Postado em: 23/12/2024

CLIPPING AHPACEG 21 A 23/12/24

ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.

DESTAQUES

Lucros dos planos de saúde em 2024 atraem atenção do governo

Coaf multa em R$ 55 mi empresas que esconderam transações suspeitas

A notificação inédita da ANS e o alerta para as operadoras de saúde

Transformação cultural da segurança em unidades de saúde

IA diagnóstica está transformando o cuidado com a saúde

PORTAL TERRA

Lucros dos planos de saúde em 2024 atraem atenção do governo

O mercado de planos de saúde no Brasil encerrou 2024 com números impressionantes, registrando lucros históricos que colocam o setor no centro das atenções. Enquanto as operadoras comemoram o crescimento, o governo intensifica a fiscalização e a regulação, buscando garantir o equilíbrio entre rentabilidade e qualidade nos serviços. Saiba quais empresas lideraram os lucros e os principais desafios enfrentados pelos consumidores.

Por que os lucros dispararam em 2024?

Os planos de saúde alcançaram R$ 8,7 bilhões em lucro líquido até o terceiro trimestre de 2024, reflexo de uma retomada econômica e ajustes estratégicos nas operações das empresas. No entanto, os reajustes nas mensalidades e a redução de coberturas preocupam consumidores.

Fatores que impulsionaram os lucros:

Retomada econômica: A recuperação após a pandemia aumentou a adesão a planos privados.

Crescimento na base de clientes: Houve aumento na contratação de planos empresariais e familiares.

Revisões de contratos: Rescisões unilaterais e novos critérios de aceitação ajudaram a conter despesas.

Quais são as operadoras que mais lucraram?

Entre as maiores empresas do setor, algumas se destacaram pelo crescimento exponencial em 2024. Veja o ranking das mais lucrativas:

Bradesco Saúde

Lucro líquido: R$ 8,7 bilhões

Destaque: Crescimento de 14,5% em receitas.

Hapvida

Receita: R$ 27,3 bilhões

Destaque: Fortalecimento na região Nordeste e Sudeste.

SulAmérica Saúde

Lucro líquido: Crescimento de 17% em relação ao ano anterior.

Prevent Senior

Destaque: Maior avanço percentual no mercado, com alta de 31,9% em receitas.

Unimed Belo Horizonte

Posição: Permanece entre as 10 maiores, mas com queda em comparação a 2023.

Por que o governo intensificou a fiscalização?

O crescimento expressivo do setor acendeu o alerta do governo, que identificou pontos críticos como aumento nas reclamações de usuários e rescisões contratuais.

Principais ações do governo:

Monitoramento das operadoras: Análise do cumprimento das normas estabelecidas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Redução de práticas abusivas: Combate a cancelamentos unilaterais de contratos, especialmente de idosos.

Garantia de cobertura: Avaliação da qualidade e da disponibilidade dos serviços prestados aos consumidores.

Como isso impacta os consumidores?

Apesar dos lucros históricos, muitos consumidores enfrentaram desafios em 2024, como reajustes nos preços e dificuldades no acesso a serviços.

Principais impactos para os usuários:

Reajustes anuais elevados: A previsão é de aumento de até 25% nas mensalidades.

Rescisões contratuais: Clientes considerados de maior risco enfrentaram dificuldades para manter os planos.

Redução de coberturas: Serviços essenciais, como terapias e exames, sofreram limitações em alguns contratos.

Quais são as expectativas para o setor em 2025?

Com o aumento da regulação e maior fiscalização, espera-se que o setor se adapte para atender tanto às exigências do governo quanto às demandas dos consumidores.

Tendências para o próximo ano:

Expansão de planos acessíveis: Modelos de baixo custo para atrair novos clientes.

Inovações tecnológicas: Ampliação de telemedicina e digitalização dos serviços.

Revisão de políticas: Ajustes em contratos para maior transparência e acessibilidade.

............................

METRÓPOLES

Coaf multa em R$ 55 mi empresas que esconderam transações suspeitas

Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aplicou punições milionárias a empresas do mercado de luxo e financeiro
São Paulo - O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) multou em R$ 55,7 milhões empresas que omitiram do órgão transações suspeitas de lavagem de dinheiro de seus clientes ao longo do ano de 2024.

A cifra consta em 32 processos julgados pelo Coaf sobre empresas obrigadas a fazer alertas ao órgão caso identifiquem movimentações financeiras com indícios de crimes. O valor é 66% maior do que a soma das multas aplicadas no ano anterior: R$ 33,5 milhões.

A maior multa foi aplicada a uma empresa atualmente investigada por ligação com supostos esquemas do empresário Ricardo Magro, apontado como o maior sonegador do país.

A segunda maior sanção foi aplicada à controladora no Brasil da Louis Vuitton, empresa de artigos de luxo. Também foi multada em cifras milionárias uma revendedora de carros esportivos importados.

Vinculado ao Ministério da Fazenda, o Coaf tem como principal função elaborar relatórios de inteligência sobre transações financeiras suspeitas, como as que envolvem altas quantias em dinheiro vivo, para que sejam repassadas às polícias e ao Ministério Público. O envio de relatórios pode ser espontâneo ou a pedido dos investigadores.

Os dados que abastecem os relatórios do Coaf são enviados por bancos, cartórios, concessionárias de veículos, joalherias e outros agentes que são obrigados por lei a comunicar movimentações financeiras que possam configurar lavagem de dinheiro.

Outra função do Coaf é julgar e aplicar punições a quem deixar de alertar pagamentos suspeitos ao órgão. As multas, usualmente, correspondem a um percentual do valor das transações suspeitas que essas empresas deixaram de comunicar.

Quando punidas, essas empresas ainda podem recorrer ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, um órgão ligado ao Ministério da Fazenda que serve de segunda instância para punições do Coaf.

Maior multa do Coaf

A maior multa do ano foi aplicada à empresa Yield Financial Services, empresa de gestão financeira terceirizada de São Paulo. Basicamente, ela se apresenta como uma consultoria na região da Avenida Paulista para gerir pagamentos e recebimentos, atividades de tesouraria e outros serviços terceirizados.

O caso julgado neste ano pelo Coaf é de 2016, quando a empresa teria omitido transações suspeitas ao órgão de R$ 4,3 bilhões. O cliente e outras pessoas relacionadas à suposta lavagem de dinheiro não são mencionados pelo órgão. Sócios e diretores receberam multas de até R$ 200 mil em seus CPFs. Já a empresa recebeu a maior sanção, de R$ 20 milhões.

Em dezembro, a Yield foi alvo de uma operação deflagrada contra um suposto esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro envolvendo Ricardo Magro, dono da refinaria Refit (ex-Manguinhos).

A polícia investiga a suspeita de que Magro utiliza uma série de empresas para sonegar ICMS em São Paulo, trazendo combustível mais barato de outro estado, além de lavar dinheiro e blindar seu patrimônio de eventuais confiscos, uma vez que suas companhias estão entre os maiores devedores do país.

A Yield é vista como um dos tentáculos dos esquemas de Magro pelos investigadores. Ele nega qualquer irregularidade.

Louis Vuitton

A segunda maior multa, de R$ 5 milhões, foi aplicada à Louis Vuitton, rede francesa de venda de artigos de luxo femininos, como bolsas e roupas. Representantes da empresa no Brasil e no exterior chegaram a receber multas de até R$ 373 mil. Detalhes do caso estão em segredo, mas o Coaf tornou público parte do voto que levou à condenação da rede.

"A propósito, mesmo alegando disposição em 'diligenciar junto a instituições financeiras e de pagamento', transcorridos 1.926 dias da requisição inicial até hoje, os imputados furtaram-se a apresentar as informações faltantes, ainda que em sede defesa, mantendo lacuna que obstaculizou a ação fiscalizadora do Coaf", diz um trecho do voto.

Segundo o Coaf, ficou caracterizada a "não comunicação de operações em espécie que ultrapassaram limite fixado pelo Coaf" e a "não comunicação de operações que, nos termos de instruções emanadas das autoridades competentes", poderiam configurar lavagem de dinheiro.

Carros de luxo no Lago Sul

A terceira maior multa, no valor de R$ 5 milhões, foi aplicada à loja de carros de luxo 4 Boss, que fica no Lago Sul, em Brasília. Em um passado recente, durante a CPI da Covid, um relatório do próprio Coaf apontou aos senadores que a empresa fez um pagamento de R$ 219 mil à Precisa Medicamentos, do lobista Francisco Emerson Maximiano, denunciado por fraudes na venda da vacina Covaxin ao governo federal.

À época, a empresa justificou que se tratava de um pagamento por uma Land Rover de Max, e que também trabalhava com compra para revenda de automóveis.

No julgamento do Coaf, que não menciona transações específicas nem seu período, o órgão dá a entender que recebeu acesso a investigações com prints de conversas de WhatsApp internas da 4 Boss que demonstram que a empresa "não mantém a identificação e a manutenção de cadastros dos clientes".

"Ressalta-se que 'manter cadastros' não é fazê-lo em conversas de aplicativos de mensageria. [ ] Pelas análises da documentação apresentada pela defesa, além das inconformidades relacionadas à identificação do cliente, se mantêm as inconsistências em relação a seis das nove operações que apresentavam ausências e inconsistências no tocante aos meios de pagamento empregados", anotou o Coaf.

A infração foi pela ausência de cadastro atualizado de clientes, não comunicação de operações suspeitas e não adoção de políticas contra lavagem de dinheiro.

A reportagem entrou em contato com as empresas, mas elas não se manifestaram até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

...............................

MEDICINA S/A

A notificação inédita da ANS e o alerta para as operadoras de saúde

Em abril deste ano, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) surpreendeu o setor ao notificar mais de 300 operadoras por apresentarem notas consideradas insatisfatórias em um dos indicadores de avaliação do órgão. O envio das notificações gerou apreensão pelo ineditismo – foi a primeira vez que a ANS oficiou formalmente as operadoras de saúde neste contexto. Com o último prazo dado pela agência para adequações encerrado em outubro, o mercado agora aguarda qual será a próxima medida do órgão. O momento, cercado de expectativa, mostra-se propício para tratar de um assunto fundamental para as operadoras: a importância da governança de dados regulatórios.

O indicador que gerou a notificação da ANS diz respeito ao batimento TISS x DIOPS – que é um cruzamento entre as informações submetidas pelas operadoras via Troca de Informação em Saúde Suplementar (TISS) e os dados financeiros reportados no DIOPS, que são dados contábeis internos das próprias operadoras. O resultado da divisão entre os valores TISS e DIOPS, idealmente deve ficar entre 0,9 e 1,1. Essas inconsistências podem significar, por exemplo, que há mais despesas reportadas que o declarado financeiramente, sugerindo possível irregularidade na transmissão de dados ou na contabilização das despesas. As operadoras notificadas foram as que, na ocasião, estavam com o resultado do indicador abaixo de 0,9.

Cabe alertar que há uma expectativa que a ANS adote esta fiscalização de maneira recorrente, em meados de março de cada ano, logo após os prazos de fechamento do envio dos dados TISS de dezembro e do envio do DIOPS do quarto trimestre do ano anterior. Além da recorrência, é provável que haja recrudescimento do monitoramento da Razão de Completude TISS, e a ANS passe a exigir regularização não só das operadoras com resultados abaixo de 0,9 como também daquelas em situação oposta, porém também insatisfatória, de resultado acima de 1,1.

Para além desse caso específico, temos aqui a oportunidade de fazer uma discussão mais ampla a respeito da necessidade de qualificar a gestão de dados das operadoras de saúde.

Primeiramente, vale ressaltar que um sistema confiável de governança de dados ajuda a minimizar riscos regulatórios. O processo permite que inconsistências, como as apontadas pelo batimento TISS x DIOPS, sejam corrigidas de forma preventiva, evitando que informações financeiras ou de atendimento apresentem lacunas.

Essa segurança é fundamental para garantir que os relatórios submetidos à ANS sejam exatos e transparentes, reduzindo a chance de notificações e penalidades que poderiam comprometer tanto a operação quanto a imagem da empresa.

Além disso, operadoras que mantêm uma governança de dados consistente são vistas como mais confiáveis e profissionais, o que pode ser decisivo no aumento de suas notas no IDSS e, consequentemente, em sua competitividade no mercado.

Alguns desses pontos foram demonstrados na prática no caso tratado inicialmente, que gerou a notificação da ANS. Naquela situação, as operadoras de saúde relataram dificuldades semelhantes, independentemente de seus portes. Entre elas, uma das principais foi a gestão do indicador: tornou-se um desafio central compreender as métricas, rastrear a origem do dado e neutralizar o descompasso entre o informado na TISS e no DIOPS. Outro problema enfrentado foi provocado pela falta de eficiência de alguns sistemas de gestão, o que dificultou a compreensão dos dados e a geração de relatórios precisos.

Além dos benefícios diretos para as operadoras de saúde, do ponto de vista dos beneficiários, a governança de dados também agrega valor ao garantir a segurança e a precisão das informações sobre tratamentos, procedimentos e cobertura. Erros na gestão desses dados podem levar a interrupções de atendimento, negação de procedimentos ou até falhas na atualização dos planos, o que gera desconfiança e prejudica o relacionamento com os clientes. Nesse sentido, a transparência e a segurança proporcionadas se tornam um diferencial importante.

Sem contar que uma estrutura sólida de dados permite que as operadoras avancem em inovação, adotando tecnologias de análise preditiva e inteligência artificial para prever demandas, personalizar serviços e reduzir desperdícios, por exemplo. No cenário atual, em que a digitalização e a personalização são crescentes expectativas dos consumidores, operadoras que integram essas práticas conseguem antecipar necessidades, melhorar a gestão de custos e proporcionar um atendimento cada vez mais assertivo.

Diante do exposto, vemos que investir em governança de dados se mostra essencial para o cumprimento de exigências normativas, sobretudo em um contexto tão complexo e com regulamentação cada vez mais rigorosa, sendo uma ferramenta estratégica que pode evitar prejuízos e fortalecer a reputação das operadoras. Apresenta-se, ainda, como um alicerce para um modelo de gestão mais ágil, confiável e centrado no beneficiário, o que pode ser o diferencial de longo prazo para o crescimento sustentável das operadoras.


*Flávio Exterkoetter é fundador e CEO da Blendus.

..........................

Transformação cultural da segurança em unidades de saúde

A transformação cultural da segurança nas instituições de saúde é um desafio, mas é fundamental para assegurar a qualidade do cuidado e a segurança dos pacientes. Esse caminho exige a integração entre infraestrutura física e o capital humano, dois pilares que, quando bem gerenciados, resultam na cultura organizacional de excelência.

A Base Estrutural Física: Fundamento da Transformação

infraestrutura física é um elemento tangível que serve como ponto de partida para a implementação de processos eficazes. Ambientes adequados e bem planejados otimizam fluxos de trabalho, promovem a ergonomia e melhoram a resposta às urgências/emergências. Essa base sólida também previne eventos adversos, reduz riscos e facilita o diagnóstico correto.

Mais do que reformas ou aquisições tecnológicas, a melhoria da infraestrutura passa obrigatoriamente pelo redesenho de processos. A análise cuidadosa do espaço existente permite ajustar fluxos e linhas de cuidado, promovendo eficiência e segurança. Por exemplo, layouts, que favorecem a proximidade entre unidades e a comunicação entre equipes, aumentam a capacidade de resposta e reduzem o tempo de assistência em situações críticas.

Capital Humano: O Motor da Cultura de Segurança

Se a infraestrutura física é o alicerce, o capital humano é o motor que impulsiona a transformação cultural. Composto por conhecimentos, habilidades e atitudes dos profissionais, esse recurso intangível impacta profundamente as organizações. Equipes capacitadas e resilientes, apoiadas por ambientes colaborativos e seguros, são capazes de adaptar-se rapidamente às adversidades e propor soluções inovadoras.

A liderança desempenha um papel central nesse processo. Em momentos de crise, líderes eficazes estabelecem padrões comportamentais que moldam a cultura organizacional a longo prazo. Investir na formação de times de alta performance e na capacitação contínua dos profissionais é essencial para consolidar práticas seguras e centradas no paciente.

Ferramentas e Estratégias de Transformação

Para alcançar uma transformação cultural sólida, é necessário o uso de ferramentas e estratégias que conectem a infraestrutura ao capital humano. Entre as principais estão:

Métodos Lean: Otimizam processos, eliminam desperdícios e reduzem a carga de trabalho.

Tomada de decisão baseada em dados: Informações confiáveis e análises consistentes guiam decisões assertivas.

Pesquisas de cultura de segurança: Avaliam percepções e identificam áreas de melhoria.

Governança clínica: Atua como princípio norteador, garantindo que as ações estejam alinhadas à qualidade assistencial.

A Sinergia entre Estrutura e Pessoas

A verdadeira transformação cultural da segurança ocorre na interseção entre infraestrutura e capital humano. Juntos, eles criam um ambiente onde a prática segura é sustentada por fluxos otimizados, ergonomia e recursos tecnológicos, enquanto profissionais qualificados maximizam o uso dessas ferramentas.

A integração dessas dimensões não apenas melhora os indicadores de segurança, como também promove uma cultura de melhoria contínua e inovação, pilares fundamentais para alcançar a excelência na saúde.

Investir simultaneamente em estrutura física e capital humano é o caminho para construir instituições de saúde preparadas para enfrentarem os desafios atuais e futuros, sempre colocando o paciente no centro do cuidado e implementando uma visão de alta confiabilidade hospitalar.


*Rubens Covello é sócio-fundador e CEO da Quality Global Alliance (QGA), cofundador da HSO – Health Standards Organization e co-fundador e vice-presidente do CBEXs – Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde

..............................

IA diagnóstica está transformando o cuidado com a saúde

Ano após ano, a inteligência artificial tem se consolidado como um grande aliado na saúde, trazendo inovações que podem melhorar a precisão, a agilidade e a eficiência no diagnóstico e no tratamento de diversas condições. Assim, para 2025, quero reforçar que a IA não é mais uma simples tendência, mas sim uma realidade. No entanto, ao mesmo tempo em que essas tecnologias avançam, é crucial refletir sobre como equilibrar seu uso para não perdermos a relação humana entre médicos e pacientes.

No dia a dia da medicina, essa dicotomia entre a automação e a empatia é algo que, como líder de uma empresa de tecnologia focada em saúde, tenho acompanhado de perto. E é certo que a IA tem se mostrado uma aliada valiosa na melhoria da precisão dos diagnósticos médicos.

Algoritmos avançados têm a capacidade de processar enormes volumes de dados, incluindo imagens médicas e registros eletrônicos, e identificar padrões que muitas vezes são invisíveis ao olho humano. Isso pode resultar em diagnósticos mais rápidos e precisos, especialmente em áreas complexas como a oncologia, onde a precisão é fundamental para um tratamento eficaz.

Em 2023, o Fórum Econômico Mundial apontou que a IA poderia reduzir significativamente os erros médicos, oferecendo um suporte robusto ao processo de decisão dos médicos e permitindo intervenções precoces que podem salvar vidas. A capacidade da IA de identificar tendências e prever condições de saúde antes que elas se agravem também está impulsionando a medicina preventiva, uma área de grande importância para o futuro do sistema de saúde

Mais recentemente, um estudo de junho de 2024 da Spectral AI, mostrou como a IA está auxiliando na análise de imagens médicas: ferramentas já estão sendo aplicadas para a análise automatizada de feridas, queimaduras e outras condições, melhorando a qualidade do diagnóstico e a padronização do tratamento.

Por experiência própria, dentro dos projetos conduzimos na Pixeon, já enxergamos mudanças como:

Elaboração de Laudos Médicos: Um dos grandes desafios enfrentados por radiologistas é a precisão na transcrição dos laudos, especialmente quando se trata de detalhes críticos, como a lateralidade e o uso de contraste. A IA generativa resolve este problema ao automatizar a correção de informações inconsistentes. Por exemplo, ao realizar uma ressonância do joelho direito, caso o laudo seja gerado com dados do joelho esquerdo, a IA corrige automaticamente o erro, garantindo a precisão do texto e evitando equívocos que poderiam comprometer o tratamento do paciente.

Detecção de Anomalias em Exames de Imagem: A análise de exames médicos pode ser prejudicada por diversos fatores, como qualidade do monitor ou cansaço do médico. A IA diagnóstica pode identificar e medir nódulos pulmonares em exames de tórax, por exemplo, oferecendo apoio à decisão clínica e proporcionando diagnósticos mais completos e seguros.

Cálculos Automáticos de Medidas: A IA também automatiza cálculos de medidas em exames de imagem, como as dimensões de estruturas anatômicas. Este processo não só economiza tempo, mas também reduz o risco de erros manuais, permitindo que o médico valide as informações rapidamente e acelere o diagnóstico.

Identificação Automática de Estruturas Anatômicas Complexas: A tecnologia de IA pode identificar automaticamente estruturas anatômicas, como vértebras e regiões intervertebrais, liberando os médicos de tarefas repetitivas e permitindo que eles se concentrem em aspectos mais críticos do diagnóstico, como a interpretação dos resultados.

Escalabilidade e acessibilidade para democratizar o acesso à saúde

Com essas e muitas outras aplicações em variados setores da medicina, nós estamos vivendo um momento repleto de oportunidades que podem transformar o setor de maneira mais justa e sustentável. Em um mundo com desafios como o envelhecimento populacional e a escassez de profissionais de saúde especializados, a IA tem um papel importante na democratização do acesso à saúde.

Em regiões remotas ou com poucos especialistas, a IA pode atuar como um suporte, permitindo que médicos generalistas ou profissionais menos experientes façam diagnósticos com a mesma precisão dos especialistas. Essa escalabilidade pode transformar a maneira como os cuidados são oferecidos, reduzindo desigualdades e ampliando o alcance das intervenções.

No entanto, há um aspecto essencial da medicina que não pode ser substituído por algoritmos: a relação entre o médico e o paciente. Meu avô, médico e um dos pioneiros da radiologia, sempre me disse que mais importante do que o diagnóstico era a forma como o médico se relacionava com o paciente. Sem confiança e empatia, como poderíamos tratar as emoções e os medos que surgem ao receber um diagnóstico grave? Como poderíamos guiar um paciente em sua jornada de cura?

Por isso, à medida que a IA se torna mais presente na saúde, devemos refletir sobre esse equilíbrio. Como utilizamos essa tecnologia poderosa sem perder o toque humano que define o cuidado médico? O risco de otimizar demais os processos – especialmente com a pressão por redução de custos – é que podemos acabar perdendo o que há de mais valioso no cuidado ao paciente.

É fundamental que, ao integrar a IA aos nossos sistemas de saúde, saibamos preservar essa relação entre médico e paciente. Como meu avô sempre dizia, “não se pode jogar a água da banheira com o bebê junto.” A IA é uma ferramenta poderosa, mas não deve substituir a conexão humana que é essencial no processo de cura.

Em um cenário onde a IA está transformando as práticas médicas, como vimos nas inovações descritas pelo Fórum Econômico Mundial e pela Spectral AI, a saúde do futuro será mais eficiente, acessível e personalizada. No entanto, a grande questão que permanece é: como podemos usar essa tecnologia sem perder a humanidade que torna a medicina uma profissão única?

A resposta para essa pergunta determinará não apenas o futuro da saúde, mas também o futuro da própria relação entre os profissionais e os pacientes, algo que deve sempre ser tratado com o máximo de cuidado e respeito.


*Felipe Clemente é CEO da Pixeon.

.................................

Assessoria de Comunicação