplo é o PL 4.002/24, que inclui atos dessa natureza no rol dos crimes hediondos.
Entretanto, assim como o diagnóstico do problema é multifacetado, a solução também precisa ser. A aprovação de leis não resolverá o problema sem medidas de gestão para enfrentar o sucateamento da saúde. É indispensável ampliar o número de leitos, comprar equipamentos, manter estoques de insumos e medicamentos em dia e reforçar as equipes médicas. Também são necessários fluxos de trabalho mais organizados e é preciso criar redes de segurança que protejam a integridade física e emocional dos trabalhadores.
Outro caminho é a conscientização da sociedade. Em Mato Grosso do Sul, uma deputada estadual apresentou um projeto de lei que institui uma campanha anual de combate à violência contra médicos e profissionais da saúde. Iniciativas como essa são exemplos de ações que podem transformar o desrespeito numa cultura de valorização. Assim, tragédias como as de Douradina e do Rio de Janeiro não se repetirão, e o respeito e a segurança prevalecerão nos ambientes de assistência.
*José Hiran Gallo é presidente do Conselho Federal de Medicina
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MEDICINA S/A
Saúde Mental e a Regulamentação da ANS: Limitações da DUT
Por Renato Luiz Lopes de Castro Lobo
A assistência à saúde mental no Brasil enfrenta desafios estruturais que comprometem a eficácia dos tratamentos e a acessibilidade aos serviços. Um dos aspectos mais criticados é a regulamentação da ANS que limita a utilização da Diretriz de Utilização de Tecnologia (DUT) em assistência em saúde mental em regime de hospital-dia a apenas quatro grupos de doenças de acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID) no contexto do tratamento ambulatorial. Cabe esclarecer aqui que o “hospital-dia” não se constitui de tratamento hospitalar em regime de internação integral, mas, sim, de um tratamento em regime aberto em modelo de assistência do campo ambulatorial. Esse dispositivo é estratégico e essencial para a rede de cuidados por se estabelecer como dispositivo de tratamento de complexidade estruturado por equipe multiprofissional, para atendimento intermediário de situações psíquicas graves e complexas em que o usuário possui todo o suporte equivalente a uma internação, porém com tratamento em regime aberto, estando desfrutando da companhia e suporte emocional de sua casa, sem o evento potencialmente traumático de uma internação integral, prevenindo internação e monitorando os casos mais complexos para que se evitem justamente internações integrais.
Desta forma, essa restrição da DUT não apenas reduz o alcance dos serviços, mas também ignora a complexidade das condições de saúde mental do beneficiário.
A exclusão de diversas condições de saúde mental da DUT representa um sério obstáculo à recuperação de pacientes que necessitam de cuidados multidisciplinares e contínuos. A saúde mental é um campo vasto onde os diagnósticos muitas vezes se sobrepõem e as necessidades dos pacientes variam consideravelmente. Limitar a assistência a apenas quatro grupos de CID resulta em uma abordagem excludente e simplista que não atende à realidade dos pacientes que frequentemente apresentam variados níveis de gravidade nas diversas doenças psiquiátricas existentes, algumas delas como depressão unipolar e transtorno de personalidade borderline que são de alta prevalência e potencial gravidade estão, por exemplo, fora da DUT.
Em sua única, última e muito louvável publicação sobre “Diretrizes assistenciais em Saúde Mental na Saúde Suplementar”, no ano de 2008, a agência deixa clara a justa primazia do tratamento extra hospitalar/ambulatorial em Saúde Mental, porém esta restrição na DUT dos hospitais-dia em psiquiatria/saúde mental fere os próprios princípios que orientam a diretriz vigente.
Além disso, essa limitação pode levar a uma disparidade significativa no acesso ao tratamento. Pacientes que não se encaixam nos grupos permitidos podem ficar sem apoio, aumentando o risco de agravos e crises que poderiam ser evitadas com intervenções apropriadas. Essa situação não apenas impacta o bem-estar dos indivíduos, mas também gera um custo social e econômico maior, uma vez que o tratamento inadequado pode resultar em internações hospitalares em regime integral mais frequentes, mais longas e complexas.
A ANS deve revisar essa regulamentação, considerando a urgência de ampliar a DUT para incluir uma gama mais abrangente de condições de saúde mental. Uma abordagem mais inclusiva permitiria que hospitais-dia oferecessem um tratamento mais eficaz e adequado promovendo uma recuperação real e sustentável para os pacientes.
Em suma, a proteção da saúde mental no Brasil exige uma mudança na regulamentação da ANS que deve refletir a diversidade e a complexidade das condições enfrentadas pelos pacientes. Garantir acesso a um tratamento abrangente e adequado é fundamental para a promoção da saúde mental como um direito básico de todos.
*Renato Luiz Lopes de Castro Lobo é Vice-presidente da APRISME – Associação Privada de Saúde Mental.
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Assessoria de Comunicação
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DESTAQUES
Planos de saúde voltam a crescer com aumento do emprego e da renda
Medicina diagnóstica reduz geração de resíduos e investe em práticas ESG
Governo divulga calendário de feriados e pontos facultativos em 2025; veja datas
Clínica de influenciadores suspeitos de causar lesões em pacientes cobrava até seis vezes menos que o valor de mercado, diz polícia
Envelhecimento populacional expõe desigualdades e é desafio para o Estado
BRASIL 247
Planos de saúde voltam a crescer com aumento do emprego e da renda
Segundo informações divulgadas pela colunista Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo, os planos de saúde no Brasil devem encerrar 2024 com 865 mil novos beneficiários na modalidade médico-hospitalar, alcançando a marca de 51,7 milhões de vidas cobertas. A previsão da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), entidade que representa os principais grupos de operadoras de planos e seguros privados do setor no país, indicaria o maior número de usuários desde o ano 2000, quando foi iniciada a série histórica.
A estimativa representa um crescimento de 1,2% em relação ao final de 2023, quando a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) contabilizava 50,8 milhões de beneficiários. Vera Valente, diretora-executiva da FenaSaúde, ressaltou que "o resultado está alinhado ao aquecimento da atividade econômica no país e à redução da taxa de desemprego. E, consequentemente, à maior oferta de planos de saúde pelas empresas a seus colaboradores."
Além do aumento no número de beneficiários, a FenaSaúde tem direcionado esforços para combater a corrupção no sistema de saúde suplementar. A entidade estima que o setor sofre um prejuízo anual de R$ 34 bilhões devido a fraudes contra os planos de saúde. Para enfrentar esse desafio, a FenaSaúde estabeleceu uma parceria com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), com o objetivo de treinar profissionais das operadoras para identificar movimentos suspeitos. Como resultado dessa colaboração, houve um aumento de 264% no número de operações denunciadas ao Coaf por suspeitas de irregularidades entre 2023 e 2024.
Vera Valente destacou ainda que "essas medidas não apenas contribuem para a sustentabilidade financeira dos planos de saúde, mas também reforçam a confiança dos beneficiários no sistema, garantindo um atendimento de qualidade e transparente."
Com a continuidade das melhorias econômicas sob o governo Lula 3, o setor de saúde suplementar espera manter seu crescimento, oferecendo cada vez mais opções nos serviços prestados aos brasileiros.
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MEDICINA S/A
Medicina diagnóstica reduz geração de resíduos e investe em práticas ESG
A gestão de resíduos é um dos pilares da agenda ESG para empresas que buscam sustentabilidade e responsabilidade socioambiental. No âmbito da saúde e, mais especificamente, na medicina diagnóstica, a implementação de práticas adequadas de tratamento, descarte e redução de resíduos faz parte das ações para minimizar o impacto ambiental e atender às exigências regulatórias.
Segundo a sexta edição do Painel Abramed - O DNA do Diagnóstico, entre 2021 e 2023, a gestão de resíduos no setor de medicina diagnóstica mostrou avanços. Os resíduos comuns gerados pelos associados diminuíram 36,63% ao longo do período, enquanto os resíduos infectantes e perfurocortantes caíram 34,48%. Os resíduos químicos tiveram uma redução de 11,6%. Por outro lado, os rejeitos radioativos aumentaram 25,25% em 2022, mas caíram em 2023, acumulando uma redução de 58,34% em relação ao início do período.
É importante destacar que essas variações nos dois últimos anos são efeito da redução de unidades monitoradas, de 93% para 86%. Além disso, houve mudança no mix de empresas que responderam.
De qualquer forma, entre as iniciativas que podem explicar parte destas reduções, Fernanda Avila, membro do Comitê de ESG da Abramed e gerente ESG da Dasa, cita investimento em inovação tecnológica, treinamentos e parcerias. A tecnologia atua como uma aliada, seja na busca de novos métodos de tratamento de resíduos, seja na pesquisa de novos materiais que impactem menos o meio ambiente.
Como exemplo, laboratórios estão utilizando tubos menores e placas no processamento de amostras, o que reduz significativamente o uso de água e reagentes, diminuindo também a geração de resíduos. Além do benefício ambiental, essa prática melhora a experiência do paciente ao exigir volumes menores de amostras coletadas. "Neste ponto, os treinamentos são importantes, pois permitem compartilhar a responsabilidade para encontrar soluções", acrescenta Fernanda.
Para uma boa gestão de resíduos, é preciso que as pessoas compreendam o tema, seus desafios e impactos. Nesse processo, o papel das lideranças merece destaque, pois elas ensinam pelo exemplo, promovendo a conscientização e o engajamento. Importante lembrar que as práticas de ESG demandam intencionalidade e consistência para superar os desafios de implementação e garantir resultados efetivos a longo prazo.
Além das soluções tecnológicas e treinamentos, que são fundamentais, a gestão contínua e a mensuração dos resíduos também precisam ser priorizadas pelas equipes responsáveis pelo tema. "Elas possibilitam identificar e corrigir erros de processo, além de acelerarem as oportunidades de redução de resíduos de forma mais efetiva. Isso contribui para uma operação mais eficiente e responsável na escolha do investimento", diz.
Dados do Painel Abramed mostram que todas as empresas participantes possuem políticas de gestão de resíduos e oferecem treinamento sobre o tema, enquanto 84% promovem campanhas de conscientização e realizam inspeções ou auditorias internas para monitoramento das práticas. Além disso, 92% implementaram coleta seletiva, 54% reutilizam materiais e 76% reaproveitam recursos.
Em termos de metas específicas, 62% das associadas estabeleceram objetivos de redução de resíduos e realizam acompanhamento regular desses resultados, refletindo um compromisso crescente com a sustentabilidade no setor de medicina diagnóstica.
"Sempre digo que o ESG impacta as pessoas 'pelo amor ou pelo bolso'. Ambas são estratégias válidas, e a coexistência das duas é recomendável nas empresas. Campanhas e metas, por exemplo, são ferramentas que aceleram resultados, criam um ambiente propício à inovação e atraem soluções eficazes", comenta Fernanda.
Sobre o futuro, ela acredita que é importante dar mais relevância e direcionar mais investimentos às pesquisas e tecnologias voltadas para sustentabilidade. "Já existem muitas soluções interessantes disponíveis, mas o custo de implementação ainda é elevado em comparação àquelas que não focam no impacto positivo para o meio ambiente. Os desafios de sustentabilidade são complexos e exigem a colaboração de diversos setores. Não há uma 'bala de prata' para essas questões; os desafios são sistêmicos e estruturais, assim como suas soluções", diz.
Para lidar com esses desafios, são fundamentais espaços de troca de experiências, como o Comitê ESG da Abramed. "É importante perceber que muitos desses desafios são comuns a todos os associados, independentemente do tamanho ou grau de maturidade da empresa. Vejo o Comitê como uma oportunidade para o setor crescer nesse debate e acelerar sua participação nas soluções que as questões de sustentabilidade trazem para todos", declara Fernanda.
Como entidade representativa do setor de medicina diagnóstica, a Abramed vem mobilizando os associados em torno da sustentabilidade, alinhando práticas e estratégias que contribuem para um setor mais responsável, como salienta a diretora-executiva, Milva Pagano. "Atuamos como facilitadora do diálogo, promovendo a disseminação de boas práticas e a implementação de soluções que não só atendem às demandas ambientais, mas também geram valor para as empresas e para a sociedade. Nosso compromisso reflete a necessidade de uma abordagem integrada, que considere o impacto de todas as ações no longo prazo", finaliza.
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PORTAL G1
Governo divulga calendário de feriados e pontos facultativos em 2025; veja datas
Ano terá quatro feriadões, que podem vir a proporcionar quatro dias de folga seguidos para o trabalhador. Por outro lado, outros quatro feriados nacionais caem em finais de semana.
O governo publicou uma portaria com a lista de feriados e dias de ponto facultativo em 2025. O calendário foi divulgado na edição desta segunda-feira (30) do Diário Oficial da União.
Ao todo, 2025 terá quatro feriadões:
O primeiro deles é o da Páscoa, que começa em 18 de abril com a Paixão de Cristo, numa sexta-feira. O Dia de Tiradentes cai na segunda-feira seguinte, dia 21 de abril, podendo proporcionar ao trabalhador quatro dias de folga seguidos.
Os outros três feriadões caem em quintas-feiras, por isso, podem ser emendados com a sexta e o fim de semana, a depender da decisão de cada empresa. São eles: 1º de maio (Dia do Trabalhador), 20 de novembro (Dia da Consciência Negra) e o Natal, em 25 de dezembro.
Apesar disso, o calendário conta com quatro feriados que caem em finais de semana:
7 de setembro (Independência do Brasil), 12 de outubro (Nossa Senhora Aparecida), 2 de novembro (Finados) e 15 de novembro (Proclamação da República).
Municípios e estados também podem determinar em lei feriados locais, como o Carnaval e Corpus Christi, que são considerados pontos facultativos nacionais (entenda o que é no vídeo abaixo).
Assim, para ajudar no seu planejamento para o próximo ano, o g1 preparou um calendário com os pontos facultativos e feriados de 2025.
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Clínica de influenciadores suspeitos de causar lesões em pacientes cobrava até seis vezes menos que o valor de mercado, diz polícia
Cirurgias de nariz eram realizadas por R$ 5 mil, enquanto médicos cobram cerca de R$ 30 mil pelo procedimento. Dentista chegou a fazer oito cirurgias num único dia.
A Polícia Civil divulgou que a clínica dos influenciadores suspeitos de causar lesões em pacientes com procedimentos estéticos cobrava até seis vezes menos que o valor de mercado. De acordo com o dentista, que era um dos responsáveis técnicos pelo estabelecimento, a clínica cobrava R$ 5 mil para uma cirurgia de nariz. No mercado, um cirurgião-plástico cobra uma média de R$ 30
Karine Gouveia e Paulo César Dias, donos da clínica, foram presos no dia 18 de dezembro em uma operação policial que investiga a realização de procedimentos estéticos e cirúrgicos que causaram danos físicos e psicológicos a pacientes. Mais de 60 pessoas já procuraram a polícia para denunciar o estabelecimento.
O casal segue temporariamente preso na Casa do Albergado, que abriga pessoas que foram presas por crimes cometidos sem violência. Em nota, a defesa do casal informou que todos os fatos serão devidamente esclarecidos, reafirmou que não há motivação para a manutenção da prisão e que eles nunca tiveram a intenção de praticar qualquer crime (leia a nota ao final do texto).
Segundo a PC, o dentista relatou que o baixo custo dos procedimentos gerava uma alta demanda por atendimento. “Ele revelou que havia agendamentos com intervalos menores que uma hora, totalmente insuficientes para procedimentos cirúrgicos”, diz texto enviado pelo delegado Daniel Oliveira.
Em nota enviada no domingo (29), a defesa do dentista disse que ele "sempre atuou com responsabilidade e dentro dos mais elevados padrões éticos e profissionais". A advogada Nayara Caixeta afirmou ainda que o profissional apresentou todas as informações importantes às autoridades e que está à disposição para novos esclarecimentos (veja a nota completa ao final do texto).
O dentista afirmou que chegou a realizar até oito cirurgias num único dia. O profissional declarou que fazia procedimentos como lipoaspiração de papada, retração de orelha e rinomodelação.
O responsável-técnico disse ainda à polícia que a clínica tinha uma política de comissionamento. Assim, as consultoras vendiam o máximo de procedimentos possível.
Além disso, o dentista declarou que não tem formação para realizar os procedimentos e que seu conhecimento era apenas prático. Karine Gouveia e Paulo César Dias, donos da clínica, tinham conhecimento disso, de acordo com o homem.
“[O dentista] relatou que ingressou na clínica por meio de um teste proposto por Karine Gouveia, no qual realizou cirurgias em dois pacientes sem que eles soubessem que eram objeto de um teste”, afirmou texto da PC.
O Conselho Regional de Odontologia (CRO/GO) informou que "eventuais procedimentos administrativos de fiscalização do órgão são sigilosos, não sendo possível compartilhar sua existência ou desdobramentos". A instituição disse ainda que cirurgiões-dentistas têm formação e capacidade técnica para realizar procedimentos de harmonização orofacial, desde que respeitados os limites de atuação da profissão, a legislação vigente e os princípios éticos que regem a Odontologia.
A clínica conta com outra responsável técnica, que é biomédica. O Conselho Regional de Biomedicina - 3ª Região (CRBM-3) declarou que está apurando as informações divulgadas e só vai comentar o caso após ser notificado. O CRBM-3 dise ainda que a biomédica possui habilitação em biomedicina estética e que seu registro profissional está regular.
Sobre o caso
De acordo com a polícia, os procedimentos eram realizados sem condições adequadas. O delegado Daniel Oliveira afirmou que os profissionais não tinham habilitação necessária para o manejo das substâncias usadas, e as instalações da clínica apresentavam problemas, como falta de esterilização e uso de bisturis cegos.
Segundo o delegado, a Vigilância Sanitária documentou pelo menos 18 irregularidades durante a inspeção feita na unidade de Goiânia da clínica. Já unidade de Anápolis, de acordo com a investigação, não possui alvará de licença sanitária e nem projeto arquitetônico aprovado pelo órgão sanitário competente.
A Polícia Civil explicou que Karine Gouveia não possui formação superior na área da Saúde. O marido dela cuidava da parte administrativa. O delegado afirmou que eles chegaram a intimidar pacientes que buscavam reparação.
A polícia divulgou que muitos famosos frequentaram a clínica de estética de Karine Gouveia e que eles costumavam realizar "procedimentos pouco invasivos". Nesses casos, segundo a PC, dona da clínica usava "produtos de boa qualidade". Esses famosos não são investigados.
“Esses famosos, em geral, realizam procedimentos minimamente invasivos e os relatos são de que, com eles, eram usados bons produtos. As outras vítimas, em sua maioria pessoas de baixo poder aquisitivo, se propunham a fazer procedimentos invasivos”, explicou o delegado.
Nota - Defesa do casal
Sobre os procedimentos estéticos realizados na clínica, todos os pacientes sempre foram tratados com profundo respeito e cuidado. A defesa e os investigados acreditam que todos os fatos serão devidamente esclarecidos, inclusive — mas não se limitando — aos procedimentos realizados em 2017, que só agora estão vindo a público. É necessário compreender o que ocorreu nesse intervalo de tempo. Esse entendimento é tanto um direito quanto um dever dos empresários, diante dos 8 anos de atuação no mercado e dos mais de 30 mil clientes atendidos e procedimentos realizados.
As publicações baseadas em informações fornecidas pela autoridade policial, de forma unilateral e sem a realização de perícia técnica com a participação de ambas as partes, promovem a execração pública dos investigados, tratando-os como se já estivessem condenados, sem que tenham tido acesso ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. Tal postura fere gravemente os direitos humanos, desrespeitando normas internacionais protegidas pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, estabelecida em Haia, a qual está sendo acionada.
Quanto ao número crescente de pessoas que têm se manifestado, os investigados respeitam profundamente, mas é necessário analisar cada caso individualmente. Por exemplo, há pessoas que não seguiram as recomendações pós-procedimento; portanto, as consequências disso não se devem ao procedimento em si. Por isso, é essencial entender cada caso de forma isolada. A defesa também alerta para a importância de se realizar perícias em cada caso, com a participação de todas as partes envolvidas, incluindo os conselhos responsáveis, para garantir que todas as questões técnicas sejam devidamente validadas.
A decretação de prisão temporária é uma medida desproporcional e injustificável, especialmente diante da ausência de qualquer elemento concreto que impeça os investigados de responderem às acusações em liberdade. Vale ressaltar que, neste período sensível de Natal, essa decisão manteve um menino de apenas 7 anos afastado abruptamente de seus pais.
Por se tratar de um processo que tramita sob segredo de Justiça, a defesa não entrará no mérito das acusações, mas tem a absoluta certeza de que os fatos serão esclarecidos no processo, caso a caso.
Reforçam ainda que Karine Gouveia e Paulo César nunca tiveram a intenção de praticar qualquer crime.
Nota - Defesa do dentista
A defesa do dentista responsável técnico pela Clínica Karine Gouveia reitera sua confiança no esclarecimento completo dos fatos e na Justiça. Ele sempre atuou com responsabilidade e dentro dos mais elevados padrões éticos e profissionais.
Ressaltamos que todas as informações relevantes foram devidamente apresentadas às autoridades competentes e permanecemos à disposição para quaisquer esclarecimentos necessários.
Por fim, destacamos que qualquer julgamento precipitado deve ser evitado, respeitando o direito à ampla defesa e ao contraditório.
Nayara Caixeta - Firmes Caixeta Advogados
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CORREIO BRAZILIENSE
Envelhecimento populacional expõe desigualdades e é desafio para o Estado
Em um país onde a taxa de natalidade era de dez filhos por mulher e a expectativa de vida não chegava aos 45 anos, o Brasil experimenta aos poucos a inversão total da pirâmide etária. Especialistas avaliam que nova realidade exige redesenho do sistema de saúde
O envelhecimento da população brasileira se mostra presente há mais de três décadas, mas apenas agora é possível perceber um crescimento significativo de idosos residentes. Em um país onde, há menos de 100 anos, a taxa de natalidade era de dez filhos por mulher e a expectativa de vida não chegava aos 45 anos, o Brasil experimenta aos poucos a inversão total da pirâmide etária.
Com quase 33 milhões de pessoas idosas no país, o envelhecimento da população se tornou um desafio para o Estado, que precisa investir em políticas públicas que visam o bem-estar e a saúde da pessoa idosa.
O Censo Demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que a população de pessoas de 60 anos ou mais é de 32.113.490 pessoas, o que representa um acréscimo de 56,0% em relação à pesquisa de 2010.
Dessa população total, 17.887.737 (55,7%) são mulheres e 14.225.753 (44,3%) são homens. Em 1980, o Brasil tinha apenas 6,1% da população com 60 anos ou mais de idade. Já em 2022, esse grupo etário representou 15,8% da população total, enquanto em 2010 o percentual da população idosa era de 10,8%.
Os dados ainda mostram que o grupo com o maior crescimento, em relação a 2010, foram as pessoas de 65 a 69, saltando de quase 5 milhões de pessoas para 8 milhões de pessoas, um aumento percentual de 63%. Já o grupo de maior proporção populacional são as pessoas de 60 a 65 anos, que representam 10 milhões de brasileiros em 2022.
De acordo com o IBGE, o envelhecimento da população é observado quando os grupos mais jovens passam a representar menores proporções da população total, relativamente aos grupos de adultos e pessoas idosas. Esse fenômeno tem como principal indutor a redução do número médio de filhos tidos por mulher, que no Brasil ocorreu de forma progressiva e rápida desde o final da década de 1960, e, em menor medida, devido à redução da mortalidade em todos os grupos etários, incluindo entre as pessoas idosas.
Com o envelhecimento, problemas de saúde começam a ficar cada vez mais presentes e, com uma população cada vez mais velha, as doenças da velhice começam a refletir no Sistema Único de Saúde () e na falta de políticas públicas voltadas para o bem-estar dos idosos.
De acordo com médica geriatra Karla Giacomin, líder da Frente Nacional de Fortalecimento às Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) e consultora da Organização Mundial da Saúde (OMS) para políticas públicas e envelhecimento, o Brasil ainda está muito atrás de outros países em relação a oferta de políticas públicas voltadas para pessoas idosas.
Políticas públicas
"O Brasil ainda precisa melhorar muito. Nós temos muito menos ofertas de instituições de longa permanência, ou programas de apoio às famílias e comunidades. Não temos centros de convivência ou de estimulação cognitiva suficientes. Tudo isso poderia estar sendo ofertado, mas ainda não está, exatamente pela dificuldade que a nossa sociedade tem de reconhecer o envelhecimento como uma realidade", argumenta Giacomin.
Segundo a médica Maria Fernanda Lima-Costa, pesquisadora e líder do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), coordenado pela Universidade Federal de Minas Gerais e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), melhorar a saúde e o bem-estar dos idosos no Brasil requer a implementação de ações integradas, que incluem o fortalecimento do sistema público de saúde, o incentivo à prevenção de doenças e agravos à saúde, a promoção da inclusão social e o combate ao isolamento e à solidão.
"É fundamental implementar e fortalecer a Política Nacional de Cuidados, com especial atenção aos cuidados de longa duração, para atender às necessidades crescentes da população idosa, promovendo suporte qualificado aos cuidadores e garantindo acesso a serviços integrados e humanizados", diz Lima-Costa.
"Além disso, a mitigação das desigualdades em saúde entre idosos exige políticas públicas que atendam às necessidades dessa população de forma igualitária e eficiente, como o fortalecimento do , a promoção da equidade regional, as políticas intersetoriais e de longo prazo e investimento em pesquisas na área", completa a pesquisadora.
Preconceito etário
Além das dificuldades apontadas pelas especialistas, Karla Giacomin também ressalta um outro problemas que o envelhecimento traz: o , ou idadismo. De acordo com a geriatra, as pessoas que são discriminadas por conta da idade têm uma expectativa de vida até oito anos menor do que uma pessoa que não sofreu preconceito. "No Brasil, a gente ousa dizer que se você ainda não sofreu o preconceito de raça, gênero ou classe social, pode ficar tranquilo que você vai sentir o preconceito etário. E o acúmulo desses preconceitos durante a vida também adoecem", diz.
Segundo Lima-Costa, o preconceito e o exercem impactos profundos no processo de envelhecimento, que afetam tanto a saúde física quanto a mental dos idosos. A pesquisa aponta que a discriminação baseada na idade pode levar os idosos a internalizarem estereótipos negativos sobre o envelhecimento, como a ideia de que são inúteis, frágeis ou incapazes. Essa internalização pode reduzir a autoestima, gerar insegurança e desmotivar os idosos a buscarem novas experiências ou adotarem um estilo de vida ativo.
"Uma pessoa idosa que se sente discriminada pode se isolar, deixando de participar de atividades familiares, profissionais e sociais. Essa exclusão intensifica a sensação de solidão e pode desencadear problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão", explica a líder do ELSI-Brasil.
Lima-Costa também aponta a subestimação dos problemas de saúde dos idosos como uma das barreiras que envolvem o . "Por exemplo, muitos profissionais de saúde podem encarar condições como quedas como algo 'natural da idade' e não oferecer a atenção clínica necessária. Essa negligência pode resultar em diagnósticos tardios, tratamentos inadequados e piora das condições de saúde".
Além disso, outro impacto significativo do , segundo a pesquisadora, é a limitação da implementação de políticas públicas voltadas ao envelhecimento saudável. "Os parlamentares podem achar que não vale a pena investir na saúde, educação e lazer das pessoas idosas, perpetuando assim ciclos de exclusão e vulnerabilidade", complementa.
Desigualdade escancarada
Além dos obstáculos na implementação de políticas públicas, o Brasil encara outro desafio no envelhecimento da população. De acordo com a médica Karla Giacomin, a desigualdade social e econômica é um grande influenciador do tipo de envelhecimento que as populações de diferentes classes sociais enfrentaram. "O Brasil é um país marcadamente desigual. Desigualdade racial, de gênero, econômica e social. Todas essas desigualdades chegarão na velhice e vão se concretizar em demandas de cuidados que não serão iguais para todos", afirma.
Segundo ela, a chance de uma pessoa com menos de quatro anos de escolaridade precisar de cuidados é três vezes maior do que uma pessoa que tem o nível superior completo. Além disso, a chance de uma pessoa não branca precisar de cuidados é maior do que entre as pessoas brancas, assim como as chances de uma mulher precisar de cuidados também é maior do que a de um homem.
"Essas desigualdades vão nos acompanhar ao longo da vida e vão repercutir, sem sombra de dúvida, em um adoecimento piorado ou crônico que precisa de mais recursos", argumenta. "Por isso que, lutar por um de qualidade para todo mundo é obrigação de todo o brasileiro, para que o envelhecimento seja justo e igual para todos", acrescenta Giacomin.
Ademais, segundo a médica Maria Fernanda Lima-Costa, indivíduos com menor escolaridade e renda possuem menor letramento em saúde e tendem a adotar estilos de vida menos saudáveis, especialmente no que diz respeito à alimentação e à prática de atividade física. Essa realidade está diretamente associada a uma maior probabilidade de desfechos negativos em saúde.
Um estudo recente com dados do ELSI-Brasil evidenciou disparidades em cinco indicadores de envelhecimento saudável - vestir-se, tomar medicamentos, administrar dinheiro, função cognitiva e força de preensão manual. A comparação foi feita entre o Brasil, um país de renda média-alta, e Inglaterra, um país de alta renda. Os resultados mostraram que, em geral, mulheres e homens idosos ingleses (60 anos ou mais) apresentam melhor saúde em comparação aos idosos brasileiros, reforçando o impacto das condições socioeconômicas na saúde das populações.
Entre os diversos problemas que a desigualdade econômica traz, a dificuldade no acesso à saúde é um dos maiores empecilhos, em especial na velhice. Considerando que 75% desse grupo depende exclusivamente do sistema público de saúde, Lima-Costa aponta que a falta de acesso a cuidados de saúde adequados impacta de forma significativa no bem-estar dos idosos no Brasil, contribuindo para o agravamento de doenças crônicas não transmissíveis, a piora da qualidade de vida e o aumento da mortalidade.
Acesso à saúde
"Muitos idosos enfrentam dificuldades para acessar serviços de saúde regulares, como consultas médicas e tratamentos especializados, o que resulta no controle inadequado de condições como diabetes mellitus, hipertensão arterial e doenças cardíacas, levando a complicações graves e até a morte prematura. Além disso, dificuldades financeiras representam um obstáculo importante para a aquisição de medicamentos essenciais e a realização de exames preventivos e diagnósticos", avalia a líder do ELSi-Brasil.
Outro aspecto relevante é a desigualdade no acesso aos serviços de saúde em diferentes áreas de residência. Idosos que vivem em regiões periféricas ou rurais enfrentam maiores barreiras para acessar unidades de saúde, resultando em atrasos no diagnóstico e tratamento.
Um estudo conduzido pela ELSI-Brasil, entre 2015 e 2016, revelou que idosos com planos de saúde privados visitaram especialistas com maior frequência, enquanto aqueles que utilizavam a Estratégia Saúde da Família (ESF) e postos de saúde tradicionais apresentaram maior probabilidade de consultas com clínicos gerais.
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Assessoria de Comunicação
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DESTAQUES
Planos de saúde e a nova política de preços, rescisão contratual e reajuste
Amil e Dasa recebem aval do Cade para criarem rede de hospitais e clínicas
Medicina é exemplo do impacto positivo da inteligência artificial
ESTADO DE MINAS
Planos de saúde e a nova política de preços, rescisão contratual e reajuste
A consulta pública, que ocorre até 3 de fevereiro, é uma oportunidade para que todos os interessados possam discutir e contribuir com as propostas
NATÁLIA SORIANI
Advogada especialista em direito médico e da saúde
A Agência de Saúde Suplementar (ANS) apresentou, recentemente, um conjunto de propostas que podem redefinir o cenário da saúde suplementar no Brasil. As mudanças visam tornar o setor mais transparente e previsível para os consumidores, ao mesmo tempo que buscam evitar práticas abusivas por parte das operadoras. Os pontos essenciais são: reajuste de planos coletivos; mecanismos financeiros de regulação, como coparticipação e franquia; venda de planos online; e a revisão técnica de preços de planos individuais/familiares.
Uma das mudanças mais significativas diz respeito aos reajustes dos planos coletivos. Atualmente, esses planos não possuem um teto definido, o que gera incertezas e, muitas vezes, aumentos excessivos para os consumidores. A ANS propõe uma nova metodologia de cálculo, que incluiria o agrupamento de mais beneficiários para diluir riscos. Isso poderia evitar reajustes desproporcionais, particularmente em contratos com até 29 vidas, que passariam a considerar até mil beneficiários de uma mesma operadora.
Outra proposta crucial é a proibição da acumulação de índices financeiros e de sinistralidade no cálculo do reajuste. As operadoras precisarão optar por um dos dois, com o objetivo de fornecer ao consumidor uma visão mais clara e compreensível do cálculo dos reajustes.
A ANS também está revisando as regras para rescisão de contratos, estipulando que cancelamentos só poderão ocorrer no aniversário do plano, com aviso prévio de 60 dias. Esta medida visa evitar que os beneficiários sejam pegos de surpresa e dá-lhes tempo suficiente para procurar alternativas no mercado.
Em relação à coparticipação, a ANS sugere que o consumidor pague no máximo 30% por procedimento. Além disso, os custos anuais de coparticipação não poderão ultrapassar o equivalente a 3,6 mensalidades. Essas alterações pretendem proteger o consumidor de despesas excessivas e garantir que tratamentos essenciais, como terapias crônicas e tratamento oncológico, estejam isentos de coparticipação.
A proposta também inclui a obrigação de que as operadoras ofereçam opções de contratação online para planos individuais, coletivos por adesão e empresariais para MEIs. Essa mudança busca aumentar o acesso e a conveniência para os consumidores.
As propostas da ANS já estão causando repercussão no mercado. A Fenasaúde demonstrou preocupação, alegando que essas mudanças podem impactar a sustentabilidade das operadoras e aumentar os desafios para garantir o acesso à medicina privada. A Hapvida, uma das grandes operadoras, viu suas ações caírem significativamente após o anúncio, refletindo a apreensão do mercado.
A consulta pública, que ocorre entre 19 de dezembro e 3 de fevereiro, é uma oportunidade para que todos os interessados possam discutir e contribuir com as propostas. Além disso, audiências públicas estão programadas para o final de janeiro de 2025, quando serão realizadas discussões detalhadas. A implementação das novas regras está prevista para começar em janeiro de 2026, caso sejam aprovadas.
Essas mudanças propostas pela ANS são parte de um esforço contínuo para equilibrar o setor de saúde suplementar no Brasil. Ao buscar maior transparência e controle sobre os reajustes, a Agência espera criar um ambiente mais justo para os consumidores, ao mesmo tempo que desafia as operadoras ao criar um padrão mais rigoroso de práticas comerciais.
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O GLOBO
Amil e Dasa recebem aval do Cade para criarem rede de hospitais e clínicas
As duas irão controlar a Ímpar Serviços Hospitalares, que nasce como uma das maiores redes em número de leitos do país
As companhias de saúde Amil e Dasa receberam autorização da Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) nesta terça-feira para se tornarem sócias numa terceira empresa do setor.
As duas irão controlar a Ímpar Serviços Hospitalares, que será dona de 25 hospitais, seis clínicas oncológicas e seis clínicas médicas, anteriormente pertencentes a Amil e Dasa individualmente.
A empresa nasce como uma das maiores redes em número de leitos do país. O aval da superintendência-geral do órgão antitruste já permite que o negócio vá adiante.
A Amil é uma das maiores operadoras de planos de saúde e odontológicos do país. A Dasa possui laboratórios, além de hospitais e clínicas.
Segundo o Cade, a sociedade implicará em "sobreposição" de atuação nos mercados de hospitais e centros médicos nas cidades de Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.
No caso dos serviços de oncologia, o órgão antitruste identificou atuação conjunta em Niterói.
Para o Cade, no entanto, há "presença de elementos de entrada e rivalidade suficientes para afastar a probabilidade de exercício de poder de mercado", o que garantirá a concorrência no mercado.
Com a sociedade, haverá integração de atividades como diagnóstico, hospitais gerais, centros médicos, hemodinâmica e oncologia ambulatorial (quimioterapia), com os serviços de planos de saúde oferecidos pela Amil. Além disso, outros serviços da Dasa também serão usados.
O Cade não viu, porém, risco de "fechamento de mercado".
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Medicina é exemplo do impacto positivo da inteligência artificial
Uso da tecnologia tem significado diagnósticos melhores, mais rápidos, mais baratos - e mais vidas salvas Enquanto o mundo se enche de temores em torno da inteligência artificial, os avanços trazidos pela tecnologia já se fazem sentir em diversas áreas. Em nenhuma, talvez, seu impacto positivo seja tão eloquente quanto na medicina. Sistemas de IA têm significado diagnósticos melhores, mais rápidos e mais baratos.
Os benefícios para os pacientes são inequívocos em diversas especialidades médicas. A tecnologia tem permitido diagnósticos mais precoces de câncer e outras doenças, tornando o tratamento mais eficaz. Também é possível saber mais cedo se lesões ou tumores são benignos, evitando biópsias desnecessárias. Diagnósticos melhores e mais rápidos permitem que os médicos tenham mais tempo para interagir com os pacientes, explicar-lhes o tratamento e analisar outros aspectos dos casos. Deixam de ser surpreendidos por reações imprevistas aos tratamentos.
Hoje as estimativas de erros de diagnóstico giram em torno de 6% do total, e desses perto de 5% resultam em morte ou sequelas permanentes nos pacientes. O uso de IA será decisivo para melhorar tal desempenho. Hospitais que usam IA no diagnóstico de derrames cerebrais têm economizado 40 minutos até o atendimento cirúrgico do paciente, tempo que pode significar a diferença entre a vida e a morte.
A análise de imagens de colonoscopia por softwares de IA cortou pela metade os erros em diagnósticos de lesões potencialmente cancerígenas, constatou pesquisa de 2022 feita por várias instituições científicas americanas. Uma revisão recente de estudos sobre possíveis casos de câncer de pele demonstrou que diagnósticos feitos com ajuda da IA são mais precisos. Outra pesquisa, sobre câncer de mama, demonstrou que a carga de trabalho dos radiologistas caiu 68% graças à IA.
Um estudo de um hospital de Boston constatou que médicos também se saem melhor nos diagnósticos ao usar robôs de IA similares ao ChatGPT. O próprio robô pode se sair melhor sozinho. No estudo, obteve taxa de acerto de 90% nos diagnósticos, ante 76% com a participação de médicos e de 74% sem o uso da IA. Isso não significa que o médico deva ser substituído por uma máquina. Mas certamente a IA propiciará a reeducação dos profissionais para lidar melhor com os próprios erros quando confrontados com as opiniões divergentes de robôs especializados.
Outro campo beneficiado é a pesquisa médica. O AlphaFold2, IA desenvolvida pelo Google, tem sido usado para simular e decifrar as proteínas que governam todas as atividades do organismo humano. Os avanços obtidos no século passado levavam anos de trabalho duro. Com a IA, as pesquisas ganham velocidade e resultam em tratamento mais rápido para várias doenças. A medicina demonstra que, em vez de temer a nova tecnologia, deve-se tratar de aplicá-la em benefício de todos, da forma mais transparente possível.
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Assessoria de Comunicação
IA diagnóstica está transformando o cuidado com a saúde
Escrito por AdministradorAno após ano, a inteligência artificial tem se consolidado como um grande aliado na saúde, trazendo inovações que podem melhorar a precisão, a agilidade e a eficiência no diagnóstico e no tratamento de diversas condições. Assim, para 2025, quero reforçar que a IA não é mais uma simples tendência, mas sim uma realidade. No entanto, ao mesmo tempo em que essas tecnologias avançam, é crucial refletir sobre como equilibrar seu uso para não perdermos a relação humana entre médicos e pacientes.
No dia a dia da medicina, essa dicotomia entre a automação e a empatia é algo que, como líder de uma empresa de tecnologia focada em saúde, tenho acompanhado de perto. E é certo que a IA tem se mostrado uma aliada valiosa na melhoria da precisão dos diagnósticos médicos.
Algoritmos avançados têm a capacidade de processar enormes volumes de dados, incluindo imagens médicas e registros eletrônicos, e identificar padrões que muitas vezes são invisíveis ao olho humano. Isso pode resultar em diagnósticos mais rápidos e precisos, especialmente em áreas complexas como a oncologia, onde a precisão é fundamental para um tratamento eficaz.
Em 2023, o Fórum Econômico Mundial apontou que a IA poderia reduzir significativamente os erros médicos, oferecendo um suporte robusto ao processo de decisão dos médicos e permitindo intervenções precoces que podem salvar vidas. A capacidade da IA de identificar tendências e prever condições de saúde antes que elas se agravem também está impulsionando a medicina preventiva, uma área de grande importância para o futuro do sistema de saúde
Mais recentemente, um estudo de junho de 2024 da Spectral AI, mostrou como a IA está auxiliando na análise de imagens médicas: ferramentas já estão sendo aplicadas para a análise automatizada de feridas, queimaduras e outras condições, melhorando a qualidade do diagnóstico e a padronização do tratamento.
Por experiência própria, dentro dos projetos conduzimos na Pixeon, já enxergamos mudanças como:
Elaboração de Laudos Médicos: Um dos grandes desafios enfrentados por radiologistas é a precisão na transcrição dos laudos, especialmente quando se trata de detalhes críticos, como a lateralidade e o uso de contraste. A IA generativa resolve este problema ao automatizar a correção de informações inconsistentes. Por exemplo, ao realizar uma ressonância do joelho direito, caso o laudo seja gerado com dados do joelho esquerdo, a IA corrige automaticamente o erro, garantindo a precisão do texto e evitando equívocos que poderiam comprometer o tratamento do paciente.
Detecção de Anomalias em Exames de Imagem: A análise de exames médicos pode ser prejudicada por diversos fatores, como qualidade do monitor ou cansaço do médico. A IA diagnóstica pode identificar e medir nódulos pulmonares em exames de tórax, por exemplo, oferecendo apoio à decisão clínica e proporcionando diagnósticos mais completos e seguros.
Cálculos Automáticos de Medidas: A IA também automatiza cálculos de medidas em exames de imagem, como as dimensões de estruturas anatômicas. Este processo não só economiza tempo, mas também reduz o risco de erros manuais, permitindo que o médico valide as informações rapidamente e acelere o diagnóstico.
Identificação Automática de Estruturas Anatômicas Complexas: A tecnologia de IA pode identificar automaticamente estruturas anatômicas, como vértebras e regiões intervertebrais, liberando os médicos de tarefas repetitivas e permitindo que eles se concentrem em aspectos mais críticos do diagnóstico, como a interpretação dos resultados.
Escalabilidade e acessibilidade para democratizar o acesso à saúde
Com essas e muitas outras aplicações em variados setores da medicina, nós estamos vivendo um momento repleto de oportunidades que podem transformar o setor de maneira mais justa e sustentável. Em um mundo com desafios como o envelhecimento populacional e a escassez de profissionais de saúde especializados, a IA tem um papel importante na democratização do acesso à saúde.
Em regiões remotas ou com poucos especialistas, a IA pode atuar como um suporte, permitindo que médicos generalistas ou profissionais menos experientes façam diagnósticos com a mesma precisão dos especialistas. Essa escalabilidade pode transformar a maneira como os cuidados são oferecidos, reduzindo desigualdades e ampliando o alcance das intervenções.
No entanto, há um aspecto essencial da medicina que não pode ser substituído por algoritmos: a relação entre o médico e o paciente. Meu avô, médico e um dos pioneiros da radiologia, sempre me disse que mais importante do que o diagnóstico era a forma como o médico se relacionava com o paciente. Sem confiança e empatia, como poderíamos tratar as emoções e os medos que surgem ao receber um diagnóstico grave? Como poderíamos guiar um paciente em sua jornada de cura?
Por isso, à medida que a IA se torna mais presente na saúde, devemos refletir sobre esse equilíbrio. Como utilizamos essa tecnologia poderosa sem perder o toque humano que define o cuidado médico? O risco de otimizar demais os processos – especialmente com a pressão por redução de custos – é que podemos acabar perdendo o que há de mais valioso no cuidado ao paciente.
É fundamental que, ao integrar a IA aos nossos sistemas de saúde, saibamos preservar essa relação entre médico e paciente. Como meu avô sempre dizia, “não se pode jogar a água da banheira com o bebê junto.” A IA é uma ferramenta poderosa, mas não deve substituir a conexão humana que é essencial no processo de cura.
Em um cenário onde a IA está transformando as práticas médicas, como vimos nas inovações descritas pelo Fórum Econômico Mundial e pela Spectral AI, a saúde do futuro será mais eficiente, acessível e personalizada. No entanto, a grande questão que permanece é: como podemos usar essa tecnologia sem perder a humanidade que torna a medicina uma profissão única?
A resposta para essa pergunta determinará não apenas o futuro da saúde, mas também o futuro da própria relação entre os profissionais e os pacientes, algo que deve sempre ser tratado com o máximo de cuidado e respeito.
*Felipe Clemente é CEO da Pixeon.
Fonte: Medicina S/A